Metropolitano com 32 carros (?)

f-conto-35

Também vou participar do Metropolitano de Marcas & Pilotos em Cascavel. O carro será o VW Gol número 66 da Paraguay Racing, o mesmo com que fui ao pódio da classe Novatos do Paulista. A foto é do bróder Fernando Conto.

CASCAVEL – Todos os ambientes de convivência de hoje em dia contêm um grupo de WhatsApp. Não seria diferente, claro, com o Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, que terá no próximo dia 19 as provas de sua primeira etapa no Autódromo Zilmar Beux. Chegando em casa agora à noite, vi na troca de mensagens do grupo que a grande curiosidade de todo mundo lá é saber quantos e quem serão os pilotos na pista.

Será um ano de novidades, em que o grid volta acolher os carros da Turismo 1600 e em que a própria Turismo 1600 também passa a ter duas subdivisões, uma para os carros carburados e outra para os injetados. A categoria Marcas segue com as classes A e B. É no Marcas B, aliás, que pela primeira vez vou fazer uma pretensa temporada completa. Acertei hoje os ponteiros com a Paraguay Racing para participar com o mesmo carro com que belisquei um terceiro lugar na categoria Novatos em Interlagos, dois meses e meio atrás, no encerramento do Campeonato Paulista. A agenda de narrações fora de Cascavel deve me tirar de uma etapa ou outra, ainda não confrontei os calendários para saber quando as folgas no trabalho me permitirão correr.

A julgar pela lista de participantes que rascunhei aqui, decreto: vai ser uma dificuldade monstruosa pensar em pódio. Cheguei a um total de 32 carros, e 15 deles são da categoria Marcas B. Outros 10 são do Marcas A, e os seis restantes estão distribuídos entre as duas classes da Turismo 1600 – que deverá ter alguns nomes a mais. Ao mesmo tempo, não se descarte a possibilidade de nomes que estão na minha lista não irem para a pista (Anderson Portes e Guilherme Sperafico, por exemplo, informaram logo após a publicação que não vão participar da primeira etapa). Fazer essas listas é um exercício de adivinhação. O grid que imagino que vá abrir a temporada daqui a menos de duas semanas está listado aí abaixo.

1 – Thiago Klein (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas A

2 – Junior Caus (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

3 – Felipe Carvalho (GM Classic/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

5 – Eduardo Bacarin (VW Gol/Sorbara Competições), Marcas B

7 – Leônidas Fagundes Júnior (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

8 – Leandro Zandoná (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas A

10 – Rodrigo Larralde (VW Gol/Larralde), Turismo 1600

12 – Jair Peasson (GM Celta/Peasson Competições), Marcas B

13 – Caíto Carvalho (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

14 – Marcelo Beux (VW Gol/Speed Car), Marcas B

19 – Junior Niju (VW Gol/FF Racing), Marcas B

17 – Daniel Kaefer (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

18 – Gabriel Formentao (VW Gol/Speed Car), Marcas B

23 – Guilherme Sperafico (Renault Clio/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

27 – Natan Sperafico (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

28 – Marcel Sedano (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas A

31 – Higor Hoffmann/Rodrigo Elger (GM Corsa/Ribecar), Marcas A

32 – Clovis Alberto/Cido Ferreira (VW Gol/Cezarotto Motorsport), Marcas B

33 – Paulo Bento (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas A

36 – André Marafon (Ford Fiesta/Cezarotto Motorsport), Marcas B

39 – Roney Ribeiro/Felipe Braz (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas B

41 – Flamarion Zacchi (VW Gol/Zacchi Racing), Turismo 1600

43 – Anderson Portes (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas B

46 – Edson Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

50 – Gustavo Myasava (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

64 – Lorenzo Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

66 – Luc Monteiro (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

71 – Wyllian Cezarotto (Ford Ka/Cezarotto Motorsport), Marcas B

74 – Odair Dos Santos (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

77 –Duda Weirich (VW Gol/Weirich Racing), Turismo 1600

88 – Cleber Fonseca/Jefferson Fonseca Jr. (VW Gol/Fonseca Racing), Turismo 1600

99 – Vilmar Priviatelli (Ford Fiesta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

