Cascavelense no Porsche Cup?…

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David Muffato recebendo instruções de Vinícius Quadros, engenheiro do Porsche GT3 Cup, antes de seu primeiro teste com um carro da categoria, em Interlagos.

CASCAVEL – Nada certo, ainda, mas é muito possível que o automobilismo de Cascavel tenha, pela primeira vez, um representante no Porsche GT3 Cup Brasil. Pelo que observei a certa distância na sexta-feira em Interlagos, arriscaria apostar alguns cobres na presença de David Muffato no grid das nove etapas de 2017.

Faz tempo, e disso eu já sabia, que o David está ensaiando uma aproximação sem compromisso com a categoria. Faria um teste em dezembro, mas sua agenda de trabalho impediu a ida a São Paulo no dia em que houve uma atividade assim para alguns pilotos. Houve outra bateria de treinos experimentais anteontem cedo. Dener Pires avisou o David sobre a data umas duas semanas atrás, houve tempo de sobra para que a operação toda fosse programada e lá estava o David pronto para saber de fato como é acelerar um Porsche GT3 911 da geração 991. “Fazia tempo que eu queria conhecer o carro, conhecer a estrutura do campeonato mais de perto. Quando o Dener falou que haveria esse teste de fevereiro eu disse ‘opa!, vamos lá’, e dessa vez consegui me programar e fazer o teste”.

Para quem competiu por 13 temporadas na Stock Car, onde foi campeão em 2003, o comparativo entre os dois carros foi inevitável. Até porque seu primeiro referencial direto no Porsche Cup foi outro campeão da Stock, Max Wilson, um dos pilotos consultores da categoria – foi, também, o comentarista da minha primeira transmissão de TV, em 2009, para o finado Speed Channel. “Fiz uma sequência de voltas com pneus usados e os tempos foram muito bons, segundo a telemetria mostrou, comparando com uma volta do Max com pneus zero (quilômetro)”, contou. “E o carro me surpreendeu, um carro muito bom, prazeroso de guiar, e muito confortável”, frisou, estabelecendo o primeiro comparativo com o Stock Car.

Isso porque o habitáculo do Stock, ao que parece, não é dos mais hospitaleiros para grandalhões de mais de um e oitenta como David, Thiago Camilo e Átila Abreu, só para dar dois exemplos mais. “Uma coisa que eu sempre critiquei, não só eu como vários outros pilotos, é que o carro da Stock Car foi construído para pilotos que têm 1,72, 1,75. Eu e outros pilotos que têm mais de 1,80 sempre sofremos um pouco dentro dos carros da Stock, era desconfortável, tudo isso”, rememorou. “E no Porsche é o contrário, você se adapta rapidamente, você pode mexer o volante para cima ou para baixo, o banco, e fica muito confortável, dá tranquilidade e segurança para guiar”, ilustrou.

A avaliação do desempenho do GT3 Cup fluiu igualmente em forma de comparativo. “Me surpreendeu, porque a potência dele é maior que a do Stock. De curvas o Porsche é um carro muito bom, como o Stock também é. Só nas freadas é que a gente consegue ser um pouquinho mais agressivo com o Stock. Mas achei muito legal. O prazer de guiar um carro rápido como o da Porsche que guiei na sexta-feira me deixou muito feliz. O carro é muito, muito bom”, falou.

David Muffato não foi o primeiro cascavelense a acelerar um carro da categoria. Pedro, seu pai, teve essa experiência quase dois anos atrás, na programação da única etapa que o Porsche GT3 Cup realizou em Cascavel em suas 12 temporadas de história. Daniel Kaefer, no mesmo dia, teve experiência parecida e ensaiou uma estreia efetiva na categoria, mas preferiu continuar disputando a Copa Petrobras de Marcas, onde está desde 2014.

David pode ser o primeiro piloto da cidade a alinhar num grid. É uma hipótese que ele não faz a menor questão de descartar. Pelo contrário. “Vamos ver. Agora é questão de conversar com o Dener, e conforme as coisas acontecerem pode ser que eu vá correr de Porsche em 2017”. Deve correr. E por que esse palpite meu? Nada científico, nem fruto de alguma informação privilegiada que eu tenha conseguido com o Dener, o Vini, o Enzo, a Regina ou qualquer outro integrante do staff (tentei aportuguesar, como sempre, mas “estafe” fica horrível). É apenas palpite, mesmo. E porque tenho dito desde que trocou a Stock Car pela Fórmula Truck, em fins de 2013, que o David tem o perfil de um piloto de ponta do Porsche GT3 Cup. Parece que vou poder conferir isso.

