Apadrinhados

MAQUINI EQUIPE

A Maquini Racing, equipe que chega ao automobilismo na Opala 250 e que acabou “apadrinhada” pelo Pedro Pimenta, que tem 32 anos de trajetória nas pistas e lidera a Old Stock Race.

CASCAVEL – O Pedro Pimenta tem um jeito diferente de trabalhar com automobilismo, isso não dá para negar. Tem coisas que ele comenta com a maior naturalidade do mundo, talvez sem se dar conta de que destoa dos ritos do esporte. Como o que me falou agora há pouco, enquanto conversávamos sobre a terceira etapa da Old Stock Race, domingo agora, em que ele vai defender a liderança do campeonato em Interlagos.

O Pimenta simplesmente adotou um piloto – apadrinhou, como ele define. Ok, não chega a ser tanta novidade assim, se levarmos em conta que há muitos pilotos experientes que colocam estreantes sob sua tutela desportiva, a título de trabalho ou de participação no eventual sucesso. Não é o caso de agora. Não há dinheiro envolvido. Ele chegou até a usar o termo “inclusão social”, que não estou certo de ser o mais adequado à situação. De qualquer forma, achei muito bacana.

Bruno Boulle Matrai, o piloto em questão, corre na Opala 250, que é algo como uma classe de acesso à Old Stock Race. Na etapa passada, estava sem box em Interlagos. Pimenta acomodou carro, piloto e equipe dentro do box que já dividia com os outros pilotos de sua equipe, a Motorfast. Feito isso, o que chamou atenção do Pimenta foi o fato do preparador Adauto Faquini, que é tio do Bruno, ser cadeirante. Tem as pernas paralisadas.

MAQUINI BRUNO

Com um quinto e um terceiro lugar, Bruno Matrai ocupa o quinto lugar na classificação da Opala 250. A partir da etapa deste domingo, ele terá a instrução técnica e desportiva de Pedro Pimenta. 

Adauto foi quem construiu de cabo a rabo o carro do sobrinho, o Opala número 222 da Maquini Racing, que Bruno levou a um terceiro e a um quinto lugar nas duas corridas da etapa passada, que teve nove carros na pista. “Dá gosto ver o Adauto trabalhar. Ele pula da cadeira, vai para baixo do carro, mexe em amortecedor, mexe em tudo, o filho ajuda ele a voltar para a cadeira”, foi o que me falou o Pimenta. “Me chateou ver que eles estavam sem box. Lembrei na hora de quando comecei a correr. Daí nasceu a ideia de ‘adotar’ a equipe”, explicou.

A Maquini Racing é equipe nova. Além do Adauto e do Bruno, é composta pela Sílvia Faquini, a responsável por colocar tudo para funcionar, e pelos mecânicos Giovani Faquini, Alexandre Sanghy e Bruno Bastos. “Eles estão começando agora, e vão ficar no mesmo box que eu até o fim do campeonato. Vou procurar ensinar ao Bruno e à equipe a fazerem automobilismo como eu sempre fiz. Coisas de pista, análise de telemetria e de imagens onboard, o marketing e a fidelização dos patrocinadores, o que pode ser feito e como pode ser feito. Acho que tenho muito a contribuir com essa rapaziada”, arrisca o Pimenta. “É uma inclusão social que a WeCredit e o Grupo ODA me dão suporte para levar adiante. Isso me traz uma satisfação pessoal”.

Os carros da Opala 250 rendem 240 hp de potência, um pouco menos que os da Old Stock, que põem nas rodas traseiras cerca de 300 dos 370 cavalos que o motor têm de potência. Bruno está em quinto na pontuação. Com o Pimenta dando pitacos, aposto meus cobres que vai evoluir logo.

MAQUINI ADAUTO

A limitação física de Adauto Gomes Faquini não o impede de responder pela construção e preparação do carro que o sobrinho Bruno Matrai levou duas vezes ao pódio na etapa passada da Opala 250.

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Palio Cup, a novidade do Nordeste

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O primeiro grid da Palio Cup teve cinco carros na pista em Caruaru, no fim do mês passado. A rapaziada da Garagem 83 terá o dobro disso à disposição dos pilotos a partir do evento de julho.

