Onze carros e um segredo

briefing

Pilotos e preparadores durante o briefing de ontem à tarde com o diretor de provas Marcus Ramaciotti. O box número 1 poderia estar bem mais povoado, é verdade. Esses trinta e poucos nomes serão pesquisados na história do automobilismo daqui a alguns anos.

SÃO PAULO – Bem, não há segredo algum. Apenas aproveitei o número para estabelecer uma analogia boba com o nome de um filme, coisa típica de jornalista mediano – alguns têm um talento um tanto louvável para esse tipo de trocadilhos, e esse definitivamente não é o meu caso.

Não há segredo, mas há onze carros. Os onze que vão formar hoje à tarde o grid da primeira edição das 8 Horas de Interlagos. Ou Endurance Interlagos, para mencionar o nome correto da prova, que é restrita a carros da categoria Marcas & Pilotos 1.6. O regulamento técnico segue o do Campeonato Paulista, que tem alguma diferença aqui e ali em relação aos de campeonatos como o Goiano, o Mineiro, os Metropolitanos do Paraná e o Gaúcho – embora eu já tenha ouvido que a categoria Marcas 1.6 deixa de existir no Rio Grande do Sul.

Ontem à tarde, durante os treinos livres, vim postando em minha conta no Instagram  os resultados de cada sessão, postagens que eram compartilhadas em outras redes sociais. Eram onze os carros na pista no primeiro treino, e foi desse que participei. Marcelo Costa, Fernando Fortes e Alexandre Papazissis, meus parceiros na prova, fizeram um treino, cada, também. Alguém comentou a postagem no Facebook perguntando se eram só onze carros, e respondi que não, que fomos onze no primeiro treino, mas que haveria mais.

Não é de hoje que venho acompanhando, ainda que de longe, a preparação para as 8 Horas de Interlagos, ou Endurance Interlagos. Precisamente desde julho, quando a realização do evento nos foi anunciada durante o briefing de uma etapa do Paulista de Marcas & Pilotos, da qual vim a Interlagos para participar em dupla com o Caíto Carvalho. Um dos empecilhos enfrentados pelo Interlagos Motor Clube, dilema eterno do nosso automobilismo, esteve atrelado ao calendário sempre dúbio de eventos em Interlagos. Os organizadores só puderam confirmar poucos dias antes do Natal que a corrida aconteceria hoje, 18 de fevereiro. É pouco tempo para se levar a efeito uma corrida de potencial.

Mas fizeram. Contararam pilotos, equipes, parceiros, fornecedores. Formataram uma regra, viabilizaram o apoio da Pirelli para os pneus e da Boxter para um subsídio no combustível, atenderam com paciência de Jó e dedicação de uma mãe a todo tipo de dúvida que apresentamos. Aldo Piedade Júnior, um dos pilotos que participam da prova, prestou algo como uma consultoria ao clube. Eram ele e sua irmã Erika, na verdade, minhas referências para tratar de tudo que fosse relativo ao evento. Na terça-feira pela manhã falei com o Aldo (acho que só eu o chamo assim, tudo mundo diz Júnior). Quantos carros já temos? Eram doze inscrições efetivadas e quase o mesmo número de um procedimento que ele me definiu como pré-inscrições. Largamos com 20?, insisti. Acho que com um pouquinho mais que isso, ele respondeu.

Vim a São Paulo tendo em mente que estaria, em alguns momentos da corrida, dentro de um dos 21 ou 22 carros das 8 Horas de Interlagos. Mas não sabia dos episódios que vinham se sucedendo desde minha última conversa com o Júnior. Por uma série de fatores que se somaram, talvez sem que houvesse um motivo principal, os pilotos começaram a avisar que não viriam para a corrida. Não poderiam. Haveria outro compromisso. O carro não estava pronto. Foram várias as justificativas. Isso acontece bastante, em qualquer âmbito. Causou estranheza, pelo menos a mim, que tenha acontecido por atacado em um prazo de tão poucos dias. Haveria aí algum segredo para justificar o título infame do post? Não sei dizer.