Copo meio cheio

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Alexandre Papazissis, eu, Fernando Fortes e Marcelo Costa. Ao fim das contas, acabamos formando um time bem bacana com o Bujão, o Leandro e o Leonardo. A foto, como todas as do post, é do Rodrigo Ruiz.

SÃO PAULO – Todo mundo conhece a teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Um copo contém água até a metade. Um pessimista que o avalia diz que ele está meio vazio; um otimista, que está meio cheio. Equivale-se à cascatinha dos dois vendedores de calçados que foram mandados a um país pobre da África pela fabricante. Um deles pegou o avião de volta no primeiro dia, alegou que lá ninguém usa calçados e não venderia para ninguém; o outro ficou e avisou a empresa para dar um gás na produção, observando que lá ninguém usava calçados, era uma clientela em potencial.

Atenhamos à história do copo d’água, menos xenofóbica que a outra. Saí de Interlagos ontem à noite, na verdade já no início da madrugada de hoje, sem saber se o copo estava meio cheio ou meio vazio. Poderia avaliar o fim de semana sob os dois pontos de vista, com sobras. Dormi com essa dúvida. Quando acordei, dei de cara com o macacão de corrida pendurado no cabide ao lado da cama do hotel e tive certeza de que o copo da nossa presença nas 8 Horas de Interlagos estava meio cheio.

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Essa, acho, é da tomada de tempos da sexta-feira. O sol na cara ao fim da tarde é um problema nas subidas do Laranjinha e do Café. E também usa os espelhos retrovisores para judiar na tomada do S do Senna.

Se estivesse meio vazio, diria que meus companheiros de equipe me ferraram na sexta-feira quando me apontaram para ser o piloto do carro na tomada de tempos classificatória, da mesma forma como me ferraram quando fui o escolhido para levar o GM Celta da Tuta Racing-Leandro Motorsport à pista no treino de aquecimento e, mais ainda, para largar na corrida de ontem, as 8 Horas de Interlagos. Caramba, um deles não poderia ter assumido esse trabalho?

Mas o copo estava meio cheio. Alexandre Papazissis, Fernando Fortes e Marcelo Costa, todos eles bem mais experientes que eu nesse negócio de guiar carros de corridas, confiaram no meu taco para o treino classificatório. O Fernando disse que era por mérito, já que cada um de nós tinha feito um treino livre e o melhor tempo de volta era o meu – algo casual, uma circunstância de escolha dos pneus que deixou o carro melhor quando entrei na pista por volta do meio-dia de sexta do que para eles, que treinaram depois. Confiaram no meu taco para fazer a última verificação de tudo no treino de 20 minutos que antecedeu a largada, quando uma das tarefas era assentar devidamente as pastilhas de freio que acabavam de ser instaladas no carro. Igualmente, confiaram no meu taco para o primeiro turno da corrida, em que um ritmo mais lento que o dos caras lá da frente poderia potencializar a perda de terreno.

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O grid das 8 Horas de Interlagos não reuniu tantos carros quanto reuniria. Lamento por quem vinha e desistiu de vir. A festa estava ótima e a corrida foi divertidíssima.

Se o copo estivesse meio vazio, diria que somos uns ferrados, eu e meus companheiros de equipe. Caramba, tivemos que mexer nos freios do carro duas ou três vezes durante a corrida. E ainda teve aquele alternador que pifou já de noite, a três horas do fim, que nos custou meia dúzia de voltas nos boxes. E de novo dificuldades com os freios nos últimos turnos, o do Fernando e o do Marcelo, e mais o motor que abriu o bico a 25 minutos do término. Ah, não, é muita desgraça para um box só.