212 – Gelson Veronese (VW Apollo/Sorbara Competições), Turismo 1600

213 –Nuno Pagliato (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas B

555 – Rafael Paiva (Ford Ka/Ferrari Motorsport), Marcas B

911 – Ronaldo Cezar da Silva (VW Gol/Ronaldo Racing), Turismo 1600

?? – José Newton Ficagna (Ford Escort/FKS Competições), Turismo 1600

Anúncios

Turismo regional com pneus slick

st16-ford-ka

Carros em exposição na festa de premiação aos campeões gaúchos de 2016, na última sexta-feira. Em primeiro plano, o Ford Ka de Luiz Carlos Ribeiro, já calçado com os pneus slick 14×7 da argentina NA Carrera.

SÃO PAULO – Turismo Super 1.6. É esse o nome da nova categoria que a Federação Gaúcha de Automobilismo lançou na última sexta-feira, durante a festa de premiação aos campeões estaduais de 2016. Ainda ontem comentei aqui minha impressão de que a categoria Marcas 1.6 no Rio Grande do Sul estava com os dias contados. Acabou sendo uma meia-verdade: sai de cena o Marcas para entrar a Turismo Super 1.6, que importa um formato consagrado na Argentina com a Turismo Nacional, a categoria das fotos a seguir, que tem como slogan “tu auto también corre”.

Não se trata de uma apresentação em PowerPoint para eventual prospecção de patrocínio. Já homologada, a categoria terá seu primeiro campeonato em 2017. O calendário de etapas, inclusive, está definido, e antecipo aqui: Velopark no dia 4 de junho, Santa Cruz do Sul no dia 2 de julho, Tarumã em 30 de julho, Rivera em 3 de setembro, Guaporé em 8 de outubro e de novo Tarumã em 6 de novembro. Cada etapa terá duas corridas de 35 minutos, cada.

Os gaúchos não tomaram emprestado apenas o conceito da série argentina para a categoria que substitui o bom e velho Marcas & Pilotos. Os pneus dos carros também serão do país vizinho. Serão pneus slick aro 14, que de cara baixam os tempos de volta em coisa de quatro segundos e meio. Testes já feitos comprovam que são pneus capazes de manter performance por 120 voltas. Diante disso, cada jogo de pneus será lacrado para utilização em duas etapas do campeonato. O resultado de uma básica regra de três levou os promotores à conclusão esperada por quem assina o cheque da corrida: acaba saindo mais barato correr com os slick do que com os radiais utilizados em todas as séries similares.

A ideia, explícita no regulamento que será publicado terça-feira no site da Federação Gaúcha, é renovar a frota. Modelos como GM Corsa, Fiat Uno e Renault Clio, já fora das linhas de fabricação, e também as versões anteriores dos Ford Fiesta e Ka, do Fiat Palio, do VW Gol, do GM Celta e do Peugeot 206, vão ganhar a companhia de suas últimas versões e ainda de modelos como o HB20 da Hyundai, o Etios da Toyota, o C3 da Citröen e o novo Uno. “Seu carro também corre”, não esqueçamos disso. Modelos com motores 1.6 de 16 válvulas, que nas condições técnicas de competição vão desenvolver qualquer coisa em torno de 180 cavalos de potência.

Bati um papo sobre a nova categoria com o Jhonny Bonilla, que está diretamente envolvido com o novo campeonato. Que é Gaúcho, mas deverá, como fruto de um trabalho de corpo-a-corpo que já está sendo feito com pilotos e equipes do Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste, reunir participantes de vários outros estados – a meta, mesmo, é convertê-lo dentro de pouco tempo em Sul-Brasileiro ou coisa do gênero. Além de intermediar diretamente o fornecimento de pneus, é um colaborador institucional do campeonato. Ele me disse que procedimento igual foi adotado no Uruguai, país onde nasceu – mora no Brasil desde 1978 –, e que o resultado foi praticamente imediato. O Jhonny também é o gestor do novo autódromo uruguaio de Rivera, cidade localizada na fronteira com o Brasil. O Uruguai tem ainda os autódromos de Mercedes e de El Pinar, na capital Montevidéu.

st16-na-carrera-3

A Turismo Super 1.6 terá seus carros calçados com pneus slick. Como foi o Brasileiro de Marcas & Pilotos promovido em 2007 por Toninho de Souza. Como foi a Copa Shell de Marcas & Pilotos em fase notável de sua existência.

