Fala, Raul!

CURITIBA – Mais um pouquinho de Raul Seixas em seus 25 anos de morte. Dando uma fuçadinha na internet, pincei algumas entrevistas suas a programas de televisão.

Aqui, início dos anos 80. Pela menção que faz à filha que teve com a esposa brasileira, Vivian, é de 1982 ou 1983 o bate-papo de mais de 20 minutos com um Pedro Bial irreconhecível para quem o vê hoje. 

Muitas palinhas ilustram esse mix de entrevistas a Marília Gabriela. A de “Blue Moon of Kentucky”, na primeira entrevista, é sensacional – a segunda é de 1983.

Essa outra aqui é tida como última entrevista de Raul a um programa de televisão. Ele, já com alguns neurônios visivelmente degenerados, e Marcelo Nova, seu parceiro no último disco – “Panela do Diabo” -, no “Jô Soares Onze e Meia”, do SBT. Tem uma palinha de “Carpinteiro do universo”, a última música da vida de Raul.

As “besteiras” de Piquet

CASCAVEL – O vídeo aí acima foi postado no canal “Sennavive“, do YouTube. Quem o postou indicou como título “Entrevistador detona Piquet na cara dele”.

Devo supor que o autor do título não conhece o Jorge Guirado, entrevistador em questão, e desconhece sua amizade de longa data com Piquet, fator que franqueou a abordagem irreverente do início do trecho publicado.

Esse, senhoras e senhores, é o programa “Bate-Papo de Esportes”, levado ao ar sempre às segundas-feiras pela CATVE, aqui de Cascavel. Esta edição, especificamente, foi gravada num fim de tarde de sexta qualquer em 2005. Jorjão aproveitou a vinda de Piquet à cidade para um evento direcionado a frotistas.

Eu estava no estúdio, convidado pelo próprio Jorge a participar da entrevista. Mas só havia cinco lugares à bancada, que acabaram ocupados pelos pilotos David Muffato e Pedro Muffato, o Jorjão, o Nelson e o Luiz Silvério. Já que estava por ali, fiquei até o fim. Produzi uma abertura de página para a edição de sábado do meu jornal, falando dos planos revelados por Nelson para a carreira do filho Nelsinho, e uma outra para a edição de terça, lida só depois do programa ter sido exibido, em que Nelson dava alguns conselhos a quem administrava o autódromo de Cascavel. Nesta de terça publiquei a foto dos cinco à mesa. Não tenho mais a foto.

Foi nesse dia que ouvi pela primeira vez, do próprio Piquet, que durante a ultrapassagem citada no post anterior ele pôs a mão direita para fora do cockpit e mostrou o dedo do meio a Senna.

Cleyton Pinteiro: “Não temos poder de polícia”

Cleyton Tadeu Correia Pinteiro, que abriu no início do ano seu segundo mandato como presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, milita no esporte há quase 40 anos. Tomou contato com o meio em 1974, como piloto de kart em Pernambuco – nasceu em Recife, onde vive. Desde então, enfileirou atuações como presidente do Kart Clube, vice-presidente da Federação Pernambucana, diretor da CBA para o Norte/Nordeste, três mandatos na presidência da Federação Pernambucana e outros dois na vice-presidência da CBA, até ser aclamado ao posto máximo da entidade pela primeira vez em 2009.

Empresário do ramo de perfuração de rochas e torcedor do Botafogo, o dirigente de 65 anos, que nunca exerceu cargo político fora do automobilismo – e garante que jamais vai pleitear algum –, aceitou conversar com o blog sobre algumas das questões mais frequentes da atualidade no automobilismo brasileiro. Mantendo uma postura protocolar, esquiva a CBA da missão de promover campeonatos frisando o caráter administrativo e regulador da entidade, atribui o fim de competições a dificuldades comerciais e admite que seu grupo nada mais tem a fazer que solicitações quanto à improvável construção de um novo autódromo no Rio de Janeiro. “Não temos poder de polícia”, alega.

Abaixo, a íntegra da entrevista com Pinteiro.