Como o copo estava meio cheio, e também para não ser injusto, a primeira parada para a ziquezira com as pastilhas nos custou pouco, só 75 segundos além dos quatro minutos do tempo mínimo de parada nos boxes. Rapaziada da equipe trabalhou rápido e bem. Quando sentei no carro pela segunda vez, decidiram usar o tempo da parada obrigatória de 15 minutos – todas as equipes tinham de cumprir um pit stop de 15 minutos na corrida, a qualquer tempo – para um reparo mais minucioso que se fazia necessário, até agora não sei direito o que era, já estava dentro do carro e não sei o que tanto mexiam. Mas funcionou. O carro que ganhou a corrida, não sei se por imprevisto ou por opção prévia dos Arias, teve até os discos de freio trocados. O motor quebrou? Fato, isso deixou todo mundo com cara de bunda no box. Isso porque, mesmo com todos os nossos percalços, ainda estávamos correndo atrás de pelo menos um lugar no pódio. Pelo transcurso da corrida, antes dos problemas começaram a visitar o nosso box e os dos nossos adversários, estávamos caminhando para um ótimo terceiro lugar, com pretensão sólida de brigar pelo segundo. As provas longas, que para mim ainda são meio que novidade, têm disso. E carro de corrida quebra, é uma máxima que temos de aceitar, todos nós que orbitamos, em qualquer nível, esse mundinho dos autódromos. O copo estava meio cheio, e o problema que nos tirou da corrida aconteceu no último turno, quando todo mundo já havia se divertido na pista, cada um no seu quadrado. Já imaginou se o carro quebra na minha mão nos primeiros minutos de corrida e fica todo mundo chupando o dedo? Não, nada disso. Aceleramos por mais de sete horas e meia. Foi muito bom.

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Estávamos a caminho de um pódio certo com o Celtinha preparado pelos gaúchos. Mas corridas, sobretudo as de longa duração, acabam nos pregando algumas peças. Paciência, vamos para a próxima.

Com o copo meio vazio, eu mesmo me sujeitaria a uma sessão de chibatadas pelo ritmo pífio no meu turno à noite. Nunca havia entrado numa pista à noite, só consegui assumir um ritmo razoável quando já estava na hora de fazer mais um pit stop e passar o carro ao Alexandre. A visibilidade estava horrível, já deixo para a próxima edição minha sugestão de que o regulamento libere o uso de faróis auxiliares – só podíamos usar os que são originais dos modelos de fabricação em série.

Mas o copo estava meio cheio, e saí contente já do meu primeiro turno na corrida. Largamos lá de trás do grid – não esqueçamos que quem fez a tomada de tempos fui eu… –, quando parei no box depois de 23 voltas já estávamos em quinto ou sexto. Nas minhas contas era sexto, o Marcelo Gomes jura de pés juntos que era quinto, ele acompanhava a corrida lá do fim da reta dos boxes e garante ter contado mais de uma vez. Fiz algumas ultrapassagens, uma delas um tanto ousada (estou começando a me acostumar aos carros dessa categoria), tive um ritmo muito constante da largada até a parada, recebi cumprimentos e tapinhas nas costas quando parei no box.

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Trabalho rápido já na calada da noite. Ainda não tínhamos desistido de lutar por um lugar no pódio. Ficou para a edição de 2018 das 8 Horas de Interlagos. Ou para alguma outra corrida que faremos juntos.

Tenho dado sorte com as equipes que cruzam o meu caminho nessa doideira de participar de corridas de carros. No caso de Interlagos, estávamos em ótimas mãos. O Leonardo “Tuta” Kubaski e o Leandro Silva são dois preparadores bastante reconhecidos pelos pilotos lá do Rio Grande do Sul. Leandro e Leonardo, que se recusaram a cantar umas modas nos intervalos entre os treinos. E mais o Alexandre Rheinlander, o não menos conhecido “Bujão”, que nos deu um suporte de primeiríssima linha, e o Júlio Taboas, que não só ficou conosco no rádio do começo ao fim da corrida como nos emprestou todo o conhecimento que tem desse negócio de corrida de carros, que não é pouco. Apesar das nossas caras de bunda ontem à noite, saímos todos contentes e satisfeitos, com nossos copos meio cheios. E já combinamos, os rapazes da equipe e mais o Fernando, o Marcelo, o Alexandre e eu, que vamos enchê-los em breve.

Sobre o grid abaixo do esperado já dei meu pitaco ontem. O transcorrer da prova e seu resultado estão nesse link no Speed On Line. E eu vou tratar de fazer as malas que daqui a pouco tomo o caminho de volta para casa. Tem gente importante me esperando lá.

Turismo regional com pneus slick

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Carros em exposição na festa de premiação aos campeões gaúchos de 2016, na última sexta-feira. Em primeiro plano, o Ford Ka de Luiz Carlos Ribeiro, já calçado com os pneus slick 14×7 da argentina NA Carrera.