“O automobilismo uruguaio estava em um ostracismo. Os caras fizeram um esforço enorme e criaram a Superturismo. Só carros novos. Foram às revendas e conseguiram comprar os carros mais baratos colocando propagandas das marcas. Acabou que, em um ano, já são 40 carros Superturismo, todos com motor Cosworth e caixa sequencial. Para este ano já tiveram que criar a Classe 2, para abrir espaço para mais carros. O grid está lotado e o público voltou em massa”, descreveu o Jhonny, passando por conceitos que permeiam as conversas em rodas de autódromo no Brasil, acerca do apoio das marcas que é pequeno pelas bandas de cá e que funciona tão bem pelos lados da Argentina. Do Uruguai também, pelo visto.

Temos que tirar o chapéu para a gauchada. Os caras mantêm vivo o Endurance brasileiro, correm em mais pistas que algumas séries de nível internacional e, agora, saem com essa. O segredo deles não é segredo para ninguém: definem uma causa, se abraçam e vão em frente para viabilizar. A fórmula é tão simples quanto eficaz.

O vídeo aí abaixo foi apresentado aos desportistas presentes à ocasião da última sexta-feira, durante o lançamento da Turismo Super 1.6. Contém cenas da Turismo Nacional argentina. Vale ver.

Calendário definido no Paulista

paulista-de-marcas

A foto do Humberto da Silva mostra a oitava etapa de 2016 do Paulista de Marcas & Pilotos, que tem grid médio de 40 carros e subdivisão em três categorias de igual regulamento técnico: Super, Light e Novatos

CASCAVEL – Enquanto ouço e leio bastante gente já promovendo o velório do autódromo de Interlagos a partir das intenções aventadas pelo prefeito eleito de São Paulo, a galera que faz automobilismo segue com sua vida normal. A Federação de Automobilismo de São Paulo, por exemplo, já tratou de providenciar, observando todas as praxes necessárias, o calendário de eventos para a temporada de 2017 do Campeonato Paulista de Automobilismo.

São muitas as categorias do Paulista, o que proporciona sempre programações bastante movimentadas. Classic Cup, Força Livre, Fórmula 1600, Fórmula Vee, Marcas & Pilotos e Turismo N/Turismo N a ar, para citar todas. Mais a Old Stock Race, que resgatou as corridas de Opala e que tem sido um sucesso nessas suas duas primeiras temporadas. A Old Stock acompanhará o Paulista em sete etapas e terá, como neste ano, algumas etapas extracampeonato em outras pistas. Suponho que a categoria virá a Cascavel pela primeira vez.

f-1600

A Fórmula 1600, categoria em que Jaime Barbarisi pilota o carro número 13, prepara uma prova extracampeonato de longa duração em Interlagos para o dia 19 de fevereiro

Além das dez etapas do Paulista, haverá um evento a mais em Interlagos, entre os dias 16 e 19 de fevereiro. Trata-se do Paulista de Endurance, que apresentará um fim de semana repleto. No sábado, dia 18, haverá uma prova de Marcas & Pilotos com duração de oito horas. O formato é, basicamente, o mesmo que praticamos por aqui na Cascavel de Ouro, embora sem janela de tempo fixa para os pit stops. No domingo, 19, uma corrida da Fórmula 1600 com percurso de 250 quilômetros, em que os pilotos vão poder se inscrever em duplas, e outra de Força Livre, em que deverão estar na pista carros de todas as categorias imagináveis de endurance, com maior destaque para pilotos gaúchos e paulistas.

Logo, a Fasp tratou de reservar e anunciar antes da virada do ano as datas de seus 11 eventos estaduais de 2017, todos no autódromo de Interlagos – tive o cuidado de me informar sobre a eventual realização de uma ou outra etapa nas pistas do Velo Città ou do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo.

