Foi a primeira vez

Então que o fim de semana em Buenos Aires foi ótimo, cheio de ineditismos, tudo mais. Alexandre Barros desencantou no automobilismo e ganhou as duas primeiras corridas dele no Porsche Cup Challenge, que teve rodada extra-campeonato por aquelas bandas.

Houve muito de primeira vez no evento. Primeira vez que a categoria saiu do país, primeira vez que pisei na Argentina. Vadio de carteirinha, foi a primeira vez que topei, a convite de Jorge Sá e Luiz Alberto Pandini, caminhadas pela noite de algum lugar. Os dois, um fotógrafo e outro jornalista, costumam ir a pé jantar nalguma bocada, e voltam a pé, também. Assim fizemos na sexta-feira e no sábado, nesse o Thomaz Figueiredo estava junto, e foi o mais perto que cheguei de algum city tour. Indicações sobre o que fazer não me faltaram, mas não houve tempo para muita coisa e o máximo que fiz foi ver o Obelisco e a Casa Rosada. Muito bonita, a Casa Rosada, não sei se o que fazem lá dentro é bonito.

Foi a primeira vez que as duas categorias do Porsche Cup dividiram um grid – esse da foto lá em cima. Era uma prova festiva, tínhamos acabado de viver a centésima corrida da nossa história, todos concordaram que juntar a 997 e a 996 seria uma celebração interessante. Foi a primeira vez que o Speed Channel transmitiu ao vivo uma corrida de carros na Argentina. Nalgum lugar no livro-ata da emissora deverá constar meu nome como narrador desse evento estatístico a que só eu, mesmo, devo estar dando alguma relevância.

Foi a primeira vez, também, que tive Pandini como comentarista numa transmissão do Porsche Cup. Um cara que eu lia quando era moleque (eu; ele, àquela época, já estava na idade do condor…), comprava as edições da revista “Grid”, que ele editava, e só lia as páginas sobre Fórmula 1. Hoje não entendo porcaria nenhuma de Fórmula 1. E nem das outras categorias. Mas foi bacana a dobradinha. E Pandini, o cara que eu lia, também gostou da brincadeira. Deveremos reeditá-la.

Encerrado o fim de semana de trabalho e de semiturismo, chegava o momento de voltar para casa. E, pela primeira vez, perdi um avião por dormir demais. Dormi pouco, na verdade, até as 6h30. Mas acordei a cinco minutos da decolagem, com a mala para terminar de arrumar, check-out para fazer e o trajeto até o aeroporto a cumprir. Inviável. Providenciei outra passagem, para depois do almoço. Uma vez a bordo, como sempre, colei a fuça na janela do avião e dormi.

Até que o sol me bateu na cara, algo estranho para quem estava na fila da direita voando a norte. Estávamos voltando. “Inconveniente técnico”, foi o que o comandante anunciou para justificar o retorno a Buenos Aires. O avião da Austral/Aerolineas Argentinas teve, na verdade, um princípio de pane hidráulica, algo que até então eu tinha apenas como desculpa das equipes de F-1 para as quebras das geringonças de seus carros. Foram 35 minutos de medo. Pela primeira vez, senti medo de não chegar a lugar algum.

Uma vez em terra, um cigarro, alguns telefonemas e tudo sob controle. Com todo o transtorno decorrente, inclusive depois do novo embarque em outra aeronave, conseguimos deixar Buenos Aires definitivamente perto das 18h. Quando cheguei a Puerto Iguazu, lá estava a Juli à minha espera, como combinado. Aguardava minha chegada havia mais de quatro horas. Abracei-a, como sempre.

Pela primeira vez numa situação como essa, chorei.

Acho que ela não percebeu.

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"É preciso revogar a ganância"

O título que você acabou de ler está entra aspas porque não é meu. Há dois motivos para se aplicar aspas a algo escrito: um, explicitar que já tenha sido dito ou escrito por alguém; outro, em grande parte dos casos mal aplicado, tentar atribuir um sentido adverso ou pejorativo ao que se escreveu.