SÃO PAULO – Turismo Super 1.6. É esse o nome da nova categoria que a Federação Gaúcha de Automobilismo lançou na última sexta-feira, durante a festa de premiação aos campeões estaduais de 2016. Ainda ontem comentei aqui minha impressão de que a categoria Marcas 1.6 no Rio Grande do Sul estava com os dias contados. Acabou sendo uma meia-verdade: sai de cena o Marcas para entrar a Turismo Super 1.6, que importa um formato consagrado na Argentina com a Turismo Nacional, a categoria das fotos a seguir, que tem como slogan “tu auto también corre”.

Não se trata de uma apresentação em PowerPoint para eventual prospecção de patrocínio. Já homologada, a categoria terá seu primeiro campeonato em 2017. O calendário de etapas, inclusive, está definido, e antecipo aqui: Velopark no dia 4 de junho, Santa Cruz do Sul no dia 2 de julho, Tarumã em 30 de julho, Rivera em 3 de setembro, Guaporé em 8 de outubro e de novo Tarumã em 6 de novembro. Cada etapa terá duas corridas de 35 minutos, cada.

Os gaúchos não tomaram emprestado apenas o conceito da série argentina para a categoria que substitui o bom e velho Marcas & Pilotos. Os pneus dos carros também serão do país vizinho. Serão pneus slick aro 14, que de cara baixam os tempos de volta em coisa de quatro segundos e meio. Testes já feitos comprovam que são pneus capazes de manter performance por 120 voltas. Diante disso, cada jogo de pneus será lacrado para utilização em duas etapas do campeonato. O resultado de uma básica regra de três levou os promotores à conclusão esperada por quem assina o cheque da corrida: acaba saindo mais barato correr com os slick do que com os radiais utilizados em todas as séries similares.

A ideia, explícita no regulamento que será publicado terça-feira no site da Federação Gaúcha, é renovar a frota. Modelos como GM Corsa, Fiat Uno e Renault Clio, já fora das linhas de fabricação, e também as versões anteriores dos Ford Fiesta e Ka, do Fiat Palio, do VW Gol, do GM Celta e do Peugeot 206, vão ganhar a companhia de suas últimas versões e ainda de modelos como o HB20 da Hyundai, o Etios da Toyota, o C3 da Citröen e o novo Uno. “Seu carro também corre”, não esqueçamos disso. Modelos com motores 1.6 de 16 válvulas, que nas condições técnicas de competição vão desenvolver qualquer coisa em torno de 180 cavalos de potência.

Bati um papo sobre a nova categoria com o Jhonny Bonilla, que está diretamente envolvido com o novo campeonato. Que é Gaúcho, mas deverá, como fruto de um trabalho de corpo-a-corpo que já está sendo feito com pilotos e equipes do Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste, reunir participantes de vários outros estados – a meta, mesmo, é convertê-lo dentro de pouco tempo em Sul-Brasileiro ou coisa do gênero. Além de intermediar diretamente o fornecimento de pneus, é um colaborador institucional do campeonato. Ele me disse que procedimento igual foi adotado no Uruguai, país onde nasceu – mora no Brasil desde 1978 –, e que o resultado foi praticamente imediato. O Jhonny também é o gestor do novo autódromo uruguaio de Rivera, cidade localizada na fronteira com o Brasil. O Uruguai tem ainda os autódromos de Mercedes e de El Pinar, na capital Montevidéu.

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A Turismo Super 1.6 terá seus carros calçados com pneus slick. Como foi o Brasileiro de Marcas & Pilotos promovido em 2007 por Toninho de Souza. Como foi a Copa Shell de Marcas & Pilotos em fase notável de sua existência.

“O automobilismo uruguaio estava em um ostracismo. Os caras fizeram um esforço enorme e criaram a Superturismo. Só carros novos. Foram às revendas e conseguiram comprar os carros mais baratos colocando propagandas das marcas. Acabou que, em um ano, já são 40 carros Superturismo, todos com motor Cosworth e caixa sequencial. Para este ano já tiveram que criar a Classe 2, para abrir espaço para mais carros. O grid está lotado e o público voltou em massa”, descreveu o Jhonny, passando por conceitos que permeiam as conversas em rodas de autódromo no Brasil, acerca do apoio das marcas que é pequeno pelas bandas de cá e que funciona tão bem pelos lados da Argentina. Do Uruguai também, pelo visto.