Considerando apenas os sábados e domingos, embora cada evento consuma quatro dias de atividades de pista, as dez etapas do Paulista de Automobilismo de 2017 estão assim distribuídas no calendário: 28 e 29 de janeiro, 1º e 2 de abril, 29 e 30 de abril, 20 e 21 de maio, 10 e 11 de junho, 1º e 2 de julho, 29 e 30 de julho, 19 e 20 de agosto, 2 e 3 de setembro e 16 e 17 de dezembro.

forca-livre-marcelo-monte

O grid do Paulista de Força Livre apresenta as mais variadas espécies de carros de corrida, como o Peugeot Stock Car 4.1 do piloto Marcelo Monte, fotografado pelo bróder Fernando Conto Ferreira

Marcas & Pilotos 1.6: unificação já!

festival

A oitava edição do Festival Brasileiro de Marcas & Pilotos 1.6, em Curvelo, tem 19 carros inscritos. Poderiam ser bem mais, considerando que há mais de 200 carros da categoria pelo Brasil.

CASCAVEL – Como o assunto interessa a bem mais pessoas que as de um grupo distinto em rede social, reproduzo aqui uma discussão que propus, prolixa como tudo em que meto a mão, no grupo “Marcas & Pilotos 1.6 Brasil” do Facebook. O assunto não é novo, claro. Quaisquer pitacos da parte de vocês serão bem-vindos.

“Vou me estender um pouco, eu sei. Mas peço a atenção de todos os amigos do grupo para uma discussão que ocorre, via de regra, nos grupos  e WhatsApp dos vários envolvidos com os campeonatos de Marcas & Pilotos 1.6: o REGULAMENTO TÉCNICO.

O assunto ganhou força na última semana, por conta da realização do 8ª Festival Brasileiro da categoria em Curvelo, no Circuito dos Cristais. Lá, o trabalho da Federação Mineira e do Automóvel Clube de Belo Horizonte foi suficiente para reunir 19 carros. Não é um grid ruim, tendo-se em vista todas as dificuldades que os organizadores tiveram de superar, sobretudo por conta da mudança de planos dos últimos meses. Vamos lembrar que em Guaporé, no ano passado, foram 17 carros. Nossa categoria tem potencial suficiente para facilmente extrapolar o limite físico de carros de qualquer autódromo do Brasil em um evento que deveria congregar e confrontar, de fato, pilotos e equipes de todos os campeonatos regionais de Marcas 1.6 do país – e são muitos.

Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais têm seus bons campeonatos estaduais. Goiás, em termos práticos, absorveu em sua Copa Centro-Oeste os carros do campeonato do Distrito Federal, dada a desativação do autódromo de Brasília. Existe ainda a versão Norte-Nordeste, que pode mostrar algum crescimento diante da recente inauguração do autódromo da Paraíba em São Miguel de Taipu, cidade localizada entre Campina Grande e a capital João Pessoa. No Rio, também por conta da extinção do autódromo, parte dos pilotos abandonaram o esporte, outra parte distribuiu-se entre os campeonatos que restaram. Já houve disputas do Campeonato Carioca no pequeno Mega Space, na mineira Santa Luzia. Aqui no Paraná, por fim, o Campeonato Estadual reforça os formatos das três versões de campeonatos metropolitanos existentes em Cascavel, Londrina e Curitiba. Suponho, com ponderação e sem dados de grande apuração, que somos uma família de mais de 200 carros de competição. Isso tudo sem contar as versões de acesso com carros carburados, como a Turismo 1600 paranaense ou mesmo a Classic Cup paulista.

Em se tratando da categoria Marcas & Pilotos 1.6, somos uma família gigantesca composta por Chevrolet Celta, Chevrolet Classic, Chevrolet Corsa, Fiat Uno, Fiat Palio, Ford Fiesta, Ford Ka, Peugeot 207, Renault Clio e VW Gol, alguns desses modelos em mais de uma versão. Posso ter esquecido algum modelo que eventualmente integre esse ou aquele campeonato. Não temos há décadas o apoio de montadora alguma e aprendemos a nos virar sem as montadoras. O automobilismo de competição segue muitíssimo bem a essência humana de saber se virar diante das adversidades.