Enfim, esse é o título de texto que recebo, por e-mail, do colega Alceu Sperança – que no Twitter despacha como @guizovermelho -, sobre a histórica confusão acerca da data do aniversário da cidade de Cascavel. No e-mail, como já me havia dito dia desses no boteco onde tomamos café, Alceu esclarece que não pretenderia voltar ao tema, sobre o qual já falou e escreveu incontáveis vezes, e esclarece que essa última manifestação deve-se às inúmeras mensagens que tem recebido a respeito.

Em tempo: referir-me a Alceu como “colega” beira a imprudente ousadia. A quem não o conhece, estou tratando de um sujeito que é jornalista, poeta, historiador, escritor e dono de uma das mentes mais brilhantes desta cidade. Talvez falte-lhe o devido reconhecimento, algo que não se poderia traduzir num título de “cidadão honorário” – que Alceu inclusive já agradeceu e recusou.

Eis, ipsis litteris, o que escreve Alceu:

Algum cascavelense ainda tem paciência para continuar ouvindo a choradeira dos gananciosos em torno do aniversário do Município? Eu não tenho, mas como fui chamado a dar minha opinião, aqui vai ela, pela última vez.

Não há confusões quanto à data oficial do aniversário de Cascavel. É 14 de dezembro, data determinada pela lei 1.875/86, promulgada em ato soberano da Câmara de Cascavel, por absoluta maioria dos votos de alguns dos melhores vereadores da nossa Câmara.

Que os gananciosos façam nessa data um feriado de festiva gastança, instituam uma “Feira de Natal” caça-níqueis para vender de palito a helicóptero, mas parem de criar confusões artificiais!

Antes do incêndio da Prefeitura, que devorou as primeiras leis municipais, em 1960, o aniversário era festejado em 14 de dezembro. Se pudéssemos voltar um dia antes do incêndio da Prefeitura, poderíamos checar a documentação comprovando esse fato.

O decreto estadual 1.542, que criou as Comarcas de Cascavel e Toledo, datado de 14 de dezembro de 1953. Por que a data? Por ser a data do primeiro aniversário desses dois e de outros municípios que também tiveram criadas as suas comarcas.

Os vereadores que por ampla maioria resgataram a data oficial de 14 de dezembro foram, dentre vários outros, Aldo Parzianello (proponente da lei), Marlise da Cruz, Renato Silva, Hostílio Lustosa, Paulo Gorski, Hermes Parcianello, Dercio Galafassi e Antoninho Trento. Todos nomes dignos de Assembleia Legislativa ou Câmara Federal – alguns já chegaram lá, outros ainda poderão chegar.

Na época, o assunto foi exaustivamente examinado e se concluiu que o documento cascavelense perfeito e oficial que inicia as atividades do Município é o termo de posse do prefeito José Neves Formighieri e dos primeiros 9 vereadores: 14/12/1952. Fim!

Aliás, diga-se que o aniversário da cidade é 28 de março. 14 de novembro é só a data da assinatura de uma lei. E uma lei de nada vale quando não é cumprida.

Os gananciosos criaram uma falsa confusão quanto ao aniversário já em 1994, na tentativa de criar um clima para a revogação de uma lei perfeita, ato soberano da Câmara que se impôs como a vontade majoritária dos representantes da população. Fracassaram.

Haveria alguma confusão sobre a data oficial do aniversário se a lei contivesse imperfeições. Sem elas, qual é a “confusão”? Mudar uma lei perfeita e historicamente correta por conta da ganância de meia dúzia é um despropósito.

Várias leis até poderiam ser discutidas, por conter imperfeições. Há uma penca de leis coalhadas de erros.

A lei que dá nome à rua “Antonio Leivas” é imperfeita, pois esse “Antônio Leivas” não existe. O nome correto é “Antônio Rodrigues de Almeida” (ou “Antônio Almeida”), que foi vereador de Cascavel e delegado de polícia. Mas é horrível mudar nome de rua. Como o mal já está feito, seria justo dar a outra rua o nome do vereador Almeida e a imperfeição se contorna.

No RJ, a rua “Pedro Ivo” era “Pedro IV”. Um clandestino foi lá e acrescentou um “o” para homenagear o líder revolucionário e não o rei português, o mesmo d. Pedro I da Independência. E até hoje é “Pedro Ivo”…

A lei que deu nome à Avenida Tancredo Neves não faz sentido. Tancredo nunca moveu uma palha pelo Município. O nome histórico seria “Avenida Foz do Iguaçu”.