BLuc – Depois da assembleia que o aclamou a mais um mandato na CBA, o senhor enalteceu as categorias de base do automobilismo. A que o senhor se referia, exatamente?
Pinteiro – Ao trabalho que vem sendo realizado no kart, com a abertura das homologações e a obrigatoriedade de todas as peças serem intercambiáveis, os custos deverão ser reduzidos. Temos também uma iniciativa única no sul do país, onde os monopostos da CBA forma cedidos à FAU gaúcha, após aprovação em assembleia, para a implantação de uma categoria de baixo custo que prioriza o acesso de pilotos vindos do kart. O próprio CDA foi alterado com a criação de uma licença PEC – Piloto Escola de Competição. (Nota do blog: “FAU” é como são chamadas as federações de automobilismo; CDA é o Código Desportivo do Automobilismo)

BLuc – O que pode haver de planos concretos para o automobilismo de base nos próximos quatro anos?
Pinteiro – Do ponto de vista desportivo é o que respondi antes. Do ponto de vista administrativo a CBA contratou uma empresa de recursos humanos, a GI GROUP, e está promovendo uma verdadeira reestruturação administrativa e técnica em seus quadros de oficiais de competição. É uma ação interna que trará excelentes resultados a médio/longo prazo.

BLuc – A Fórmula 3 vive um momento difícil nos principais campeonatos pelo mundo, e aqui tem sido assim já há algum tempo – em janeiro, o Brazil Open teve apenas 6 carros no grid. Qual é a saída para ressuscitar a F-3 no Brasil?
Pinteiro – Como foi muito bem colocado por você, o momento mundial não é favorável. A promoção das categorias hoje depende da captação de recursos e se esses recursos não forem captados a inviabilidade da categoria é notória. A CBA é um órgão técnico regulamentador, e não promotor de eventos. Até temos capacidade para promover eventos. O kart nacional é todo promovido pela CBA. Se necessário o faremos, mas isso não é o foco da entidade.

BLuc – E como o senhor avalia o momento atual do kart brasileiro?
Pinteiro – Em ascensão, com a criação da Copa das Federações, as novas homologações, o fortalecimento dos estaduais. Penso que teremos nos próximos anos um nível técnico desportivo ainda melhor.

BLuc – E quanto ao Brasileiro de Endurance? Os promotores da Top Series tentaram reativar a categoria e se viram obrigados a desistir. Há algum novo formato viável para 2013?
Pinteiro – Sim, inclusive já está no calendário da CBA. Serão utilizadas provas tradicionais, como as de Guaporé, Cascavel, Londrina, Tarumã e Interlagos.

BLuc – Copa Fiat, Fórmula Futuro, Spyder Race e Top Series encerraram suas atividades. As duas últimas, inclusive, antes do término da última temporada. Qual tem sido a principal dificuldade enfrentada pelos promotores?
Pinteiro – Exatamente o que foi colocado numa pergunta anterior, a dificuldade de captação de recursos no mercado.

BLuc – Temos observado que o prometido autódromo em Deodoro tem virado motivo de chacotas. O senhor ainda vê alguma possibilidade de que seja concretizado?
Pinteiro – A CBA, via Departamento Jurídico, utilizou-se de todas as possibilidades jurídicas possíveis para fazer valer as decisões favoráveis à não desativação de Jacarepaguá e posteriormente à construção de Deodoro, porém não temos poder de polícia. Se as decisões jurídicas foram desrespeitadas não foi por falta de esforços da CBA. Existe, sim, um cronograma previsto, e iremos cobrar que seja cumprido, só não temos como garantir que será cumprido.

BLuc – Com poucas exceções, a situação dos autódromos brasileiros é preocupante. Poucos oferecerem infraestrutura e condições de segurança compatíveis com o automobilismo de hoje. É um panorama reversível, esse?
Pinteiro – Sim, porém é necessário que os detentores dessas praças, que em sua maioria são o poder público, entendam que o automobilismo é um esporte extremamente lucrativo para as cidades onde se realizam eventos. Geração de empregos diretos e indiretos, utilização dos mais variados serviços como hotelaria, restaurantes e afins, retorno de imagem… São tantas as variáveis benéficas que um evento de porte nacional traz que justificam plenamente uma ação mais efetiva nesta praça e um investimento real. Só para ilustrar, o maior evento de São Paulo é a Fórmula 1, onde para cada real investido pelo poder público retornam R$ 3,50. É ou não viável? A CBA não detém o controle nem a posse dos autódromos. Caberia, sim, ao poder publico olhar com mais profissionalismo esta situação.