Tenho o péssimo hábito de me imaginar na condição dos outros em algumas situações. Foi o que fiz ontem, me imaginei na posição do Cláudio, do Élcio, do Júnior, da Erika, do Marcão. Materialista que sou, o que me ocorreu prioritariamente nessa suposição foi o balanço financeiro – conheço um pouquinho desse negócio de promover corridas e, mesmo sem acesso a dados, vi com clareza que a prova daria, dará, prejuízo aos promotores. Fosse eu no lugar deles, imaginei, amargaria algumas indisposições, mas passaria a mão no telefone e falaria com piloto por piloto, equipe por equipe, exporia os motivos e cancelaria a corrida, ou adiaria sua realização, sei lá.

Isso se fosse eu. Não sou eu, para alívio dos quase 40 participantes. O Interlagos Motor Clube optou por honrar com tudo com que havia se comprometido. Assumiu todos os custos decorrentes da realização do evento. Aldo Júnior pediu a palavra ontem, ao fim do briefing dos pilotos. Falou em nome dos promotores. Disse que o sentimento era de uma certa tristeza por não termos hoje um grid tão povoado e colorido como todos, eu inclusive, imaginamos alguns meses atrás. Deixou-nos bem claro que dinheiro não é a preocupação para agora, esse a gente trabalha e ganha outro, o sentimento é esse. É o fim de uma história? Negativo. Começa hoje mesmo o trabalho para a segunda edição do evento, que deve sair no começo de 2018. Existe uma expectativa de que para o ano que vem o calendário de eventos seja liberado e definido com antecedência bem maior, não sei exatamente por qual motivo. Pode até ser que a edição seguinte das 8 Horas de Interlagos valha como etapa de abertura do Campeonato Paulista de Marcas & Pilotos, é algo que ainda será discutido com quem de direito.

Imagino, gosto muito de imaginar, que daqui a alguns anos as pessoas que consomem o automobilismo de competição vão pesquisar o início da história das 8 Horas de Interlagos, e nas ferramentas de busca do futuro vão encontrar os onze carros de hoje, com os nomes de seus pilotos, quem terá vencido, quantas voltas terão sido completadas, tudo isso. E os mais afeitos ao tema saberão explicar aos mais novos, que talvez nem tenham nascido, que o começo dessa história foi um tanto complicado, que houve uma série de fatores que acabaram por limar alguns carros do nosso grid, e particularmente devo ficar bastante feliz por saber que meu nome estará lá, na lista do futuro, entre os trinta e tantos que participaram no longínquo 2017 da primeira edição da corrida.

Os promotores honraram seu compromisso para conosco e prepararam uma grande festa. A nós, participantes, cabe apenas honrar nossa presença aqui e fazer da corrida de daqui a pouco exatamente isso: uma grande festa do automobilismo, que vai começar às quatro da tarde e terminar à meia-noite. Algo para ser lembrado no futuro.

celta-66-01

Marcelo, Fernando, Alexandre e eu estamos entre os onze de Interlagos. Vamos revezar esse carrinho aí, o simpático Celtinha da Tuta Racing-Leandro Motorsport. E vamos para o pódio.

Invasão brasileira

miami-500

A Miami 500, em novembro último, abriu a temporada do FARA USA, que tem levado à Flórida um número cada vez maior de pilotos brasileiros. A foto, conforme mostra o lacre no cantinho, é do Chris Green.

SÃO PAULO – É um termo que a mídia do esporte gosta bastante de usar, esse do título. Bastante usado quando há uma leva de competidores brasileiros em alguma disputa de âmbito internacional, e cai como uma luva para o que acontece neste fim de semana nos arredores de Miami. Falo do Homestead Motor Speedway, onde amanhã mais de uma centena de pilotos vão participar da primeira corrida de 2017 do FARA USA.

Vai ser, na verdade, a segunda etapa da temporada, que começou em novembro do ano passado com a Miami 500, que teve piloto brasileiro no topo do pódio: Giulio Borlenghi formou dupla com o inglês Mike Simpson, acho que é primo do Bart, e conduziu à vitória geral o novíssimo modelo G57 do Team Ginetta USA. O próprio Borlenghi encabeça a lista de brasileiros inscritos no evento do fim de semana. A bordo do mesmo G57 que tem despertado suspiros entre os pilotos de provas longas, ele formará dupla com o paulista Artur Fortunato, fera da Fórmula 3.