Sei de muitos amigos que estão se torcendo por não terem ido a Curvelo disputar o Festival Brasileiro de 1.6. Boa parte deles alega dificuldade logística por conta da geografia. Ok, cada qual tem seu motivo. Mas noto, em vários grupos de WhatsApp de que participo, um geral descontentamento de pilotos e equipes diante de alegadas discrepâncias no regulamento técnico da competição, que acabariam favorecendo esse ou aquele modelo de carro, que acabam diminuindo as chances daquele outro modelo.

Equalizar as regras para que carros de diferentes pesos e potências, convenhamos, não é tarefa das mais fáceis. O saudoso Campeonato Brasileiro de GT conseguiu essa façanha em um nível louvável. O mesmo pode ser dito da Fórmula Truck, com seus caminhões de seis marcas, cada qual com seu peso e sua potência diferentes, e que oferecem o mesmo potencial de rendimento – na Truck, isso é fato, a vantagem de uma marca sobre a outra na pista é resultado do potencial de investimento de cada equipe. E o que fazer no caso do nosso Marcas & Pilotos 1.6, que alguns chamam de “Marquinhas”?

Bairrista que sou, volto ao exemplo do Paraná. Como já mencionei, aqui são três campeonatos diferentes. Nos dois últimos anos, o trabalho conjunto da Federação Paranaense com os clubes promotores resultou na unificação do regulamento técnico. Posso tranquilamente embarcar o meu carro de Marcas do Metropolitano de Cascavel (supondo que eu tivesse um) para uma corrida em Londrina ou Curitiba sem ter que trocar um mísero parafuso. Há, claro, algumas pendências para que a precisão dessa equalização seja ainda maior. O trabalho é gradativo.

Promover essa unificação no âmbito nacional é missão trabalhosa, mas consideravelmente fácil. Dependeria, claro, de bom senso das equipes de todos os estados, que inevitavelmente tentariam puxar a brasa para suas sardinhas – isso também é da essência humana –, e de pré-disposição dos dirigentes de federações e Confederação.

Estamos em vias de escolha de um novo presidente e uma nova diretoria para a CBA. Milton Sperafico, do Paraná, atual primeiro vice-presidente da CBA, e Waldner Bernardo, o “Dadai”, de Pernambuco, presidente da federação estadual, encabeçam as duas chapas que vão disputar o voto dos presidentes de federações no dia 17 de janeiro. Há reprovação da comunidade automobilística a nomes que têm larga influência sobre o que se faz e o que se deixa de fazer quanto aos regulamentos impostos aos pilotos.

A busca pela unificação, somada ao apontamento de nomes que teriam contribuído em larga escala para o regulamento se tornar pouco atrativo, leva a outra cobrança, essa de caráter imediato. A informação não deve ser confidencial, afinal. Waldner Bernardo e Milton Sperafico poderiam nos apresentar por aqui, mesmo a título de compromisso com essa família de mais de 200 carros (que respondem, se o número estiver correto, pelo sustento de mais de mil profissionais do automobilismo), os nomes dos dirigentes que vão integrar a diretoria no novo mandato da CBA. Até para que saibamos com quem teremos de gestionar essas adaptações, todas elas vislumbradas para que a nossa “Marquinhas” – e sei que esse apelido irrita muita gente – se torne ainda mais forte.

Conversei rapidamente com o Dadai na última sexta-feira. Sei que, por motivos seus, está fora do alcance de contatos pelo menos até quarta-feira. Sperafico, por sua vez, não tem perfil no Facebook, motivo pelo qual tomo a licença de chamar à conversa o jornalista Alan Magalhães, que encabeça um trabalho de promoção de suas propostas de campanha. Qualquer que seja o sucessor de Cleyton Pinteiro no comando da CBA, é com ele que vamos contar para fortalecer ainda mais os campeonatos metropolitanos, estaduais e interestaduais de Marcas & Pilotos 1.6. E também o Festival Brasileiro.

Grato desde já pela participação sadia de todos na discussão. Um forte abraço e os votos de sucesso aos amigos que neste domingo têm seus 19 carros na pista em Curvelo.