Temos que tirar o chapéu para a gauchada. Os caras mantêm vivo o Endurance brasileiro, correm em mais pistas que algumas séries de nível internacional e, agora, saem com essa. O segredo deles não é segredo para ninguém: definem uma causa, se abraçam e vão em frente para viabilizar. A fórmula é tão simples quanto eficaz.

O vídeo aí abaixo foi apresentado aos desportistas presentes à ocasião da última sexta-feira, durante o lançamento da Turismo Super 1.6. Contém cenas da Turismo Nacional argentina. Vale ver.

Onze carros e um segredo

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Pilotos e preparadores durante o briefing de ontem à tarde com o diretor de provas Marcus Ramaciotti. O box número 1 poderia estar bem mais povoado, é verdade. Esses trinta e poucos nomes serão pesquisados na história do automobilismo daqui a alguns anos.

SÃO PAULO – Bem, não há segredo algum. Apenas aproveitei o número para estabelecer uma analogia boba com o nome de um filme, coisa típica de jornalista mediano – alguns têm um talento um tanto louvável para esse tipo de trocadilhos, e esse definitivamente não é o meu caso.

Não há segredo, mas há onze carros. Os onze que vão formar hoje à tarde o grid da primeira edição das 8 Horas de Interlagos. Ou Endurance Interlagos, para mencionar o nome correto da prova, que é restrita a carros da categoria Marcas & Pilotos 1.6. O regulamento técnico segue o do Campeonato Paulista, que tem alguma diferença aqui e ali em relação aos de campeonatos como o Goiano, o Mineiro, os Metropolitanos do Paraná e o Gaúcho – embora eu já tenha ouvido que a categoria Marcas 1.6 deixa de existir no Rio Grande do Sul.

Ontem à tarde, durante os treinos livres, vim postando em minha conta no Instagram  os resultados de cada sessão, postagens que eram compartilhadas em outras redes sociais. Eram onze os carros na pista no primeiro treino, e foi desse que participei. Marcelo Costa, Fernando Fortes e Alexandre Papazissis, meus parceiros na prova, fizeram um treino, cada, também. Alguém comentou a postagem no Facebook perguntando se eram só onze carros, e respondi que não, que fomos onze no primeiro treino, mas que haveria mais.

Não é de hoje que venho acompanhando, ainda que de longe, a preparação para as 8 Horas de Interlagos, ou Endurance Interlagos. Precisamente desde julho, quando a realização do evento nos foi anunciada durante o briefing de uma etapa do Paulista de Marcas & Pilotos, da qual vim a Interlagos para participar em dupla com o Caíto Carvalho. Um dos empecilhos enfrentados pelo Interlagos Motor Clube, dilema eterno do nosso automobilismo, esteve atrelado ao calendário sempre dúbio de eventos em Interlagos. Os organizadores só puderam confirmar poucos dias antes do Natal que a corrida aconteceria hoje, 18 de fevereiro. É pouco tempo para se levar a efeito uma corrida de potencial.

Mas fizeram. Contararam pilotos, equipes, parceiros, fornecedores. Formataram uma regra, viabilizaram o apoio da Pirelli para os pneus e da Boxter para um subsídio no combustível, atenderam com paciência de Jó e dedicação de uma mãe a todo tipo de dúvida que apresentamos. Aldo Piedade Júnior, um dos pilotos que participam da prova, prestou algo como uma consultoria ao clube. Eram ele e sua irmã Erika, na verdade, minhas referências para tratar de tudo que fosse relativo ao evento. Na terça-feira pela manhã falei com o Aldo (acho que só eu o chamo assim, tudo mundo diz Júnior). Quantos carros já temos? Eram doze inscrições efetivadas e quase o mesmo número de um procedimento que ele me definiu como pré-inscrições. Largamos com 20?, insisti. Acho que com um pouquinho mais que isso, ele respondeu.

Vim a São Paulo tendo em mente que estaria, em alguns momentos da corrida, dentro de um dos 21 ou 22 carros das 8 Horas de Interlagos. Mas não sabia dos episódios que vinham se sucedendo desde minha última conversa com o Júnior. Por uma série de fatores que se somaram, talvez sem que houvesse um motivo principal, os pilotos começaram a avisar que não viriam para a corrida. Não poderiam. Haveria outro compromisso. O carro não estava pronto. Foram várias as justificativas. Isso acontece bastante, em qualquer âmbito. Causou estranheza, pelo menos a mim, que tenha acontecido por atacado em um prazo de tão poucos dias. Haveria aí algum segredo para justificar o título infame do post? Não sei dizer.