SÃO PAULO – Uma novidade legal que tem movimentado o automobilismo do Nordeste brasileiro é a Palio Cup. Os carros, montados pela equipe Garagem 83, têm preparação uniforme, em trabalho coordenado pelo piloto Adésio Santos. São 10 os carros disponíveis, com motorização 1.0.

A primeira coisa da Palio Cup que chama atenção dos pilotos dispostos a iniciar carreira é o orçamento. O custo de uma etapa, de R$ 2,5 mil, inclui inscrição, combustível, pneus, locação do carro e a mão-de-obra de pista. Os pilotos obviamente podem aplicar aos carros as marcas de seus patrocinadores e apoiadores.

O equilíbrio da categoria é praticamente institucional. Os carros são sorteados entre os pilotos antes de cada evento, e a partir do evento seguinte o novo sorteio é feito de modo a impedir que um piloto participe de mais que uma etapa no mesmo carro. A programação é padrão: no sábado, duas horas de treinos livres, e no domingo, além do treino classificatório de 15 minutos, as duas corridas, cada uma com percurso de 12 voltas.

O evento de abertura da temporada, em Caruaru, aconteceu no fim de abril. Fábio Menezes ganhou as duas provas da etapa. Tiago Gonçalves e Ricardo Augusto foram segundo e terceiro na primeira corrida, enquanto na segunda o pódio teve ainda Minho Pimentel e Giovanni Feitosa. Antonio Pitta também tomou parte dos grids. Um dos pilotos inscritos acabou não participando da etapa, por motivos pessoais, e um sétimo carro estava disponível como reserva.

O próximo evento da Palio Cup, nos dias 2 e 3 de junho, vai acontecer em São Miguel de Taipu, cidade da Paraíba localizada a 40 km da capital João Pessoa, no autódromo mais novo do Brasil. Para essa, segundo me disse o Elton Andrade, da Garagem 83, a lista de chamada já está completa. Mas vai ter mais uma em Caruaru, em julho. Aliás, vai ter bem mais – o calendário prevê três eventos em Caruaru e outros três em São Miguel de Taipu. Qualquer hora volto ao Nordeste para fazer uma etapa dessas.

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O sorteio dos carros assegura o equilíbrio das disputas da Palio Cup, que prevê 12 corridas em seis eventos nesta primeira temporada. O custo de cada etapa para o piloto é irrisório: R$ 2,5 mil.

Novo desafio na Turismo 1600 regional

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CASCAVEL – No dia 18 começa em Cascavel a temporada de 2018 do Campeonato Metropolitano de Automobilismo. Além da categoria Marcas & Pilotos, que vai estruturando seu grid para abrir o ano com pelo menos 15 carros na pista, teremos na pista a Turismo 1600, com suas duas subdivisões para injetados e carburados. Nessa, acabei metendo o bedelho.

Senti, dias atrás, que a galera da Turismo 1600 estava um tanto desanimada. Procurei o Orlei Silva, presidente do Automóvel Clube daqui, trocamos algumas ideias durante o café (que ele pagou) e definimos uma parceria. Assumi o compromisso de, pelo menos nesse início de temporada, levar a Turismo 1600 adiante. Vou promover a categoria dentro do evento do ACC e da Federação Paranaense.
É preciso fazer um corpo-a-corpo com pilotos e equipes para fazer um negócio desse dar certo. Não só chamá-los para a corrida, afinal todos sabem que a etapa vai acontecer, mas apresentar motivos suficientes para convencê-los a tomar parte. Um deles, talvez o principal, conseguimos logo de cara: redução na taxa de inscrição. Por minha conta e risco, tirei de saída um terço do valor. Em vez dos 750 reais que são a taxa para 2018, a inscrição vai custar 500 reais.
A Turismo 1600 vai dividir a programação de treinos livres com a galera do Marcas. Nas corridas, teremos grid separado. Correr na mesma bateria do Marcas é algo que os pilotos não curtem muito, sobretudo pelo fato dos carros da Turismo 1600 serem menos rápidos. Acabamos ficando sempre no fim da fila.
O primeiro passo foi dado, agora temos dez dias, um pouco menos que isso, para resgatar carros e pilotos que, em vários casos, não tinham as corridas em sua agenda de 2018. Terão, e vai ser bem bacana.