Mas também nesse caso o erro já está feito. Cabe apenas dar a um logradouro público – um parque ambiental ou coisa assim – o nome de Foz do Iguaçu. Até porque lá existe uma rua chamada Cascavel.

Se não vão revogar essas leis imperfeitas, por que revogar uma lei perfeita?

Vamos revogar os maus costumes, as más condições de vida da população pobre. Há muito sofrimento físico e psíquico entre nossos pobres. Não vale a pena esquecer tamanho sofrimento para discutir o sexo dos anjos e a quadratura do círculo.

Para encerrar essa última intervenção sobre o assunto, gostaria de perguntar aos atuais vereadores: por que o governador Bento Munhoz não é mais (pois antes foi!) nome de rua na cidade?

A meu ver, porque ele não cumpriu dignamente a Lei 790, a “Lei da Vergonha”, de 14 de novembro de 1951. Por que vergonha? Porque a lei estipulava uma verba para a formação da Prefeitura e o governador não liberou.

Foi por essa vergonha que o prefeito José Neves Formighieri teve que tirar dinheiro do bolso para comprar trator, abrir ruas, montar a Prefeitura e pagar os primeiros professores e barnabés.

Dito isso tudo, ainda continua difícil entender porque o 14 de novembro seria um aniversário vergonhoso?
alceusperanca@ig.com.br

Lixo e putaria

Seria no mínimo injusto medir uma cidade desse tamanho por uma caminhada de pouco mais de um quilômetro pela Avenida 9 de Julho. Se o fosse fazer, definiria Buenos Aires em duas palavras: lixo e putas.

O lixo é amontoado em sacos a cada tantos metros, no passeio público. À noite, como agora, quando Jorge, Luiz Alberto, Thomaz e eu fomos a pé jantar, já está todo revirado pelos andarilhos que ali buscam restos recicláveis para venda ou outros fins. É uma porquice sem tamanho. Os mesmos moradores de rua que, quando voltamos, formavam uma extensa fila para a distribuição do sopão da madrugada. Sim, há argentinos solidários que socorrem seus semelhantes com ações voluntárias.

Se você leu até aqui, é muito provável que esteja interessado mais nas putas que em lixo e mendigos. Buenos Aires tem muita puta. Não vi nenhuma, a bem da verdade. Acho. Houve duas, digamos, ocorrências no caminho de volta do jantar para o hotel. Na primeira, eu disse que não era e o Thomaz disse que era. Na outra, eu falei que era e Thomaz negou. Não perguntamos, afinal essas argentinas devem bater dolorido.

Mas a comunicação externa das putas é forte e eficiente. A sujeira que em rincões como Cascavel se faz com adesivos anunciando telefones de centrais de mototáxi ou com santinhos de políticos é constituída, cá pelos lados portenhos, com propagandas de putas. Para todos os gostos, bolsos, riscos.

Colam a beirada dos santinhos das santinhas em tudo. Orelhões, paredes, placas publicitárias, postes. Nesses 12 quarteirões, vim pegando um de cada. Luiz Alberto disse que só me falta comprar o álbum para colar as figurinhas. O que não seria má ideia, já que até separei, antes de preparar a foto aí de cima, um catatau de anúncios repetidos. Dá para trocar, se você também tiver anúncios de putas repetidos.

Tenho um amigo que vem sempre à Argentina. E, quando volta para casa, não tem nenhum no bolso. Acuso-o, sempre, de ser viciado em cassinos. Agora vejo que tenho sido injusto com ele.

Infortúnios além-ponte

Sou avesso à ideia de ir ao Paraguai para fazer compras. Como tinha de tomar voo em Foz do Iguaçu – ainda não comentei hoje, mas o aeroporto de Cascavel, minha cidade, é impraticável e só vira assunto em época de campanha política –, acabei aceitando o convite da Juli. Saímos de casa umas horas mais cedo e cruzamos a ponte.