Adolpho Rossi, que é quem orquestra as ações do Team Ginetta USA no belíssimo campeonato da Flórida, terá seis carros na pista no fim de semana. Cinco deles com competidores brasileiros. Além do Giulio e do Arturzinho, haverá duplas com a bandeira verde-amarela em três dos quatro modelos G55 do grid. Falo de Elias Azevedo/Júlio Martini, Ramon Alcaraz/Maurício Salla (não confundam com o bonachão Maurizio Sala) e Ricardo Barbosa/Cássio Homem de Mello – o Edu, pai do Cássio que formou dupla com ele na peleia de novembro, desta vez fica nos boxes dando palpites. Outro carro inscrito pela equipe é o G40, que terá o brasileiro Ésio Vichiese correndo em dupla com o norte-americano Ethan Law.

lambo

Marcello Sant’Anna, formando trio com Sérgio Laganá e William Freire, vai competir em Homestead com um Lamborghini igualzinho – inclusive no layout – a esse da equipe que venceu em novembro as 12 Horas de Tarumã. Na foto de Tarumã aparecem Henrique Assunção, Fernando Fortes, Andersom Toso, Pedro Queirolo, Fernando Poeta e o Marcello.

Sobre a participação do Team Ginetta eu já havia falado dias atrás aqui mesmo no blog. Mas haverá mais, bem mais brasileiros competindo em Homestead. Três deles vão pilotar o Lamborghini LP600 da Dopamina Mindful Drink. Marcello Sant’Anna, que guiou um carro igualzinho nas 12 Horas de Tarumã do ano passado – ele integrou as equipes de dois carros, inclusive o protótipo vencedor na classificação geral –, terá como parceiros Sérgio Laganá e William Freire, que venceram uma série de corridas na extinta GT Brasil.

Outra dupla da antiga GT brasileira tem Guilherme Figueirôa e Júlio Campos. No FARA USA, eles integram um trio com o Marcel Visconde – Júlio compete regularmente na Stock Car, enquanto Guilherme e Marcel estão entre os pilotos mais experientes do Porsche GT3 Cup Brasil. Estão em Homestead com a Scuderia 111 para disputar a etapa de amanhã pela Scuderia 111, também a bordo de um Lamborghini LP 600.

img_20170216_155425

Guilherme Figueirôa, Júlio Campos e Marcel Visconde voltam ao Homestead Motor Speedway, onde competem com o Lamborghini LP 600 da Scuderia 111

Já que falei de Porsche, um dos carros da marca na Homestead 500 vai ter piloto brasileiro, também. É o Beto Monteiro, que reveza com o Carlos Crespo, dos EUA, uma 911 Supercup da equipe Curva 1 Racing. O Beto vive fazendo testes para equipes do automobilismo norte-americano e soma uma série de participações no FARA USA. Pernambucano, é o piloto brasileiro de atuação mais eclética nas pistas na atualidade – lembro que tempos atrás escrevi um material sobre ele ter competido com uma dúzia de tipos diferentes de carros em uma única temporada.

img_20170216_150702

Beto Monteiro levou o número 88 que o acompanha há vários anos para a Flórida e o estampou na lateral do Porsche 911 Supercup que pilota em dupla com Carlos Crespo

Mas não, não acabou. A lista de brasileiros no evento do fim de semana em Homestead tem mais gente. O Cláudio Ramenzoni abriu mão de disputar as 8 Horas de Interlagos para formar com o Witold Ramasauskas Phellip – sim, é brasileiro, para quem não o conhece – a dupla do BMW E36 da TLM Motorsports. Ainda não vi fotos do carro, mas imagino que tenham aplicado a logo da Poraquê Solar ao layout.

Acho muito provável que haja bem mais compatriotas nossos na lista de inscritos da prova, à qual não tive acesso por pura falta de tempo. É dia de corrida por aqui também e estou quase perdendo o horário do café da manhã do hotel antes de ir para Interlagos. A programação da Homestead 500 prevê para hoje um treino livre, a tomada de tempos classificatória e o início da série de corridas de meia hora que marca a preparação dos pilotos para o evento principal de amanhã.

ramen-2

Witold Ramasauskas Phellip e Cláudio Ramenzoni, dupla aqui de São Paulo que participa das provas do fim de semana em Homestead com um BMW. E que tal o estilão do Cláudio?…

8 Horas: speed on line no Speed On Line

endu

O Endurance Interlagos terá seu grid formado por carros da categoria Marcas & Pilotos 1.6. Já estão confirmados participantes de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A foto do post é do Leonardo Perez

CASCAVEL – Novidade bem bacana sobre o Endurance Interlagos: a corrida de sábado vai ter cobertura em tempo real do site Speed On Line. Bom saber que o Jorge Kraucher estará em Interlagos. Não só pelo bem que esse ambiente de corridas lhe fará depois de todos os dramas por que passou, mas principalmente porque, conforme relembramos há pouco em rápido bate-papo, não nos vemos há quase 14 anos. Rever os amigos é sempre bom.

