O negro gato

CASCAVEL – Foi tão pessoal que não mereceria sair das fronteiras do lar. Por algum motivo, sinto-me tentado a dividir uma quebra de rotina com vocês poucos que me leem.

Acordei cedo, hoje. Mais que de costume, pelo menos. Tenho um pequeno ritual para sair de casa: dou um tchau à Juli e ao Juninho que eles nunca veem, pego minha condução nos fundos do quintal, saio em direção oposta à do trabalho, paro na lanchonete da Iraci, tomo um café, ou dois, às vezes mais se o horário do meu café coincide com o da turma do bate-papo, de lá saio e, pelo mesmo caminho de todo santo dia, vou trabalhar. Não faço o caminho mais prático, aliás. Tomo duas vias principais e, em determinada altura, faço meu enredo particular, sem me importar em dali até a agência parar a cada 100 metros sob um “Pare”. É para isso que servem as placas de “pare”, afinal.

Bem, esse é meu ritual, que dificilmente se desvia de sua rotina. Hoje se desviou. Um gato preto cruzou o meu caminho. Não tenho o menor problema com azares ou superstições, exceção feita a um inexplicável desconforto em ambientes escuros, mas é fato que o negro gato me tirou do ritual particular. Parece ter passado a noite na elevação ao lado da churrasqueira, era de lá que me fitava com aquele olhar fascinante que só os felinos têm. Seu pelo brilhava. “Ô, negão”, foi assim que reagi à companhia inesperada, com entonação de quem abre a porta e dá de cara com uma visita das mais agradáveis. Negão era o nome de outro gato que morou com a família por alguns dias em 2006, evaporou por uma descuidada fresta de janela quando deixávamos o apartamento para ocupar uma casa com amplo quintal, decisão tomada em conjunto porque queríamos ter espaço para a chegada do Luc Jr. dali a alguns meses. Era preto, o Negão, claro. Negão foi embora e ficou o Mike, que em 2013 sumiu por 31 dias e voltou para passar conosco seu último mês de vida, a partida dele foi uma tristeza só. Gostamos de gatos. Gostamos de animais.

“Ô, negão”, foi como reagi àquele olhar firme e decidido de hoje cedo. Há coisas complexas que passam pela cabeça da gente em fração de segundo: foi fração de segundos para eu decidir, sem consultas, que o dono daquele olhar seria incorporado ao lar dos Monteiro e que, claro, ganharia outro nome, Negão houve um só e foi embora, e desde que o Mike morreu nossa companhia peluda corre por conta do Max, um lhasa de um ano e meio que parece sorrir. O negro gato faria amizade facilmente com o Max, decidi tudo isso naquela fração de segundo. Poderia projetar essa nova companhia por alguns instantes a mais, não fosse o negro gato começar a conversar comigo. Quem tem animais, ou quem por eles tem apreço, sabe bem o que estou falando. Os bichinhos conversam com a gente. Foi um diálogo rápido. O bichinho não me conhecia direito, talvez fosse instruído pela mamãe gata a não conversar com estranhos. Levantou-se, foi ao chão e, sem grande correria, procurou outro refúgio para completar sua soneca. Achou-o sob a outra condução da família, na garagem de casa.

O bichinho tornou a modificar as rotinas horas mais tarde. A rotina do almoço. A saída de casa não considerava que o bichinho ainda curtisse sua soneca sob o carro, negro como ele. Atropelamo-lo. Juli, com o sangue-frio e o carinho que lhe são peculiares, acomodou o negro gato numa mochila revestida às pressas para a ocasião traumática. Corri com aquela mochila para a clínica veterinária. Pedi à recepcionista que mandasse salvarem-no antes de preencher o cadastro, com o que a moça concordou. Quando voltou, trouxe a mochila de volta e deu-me suas condolências, talvez um praxe da casa. “Quer vê-lo?”. Eu não quis, já doía bastante ter perdido um companheirinho que mal havia sido incorporado à família.

Foi triste a quebra de rotina que acabo de dividir com vocês. Boba, para a maioria, quiçá irritante a quem chegou até aqui à espera de um desfecho mirabolante, algo incrível como um mapa do tesouro preso à coleirinha do negro gato – que nem coleirinha tinha. Mas foi o que marcou minha sexta-feira. Às vezes compartilho com vocês coisas legais das quais participo. Hoje, pela segunda vez em pouco tempo, um bichinho que eu não conhecia me procurou para se despedir da vida, tipo de evento que me faz procurar significados em que sequer sei se acredito.

Tomara que haja um céu para criaturinhas de olhar altivo como o negro gato.

