O kart nas páginas policiais

CAMPO GRANDE – Quem ligou cedo, hoje, foi o Orlei Silva, fotógrafo de automobilismo e pau-pra-toda-obra em geral. Ligou puto. Manifestou estarem putos ele e outros tantos que acompanham o Paranaense de Kart em Londrina. O campeonato perdeu espaços nas páginas esportivas e ganhou menções nas páginas policiais, dada a série de furtos verificada ontem no Kartódromo Luigi Borghesi.

O próprio Orlei teve furtadas uma câmera fotográfica Canon 7D e uma lente 70/200 2.8L, que segundo ele estavam acomodadas na sala reservada aos comissários da competição. Além disso, narra o ilustre retratista, seis caminhonetes de equipes, entre elas a do cascavelense Oracildes Tavares, tiveram furtados os pneus estepe. Esses veículos repousavam no estacionamento do kartódromo.

Todos os boletins de ocorrência foram providenciados e os desportistas vitimado pelas mãos leves em Londrina cobram providências concretas da equipe responsável pela segurança do local. Quase que por desencargo de consciência. Poucos acreditam, de fato, que algo vá ser resolvido.

Disk-fusquinha

CASCAVEL – Pincei de algum perfil do Facebook, de repente seja uma cascata sem tamanho, mas penso ser verossímil.

O sujeito que comete um crime desse deveria ser preso duas vezes. Uma pelo próprio furto, embora no nosso amado-idolatrado-salve-salve país de merda os ladrões e a cadeia não tenham quase nada em comum. Outra, por tirar uma joinha dessas de seu dono.

Eis aí um carrinho que não tem preço, mas tem um valor mastodôntico.

Putz, mastodôntico.

Goleada paraguaia

Tem coisa de três meses e meio que meu carro foi roubado debaixo da janela. Ok, furtado, ninguém foi feito refém, ninguém levou arma na cara, ninguém foi agredido, o que é o único saldo positivo do infortúnio bagunçou o fim do ano lá em casa.

Como em qualquer outro tipo de situação, é natural que desde então o roubo de carros, ou furto, tenha se tornado assunto bem mais recorrente nos meus contatos. Maioria esmagadora dos relatos, testemunhos, bravatas e afins apontam para o Paraguai. O Brasil é um pais tão de merda – pra aplicar aqui um termo que eu uso bastante lá no Twitter, país de merda – que não serve nem pra ter um vizinho de mapa-múndi decente. Tem a Argentina, que se preza um pouco, mas ninguém ouve falar de carros roubados, furtados, que tenham ido parar na Argentina.

Neguinho rouba seu carro aqui, ou furta, valendo-se da impunidade que há décadas apresenta-se quase como um regime de governo, cruza a ponte sem qualquer sobressalto e, uma vez do lado de lá, é dono legítimo do bem. Você pode encontrar o carro, ir lá com o delegado, o padre, o papa, o Vanderlei Luxemburgo, a puta que o pariu, que não tem conversa. Pode apresentar o certificado que for, foto, carnê, o raio que o parta, não adianta. Perdeu, playboy.

Não dá pra entender, de fato.

Faço questão de o mais rápido possível ter de voltar aqui e me retratar. Por enquanto, só pergunto: ô, Dilma Rousseff, quando é que você vai ter peito pra costurar um controle de fronteira condizente com o país que você acha que está fazendo dar certo? Quando é que você e sua trupe, que têm feito alarde achando ter elevado o Brasil acima de reais potências, vão acabar com essa putaria de gente de bem encontrar no Paraguai seus carros roubados, ou furtados, e nada poder fazer porque a lei do cão de lá se sobrepõe à de cá? Sabia que com isso você diminuiria também a farra do golpe do seguro, prezada presidenta? É interesse seu acabar com algum tipo de golpe nessa porra de Brasil?

Respondo por mim mesmo, já que a probabilidade de minhas linhas alcançarem o laptop da presidenta é quase nula. Nunca. Dilma e sua trupe, nessa questão fronteiriça onde o Paraguai acaba ganhando de goleada do Brasil, são tão bundas-moles quanto foram Lula, Itamar, FHC, Collor, Sarney… Chega, não tenho decorada a lista que poderia chegar ao marechal.