Bem, o site do Jorge vai noticiar os episódios da corrida em tempo real – todo o conteúdo será concentrado nesse link aqui.

8 Horas: equipe definida

8-horas-luc-monteiro

Trouxe um trofeuzinho de Interlagos na última vez que fui correr lá, um terceiro lugar na etapa final do Paulista de Marcas, pela Novatos. A ideia, claro, é receber mais um no sábado à noite.

CASCAVEL – A equipe é uma associação das gaúchas Tuta Racing e Leandro Motorsport. Leva o nome das duas na ficha de inscrição. O carro, um GM Celta, terá o número 66. Os parceiros  serão Alexandre Papazissis, Fernando Fortes e Marcelo Costa. Os rádios para comunicação entre box e pista durante a prova já estão providenciados com a Eucomm Racing. A viagem a São Paulo está marcada para quinta de noite e a volta a Cascavel para domingo de noite. Meus patrocinadores são os de sempre, a Inspevel – Inspeção Veicular de Cascavel e a Casa Wireless.

Bem, acho que não falta mais nada além de acelerar. Está pronta a receita para eu participar, sábado agora, das 8 Horas de Interlagos, e faço sempre questão de frisar que quem chama a corrida assim sou eu, o nome oficial é “Endurance Interlagos”. A largada vai acontecer às quatro da tarde, com chegada à meia-noite e pódio um pouco antes da meia-noite. Sim, é matematicamente possível, já que a bandeira quadriculada vai baixar no PSDP no exato instante em que encerraremos o horário brasileiro de verão, portanto os relógios vão voltar às onze da noite.

Já narrei todos os parceiros. O Fernando, que anda em paz com sua vizinhança em São Bernardo do Campo, já ganhou corridas no Porsche GT3 Challenge e no Mercedes-Benz Challenge. Ganhou também em outras séries onde ainda não meto o bedelho – esteve no time alaranjado que faturou em novembro as 12 Horas de Tarumã, por exemplo. O Alexandre, paulistano, já foi kartista, coisa que voltou a praticar agora para acompanhar o filho nos treinos, e piloto de arrancada. Passou a competir de Marcas & Pilotos há uns 12 ou 13 anos, ganhou corridas no Paulista da categoria Light, disputou algumas edições do Festival Brasileiro e também fez participações na Spyder Race. O Marcelo é de Niterói. Foi campeão no Carioca de Marcas, onde correu em 2013 e 2014, e fez algumas participações no Paulista de 2015. Vê-se que estou bem servido de parceiros.

Vai ser a primeira edição da corrida. O Interlagos Motor Clube está trabalhando em ritmo quase diuturno para atingir a meta de fazer com que esse primeiro grid tenha pelo menos 30 carros – todos eles da categoria Marcas & Pilotos 1.6, como já ocorre na nossa Cascavel de Ouro. Não haverá divisão por categorias, não nessa primeira edição, e os cinco primeiros quartetos estarão no pódio. Bem, podem não ser necessariamente quartetos. Sei de pelo menos dois casos em que as oito horas de disputas serão cumpridas por duplas, haverá alguns trios, também.

No nosso caso, seremos quatro. Esperamos aparecer na fotografia do pódio. E era isso por hoje.

8-horas-os-parceiros

Alexandre Papazissis (na foto com seu antigo chefe de equipe Leandro Romera), Fernando Fortes e Marcelo Costa. Serão eles meus parceiros – ou “teammates”, como dizem – nas 8 Horas de Interlagos.

8 Horas: vai ter prêmio em dinheiro

endurance-interlagos

CASCAVEL – Mais uma novidade que acabaram de definir para a primeira edição das 8 Horas de Interlagos, que na verdade chama-se Endurance Interlagos: a dupla, o trio ou o quarteto que ganhar a corrida deste sábado, além dos troféus, vai receber no pódio um prêmio em dinheiro de R$ 4 mil. Uma motivação a mais, que o Interlagos Motor Clube viabilizou junto à Boxter Combustíveis.