Luc Monteiro”

cascavel-de-ouro-grid

A Cascavel de Ouro, também pautada no regulamento técnico de Marcas & Pilotos 1.6, teve 42 carros inscritos para a edição de 2016, disputada no dia 23 de outubro

Gaúchos dando aula

ENDU 1.jpg

CASCAVEL – Afirmar que o universo sul-rio-grandense dá aula ao resto do país quando o assunto é automobilismo às vezes beira a redundância, tamanhos são o empenho e a devoção da gauchada no fomento aos bons eventos. A nova cartada do lado de lá do Mampituba é o Festival Brasileiro de Endurance, programação que será desenvolvida pela primeira vez neste domingo, dia 3, em Viamão. A programação, extensa e das mais atrativas, destaca a disputa dos 500 Quilômetros de Tarumã. A Copa Classic e o Track Day Trofeo Experience Pirelli vão complementar a festa.

Haverá categorias para todos os tipos imagináveis de carros nos 500 km de Tarumã. Imagino quão metódico será o trabalho de organização do pódio no fim da tarde de domingo – nem tão fim da tarde assim, já que a largada será dada às 10h40 e a previsão de duração é de menos de cinco horas, caso não chova – não vai chover.

O material de divulgação que recebi da Glauce Schutz enumera os protótipos MR18, MRX, MCR, Tubarão, Tornado, Spyder, Scorpion e 1R, além de Porsche e Lamborghini, nas classes GP1, P2 e P3, além de uma infinidade de outros carros de turismo – as fotos que ilustram esse post, produzidas pelo Dudu Leal, dão uma leve ideia de quão variado é o grid gaúcho. A lista de inscritos apontava 26 carros até ontem. Deve passar de 30 até o início do primeiro treino livre, na manhã de sexta-feira.

Se há um lugar onde o Endurance sobrevive, todos sabemos, esse é o Rio Grande do Sul. Sobrevive muito bem, diga-se de passagem, com o fortíssimo Campeonato Gaúcho da categoria. Os 500 km vão valer pela abertura da temporada estadual, também, além de contar como primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Endurance, cujas outras etapas serão os 500 km de Santa Cruz do Sul, em 19 de junho, os 500 km de São Paulo, dia 18 de setembro no Velo Città, e as 500 Milhas de Londrina, dia 26 de novembro.

ENDU 2Já que falei da gauchada, cabe menção rápida ao trabalho da AGA, Associação Guaporense de Automobilismo, no resgate da prova Seis Horas de Guaporé, que volta ao calendário com a décima edição de sua história. A corrida vai acontecer só no dia 10 de setembro. Ainda assim, Telmo Júnior e seu batalhão organizador já contabilizam 43 carros confirmados no grid. Vão passar dos 60, não tenho dúvida. Estou fora desse grid por ser fim de semana de Copa Petrobras de Marcas em Interlagos. Mas que o pé coçou, isso coçou.

Em termos de automobilismo a gauchada dá aula, não há como negar.

Domingo sem bravatas

MARCOS MOCELIN

Marcos Mocelin e sua irmã Camila ao lado do carro número 16 da equipe Ribecar, que acabaria destruído no assustador acidente de ontem.

CASCAVEL – Era para ser um domingo de festa. Era um dos dias mais aguardados dos últimos meses pelos 43 que nos inscrevemos para a primeira etapa do Campeonato Metropolitano de Automobilismo de Cascavel, 29 na categoria Marcas & Pilotos e outros 14 na Turismo 1600. Era para darmos, como sempre damos, importância exagerada a cada curva, a cada erro, a cada ultrapassagem, a um trofeuzinho de quinto ou quarto lugar. Era para contarmos bravatas e celebrarmos, à nossa moda, mais um animado domingo de corridas.

Nada disso aconteceu. Saímos do autódromo todos preocupados, apreensivos, cabisbaixos e repensando uma série de valores. Um acidente como nunca havia visto nas nossas categorias regionais fez o evento parar para não mais ser retomado. Dois colegas de pista envolvidos e levados à UTI hospitalar. Para maioria dos pilotos, dois amigos; no meu caso, um grande amigo de longa data e um garoto que não conhecia, embora o tenha visto e já tenha narrado ao vivo uma corrida da qual participou.