Nosso calendário

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Apesar do grid baixo, a Turismo 5000 é, na minha insignificante opinião, a categoria mais bacana do Campeonato Paranaense de Velocidade no Asfalto. Que pode ter até uma série de monopostos em 2018.

CASCAVEL – Um fim de semana de reuniões em Curitiba, entre dirigentes de clubes de automobilismo e a Federação Paranaense, definiu o que recebi como sendo um pré-calendário dos campeonatos de velocidade no asfalto para 2018 no Paraná. Faço questão de frisar o “pré”, diante da possibilidade sempre presente de mudanças sob as mais variadas motivações.

O Campeonato Paranaense de Automobilismo, com as categorias Marcas, Turismo 1600 e Turismo 5000, vai ter seis etapas, duas em cada autódromo, assim listadas no calendário: 29 de abril (Curitiba), 20 de maio (Londrina), 10 de junho (Cascavel), 26 de agosto (Londrina), 23 de setembro (Curitiba) e 4 de novembro (Cascavel). Não por acaso, todas essas datas e locais vão aparecer nos próximos calendários, isso por conta da óbvia realização conjunta com, etapas dos campeonatos metropolitanos.

A Federação Paranaense também incluiu em seu pré-calendário, vejam só, a Old Truck, campeonato de caminhões com seis etapas – 4 de março (Curitiba), 8 de abril (Cascavel), 20 de maio (Londrina), 5 de agosto (Cascavel), 26 de agosto (Londrina) e 21 de outubro (Curitiba). A novidade chegou a ser anunciada tempos atrás como Super Truck Racing e tinha o Max Nunes, preparador aqui de Cascavel, como um dos mentores. Max falou comigo agora, explicou que não tem mais envolvimento com a iniciativa.

O Metropolitano de Curitiba tem suas seis etapas pré-definidas para 4 de março, 29 de abril, 24 de junho, 23 de setembro e 21 de outubro. As coisas não andam tão simples na negociação com a nova administração do Autódromo Internacional, e essa lista aqui é, na minha opinião, a mais suscetível a eventuais mudanças no decorrer do período.

Em Londrina, o Campeonato Metropolitano de Automobilismo vai ter cinco etapas, nos dias 18 de março, 15 de abril, 20 de maio, 26 de agosto e 14 de outubro. As 500 Milhas, evento fantástico do qual tive a oportunidade de tomar parte como piloto dois meses atrás, vão acontecer no dia 24 de novembro, sábado.

O Metropolitano de Cascavel, que por ora é o que mais me interessa, por motivos estritamente meus e dos meus patrocinadores de pista, prevê seis etapas, nos dias 11 de março, 8 de abril, 6 de maio, 10 de junho, 5 de agosto e 4 de novembro. E a grande cereja do bolo da cidade, a Cascavel de Ouro, confirmadaça para 18 de novembro. A final do Metropolitano e do Paranaense duas semanas antes vai ser uma ótima oportunidade de preparação para as equipes.

Curioso eu falar da Cascavel de Ouro. Não que não faça isso; pelo contrário, faço até demais. É que exatamente agora, quando recebi as datas definidas em Curitiba, estava preparando algo que vai ser determinante para a prova ser, como vem sendo desde 2015, a maior de todos os tempos.

METROPOLITANO

O Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel volta a ter seis etapas, todas no Autódromo Zilmar Beux. Ano passado foram oito, que incluíram uma na pista de Londrina e outra na de Curitiba.

Metropolitano com 32 carros (?)

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Também vou participar do Metropolitano de Marcas & Pilotos em Cascavel. O carro será o VW Gol número 66 da Paraguay Racing, o mesmo com que fui ao pódio da classe Novatos do Paulista. A foto é do bróder Fernando Conto.

CASCAVEL – Todos os ambientes de convivência de hoje em dia contêm um grupo de WhatsApp. Não seria diferente, claro, com o Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, que terá no próximo dia 19 as provas de sua primeira etapa no Autódromo Zilmar Beux. Chegando em casa agora à noite, vi na troca de mensagens do grupo que a grande curiosidade de todo mundo lá é saber quantos e quem serão os pilotos na pista.