Antes de mais, é preciso que se observe: dizer “fui ao Paraguai” é puro eufemismo. O Paraguai que eu conheço, e que a maioria conhece, é só aquele imenso camelódromo que vende de tudo em Cidade do Leste, o primeiro referencial depois da Ponte da Amizade, e que confere algum sentido ao apelido “paraguaizinho” que se dá a qualquer sequência de bancas geminadas de camelôs. Nunca avancei mais, para conhecer o país, sua difícil realidade, o povo que historicamente tenta se desvecilhar de uma imagem marginalizada.

Enfim, fui ao Paraguai. Sou daqueles caras que terão dois garfos na mão no dia em que chover sopa. Então, nada mais inerente a mim que uma chuva dos diabos enquanto andava por aquelas ruas com a esposa e a sogra. Estive lá com um propósito único, o de comprar um violão novo – que comprei, um Ibanez, por 350 dólares. Mas a peregrinação da Juli e da dona Judith por roupas para revenda acabou me castigando um pouco. Segundo elas, dei sorte, porque a chuva teria espantado as mulheres de voz aguda que costumam perseguir os incautos visitantes gritando “meia, meia”. Vão muito ao Paraguai, a Juli e a mãe dela.

Já que lá estava, lá torrei alguns dinheiros. Como numa camisa do Corinthians, aquela preta com detalhes dourados, à qual despendi 15 reais. O vendedor me garantiu ser legítima. Como também são legítimos, garantia dada por outro ambulante, os óculos escuros da HB, pelos quais paguei 10 pratas. Ótimas compras, as minhas. No violão, que é mesmo muito bom, não consegui desconto, mas o vendedor me deu um estojo razoável para guardá-lo, além da alça. E trouxe no bolso, inadvertidamente, a palheta que me foi emprestada pelo moço para testar o instrumento. Ah, comprei também um par de tênis e outro de meias, já que saí de lá com os pés encharcados por volta do meio-dia e só chegaria ao meu destino no final da noite. Vim de tênis novos, que custaram 40 reais e são bem confortáveis.

A culinária assusta. Em várias das ruelas, os cheiros das comidas preparadas ali mesmo, nas ruelas, misturam-se e tornam o ambiente impraticável. Fiquei impressionado com a voracidade com que alguns jovens devoravam algo qualquer, umas frituras às quais não tive coragem de olhar diretamente. Tinha também o tio de barriga de fora que preparava chawarmas debaixo de uma goteira, e cachorros-quentes mais duvidosos que a boa fase do Fluminense no Brasileirão. Num dos miniambientes, uma menina de não mais que sete anos preparava algo parecido com tapioca. Um panorama de tirar o apetite de qualquer um.

Visitei as duas casas de câmbio que encontrei em Cidade do Leste. Como estava vindo para a Argentina, decidi comprar pesos. Nenhuma das duas vendia pesos, apenas compravam-nos. Estranho. Minha má impressão quanto a isso foi quase zerada quando percebi, horas depois, já no aeroporto de Foz, que lá também não se vendiam pesos. Fui comprá-los em Guarulhos – besta que sou, acabei me sujeitando ao trajeto Foz-Guarulhos-Buenos Aires, que na viagem de volta, domingo, será convertido em Buenos Aires-Rio de Janeiro-Foz. Se quisesse comprar dólares no Paraguai, bastaria visitar uma dessas lojinhas de R$ 1,99. Piada besta, mas a cotação que eles praticam é mesmo causticante.

Desprevenido, vi-me sem cigarros enquanto Juli e dona Judith procuravam numa galeria qualquer o dinossaurinho que o Luc Jr. pediu de presente – e ele disse que queria um de brinquedo, não de verdade, ainda bem. Na banquinha de refrigerantes, achei um Marlboro Light. Comprei-o, e só depois de acender um é que fui notar, alertado pelo péssimo sabor, a inscrição “Fumar daña la salud” na lateral da embalagem. O que me remeteu aos primórdios, época em que fumava Free e comprava a versão paraguaia, pagando por ela um vale-transporte. Custava metade do preço da original, ou menos. Hoje fumo Carlton, tratei de trazer umas quatro carteiras para a Argentina, afinal não sabia o que as tabacarias de cá me poderiam oferecer.

