Con mucho orgullo

JpegPINHAIS – Único argentino no grupo de 19 pilotos que disputam a etapa de Curitiba da Fórmula 3 Brasil, Bruno Etman leva no carro número 27 da Hitech Racing uma homenagem à seleção de seu país, vice-campeã da Copa do Mundo.

Merecido. Chegar a uma final de Copa não é para qualquer seleção. Na Rússia, inclusive, iremos de novo à final e levantaremos o tri.

 

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“A Copa, nós já perdemos”

CASCAVEL – Movido pelo risco iminente de Curitiba perder a condição de cidade-sede do evento, Júlio Gomes Filho fez instantes atrás, em pouco mais que uma dúzia de posts no Twitter, uma análise quase irretocável da situação do Brasil diante da Copa do Mundo de daqui a quatro meses.

Júlio, a quem não conheço pessoalmente, é jornalista esportivo e mantém um ótimo blog no UOL, que tem o futebol como carro-chefe. Tomo a liberdade de reproduzir aqui, para os que não o leem no Twitter, o que comentou sobre o Mundial.

*** Torcendo muito para que Curitiba seja mantida na Copa do Mundo. Isso sim, seria uma vergonha tremenda para o país

*** Além da vergonha monstra, claro, de termos estádios construídos com dinheiro público e obras de infra praticamente ignoradas

*** A Copa, nós já perdemos. Já fracassamos de antemão. Mas seria uma derrota ainda mais dolorosa se Curitiba ficar fora dela

*** Um evento como uma Copa é uma chance única para uma nação ganhar exposição (futuro $ com turismo) e cidades melhorarem (infra, mobilidade)

*** Brasil não vai ganhar nem um nem outro. Por isso, digo que já perdemos a Copa. Sobra a festa esportiva. Será legal. Mas é o q menos importa

*** Vimos o q imaginávamos. Um show de atrasos, negociatas, estudos mentirosos, derrame de dinheiro público e preocupação zero com o legado

*** Sete anos atrás, fiquei feliz. Ao longo dos anos, fui ficando preocupado. Hoje, estou apenas triste. Fracassamos. De novo

*** Para a Euro-2004, a Ilha da Madeira se recusou a assumir o fardo de fazer um estádio. Imagino q os governantes tenham “apanhado” na época

*** Hoje, o Algarve tem lá um elefantão branco e caro. A Madeira, não. Quem estava certo?

*** Copa, Euro, Olimpíada. Eventos ótimos para algumas cidades, erro estratégico para outras. Em comum: têm de ser feitos com seriedade e lisura

*** No Brasil, muitos estádios tinham sentido. Outros, definitivamente não. Gasta-se sem planejamento e responsabilidade. É uma vergonha total

*** O Corinthians precisava de um estádio. O Atlético Paranaense precisava refazer seu ótimo estádio? Será? Não entendo essas coisas

*** Gostaria de ter visto uma enxurrada de dinheiro público e empréstimos em aeroportos, vias, transporte público, preparo de pessoas/serviços

*** Estádios, fica para os clubes. Não conseguem fazer? Paciência.

*** Somos um país que sabe que terá a Copa há 7 anos e não capacitamos NINGUÉM para falar inglês. O mínimo dos mínimos em serviços

*** Bom, mas bastante gente ganhou dinheiro, né? Deve ter bastante gente feliz com a Copa. E, em junho, esquecemos tudo (somos assim)

Pouco, ou nada, há a dizer sobre o assunto além do que foi tuitado pelo Júlio. O que, pelo contexto abordado, acho uma pena, acreditem vocês ou não.

Uma pré do Seixas

CASCAVEL – E já que citei o Fábio Seixas no último post – e no exato instante em que escrevo isso o apresentador do “Bem estar” da Globo fala algo sobre pílulas do dia seguinte, que dão nome a uma das séries de posts no blog do Fábio, é uma coincidência incrível -, não custa dar uma canja a ele.

“31 – A Copa no mundo” terá pré-estreia na próxima segunda-feira, em São Paulo. Ainda estou apurando, mas parece que o Seixas mudou a data da efeméride (apostei com um colega que arrumaria um lugar pra enfiar essa palavra horrível; aposta ganha, vê-se) com o único intuito de evitar a minha presença, já que só vou chegar a São Paulo na quarta. Também há quem confirme que a agenda no dia 2 deve-se à pré-disposição não negociável do colega de estar dois dias depois no Pacaembu pra cantar “Timão, ê-ô” com a Fiel. São hipóteses verossímeis, todas essas.