Será um ano de novidades, em que o grid volta acolher os carros da Turismo 1600 e em que a própria Turismo 1600 também passa a ter duas subdivisões, uma para os carros carburados e outra para os injetados. A categoria Marcas segue com as classes A e B. É no Marcas B, aliás, que pela primeira vez vou fazer uma pretensa temporada completa. Acertei hoje os ponteiros com a Paraguay Racing para participar com o mesmo carro com que belisquei um terceiro lugar na categoria Novatos em Interlagos, dois meses e meio atrás, no encerramento do Campeonato Paulista. A agenda de narrações fora de Cascavel deve me tirar de uma etapa ou outra, ainda não confrontei os calendários para saber quando as folgas no trabalho me permitirão correr.

A julgar pela lista de participantes que rascunhei aqui, decreto: vai ser uma dificuldade monstruosa pensar em pódio. Cheguei a um total de 32 carros, e 15 deles são da categoria Marcas B. Outros 10 são do Marcas A, e os seis restantes estão distribuídos entre as duas classes da Turismo 1600 – que deverá ter alguns nomes a mais. Ao mesmo tempo, não se descarte a possibilidade de nomes que estão na minha lista não irem para a pista (Anderson Portes e Guilherme Sperafico, por exemplo, informaram logo após a publicação que não vão participar da primeira etapa). Fazer essas listas é um exercício de adivinhação. O grid que imagino que vá abrir a temporada daqui a menos de duas semanas está listado aí abaixo.

1 – Thiago Klein (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas A

2 – Junior Caus (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

3 – Felipe Carvalho (GM Classic/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

5 – Eduardo Bacarin (VW Gol/Sorbara Competições), Marcas B

7 – Leônidas Fagundes Júnior (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

8 – Leandro Zandoná (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas A

10 – Rodrigo Larralde (VW Gol/Larralde), Turismo 1600

12 – Jair Peasson (GM Celta/Peasson Competições), Marcas B

13 – Caíto Carvalho (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

14 – Marcelo Beux (VW Gol/Speed Car), Marcas B

19 – Junior Niju (VW Gol/FF Racing), Marcas B

17 – Daniel Kaefer (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

18 – Gabriel Formentao (VW Gol/Speed Car), Marcas B

23 – Guilherme Sperafico (Renault Clio/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

27 – Natan Sperafico (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

28 – Marcel Sedano (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas A

31 – Higor Hoffmann/Rodrigo Elger (GM Corsa/Ribecar), Marcas A

32 – Clovis Alberto/Cido Ferreira (VW Gol/Cezarotto Motorsport), Marcas B

33 – Paulo Bento (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas A

36 – André Marafon (Ford Fiesta/Cezarotto Motorsport), Marcas B

39 – Roney Ribeiro/Felipe Braz (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas B

41 – Flamarion Zacchi (VW Gol/Zacchi Racing), Turismo 1600

43 – Anderson Portes (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas B

46 – Edson Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

50 – Gustavo Myasava (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

64 – Lorenzo Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

66 – Luc Monteiro (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

71 – Wyllian Cezarotto (Ford Ka/Cezarotto Motorsport), Marcas B

74 – Odair Dos Santos (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

77 –Duda Weirich (VW Gol/Weirich Racing), Turismo 1600

88 – Cleber Fonseca/Jefferson Fonseca Jr. (VW Gol/Fonseca Racing), Turismo 1600

99 – Vilmar Priviatelli (Ford Fiesta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

212 – Gelson Veronese (VW Apollo/Sorbara Competições), Turismo 1600

213 –Nuno Pagliato (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas B

555 – Rafael Paiva (Ford Ka/Ferrari Motorsport), Marcas B

911 – Ronaldo Cezar da Silva (VW Gol/Ronaldo Racing), Turismo 1600

?? – José Newton Ficagna (Ford Escort/FKS Competições), Turismo 1600

Turismo regional com pneus slick

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Carros em exposição na festa de premiação aos campeões gaúchos de 2016, na última sexta-feira. Em primeiro plano, o Ford Ka de Luiz Carlos Ribeiro, já calçado com os pneus slick 14×7 da argentina NA Carrera.