Sair de Cidade do Leste foi um pandemônio. Afora o trânsito, que assusta mais que o de São Paulo (note-se aqui um exercício de exagero) e que se tornou ainda mais caótico por conta do pé d’água, estacionaram um ônibus de sacoleiros no meio da via no Paseo San Blaz, ocupando duas faixas, para abarrotar o bagageiro com muamba. Emanei sinceras recomendações à mãe do motorista, claro. E, assim, voltei ao Brasil. Uma viagem de poucos metros ao exterior, e que me proporcionou uma sensação rara de estar longe e com saudade do lugar onde vivo.

Buenos Aires, onde estou agora, é mais acolhedora. Em primeira vista, uma Curitiba onde se fala enrolado. O fim de semana de trabalho dá pouca margem a exercícios turísticos, ainda espero cumprir alguns dos inúmeros roteiros que me indicaram.

Mas que não me convidem a cruzar a ponte tão cedo.

A pedido, e pra deixar bem claro

Há alguns dias devo aqui uma satisfação à rapaziada lá do Velopark.

Durante o fim de semana do Itaipava GT Brasil e do TNT Superbike lá no complexo automobilístico de Nova Santa Rita, comentei aqui no BLuc alguns desdobramentos que me foram narrados pelo piloto de motovelocidade Newton Patrício Crespi, ou “Cisso”, que teve um acidente durante os treinos e sofreu fraturas no pé esquerdo.

Na ocasião, falei do drama que Cisso enfrentou depois do acidente – para quem não leu, o post está aqui.

A partir desses comentários, recebi cordial e-mail do colega jornalista Paulo Torino, assessor de imprensa do Velopark, solicitando-me que compartilhasse um esclarecimento com a audiência deste espaço. Que segue, pois, na íntegra:

Prezado Luciano,

O Velopark cumprimenta o trabalho que você vem realizando através de seu BLOG, em especial, as coberturas dos eventos aqui realizados.

Com referência a notícia publicada sobre o acidente com o piloto NEWTON PATRÍCIO CRESPI na etapa da TNT SUPERBIKE e aos Posts do público, cumpre-nos um esclarecimento importante.

1. Durante todas as competições do VELOPARK, profissionais ou amadoras, existe um acompanhamento médico com ambulância e equipe de plantão. O trabalho é realizado pela empresa contratada TRANCLIN com grande experiência em remoções e atendimento de emergência.

2. Na ETAPA da GT Brasil e TNT Super Bike os PROMOTORES destes dois eventos OPTARAM em contratar outra EQUIPE MÉDICA E DE RESGATE assumindo desta forma, a RESPONSABILIDADE TOTAL PELAS REMOÇÕES E TRABALHOS DE PISTA DURANTE TODO O FINAL DE SEMANA.

Assim, lamentando o acontecimento, o VELOPARK manifesta sua versão sobre a notícia publicada e solicita que nosso esclarecimento seja publicado em vosso Blog.

Agradeço sua atenção

Atenciosamente

Paulo Torino
Assessor de Imprensa
torino@velopark.com.br

Recado dado, Paulo. Como faço parte de todos os eventos do Itaipava GT Brasil, cabe-me comentar com você – e isso é observação minha, sem consulta formal a ninguém da direção do evento – que a equipe médica coordenada pela doutora Magda acompanha o campeonato em todos os seus eventos, como acontece na Fórmula Truck, com a equipe do doutor Daniel, ou na Stock Car, com a do doutor Dino.

Esse, aliás, é um dos pontos diferenciais do Velopark. O complexo tem à disposição dos eventos que acolhe serviços de cronometragem, equipe médica, até um esquema prontinho da silva para transmissão das corridas pela internet, em áudio e vídeo.

O Velopark, enfim, adota um princípio tão elementar quanto eficiente, o de agradar os clientes para que voltem sempre. Por incrível que possa parecer, é coisa rara no meio automobilístico.

Aliás, mês que vem, devo voltar ao Velopark. Vai ter corrida de Fórmula Truck por lá, no dia 10.