BLuc – Então não é verdadeira a informação que o GP do Brasil gera prejuízo financeiro para o automobilismo nacional?
Pinteiro – De maneira alguma, pois qualquer país do mundo gostaria de ter um GP de F-1.

BLuc – Com relação aos processos de eleições das federações e da CBA, o senhor considera válido o estudo de um sistema em que o piloto, que é o ingrediente principal da receita, tenha direito a voto?
Pinteiro – Os pilotos têm como participar deste processo sim. Basta se filiar a um clube e eleger o presidente deste clube, pois são eles que elegem o presidente da FAU e assim por diante. Não é CBA que tem que mudar isso, teríamos que mudar toda a legislação desportiva vigente. Este processo é idêntico para todas as confederações e federações existentes no Brasil. Caso exista uma mudança e ela seja regulamentada com certeza mudaremos para atender a legislação nacional.

BLuc – Pelo formato atual, o voto de um estado com pouca ação automobilística tem o mesmo peso do voto de grandes centros do esporte, como São Paulo, Paraná ou Rio Grande do Sul. Seria o momento de rever essa relativização?
Pinteiro – Era desta forma e foi alterado, em assembleia e com a anuência de todas as FAUs. Seria justo um voto de trabalhador que recebe um salário mínimo valer menos que o voto de um megaempresário?

BLuc – Qual foi, em sua avaliação, o principal ponto negativo de seu primeiro mandato na presidência da CBA?
Pinteiro – Perdemos um bom tempo para organizar a casa, e isso demandou mais tempo do que esperávamos.

BLuc – E o principal ponto positivo?
Pinteiro – Todo o processo de reestruturação que está sendo feito. Isso é semelhante a obras de saneamento, elas não aparecem, mas são de suma importância a longo prazo. O legado que está sendo implementado é para médio/longo prazo.

BLuc – Quantos pilotos filiados a CBA contabiliza hoje?
Pinteiro – Somos mais de 12 mil. O Off-Road e o kart cresceram bastante, e não há redução significativa em outras categorias.

BLuc – As observações que constatamos dos pilotos em geral, sobretudo dos que não integram as categorias top nacionais, são de que a CBA seria basicamente uma entidade que pratica a burocracia e a cobrança de taxas para emissão de carteirinhas.
Pinteiro – A CBA é um órgão técnico desportivo que regulamenta o esporte a motor em quatro rodas no Brasil. Em qualquer parte do mundo, o piloto tem que ser habilitado para competir. Antes esse controle não era tão efetivo, as carteiras eram apenas emitidas sem o devido cuidado. Hoje nos preocupamos com todo o processo de filiação, o próprio CDA foi alterado para garantir que apenas pilotos com relativa condição técnica possam disputar sua respectiva categoria. As escolas de pilotagem desde 2012 estão sendo mais exigidas, existe hoje uma regulamentação específica para tal.
As questões de segurança nas pistas vêm sendo tratadas por uma comissão específica, através da CNA (Comissão Nacional de Autódromos), estamos fazendo um mapeamento da real situação de cada praça e vamos já em 2013 ter caderno de encargos para que as praças possam receber as categorias nacionais, com as devidas necessidades e adequações para cada evento. Em 2012 foram realizadas em diversas categorias palestras educativas sobre substâncias proibidas, o controle antidoping através da Comissão Médica será muito mais efetivo em 2013. Desde 2012, a análise de todos os regulamentos técnicos e desportivos não fica apenas sobrecarregada ao CTDN (Conselho Técnico Desportivo Nacional). As propostas enviadas pelos promotores são analisadas por todo o conselho, que é composto pela CNV, CNVT, CNA, CNK, CNR (comissões nacionais de Velocidade, Velocidade na Terra, de Arrancada, de Kart e de Rally) e pelo próprio presidente do CTDN. Ou seja, em seu papel de cunho técnico e desportivo a instituição vem nos últimos anos gradativamente implementando novos processos, normatizando suas ações e garantindo a igualdade de competição nas categorias, porém este tipo de trabalho de bastidores, que é extremamente necessário, não aparece. Só que sem ele as disputas na pista ficam comprometidas.

BLuc – Em que frentes a CBA aplica a receita com emissão destas cédulas?
Pinteiro – Os balanços estão disponíveis em nosso site, coisa que antes não acontecia.