SÃO PAULO – Turismo Super 1.6. É esse o nome da nova categoria que a Federação Gaúcha de Automobilismo lançou na última sexta-feira, durante a festa de premiação aos campeões estaduais de 2016. Ainda ontem comentei aqui minha impressão de que a categoria Marcas 1.6 no Rio Grande do Sul estava com os dias contados. Acabou sendo uma meia-verdade: sai de cena o Marcas para entrar a Turismo Super 1.6, que importa um formato consagrado na Argentina com a Turismo Nacional, a categoria das fotos a seguir, que tem como slogan “tu auto también corre”.

Não se trata de uma apresentação em PowerPoint para eventual prospecção de patrocínio. Já homologada, a categoria terá seu primeiro campeonato em 2017. O calendário de etapas, inclusive, está definido, e antecipo aqui: Velopark no dia 4 de junho, Santa Cruz do Sul no dia 2 de julho, Tarumã em 30 de julho, Rivera em 3 de setembro, Guaporé em 8 de outubro e de novo Tarumã em 6 de novembro. Cada etapa terá duas corridas de 35 minutos, cada.

Os gaúchos não tomaram emprestado apenas o conceito da série argentina para a categoria que substitui o bom e velho Marcas & Pilotos. Os pneus dos carros também serão do país vizinho. Serão pneus slick aro 14, que de cara baixam os tempos de volta em coisa de quatro segundos e meio. Testes já feitos comprovam que são pneus capazes de manter performance por 120 voltas. Diante disso, cada jogo de pneus será lacrado para utilização em duas etapas do campeonato. O resultado de uma básica regra de três levou os promotores à conclusão esperada por quem assina o cheque da corrida: acaba saindo mais barato correr com os slick do que com os radiais utilizados em todas as séries similares.

A ideia, explícita no regulamento que será publicado terça-feira no site da Federação Gaúcha, é renovar a frota. Modelos como GM Corsa, Fiat Uno e Renault Clio, já fora das linhas de fabricação, e também as versões anteriores dos Ford Fiesta e Ka, do Fiat Palio, do VW Gol, do GM Celta e do Peugeot 206, vão ganhar a companhia de suas últimas versões e ainda de modelos como o HB20 da Hyundai, o Etios da Toyota, o C3 da Citröen e o novo Uno. “Seu carro também corre”, não esqueçamos disso. Modelos com motores 1.6 de 16 válvulas, que nas condições técnicas de competição vão desenvolver qualquer coisa em torno de 180 cavalos de potência.

Bati um papo sobre a nova categoria com o Jhonny Bonilla, que está diretamente envolvido com o novo campeonato. Que é Gaúcho, mas deverá, como fruto de um trabalho de corpo-a-corpo que já está sendo feito com pilotos e equipes do Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste, reunir participantes de vários outros estados – a meta, mesmo, é convertê-lo dentro de pouco tempo em Sul-Brasileiro ou coisa do gênero. Além de intermediar diretamente o fornecimento de pneus, é um colaborador institucional do campeonato. Ele me disse que procedimento igual foi adotado no Uruguai, país onde nasceu – mora no Brasil desde 1978 –, e que o resultado foi praticamente imediato. O Jhonny também é o gestor do novo autódromo uruguaio de Rivera, cidade localizada na fronteira com o Brasil. O Uruguai tem ainda os autódromos de Mercedes e de El Pinar, na capital Montevidéu.

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A Turismo Super 1.6 terá seus carros calçados com pneus slick. Como foi o Brasileiro de Marcas & Pilotos promovido em 2007 por Toninho de Souza. Como foi a Copa Shell de Marcas & Pilotos em fase notável de sua existência.