Superfinal da Stock sub-júdice

Marcos Gomes, o mais rápido nos treinos de hoje em Campo Grande, espera reaver os pontos do terceiro lugar na etapa do Rio, mas trabalha para garantir a vaga mesmo se perdê-los

Dia desses, aproveitando que encontrei meu antigo estojo com um ábaco, um transferidor, um compasso e um escalímetro, fiz um levantamento moribundo sobre as chances que cada piloto da Stock Car tem de conquistar uma das 10 vagas na Superfinal. A matemática da disputa pela vaga está aqui, para os inadvertidos que a quiserem conferir. No mundo ideal, a dezena seria definida no final da manhã deste domingo, depois da oitava corrida do ano, em Campo Grande. É a última da dita fase classificatória.

Pelo regulamento, somam-se os resultados de todos os pilotos, exclui-se o pior desempenho de cada um – o que, na prática, não muda nada, porque todos eles têm pelo menos uma corrida fora da zona de pontos, que pode ser aplicada no descarte obrigatório – e chega-se à conclusão óbvia dos 10 que seguem na disputa pelo título.

Óbvia? Nem tanto. Isso porque três pilotos aguardam o desfecho de pendengas relativas ao resultado de algumas corridas na justiça desportiva.

Na quarta etapa, dia 23 de maio no Rio de Janeiro, Ricardo Maurício e Marcos Gomes terminaram a corrida em segundo e terceiro, respectivamente. Os dois foram punidos sob alegação de ultrapassagens feitas sob bandeira amarela e tiveram seus pontos conquistados. Na quinta corrida, dia 6 de junho em Ribeirão Preto, Valdeno Brito terminou em sétimo. Foi punido com o acréscimo de 20 segundos a seu tempo de prova e caiu para 17º, ficando fora da zona de pontuação, que compreende os 15 primeiros em cada corrida.

Os três pilotos conseguiram reaver seus pontos na justiça desportiva. A Confederação Brasileira de Automobilismo, contudo, recorreu do deferimento dos recursos, conforme confirmou-me o prestativo jornalista Marcelo Eduardo Braga, assessor de imprensa da Stock Car. Com a questão sub-júdice, para efeito de pontuação do campeonato, mantêm-se as punições a Maurício, Gomes e Brito.

Brito (foto abaixo), piloto paraibano, falou do assunto ontem, em sua conta no Twitter. Numa sequência de oito posts no microblog, sua mensagem, editada aqui sem nenhuma distorção de teor, foi a seguinte:

“Pessoal, infelizmente, os pontos reconquistados por mim num incidente na etapa de Ribeirao Preto, ainda não foram computados. Com esses 9 pontos, eu vou para 29 e fico bem mais perto da porta de entrada para os playoffs. Como a CBA recorreu da decisão do tribunal (4 votos a 0 em meu favor), outro julgamento no Superior será marcado, e infelizmente esse resultado ficará sub-júdice. Ou seja: é possível, infelizmente, que os superfinalistas sejam diferentes dos que serão anunciados após a corrida. Uma pena. Independente disso, tinho de fazer minha parte em busca de um pódio. Esse é meu objetivo. Infelizmente aconteceram vários incidentes que me impediram de marcar pontos nessas primeiras corridas – numa delas, um erro cometido por mim, mas também algumas quebras. São coisas que fazem parte desse esporte, muitas vezes ingrato por não dependermos só de nós. Mas vou COM TUDO para a corrida desse fim de semana! É só torcermos para não haver mais imprevistos, tenho carro e equipe para vencer. Agora, vou decolar. Até mais tarde!”

Não há duas classificações de campeonato. Há apenas uma, esta aqui, que está no site da categoria. Mas sempre há quem considere – os pilotos punidos, principalmente – a recuperação definitiva dos pontos. Que, se ocorrer, tende a acarretar mudanças na lista dos 10 classificados à disputa pelo título.

Como sou curioso demais e ando com tempo sobrando, lancei-me às contas mais uma vez. Afinal, o estojinho que resgatei do meu baú empoeirado ainda está dando sopa aqui. Refiz, por puro exercício de projeção, a classificação do campeonato da Stock Car, considerando hipoteticamente que Maurício, Brito e Gomes tenham reavisto os pontos que já haviam recuperado antes do recurso da CBA. Repito zilhões de vezes, para que não me acusem de bagunçar o coreto: é uma projeção hipotética, não tem nada de oficial, arrisco até a dizer que Braga e seus colegas de trabalho da Stock Car vão ficar putos comigo por isso. Muita gente tem ficado puta comigo ultimamente, paciência.