O filme, como já escrevi quase três meses atrás, saiu de uma das viagens mais malucas a que um ser humano já se lançou.

Será que já estão vendendo cópias pirateadas?

31

RIO – Tenho especial admiração por títulos bem bolados, embora não tenha o mínimo talento para esse tipo de criação. Uma obra, uma matéria jornalística, o nome de um boteco, o slogan para uma campanha publicitária.

“31 – A Copa no mundo” é um título que achei do caralho. É esse o nome do filme que o Fábio Seixas produziu numa das viagens mais malucas de que sem tem notícia na história da humanidade. Saiu durante um projeto dele com a Folha de S. Paulo, o “World Tour”, que deu uma sacodida, há quase dois anos, na cobertura da Copa da África do Sul.

O Seixas me contou um pouco sobre o filme e a viagem ontem à noite, num boteco de nome bem bolado onde se esbaldou comendo iguarias suspeitas. “31” será lançado em abril e o teaser (o que é um “teaser”, afinal?) do filme está aí abaixo.

31 A COPA NO MUNDO from Leonardo Branco on Vimeo.

Lágrimas e lágrimas

Quando o Brasil caiu diante da Itália na Copa do Mundo de 28 anos atrás, uma imagem entrou para a história. Produzida por Reginaldo Manente, da Agência O Estado, a foto de um garoto chorando no estádio Sarriá foi estampada em capa inteira, não sei se pela Folha de S.Paulo ou pelo Jornal da Tarde. A foto e um título, e nada mais. Chegamos a discutir esse episódio numa atividade isolada da faculdade.

O choro do tal menino, que poucos anos atrás deu entrevista ao “Fantástico” – uma rápida consulta ao Google seria suficiente para identificá-lo, mas não vem ao caso –, sintetizava, em 1982, o sentimento de uma nação. Hoje, até mesmo pela completa transformação a que os meios foram submetidos, é difícil supor que qualquer peça jornalística traduza com tanta precisão o que pensam os 190 milhões de ocupantes daquele ônibus na África do Sul, depois do favoritismo brasileiro tropeçar na eficiência alaranjada. Só o que se vai buscar é um assassino para o hexacampeonato.

Sinceramente, tenho, há alguns anos, a curiosidade, diria até vontade, de ver uma Copa do Mundo sem a seleção brasileira. Achei que poderia ser essa da África do Sul. Mas o Brasil é uma potência do futebol global, entendam como quiserem, e foi campeão das eliminatórias. A Argentina, coitadinha, fraquinha, fragilzinha, oficialmente secada, só conseguiu a vaga no sufoco. E, anotem, vai ser campeã mundial. E que dizer do Uruguai, então? Os celestes tiveram de se submeter à repescagem para irem ao Mundial. Não teriam a mínima chance. Daqui a pouco, e escrevo antes de seu confronto com Gana, carimbam a vaga na semifinal e vão perder a final para os vizinhos argentinos.

O que percebo é que a vitória da Holanda agora há pouco veio como ducha de água fria para torcedores, jogadores e vários outros “ores” que vocês possam listar. Brasil em campo é sinônimo de supremacia, de vitória, é isso que maioria da mídia planta na cabeça dos cidadãos, e os atletas e dirigentes que representam o Brasil num campeonato desse deixam-se levar pela onda ufanista. Acreditam que camisa ganha jogo, esquecem-se que a camisa da seleção brasileira não tem mais o peso de outrora.

No boteco onde vi quase todos os jogos do Brasil nesta Copa – num deles, contra a Costa do Marfim, eu estava em São Paulo –, era eu o único sereno. Não só por ver antecipada a volta para casa um time que não fez o suficiente para ganhar minha torcida, mas por ter acertado sozinho o placar da partida no bolão, que rendeu uns bem-vindos caraminguás. Afora isso, vi lágrimas contidas, lágrimas escancaradas, murros em paredes, uma bandeirinha do Brasil sendo atirada ao lixo. Ouvi um sem-número de palavrões, também.

Ao apito final, alguns ficaram por lá para o almoço, outros foram tratar da vida. Vida que segue, e que esboça uma volta ao ritmo. Nenhuma lágrima vai ser capa do jornal. Nem um soco, ou um palavrão. É possível que algum pasquim estampe o choro de Robinho. Lágrimas que não mais representam o sentimento de uma nação. A seleção brasileira não perdeu só a Copa. Perdeu, também, o carisma. Faz muito tempo.