Uma promoção animal!

CAMPINAS – Eis que vim encher o saco na casa de um amigo. Que tem gatos. Gosto de gatos. Aí estão a Mel e a Gigi. Tem também o Nick, que sumiu lá pra fora quando fui bater a foto.

A Mel e a Gigi encucaram com a minha mochila. Há alguma coisa ali que aguçou os bichanos, intuí. Publiquei a foto no Twitter agora há pouco, perguntando se alguém faz ideia do que possa ser.

As respostas que chegaram até agora são as mais variadas. Salgadinho de camarão, Whiskas, comida de gato, peixe (o tuiteiro ainda perguntou onde achei peixe, já que todos sumiram na última semana…), bolachas, comida (muito genérico, não valeria se a brincadeira fosse mais criteriosa), um gatinho, um cachorrinho, um rato, cocaína, uma cueca, petiscos de bordo da Gol (essa foi a pior). Ninguém passou perto.

Conforme prometi lá mesmo, no Twitter, vale um boné do Porsche GT3 Cup, já que ainda tenho um em estoque, para o primeiro que acertar o que há na mochila – no momento da foto, meu notebook também estava lá dentro. Não imagino que o conteúdo tenha atraído os gatos, deve ser mera folia deles, mesmo. De qualquer modo, está valendo.

Como pista única, eu trouxe do autódromo de Interlagos o que está aí dentro.

Essa é uma promoção animal, não é?

Sim, os patos existem


GUARULHOS – Semana passada, quando literalmente abrimos os trabalhos da etapa da Fórmula Truck lá em Caruaru, fiz uma menção aos patos que se refrescavam no pequeno açude, ou lago, ou o que queiram. Muitas pessoas me perguntaram dos patos.

Graças ao amedrontante Zé Mário Dias, campeão pré-olímpico do espeto-corrido, estão aí os bichinhos, em flagrante delito contra o calor. A foto é de sábado à tarde.

O Zé Mário me entregou umas sete ou oito fotos, e numa delas, em que registrou sem querer um efeito interessante, fez uma menção legal ao pessoal lá de casa – a Juli e o Luc Jr., claro. Valeu, Zé, e a cantoria do dia 26 em Curitiba está marcada.

Raças superiores

Cheira a lenda urbana e circula pela internet. Eu acredito, enfim.

Um ex-cão de rua, resgatado há tempos em uma praça e levado para uma casa, resgatou de uma lixeira na mesma praça, um a um, seis gatos filhotes ali deixados presos numa caixa de papelão. E levou-os, um a um, para casa.

A mensagem que circula teria origem em Piracicaba, pede contribuições para procedimentos veterinários e disponibiliza para contato o endereço de e-mail jb.camila@gmail.com. Não contatei ninguém pra saber se é isso mesmo.

De qualquer forma, casos como o do viralata Banzé e dos gatinhos servem para alertar os tontos que ainda veem a raça humana como superior às demais.

MMA, o miserável mundo animal

O járbico Ronei Rech me mandou o link desse pitoresco combate, perguntando como seria a narração para a televisão.

Uma sugestão tosca seria “Michigan Jay Frog estuda o ataque de Golden Snake, ele vai mostrando que essa história de sapo mordido por cobra ter medo de linguiça é lenda, o movimento de colUUUNAA E O BOTEEEEE! Mesclando judô e jiu-jitsu! Um, dois, três, direita, direita, direita, acabooooou!”.

Vocês sugeririam algo diferente?

Atrocidade

Pela primeira vez, acho, coloco um vídeo aqui no blog sem vê-lo até o fim. Ou melhor, isso já aconteceu com a íntegra que não é íntegra do vídeo do GP do Brasil de F-1 de 1972, mas isso é outro assunto.


O assunto está tomando conta do Twitter, do Facebook, já foi repercutido em sites. Um animal, no caso a mulher de preto (vi os primeiros 15 segundos e desisti), espanca um cãozinho até a morte. E faz isso na frente de um bebê.

A selvageria foi filmada às escondidas por um vizinho de prédio. Pelo que andei lendo, a assassina – sim, dou-me o direito de tratá-la assim – já foi identificada. Menos mal, diante de mais esse episódio lastimável da história da humanidade, que os órgãos de proteção aos animais, e nesse caso me refiro ao pequeno yorkshire, são mais atuantes que a Justiça oficializada pelos homens para os homens. Ela vai pagar caro, não tenho dúvidas.

Justo seria localizarem-na e soltarem-na em local, data e hora previamente comunicados a todos que ficamos pasmos com o ato.

Essa a gente sabe pra onde vai.