E segue o bonde

Meu dia começa tarde, como sempre. E dou, nem tão como sempre, uma folheada virtual na CGN, que vem a ser o site da Central Gazeta de Notícias. Um suspiro mais forte diante da chamada de que a polícia recuperou em Cascavel, entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, quatro veículos roubados ou furtados.

O meu não está na lista. Uma moto CG que fora roubada na mão grande, um Gol furtado quarta-feira da semana passada e mais uma Quantum e uma Saveiro furtadas de uma garagem de automóveis, no caso desses dois a PM perseguiu os larápios, que conseguiram fugir a pé, e tal, os dados estão todos lá, na nota assinada pela colega Néo Gonçalves.

Bom, até certo ponto, saber que os homens da lei estão recuperando carros, em que pese o fato de ninguém ter sido preso, foi isso que concluí da breve leitura. Ruim constatar que a bandidada está fazendo a festa em roubos e furtos de carros na alegadamente pacata Cascavel. Que, também nisso, tem-se feito a casa-da-mãe-joana.

Talvez não tenha sido mera coincidência o fato do material peito pela Néo ter sido publicado sob o chapéu “Cotidiano”.

Carta ao desconhecido

Escrevo sem saber para quem, na verdade. Mas não é pretensão minha vasculhar a identidade e nem a intimidade de alguém que empreende tanto esforço para avançar em suas metas. Talvez leia-me, meu incógnito interlocutor, e saberá que são endereçadas a ele minhas gentis considerações.

Refiro-me, a título de mero esclarecimento aos que não estão a par da conversa, ao distinto cidadão que teve de estender às altas horas o fruto de suas aptidões e teve de se submeter à chuva forte da última madrugada, atípica para o verão em que nossa primavera tem-se convertido, para adir a seus domínios um bem meu. Um automóvel, ser por vezes inanimado.

Automóvel que pode estar, a essa altura, sob melhores cuidados que os meus ou de minha esposa. Ela e eu, insensíveis, submetemo-lo por vezes ao relento, às noites frias, à chuva. Algo que tocou você, seguramente. Compadecido diante dos inconcebíveis maus tratos que supôs terem sido dispensados a ele, meu automóvel, você não teve dúvidas: levou-o para você. Desculpe-me pelo “meu automóvel”. É a força do hábito, sabe? Não me leve a mal, estou ciente de que ele agora é seu.

Sei que você é um cidadão atento e seguramente terá notado em seu estudo de campo que ali de onde você tirou meu automóvel, para a ele dar acomodações mais dignas, havia mais um. Imagino que você não tivesse um automóvel até então, e é isso que pregam algumas correntes. Se ali havia dois e em seus domínios não havia nenhum, nada mais correto que um deles passar a ser seu. Noto, também, que você tem bons critérios. Das parcas opções que lhe ofereci, escolheu um automóvel muito bom. Bem rodado, é verdade, apesar da pouca idade, espero que isso não lhe cause transtornos.

Longe de mim, nobre desconhecido, atribuir a você adjetivos de cunho pejorativo. Você, afinal de contas, está coberto de razão. Atua de acordo com as regras do sistema que eu, tolo e irresponsável, faço questão de contestar. É a seu favor que rezam as regras oficiais, com as quais não posso contar. Aliás, é uma classe bem organizada, a sua. A ponto de ter elevado ao posto máximo de uma hierarquia uma pessoa que, suponho, lhe seja companheira de ofício. Entendo, claro, que todos fazem o que é possível para melhorar as condições de um grupo ou meio que lhe seja afim.

Entendo, igualmente, que suas condições de trabalho não eram as desejadas, e por isso as mudanças nas regras, que ampliaram suas benesses, diminuíram as satisfações que você tem de dar a nós, que injustamente nos julgamos tão superiores a tudo só por sermos gente honesta. Um parceiro seu me disse, tempos atrás, que ser honesto não leva ninguém a nada. Você acha que eu deveria tê-lo escutado?

Sua próxima noite de sono será mais tranquila e prazerosa que a minha. Nada mais justo. Não posso e nem devo vislumbrar vantagem em tudo e afinal, enquanto eu gozava de uma noite de sono tranquila algumas horas atrás, você exercia, exausto e sob condições adversas, o ofício que elegeu em seu minucioso estudo de vantagens e desvantagens.