BLuc – São mesmo do senhor as decisões que partem da CBA? Há mais nomes que, em termos práticos, tenham tanto peso quanto o presidente no momento das decisões?
Pinteiro – Temos uma gestão participativa, temos comissões atuantes em todas as modalidades. Não sou centralizador, demando ações e as coordeno e cobro os resultados, sempre dentro de uma coerência. Cada pessoa dentro de nossa gestão tem seu papel e sua importância, hoje as comissões trabalham de forma integrada com suporte jurídico e administrativo.

BLuc – O senhor tem algum ídolo no automobilismo?
Pinteiro – Sim, Chico Landi.

Piquet no 21

CASCAVEL – Fuçando algumas quinquilharias na internet, acabei achando sem querer essa entrevista que o Nelson Piquet deu aqui em Cascavel ao Jorge Guirado, no “Bate-Papo de Esportes”.

Essa versão, com pouco mais de dez minutos, está um tanto resumida e tudo indica que tenha sido reexibida em 2007, quatro anos depois de ter sido gravada. Acompanhei a entrevista no estúdio do Canal 21, hoje CATVE, em 2005, quando ele veio à cidade para um encontro com empresários atendidos por sua empresa de rastreamento via satélite. David Muffato, Pedro Muffato e Luiz Silvério – que entrou mudo e saiu calado – estão na bancada, também.


Só o Nelsão para dizer com tanta propriedade que Emerson Fittipaldi não era um piloto rápido e que não tem respeito nenhum por Alain Prost.

"Peço a Deus que abençoe minha água"

Luiz Tadeu Razia Filho integra uma lista à qual o automobilismo – notadamente o do Brasil – presta atenção maior a cada dia. Talvez seja correto afirmar que seja o líder da tal lista, composta por nomes que poderão, não muito longe da época atual, responder pela manutenção do Brasil na principal competição de corridas de carros do mundo. Líder da GP2 com quatro vitórias em 13 corridas, não há como negar que o baiano de 23 anos seja tópico obrigatório em qualquer conversa acerca de eventuais estreias no Mundial de Fórmula 1 do ano que vem.

Piloto desde os 12 anos, quando estreou em competições de autocross (!), Razia passou pelo kart, onde foi campeão brasileiro de 2004, faturou o Sul-Americano de Fórmula 3 dois anos depois, foi terceiro colocado na Fórmula 3000 europeia em 2007 e 2008 e, no ano seguinte, mudou de mala e cuia para a GP2. No ano passado, trabalhou como piloto de testes na F-1, completando cerca de 200 voltas com o carro do Team Lotus.

Na GP2, Razia passou pela Scuderia Coloni, pela Rapax e pela Air Asia até assinar sua transferência para a Arden. Nas 66 corridas que disputou desde a estreia em 2009, anotou uma pole-position, cinco voltas mais rápidas em corridas, seis vitórias e 16 pódios.

A GP2 foi eleita por quem consome automobilismo como estágio imediatamente anterior à Fórmula 1. Nico Rosberg e Lewis Hamilton experimentaram uma transição imediata. Campeões em 2005 e 2006, estrearam na F-1 nas temporadas seguintes às de seus títulos. Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Romain Grosjean também cumpriram fases na GP2 antes da chegada à F-1.

Baiano de conversa solta, Razia mostra-se um tanto reservado e lança respostas monossilábicas quando o assunto envolve seus planos de correr na F-1 em 2013. Foi assim, pelo menos, na rápida conversa do fim de semana com o BLuc. Um pingue-pongue sem qualquer pretensão de causar impactos bombásticos ou trazer impressões reveladoras. Um papo, apenas.

BLuc – Suas ultrapassagens têm destoado da média. O que é que você bebe para arriscar e consumar essas manobras ousadas?
Razia – Eu bebo bastante água, e peço a Deus que abençoe essa água todos os dias. Talvez isso possa explicar essa habilidade.

BLuc – O que pesa a seu favor e também contra você na caça ao título?
Razia – Psicologicamente eu estou em um patamar muito bom, estou confiante, audacioso e também constante. Preciso, agora, manter os pés no chão, como dizem, para me concentrar no dia-a-dia. Estou muito feliz por ser um representante brasileiro com chances reais de ganhar o título pela primeira vez, mas não posso deixar que esses pensamentos atrapalhem a minha dedicação diária. Preciso viver e tirar o máximo de mim todos os dias e as contas no fim do ano vão ser feitas por si só.