Tenho o péssimo hábito de me imaginar na condição dos outros em algumas situações. Foi o que fiz ontem, me imaginei na posição do Cláudio, do Élcio, do Júnior, da Erika, do Marcão. Materialista que sou, o que me ocorreu prioritariamente nessa suposição foi o balanço financeiro – conheço um pouquinho desse negócio de promover corridas e, mesmo sem acesso a dados, vi com clareza que a prova daria, dará, prejuízo aos promotores. Fosse eu no lugar deles, imaginei, amargaria algumas indisposições, mas passaria a mão no telefone e falaria com piloto por piloto, equipe por equipe, exporia os motivos e cancelaria a corrida, ou adiaria sua realização, sei lá.

Isso se fosse eu. Não sou eu, para alívio dos quase 40 participantes. O Interlagos Motor Clube optou por honrar com tudo com que havia se comprometido. Assumiu todos os custos decorrentes da realização do evento. Aldo Júnior pediu a palavra ontem, ao fim do briefing dos pilotos. Falou em nome dos promotores. Disse que o sentimento era de uma certa tristeza por não termos hoje um grid tão povoado e colorido como todos, eu inclusive, imaginamos alguns meses atrás. Deixou-nos bem claro que dinheiro não é a preocupação para agora, esse a gente trabalha e ganha outro, o sentimento é esse. É o fim de uma história? Negativo. Começa hoje mesmo o trabalho para a segunda edição do evento, que deve sair no começo de 2018. Existe uma expectativa de que para o ano que vem o calendário de eventos seja liberado e definido com antecedência bem maior, não sei exatamente por qual motivo. Pode até ser que a edição seguinte das 8 Horas de Interlagos valha como etapa de abertura do Campeonato Paulista de Marcas & Pilotos, é algo que ainda será discutido com quem de direito.

Imagino, gosto muito de imaginar, que daqui a alguns anos as pessoas que consomem o automobilismo de competição vão pesquisar o início da história das 8 Horas de Interlagos, e nas ferramentas de busca do futuro vão encontrar os onze carros de hoje, com os nomes de seus pilotos, quem terá vencido, quantas voltas terão sido completadas, tudo isso. E os mais afeitos ao tema saberão explicar aos mais novos, que talvez nem tenham nascido, que o começo dessa história foi um tanto complicado, que houve uma série de fatores que acabaram por limar alguns carros do nosso grid, e particularmente devo ficar bastante feliz por saber que meu nome estará lá, na lista do futuro, entre os trinta e tantos que participaram no longínquo 2017 da primeira edição da corrida.

Os promotores honraram seu compromisso para conosco e prepararam uma grande festa. A nós, participantes, cabe apenas honrar nossa presença aqui e fazer da corrida de daqui a pouco exatamente isso: uma grande festa do automobilismo, que vai começar às quatro da tarde e terminar à meia-noite. Algo para ser lembrado no futuro.

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Marcelo, Fernando, Alexandre e eu estamos entre os onze de Interlagos. Vamos revezar esse carrinho aí, o simpático Celtinha da Tuta Racing-Leandro Motorsport. E vamos para o pódio.

Invasão brasileira

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A Miami 500, em novembro último, abriu a temporada do FARA USA, que tem levado à Flórida um número cada vez maior de pilotos brasileiros. A foto, conforme mostra o lacre no cantinho, é do Chris Green.

SÃO PAULO – É um termo que a mídia do esporte gosta bastante de usar, esse do título. Bastante usado quando há uma leva de competidores brasileiros em alguma disputa de âmbito internacional, e cai como uma luva para o que acontece neste fim de semana nos arredores de Miami. Falo do Homestead Motor Speedway, onde amanhã mais de uma centena de pilotos vão participar da primeira corrida de 2017 do FARA USA.