Aconteceu na primeira bateria de Marcas. A da Turismo 1600 já tinha transcorrido, meu carro esteve na pista com meu parceiro Felipe Carvalho, eu tentava disfarçar alguma tranquilidade para encarar a pista na corrida que viria no meio da tarde. Fui para a nova arquibancada do S do Saul acompanhar a disputa. Fui sozinho, de macacão, mesmo. Lá encontrei algumas turmas de amigos – o que mais encontramos em autódromos são amigos, isso é uma coisa legal. Víamos e gravávamos vídeos amadores do que acontecia na pista. Quatro ou cinco voltas depois, surge uma bandeira amarela no posto de sinalização, justificando a correria de alguns dos amigos de ouvido mais aguçado instantes antes.

O acidente aconteceu na curva que dá acesso à reta dos boxes. Marcos Mocelin, que vi algumas vezes no box da equipe Ribecar, tentava ultrapassar César Chimin, com quem passei alguns dias na Flórida na semana anterior. A manobra não aconteceu. O único vídeo disponível até então, produzido pela equipe do Beto Borghesi para a edição da corrida, mostra os dois carros saindo desgovernados para a área de escape e arrebentando violentamente nas barreiras à beira da pista.

A correria até o local foi intensa. Muita gente invadiu a pista, alguns movidos pelo ímpeto de auxiliar no socorro a Marcos e César, outros pelo mero inconveniente de estarem próximos de um episódio trágico. Fui com alguns dos amigos até a mureta que separa os boxes da pista, e dali acompanhamos a atuação de socorristas, comissários e curiosos. Em dado momento, alguém que atuava no atendimento ao Marcos proclamou “código 3!”. Um rapaz que estava ao meu lado, conhecedor dos códigos das situações de emergências, levou a mão ao rosto e compartilhou seus conhecimentos conosco. Concluiu que a situação era mesmo grave, porque se o código fosse 4 significaria a morte do piloto.

A partir daí não se passaram mais que dez minutos até que comunicassem a ocorrência do código 4. Era comunicação interna entre um grupo de trabalho, mas eclodiu em questão de poucos segundos por todo o autódromo. Um vazio indigesto nos dominou. Muitos entregaram-se às lágrimas, ao desespero. Ficamos desnorteados, essa é a verdade. Eu observava tudo aquilo andando sem saber para onde, talvez para o box da minha equipe. Foi quando o panorama mudou.

Algumas dezenas de torcedores que acompanhavam tudo do alambrado externo do autódromo deram início a um aplauso que, penso, acabou tendo participação de todos nós. Um socorrista havia bradado o reestabelecimento dos sinais vitais de Marcos Mocelin. Apesar dos longos minutos sem atividade cardíaca e respiratória, o piloto voltou à vida. Jamais alguém vai confirmar ou negar, mas ouvi que os próprios socorristas já haviam desistido de tentar trazê-lo de volta e que um deles, talvez por desencargo de consciência, empreendeu uma última tentativa de massagem cardíaca. Foi a diferença entre a vida e a morte.

CESAR CHIMIN

César Chimin foi meu anfitrião em Orlando e esteve comigo dez dias atrás em Homestead, na etapa do FARA USA. É o amigo que me telefona dos Estados Unidos em fim de semana de corrida para passar dicas de pilotagem do Escort, modelo com que colecionou vitórias e títulos pelas bandas de cá na década passada.

Os acidentados, cada um numa UTI móvel, foram levados à UTI do hospital Dr. Lima. César, que também desmaiou por conta da violenta batida, sofreu um pequeno edema cerebral, consequência da desaceleração brusca, teve uma costela fraturada e uma perfuração de pouca dimensão no pulmão. Deveria sair ainda hoje da terapia intensiva para o quarto, mas os últimos exames apontaram a evolução de um pequeno edema pulmonar e a determinação é de que permaneça sob observação pelo menos até o fim da semana. Nada que preocupe em demasia, é o que assegura a equipe médica. O caso de Marcos é bem mais grave. Gravíssimo. Teve edemas bem mais sérios, inchaço do cérebro, traumas torácicos e hemorragias. Não recobrou a consciência em momento algum. Um amigo que acompanha o caso no hospital contou que Camila, irmã de Marcos, esteve com ele na UTI e contou que notou movimentos de suas pálpebras enquanto falava com ele. Os médicos que o atendem determinaram 72 horas de prazo, estimativa para que as condições clínicas permitam os procedimentos cirúrgicos.