BLuc – A Arden é a grande força da GP2?
Razia – É um processo engraçado, esse. No começo do ano, quando entrei na Arden, todas as pessoas me davam como carta fora do baralho, por estar em uma equipe de mediana para ruim. Agora todos comentam que a Arden é uma equipe de ponta, e por isso os meus resultados. Então deve ser isso, mesmo.

BLuc – E o nível dos pilotos da GP2, condiz com esses predicados?
Razia – A categoria tem pilotos de um nível muito alto, tecnicamente e profissionalmente. São pilotos muito talentosos, também.

BLuc – Que outras categorias exercem essa função de vitrine para a Fórmula 1?
Razia – A World Series 3.5 é uma categoria excelente, muito disputada, tem pilotos de um nível muito alto. A GP2 tem a preferência de usar os mesmos circuitos que a Formula 1 e também os mesmo pneus, alem de ser televisionada por mais emissoras, porém os custos são mais altos, como todos sabem.

BLuc – Faltam 10 corridas, ainda. Você diria hoje que a disputa pelo título esteja entre você e o Valsecchi?
Razia – Acho que os seis primeiros colocados estão em um ótimo nível para disputar o campeonato nesta altura do campeonato. No começo do ano talvez houvesse mais, porém agora começa a limitar a alguns pilotos. Eu quero apostar na bandeira brasileira, vamos ver.

BLuc – E no extra-pista, a rotina é pesada? Os cuidados que você toma são muito exigentes?
Razia – Na alimentação, são seis dias por semana consumindo só proteína, vegetais e saladas. No sétimo dia, posso comer o que eu quiser, de tudo. Acordar cedo, principalmente para pedalar. Como são entre duas e três horas de pedal, é bom economizar as horas durante o dia, pedalar das quatro às sete da manhã, assim ainda resta o dia inteiro para atender aos outros compromissos. Tenho reuniões com minha equipe duas vezes por semana, faço simulador duas vezes por semana, também. A parte de “estudos” de um piloto depende de quanto ele quer algo. Eu, particularmente, me dedico bastante na parte teórica, mas isso é de cada um… Uma vida saudável, sem festas. Dormir cedo e treinar até ficar muito, muito cansado. Fazer testes psicológicos quando estou cansado também é parte da rotina. Além disso, eu escrevo colunas e faço um vídeo tutorial para os fãs, porque adoro compartilhar conhecimento e informação.

BLuc – A decisão de não seguir na Fórmula 1 como terceiro piloto foi sua?
Razia – Foi uma decisão nossa, e foi para o benefício de todos. É como no boxe, às vezes para o pugilista acertar um soco ele precisa dar um passo para trás. É a mesma coisa nas corridas. Às vezes você precisa dar um passo para trás para dar dois para a frente.

BLuc – Você se sente, de fato, às portas da Fórmula 1?
Razia – Sim.

BLuc – Você tem conversado com alguma equipe para 2013?
Razia – Sim.

BLuc – Existe perspectiva real de aporte financeiro para você disputar a Fórmula 1 em 2013?
Razia – O que precisamos concentrar é demonstrar resultados para aqueles que podem me ajudar. Enquanto eu estiver fazendo isso, vou deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Meu objetivo é vencer todo fim de semana, sempre foi. Sempre tive muita fé em Deus e acredito que, com força de vontade e muita fé, as coisas podem acontecer. Na verdade, será feita a vontade Dele.

BLuc – Há nomes fortes a seu favor na briga por uma vaga?
Razia – O Christian Horner e mais algumas pessoas que estão ajudando no meio da Formula 1…

BLuc – Uma vez campeão e com chance de ir para a Fórmula 1 em equipes pequenas, você considera a possibilidade de continuar na GP2, como fez o Grosjean?
Razia – Eu não gosto de brincar de jogo “se”… Se eu não tivesse cortado esses pensamentos, talvez não estivesse aqui para contar o presente.

Começando da primeira foto, em sentido horário: a estreia de Razia no automobilismo em competições de autocross; o título brasileiro de kart, em 2004; nos tempos de Fórmula 3000 europeia; participação no treino livre do GP do Brasil de F-1 do ano passado, pela Lotus; teste pela A1GP; e vitória na Fórmula 3 sul-americana em 2006 (uma corrida que eu narrei, aliás, para o público do autódromo).