Vai ser, na verdade, a segunda etapa da temporada, que começou em novembro do ano passado com a Miami 500, que teve piloto brasileiro no topo do pódio: Giulio Borlenghi formou dupla com o inglês Mike Simpson, acho que é primo do Bart, e conduziu à vitória geral o novíssimo modelo G57 do Team Ginetta USA. O próprio Borlenghi encabeça a lista de brasileiros inscritos no evento do fim de semana. A bordo do mesmo G57 que tem despertado suspiros entre os pilotos de provas longas, ele formará dupla com o paulista Artur Fortunato, fera da Fórmula 3.

Adolpho Rossi, que é quem orquestra as ações do Team Ginetta USA no belíssimo campeonato da Flórida, terá seis carros na pista no fim de semana. Cinco deles com competidores brasileiros. Além do Giulio e do Arturzinho, haverá duplas com a bandeira verde-amarela em três dos quatro modelos G55 do grid. Falo de Elias Azevedo/Júlio Martini, Ramon Alcaraz/Maurício Salla (não confundam com o bonachão Maurizio Sala) e Ricardo Barbosa/Cássio Homem de Mello – o Edu, pai do Cássio que formou dupla com ele na peleia de novembro, desta vez fica nos boxes dando palpites. Outro carro inscrito pela equipe é o G40, que terá o brasileiro Ésio Vichiese correndo em dupla com o norte-americano Ethan Law.

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Marcello Sant’Anna, formando trio com Sérgio Laganá e William Freire, vai competir em Homestead com um Lamborghini igualzinho – inclusive no layout – a esse da equipe que venceu em novembro as 12 Horas de Tarumã. Na foto de Tarumã aparecem Henrique Assunção, Fernando Fortes, Andersom Toso, Pedro Queirolo, Fernando Poeta e o Marcello.

Sobre a participação do Team Ginetta eu já havia falado dias atrás aqui mesmo no blog. Mas haverá mais, bem mais brasileiros competindo em Homestead. Três deles vão pilotar o Lamborghini LP600 da Dopamina Mindful Drink. Marcello Sant’Anna, que guiou um carro igualzinho nas 12 Horas de Tarumã do ano passado – ele integrou as equipes de dois carros, inclusive o protótipo vencedor na classificação geral –, terá como parceiros Sérgio Laganá e William Freire, que venceram uma série de corridas na extinta GT Brasil.

Outra dupla da antiga GT brasileira tem Guilherme Figueirôa e Júlio Campos. No FARA USA, eles integram um trio com o Marcel Visconde – Júlio compete regularmente na Stock Car, enquanto Guilherme e Marcel estão entre os pilotos mais experientes do Porsche GT3 Cup Brasil. Estão em Homestead com a Scuderia 111 para disputar a etapa de amanhã pela Scuderia 111, também a bordo de um Lamborghini LP 600.

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Guilherme Figueirôa, Júlio Campos e Marcel Visconde voltam ao Homestead Motor Speedway, onde competem com o Lamborghini LP 600 da Scuderia 111

Já que falei de Porsche, um dos carros da marca na Homestead 500 vai ter piloto brasileiro, também. É o Beto Monteiro, que reveza com o Carlos Crespo, dos EUA, uma 911 Supercup da equipe Curva 1 Racing. O Beto vive fazendo testes para equipes do automobilismo norte-americano e soma uma série de participações no FARA USA. Pernambucano, é o piloto brasileiro de atuação mais eclética nas pistas na atualidade – lembro que tempos atrás escrevi um material sobre ele ter competido com uma dúzia de tipos diferentes de carros em uma única temporada.

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Beto Monteiro levou o número 88 que o acompanha há vários anos para a Flórida e o estampou na lateral do Porsche 911 Supercup que pilota em dupla com Carlos Crespo

Mas não, não acabou. A lista de brasileiros no evento do fim de semana em Homestead tem mais gente. O Cláudio Ramenzoni abriu mão de disputar as 8 Horas de Interlagos para formar com o Witold Ramasauskas Phellip – sim, é brasileiro, para quem não o conhece – a dupla do BMW E36 da TLM Motorsports. Ainda não vi fotos do carro, mas imagino que tenham aplicado a logo da Poraquê Solar ao layout.

Acho muito provável que haja bem mais compatriotas nossos na lista de inscritos da prova, à qual não tive acesso por pura falta de tempo. É dia de corrida por aqui também e estou quase perdendo o horário do café da manhã do hotel antes de ir para Interlagos. A programação da Homestead 500 prevê para hoje um treino livre, a tomada de tempos classificatória e o início da série de corridas de meia hora que marca a preparação dos pilotos para o evento principal de amanhã.