“O automobilismo uruguaio estava em um ostracismo. Os caras fizeram um esforço enorme e criaram a Superturismo. Só carros novos. Foram às revendas e conseguiram comprar os carros mais baratos colocando propagandas das marcas. Acabou que, em um ano, já são 40 carros Superturismo, todos com motor Cosworth e caixa sequencial. Para este ano já tiveram que criar a Classe 2, para abrir espaço para mais carros. O grid está lotado e o público voltou em massa”, descreveu o Jhonny, passando por conceitos que permeiam as conversas em rodas de autódromo no Brasil, acerca do apoio das marcas que é pequeno pelas bandas de cá e que funciona tão bem pelos lados da Argentina. Do Uruguai também, pelo visto.

Temos que tirar o chapéu para a gauchada. Os caras mantêm vivo o Endurance brasileiro, correm em mais pistas que algumas séries de nível internacional e, agora, saem com essa. O segredo deles não é segredo para ninguém: definem uma causa, se abraçam e vão em frente para viabilizar. A fórmula é tão simples quanto eficaz.

O vídeo aí abaixo foi apresentado aos desportistas presentes à ocasião da última sexta-feira, durante o lançamento da Turismo Super 1.6. Contém cenas da Turismo Nacional argentina. Vale ver.

Calendário definido no Paulista

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A foto do Humberto da Silva mostra a oitava etapa de 2016 do Paulista de Marcas & Pilotos, que tem grid médio de 40 carros e subdivisão em três categorias de igual regulamento técnico: Super, Light e Novatos

CASCAVEL – Enquanto ouço e leio bastante gente já promovendo o velório do autódromo de Interlagos a partir das intenções aventadas pelo prefeito eleito de São Paulo, a galera que faz automobilismo segue com sua vida normal. A Federação de Automobilismo de São Paulo, por exemplo, já tratou de providenciar, observando todas as praxes necessárias, o calendário de eventos para a temporada de 2017 do Campeonato Paulista de Automobilismo.

São muitas as categorias do Paulista, o que proporciona sempre programações bastante movimentadas. Classic Cup, Força Livre, Fórmula 1600, Fórmula Vee, Marcas & Pilotos e Turismo N/Turismo N a ar, para citar todas. Mais a Old Stock Race, que resgatou as corridas de Opala e que tem sido um sucesso nessas suas duas primeiras temporadas. A Old Stock acompanhará o Paulista em sete etapas e terá, como neste ano, algumas etapas extracampeonato em outras pistas. Suponho que a categoria virá a Cascavel pela primeira vez.

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A Fórmula 1600, categoria em que Jaime Barbarisi pilota o carro número 13, prepara uma prova extracampeonato de longa duração em Interlagos para o dia 19 de fevereiro

Além das dez etapas do Paulista, haverá um evento a mais em Interlagos, entre os dias 16 e 19 de fevereiro. Trata-se do Paulista de Endurance, que apresentará um fim de semana repleto. No sábado, dia 18, haverá uma prova de Marcas & Pilotos com duração de oito horas. O formato é, basicamente, o mesmo que praticamos por aqui na Cascavel de Ouro, embora sem janela de tempo fixa para os pit stops. No domingo, 19, uma corrida da Fórmula 1600 com percurso de 250 quilômetros, em que os pilotos vão poder se inscrever em duplas, e outra de Força Livre, em que deverão estar na pista carros de todas as categorias imagináveis de endurance, com maior destaque para pilotos gaúchos e paulistas.

Logo, a Fasp tratou de reservar e anunciar antes da virada do ano as datas de seus 11 eventos estaduais de 2017, todos no autódromo de Interlagos – tive o cuidado de me informar sobre a eventual realização de uma ou outra etapa nas pistas do Velo Città ou do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo.

Considerando apenas os sábados e domingos, embora cada evento consuma quatro dias de atividades de pista, as dez etapas do Paulista de Automobilismo de 2017 estão assim distribuídas no calendário: 28 e 29 de janeiro, 1º e 2 de abril, 29 e 30 de abril, 20 e 21 de maio, 10 e 11 de junho, 1º e 2 de julho, 29 e 30 de julho, 19 e 20 de agosto, 2 e 3 de setembro e 16 e 17 de dezembro.

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O grid do Paulista de Força Livre apresenta as mais variadas espécies de carros de corrida, como o Peugeot Stock Car 4.1 do piloto Marcelo Monte, fotografado pelo bróder Fernando Conto Ferreira