A parceria dos organizadores com a Boxter será percebida no bolso de todos os pilotos, na verdade. Fornecedora do etanol combustível dos carros da prova, todos eles da categoria Marcas & Pilotos 1.6, a empresa fornecerá o combustível no autódromo a R$ 3,95 o litro – o preço habitual é de R$ 4,50, e dada a logística trabalhosa de se disponibilizar combustível num autódromo dispenso desde já as eventuais comparações com o preço praticado na bomba do posto da rua da sua casa.

Ainda sobre parcerias, a Pirelli foi confirmada como patrocinadora principal da prova. Assim, a logo vermelha sobre o fundo amarelo estará estampada nos parabrisas de todos os carros. Ou quase todos, já que as equipes têm a opção de não ceder o espaço publicitário em seus carros, desde que abdiquem do desconto oferecido na taxa de inscrição. Essa taxa é de R$ 6 mil por carro. Para quem tiver feito sua inscrição até hoje com parabrisa liberado para a Pirelli a taxa terá sido de R$ 4,8 mil, um desconto de 20%. Entre amanhã e sexta-feira, essa taxa será de R$ 5.250 por carro, com desconto de 12,5%. Os que precisarem expor seus apoios pessoais podem usar o parabrisa para isso e abrem mão do desconto, simples assim. Todos os carros terão pneus Pirelli, que serão fornecidos na pista a R$ 250, valor que já inclui montagem e balanceamento.

A movimentação de pista vai começar na sexta-feira e o evento todo será desenvolvido em dois dias. No sábado, largada às 16h com chegada à meia-noite.

Dadai: “Desafio é planejar e executar”

CASCAVEL – Faltam menos de 40 dias para a Confederação Brasileira de Automobilismo ter novo titular na cadeira da presidência. Formando em Engenharia de Produção, empresário dos ramos de entretenimento e sistemas de acesso e pagamentos e pai de kartista, Waldner Bernardo, presidente da Federação de Automobilismo de Pernambuco, sucederá seu conterrâneo Cleyton Pinteiro, que está no cargo desde 2009 e finaliza seu segundo mandato. “Dadai”, apelido pelo qual Bernardo é conhecido, obteve 10 dos 17 votos válidos na eleição de 20 de janeiro, em que teve como adversário o empresário e ex-piloto paranaense Milton Sperafico. Num rápido bate-papo com o blogueiro, Dadai esquivou-se de avaliar o saldo da gestão de Pinteiro, sinalizou com o surgimento breve de novas competições no automobilismo brasileiro e indicou, diante da entrevista, que seu compromisso é o de dar respostas a partir da gestão da CBA pelos próximos quatro anos:”Falar e apontar erro é fácil, difícil é fazer e executar”.

dadai-1

Eleito por 10 votos a 7 à presidência da CBA, Waldner Bernardo assumirá o cargo em março preferindo não comentar a gestão de Cleyton Pinteiro: “Prefiro falar dos próximos quatro anos”

BLuc – A disputa pela presidência da CBA configurou a campanha mais acirrada da história da entidade. Que balanço o senhor faz desse processo?

Dadai – Muito positivo. Pela primeira vez se pode discutir com a comunidade do automobilismo vários assuntos de interesse comum, além de que pela primeira vez uma associação de pilotos teve direito a voto.

 

BLuc – Houve relatos sobre federações votando no senhor em troca do perdão de dívidas junto à CBA. Em que circunstâncias legais ocorreram negociações nesse sentido?

Dadai – Não só desconheço, como o próprio estatuto da entidade não permite esse “perdão”.

 

BLuc – Quais serão suas providências mais urgentes quando assumir a presidência?

Dadai – A nomeação de nossas comissões já mostrará que teremos pessoas extremamente competentes. Não temos uma e nem duas providencias, temos várias, e todas serão tratadas com a mesma importância.

 

BLuc – Como o senhor avalia os oito anos da gestão de Cleyton Pinteiro na CBA?

Dadai – Prefiro falar dos próximos quatro anos…

 

BLuc – Até por ser candidato de situação, o senhor não assumiu grandes compromissos relativos a mudanças. Quais as maiores deficiências do automobilismo brasileiro que o senhor aponta?

Dadai – Responderemos com trabalho. Falar e apontar erro é fácil, difícil é fazer e executar. Esse é o nosso desafio, planejar e executar .

 

BLuc – Considerando kart, arrancadas, rali, velocidade na terra e velocidade no asfalto, quais as modalidades que necessitam de um trabalho mais intenso?