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Witold Ramasauskas Phellip e Cláudio Ramenzoni, dupla aqui de São Paulo que participa das provas do fim de semana em Homestead com um BMW. E que tal o estilão do Cláudio?…

8 Horas: speed on line no Speed On Line

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O Endurance Interlagos terá seu grid formado por carros da categoria Marcas & Pilotos 1.6. Já estão confirmados participantes de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A foto do post é do Leonardo Perez

CASCAVEL – Novidade bem bacana sobre o Endurance Interlagos: a corrida de sábado vai ter cobertura em tempo real do site Speed On Line. Bom saber que o Jorge Kraucher estará em Interlagos. Não só pelo bem que esse ambiente de corridas lhe fará depois de todos os dramas por que passou, mas principalmente porque, conforme relembramos há pouco em rápido bate-papo, não nos vemos há quase 14 anos. Rever os amigos é sempre bom.

Bem, o site do Jorge vai noticiar os episódios da corrida em tempo real – todo o conteúdo será concentrado nesse link aqui.

8 Horas: equipe definida

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Trouxe um trofeuzinho de Interlagos na última vez que fui correr lá, um terceiro lugar na etapa final do Paulista de Marcas, pela Novatos. A ideia, claro, é receber mais um no sábado à noite.

CASCAVEL – A equipe é uma associação das gaúchas Tuta Racing e Leandro Motorsport. Leva o nome das duas na ficha de inscrição. O carro, um GM Celta, terá o número 66. Os parceiros  serão Alexandre Papazissis, Fernando Fortes e Marcelo Costa. Os rádios para comunicação entre box e pista durante a prova já estão providenciados com a Eucomm Racing. A viagem a São Paulo está marcada para quinta de noite e a volta a Cascavel para domingo de noite. Meus patrocinadores são os de sempre, a Inspevel – Inspeção Veicular de Cascavel e a Casa Wireless.

Bem, acho que não falta mais nada além de acelerar. Está pronta a receita para eu participar, sábado agora, das 8 Horas de Interlagos, e faço sempre questão de frisar que quem chama a corrida assim sou eu, o nome oficial é “Endurance Interlagos”. A largada vai acontecer às quatro da tarde, com chegada à meia-noite e pódio um pouco antes da meia-noite. Sim, é matematicamente possível, já que a bandeira quadriculada vai baixar no PSDP no exato instante em que encerraremos o horário brasileiro de verão, portanto os relógios vão voltar às onze da noite.

Já narrei todos os parceiros. O Fernando, que anda em paz com sua vizinhança em São Bernardo do Campo, já ganhou corridas no Porsche GT3 Challenge e no Mercedes-Benz Challenge. Ganhou também em outras séries onde ainda não meto o bedelho – esteve no time alaranjado que faturou em novembro as 12 Horas de Tarumã, por exemplo. O Alexandre, paulistano, já foi kartista, coisa que voltou a praticar agora para acompanhar o filho nos treinos, e piloto de arrancada. Passou a competir de Marcas & Pilotos há uns 12 ou 13 anos, ganhou corridas no Paulista da categoria Light, disputou algumas edições do Festival Brasileiro e também fez participações na Spyder Race. O Marcelo é de Niterói. Foi campeão no Carioca de Marcas, onde correu em 2013 e 2014, e fez algumas participações no Paulista de 2015. Vê-se que estou bem servido de parceiros.

Vai ser a primeira edição da corrida. O Interlagos Motor Clube está trabalhando em ritmo quase diuturno para atingir a meta de fazer com que esse primeiro grid tenha pelo menos 30 carros – todos eles da categoria Marcas & Pilotos 1.6, como já ocorre na nossa Cascavel de Ouro. Não haverá divisão por categorias, não nessa primeira edição, e os cinco primeiros quartetos estarão no pódio. Bem, podem não ser necessariamente quartetos. Sei de pelo menos dois casos em que as oito horas de disputas serão cumpridas por duplas, haverá alguns trios, também.

No nosso caso, seremos quatro. Esperamos aparecer na fotografia do pódio. E era isso por hoje.

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Alexandre Papazissis (na foto com seu antigo chefe de equipe Leandro Romera), Fernando Fortes e Marcelo Costa. Serão eles meus parceiros – ou “teammates”, como dizem – nas 8 Horas de Interlagos.