Se houver a oportunidade de um contato nosso, e disso já estou convencido, não vou tentar pôr em prática nenhuma das 12 ou 13 reações com que minha mente se atreveu a planejar nas últimas horas. Em primeiro momento, por mera praticidade. Sou péssimo com burocracia, lidar com as gentes dos Direitos Humanos exigiria aptidão para papéis e protocolos. Mas, havendo um encontro nosso, vou, sim, tomar a liberdade de lhe solicitar uma consultoria. Sabe, distinto cidadão, o ofício que elegi para mim é um pouco menos gratificante que o seu. O da minha esposa, idem, imagino que ela lhe vá solicitar também algumas orientações. Seguimos, ela e eu, sob a necessidade de um jogo-de-cintura por vezes indigesto para colocar em dia o carnê que acompanhou nosso automóvel… Perdão, seu automóvel. Não somos bons em planejar essas coisas. O seu método é mais prático. Talvez tenha nos faltado um pouco de ousadia para pô-lo em prática três anos atrás, quando, tolos, adquirimos esse carrinho. Quanto aos pagamentos, não se preocupe, resolvemos isso por aqui, mesmo.

Por falar na minha esposa, ela era quem utilizava o automóvel que agora está sob seu domínio. É possível que isso a deixe um tanto descontente, mas não vá se preocupar com bobagens assim. É coisa de casal, a gente administra sob o teto do lar. Você, douto autônomo, acabou até me oportunizando uma boa sensação de dever cumprido: não imaginei que tivesse capacidade e presença de espírito para explicar a meu filho de quatro anos o que havia acontecido e que tínhamos um pouco de pressa e que ele teria de ir conosco à delegacia de polícia, um ambiente que suponho ser-lhe bem familiar. Você precisava ter me visto fazendo isso, foi demais. Aquele papo de pai para filho.

Meu menino surpreende quando manifesta noção do valor das coisas, mas não as diferencia por preço. Talvez por isso, mesmo triste porque não tínhamos mais “o nosso carro”, ele mostrou-se extremamente sentido pelos brinquedinhos e doces que mantinha sistematicamente armazenados num compartimento qualquer ao alcance do espacinho que ocupava no banco de trás. Fique tranquilo, já esclareci para o menino que o carro não é nosso, mas seu. Ele, o menino, agradeceria bastante se você lhe pudesse devolver a elevação de assento que inadvertidamente acabou levando consigo – não tenha pressa, pode ser mês que vem, até sugiro que seja por volta do aniversário dele. Tinha algum apego àquilo. Mas só se não lhe for incômodo. É bobagem de criança.

Encerro por aqui, não quero lhe tomar tanto tempo. Talvez você esteja fora do país tratando dos assuntos de seu ofício e não o tenha em dose a dispensar à minha prolixidade. Peço que não se atenha aos erros ortográficos que eu possa ter cometido – aliás, seu ex-colega a quem me referi há pouco já fez piada, também, por minha preocupação excessiva em usar corretamente conjugações, pontos e concordâncias, falou-me que na organização de vocês ninguém dá a mínima para isso.

Peço que não me leve a mal, também, se eu fugir um pouco ao contexto dessa nossa conversa quando estivermos frente a frente. Vá relevando, desde já, qualquer mudança repentina de postura. A correria dos últimos dias tem me deixado um tanto confuso, eu às vezes me embanano com as palavras.

A foto que postei aí acima, insigne interlocutor, foi a única que consegui do seu novo carrinho. É de uns três meses atrás, quando dei-me o luxo de providenciar no meu próprio ambiente de trabalho, um autódromo, a instalação dos pneus novos que havia acabado de adquirir para ele. O senhor ou um seu cliente terá boa borracha para usar durante longo tempo. Sua comodidade é uma preocupação minha, afinal. Mesmo que eu não quisesse, meu país varonil preocupa-se bastante com você. Um dia, penso, ele vai se preocupar comigo, também.

Saudações.

P.S.: Imagino que seu grupo tenha alguém craque em computadores. É muito incômodo eu lhe pedir que encomende ao nerd da turma cópias dos CDs que estão em seu novo porta-luvas? Se puder, me mande a conta. Você sabe onde eu moro, afinal.