Dadai – Todas têm demandas diferentes e seus respectivos presidentes de comissão terão que identificar e apontar as soluções.

 

BLuc – A velocidade no asfalto é a que tem maior projeção de mídia. Não é de hoje que todas as categorias de nível nacional têm suas etapas mostradas na televisão. Alguns campeonatos regionais também já vêm providenciando o televisionamento de suas corridas. Não seria também uma boa providência para corridas de outras modalidades?

Dadai – Sem dúvida. Porém a transmissão em TV é uma questão comercial. Extremamente necessária, porém comercial. Cabe aos promotores viabilizar estas questões. Temos recebido projetos sobre este assunto e vamos analisá-los. A CBA, como promotora do kart, viabilizou na última edição da Copa Brasil transmissão de algumas finais, graças a parcerias de iniciativa privada.

 

BLuc – Em termos reais, como está o relacionamento da CBA com os promotores de campeonatos de automobilismo regionais e nacionais? Existem situações críticas à espera de solução?

Dadai – Só posso dizer isso após assumir e efetivamente começar a ter esta relação com estes promotores.

 

BLuc – O senhor tem algo em mente em termos de empreender uma gestão diferente de todas as anteriores? Há algo que tenha sempre faltado ao automobilismo brasileiro e que possa ser viabilizado agora?

Dadai – Como falei na primeira questão, nossas comissões trarão gratas supressas, isso será o retrato de como pretendemos gerir.

 

BLuc – Como sua diretoria vai trabalhar no que diz respeito aos problemas dos autódromos? Há situações bem distintas, como taxas consideradas exorbitantes em Interlagos, possibilidade de desativação em Pinhais, a recente interdição de Guaporé pelos bombeiros e, em linhas gerais, uma deficiência de infraestrutura em grande parte dos autódromos brasileiros.

Dadai – Um de nossos desafios é convencer o poder público que automobilismo não é só esporte, mais sim negócio, turismo, geração de empregos. Quando nossos governantes entenderem que provas nacionais e até estaduais geram receitas em suas respectivas cidades e tratarem o esporte como negócio, poderemos sim discutir esses “problemas” de nossos autódromos.

 

BLuc – O Brasil quase ficou sem piloto na Fórmula 1 e isso despertou a discussão sobre a escassez de categorias de base no automobilismo nacional. É o discurso corrente, de que há duas décadas havia os estágios do kart, da F-Ford, da F-Chevrolet e da F-3 e hoje o piloto sai do kart e, a menos que migre para categorias de turismo, salta direto para a F-3. O que fazer quanto a isso?

Dadai – O problema já está no acesso ao kart, nosso esporte é caro e isso dificulta o acesso. Justamente aí é que entra o projeto das escolas, que tem que ser difundido e implementado em todo país. Este trabalho não vai aparecer a curto prazo, ele leva tempo, já estamos trabalhando há algum tempo na implementação de uma Fórmula 4 no Brasil, nos moldes da FIA, de forma concreta e sustentável.

 

BLuc – Uma das queixas mais contumazes dos pilotos diz respeito às taxas de inscrição nas provas e de emissão de carteiras, consideradas altas. É um patamar que pode ser revisto?

Dadai – Luc, vamos separar uma coisa da outra. Quem cobra a taxa de inscrição não é a CBA, e sim os promotores ou organizadores dos eventos. Hoje os custos para se fazer uma prova são vários, os patrocínios estão cada vez mais difíceis. Precisam ser custeados aluguel de autódromo, equipe médica, cronometragem, sinalização, resgate, direção de prova, e por aí vai… Todas estas pessoas envolvidas recebem por seus trabalhos, não tem como ser diferente.

Já com relação às filiações, 50% do valor pago pelos pilotos ficam com as FAUS, e os outros 50% ficam com a CBA, que hoje disponibiliza seguro para todos os seus pilotos. Dou um exemplo prático: para 2017 a carteira PGC-B foi anunciada pela CBA ao valor de R$ 510,00. Como de praxe, as FAUS cobram o mesmo valor da CBA, então esta filiação vai para no mínimo R$ 1.020,00. Mesmo que você considere o valor total e divida isso por 10 etapas, o que daria um valor de R$ 102,00 por etapa, e um piloto fosse a uma seguradora e tentasse fazer um seguro para cada etapa que ele for correr no ano, eu não tenho dúvidas de que ele pagaria muito mais. Ou seja, o benéfico deste valor existe! (Nota do blog: a tabela completa de valores para emissão da Cédula Desportiva Nacional, que chamamos de “carteira de piloto”, está na página 109 do Código Desportivo do Automobilismo, disponível nesse link aqui)

 

BLuc – Até que ponto, no seu entender, a crise financeira dos últimos anos atingiu de fato o automobilismo brasileiro?