Há quem diga que o Marcos tenha sido acometido por um mal súbito durante a corrida. É uma tese que faz pleno sentido, sobretudo por não haver qualquer indício de que tenha tentado frear ou fazer a curva. Só quem viu as imagens onboard do carro do César foi o comissariado de prova; não sei se Marcos tinha câmera instalada em seu carro.

Reunimo-nos, os pilotos participantes da etapa, com a direção de prova tão logo as ambulâncias com Marcos e César deixaram o autódromo. A decisão tomada pela maioria, e seguida por todos, foi de que se suspendessem todas as atividades do evento automobilístico. A corrida em que houve o acidente foi cancelada. Para efeito de campeonato, e só para esse efeito, ela não existiu. As segundas baterias da Turismo 1600 (realizada instantes antes) e de Marcas & Pilotos serão repostas, provavelmente na véspera da próxima etapa. É o que menos importa agora.

MARCOS FELIPE MOCELIN

Marcos Mocelin no briefing de sábado à tarde. Dos 43 que estavam ali, é o único com quem jamais conversei: coincidência tão incômoda quanto irrelevante.

Gente ligada às corridas em todos os cantos do Brasil me pergunta a cada pequena porção de minutos sobre a situação dos pilotos. Estou perto dos fatos, afinal, em comparação aos amigos que emanam suas boas energias de todos os lugares pela recuperação dos dois pilotos. Como temos feito nós, ligados diretamente ao automobilismo de Cascavel.

Éramos, repito, 43 os pilotos de automobilismo inscritos na etapa de ontem. 24 carros nas classes A e B da categoria Marcas & Pilotos, cinco deles com duplas de pilotos, outros 10 na Turismo 1600, com quatro duplas e seis inscrições individuais. Fiz questão de examinar as listas, nome por nome. Marcos é o único com quem jamais troquei uma palavra. Fico procurando algum significado para esse tipo de constatação; é coisa que me assusta um pouco, devo admitir, embora sem saber por quê.

Espero ter, ainda, a oportunidade de trocar algumas palavras com o Marcos. Ou de me juntar à sua turma na mesa de truco improvisada sobre uma pilha de pneus de corrida a dois boxes do meu. Agora, sobretudo, a chance de ter conversado com os 43 pilotos da primeira etapa de 2016, a que não acabou, torna-se um evento estatístico dos mais importantes.

Giombelli de volta

GIOMBELLICASCAVEL – Vá lá que essa foto seja de quase 25 anos atrás. Sábado à tarde, não há a quem recorrer atrás de algo mais atual. Não tem problema. Ângelo Giombelli conserva a aparência, em que pese o manequim poucos números maior.

A questão que interessa é que Ângelo muda de condição. Sai da lista de ex-pilotos para a de pilotos em atividade. Isso porque vai disputar, em 2016, as seis etapas do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos, formando com Wanderley Faust a dupla do Ford Ka número 22 da Sérgio Ferrari Racing Team. Eles vão disputar, também, o Campeonato Paranaense e, posso afirmar, o Festival Brasileiro de Marcas 1.6, que ao que tudo indica terá sua próxima edição em Goiânia – palco da última vitória do Ângelo na Stock Car, em 1994.

A formação da dupla foi confirmada ontem à noite, durante a festa que o Automóvel Clube de Cascavel promoveu na Associação da Rádio Colmeia para premiar os campeões e os destaques da temporada de 2015. Ângelo tem dito há tempos que a história dele nas pistas ainda não tinha sido encerrada. É bom saber que tem razão.

A temporada do Metropolitano vai começar daqui a 15 dias. O grid das categorias A e B, único, tem por enquanto 23 carros confirmados – a lista completa está aqui. Serão pelo menos 25 alinhados na reta principal do Autódromo Zilmar Beux no dia 28.