Dadai – Não só o automobilismo como todos os segmentos! 100% que atingiu.

 

BLuc – Voltando à disputa pela presidência da CBA… Foi voz corrente durante esse processo que os pilotos de competição deveriam ter participação maior na escolha de dirigentes. O senhor concorda? Considera a possibilidade de promover mudanças estatutárias que permitam, por exemplo, o voto direto aos pilotos? Não seria um mecanismo justo também para definição do presidente de uma federação estadual? A CBA teve mais ou menos 10 mil filiados. A ABPA tem 200, dos quais acho que 36 se preocuparam em votar… Você mesmo é piloto, que eu sei. Você se filiou à ABPA? Alguma vez você já quis saber da eleição de seu clube ou federação onde você fez a sua filiação? Sabes quantas associações no mundo têm pilotos participando? Nenhuma, só aqui no Brasil. Também desconheço qualquer outra confederação que tenha promovido esta abertura. Quanto às mudanças estatutárias, o presidente não tem esse poder, só quem pode mudar é a Assembleia Geral, com o voto das FAUS e da ABPA. Quanto às federações estaduais é a mesma coisa, os clubes que são votantes é que podem propor isso a suas federações.

 

BLuc – Há perspectivas concretas para o surgimento breve de novas competições no Brasil?

Dadai – Sim, acredito que em 2017 teremos pelo menos mais uma categoria nova em nosso automobilismo.

SONY DSC

Dadai nega que tenha havido perdão de dívidas de clubes em troca de votos na eleição para a presidência da CBA: “Desconheço, e o estatuto não permite”

Oito etapas do novo Endurance

endurance-1

Com oito etapas, a temporada nacional do Endurance terá nas pistas gaúchas, paranaenses e paulistas vários carros como os que, poucos anos atrás, podíamos ver no grid da extinta GT Brasil.

CASCAVEL – Já que o assunto por aqui tem sido a realização de corridas de longa duração, cabe lembrar que oito corridas vão marcar a temporada nacional de 2017 do Endurance, que no fim das contas será promovido sob uma denominação bem mais, digamos, comercial. O calendário foi anunciado hoje à tarde pela assessoria de imprensa da competição. Um detalhe que me chamou atenção no comunicado, e que parece estar recebendo aprovação maciça dos participantes, é a realização das corridas aos sábados.

A base do campeonato, e nem poderia ser diferente, está no Rio Grande do Sul, que a bem da verdade é o único estado que manteve-se fiel às corridas longas com divisão em várias categorias. Seis dessas oito corridas vão contar pontos pelo Brasileiro. Por ordem, são elas: Três Horas de Tarumã, no dia 25 de março; 500 Quilômetros de Curitiba, em 29 de abril; Três Horas de Santa Cruz do Sul, em 27 de maio; 500 Quilômetros de Interlagos, em 29 de julho; 500 Quilômetros de São Paulo, corrida que vai acontecer no Velo Città, em Mogi Guaçu, no dia 23 de setembro; e uma nova edição das Três Horas de Tarumã, em 28 de outubro, encerrando a temporada.

As duas corridas em Tarumã e a de Santa Cruz do Sul vão valer, também, como primeira, segunda e quinta das cinco etapas do Campeonato Gaúcho. As outras duas serão as Três Horas de Guaporé, no dia 24 de junho, e mais uma edição das Três Horas de Santa Cruz do Sul, marcada para 19 de agosto.

A meta da APE, sigla para Associação dos Pilotos de Endurance, é efetivar um grid médio de 40 carros. Os promotores parecem confiantes, apesar das dificuldades que o número sugerem. “Temos tido um ótimo retorno dos pilotos e das equipes”, assegura o presidente Henrique Assunção.

endurance-2

O calendário do Endurance prevê a realização de oito corridas, seis delas valendo pela disputa que vai apontar os campeões nacionais em várias categorias. Ah, as fotos do post são da lavra do Dudu Leal.