Sem delongas, pois. Para chegar à pontuação abaixo, “devolvi” o segundo lugar de Ricardo e o terceiro de Marcos na etapa do Rio de Janeiro, tirando de todos os pilotos que terminaram atrás deles os pontos referentes a duas posições. O mesmo critério, claro, que apliquei ao “devolver” o sétimo lugar de Valdeno em Ribeirão Preto, tirando de todo mundo que veio atrás dele os pontos referentes a uma posição. Assim, se a CBA não tivesse recorrido da decisão favorável aos três, a classificação do campeonato seria – repito, seria – a seguinte:

1º) Ricardo Maurício (SP/Eurofarma-RC Competições), 116
2º) Átila Abreu (SP/AMG Motorsport), 104
3º) Cacá Bueno (RJ/Red Bull Racing), 72
4º) Max Wilson (SP/Eurofarma-RC Competições), 70
5º) Nonô Figueiredo (SP/Cosan-Mobil Super Racing), 63
6º) Daniel Serra (SP/Red Bull Racing), 60
7º) Marcos Gomes (Blau-Full Time Racing), 57
8º) Felipe Maluhy (SP/Officer Pro GP), 55
9º) Allam Khodair (Blau-Full Time Racing), 45
10º) Thiago Camilo (SP/Ipiranga-Vogel Motorsport), 40
11º) Júlio Campos (SP/JF Racing), 30
12º) Valdeno Brito (PB/Cosan-Mobil Super Racing), 29
12º) Popó Bueno (RJ/A. Mattheis Motorsport), 29
14º) Lico Kaesemodel (PR/RCM Motorsport), 28
15º) Duda Pamplona (RJ/Officer ProGP), 22
16º) Cláudio Ricci (Amir Nasr-Crystal Racing), 18
16º) Giuliano Losacco (SP/Flash Power Racing), 18
16º) Rodrigo Sperafico (PR/Carlos Alves-Mico’s Racing), 18
19º) Antonio Pizzonia (AM/Hot Car Competições), 16
19º) Diego Nunes (SP/RC3-Bassani Racing), 16
21º) Xandinho Negrão (SP/A. Mattheis Motorsport), 12
22º) Ricardo Zonta (PR/RZ Corinthians Motorsport), 11
22º) Luciano Burti (SP/Itaipava Racing Team), 11
24º) David Muffato (PR/Itaipava Racing Team), 10
25º) Alceu Feldmann (PR/RCM Competições), 7
25º) Constantino Júnior (Amir Nasr-Crystal Racing), 7
27º) Antonio Jorge Neto (SP/RZ Corinthians Motorsport), 6
27º) Gustavo Sondermann (SP/Gramacho Costa Competições), 6
29º) Pedro Gomes (SP/Ecopads-Vogel Motorsport), 5
29º) Thiago Marques (PR/AMG Motorsport), 5
31º) William Starostik (PR/RC3-Bassani Racing), 4
32º) Alan Hellmeister (SP/JF Racing), 3
33º) Juliano Moro (RS/Amir Nasr-Crystal Racing), 1

A nona etapa da Stock Car, primeira das quatro que vão compor a Superfinal, vai acontecer no dia 10 de outubro. Tudo indica que em Londrina, apesar de dúvidas que se tem com relação às reformas no autódromo da simpática cidade paranaense. Que se resolva a pendenga nessas três semanas. Seria muito chato a Superfinal começar com pilotos ainda apostando na justiça dos homens para confirmar uma vaguinha na festa.

Senna nas telas

Já circula pela internet há alguns dias o link para o vídeo acima. É o trailer, dublado em português, do documetário sobre Ayrton Senna. Será lançado no Brasil daqui a dois meses, e vamos seguramente formar filas para assistir, para comprar. Muita gente que conheço vai pirateá-lo, também, afinal isso é Brasil e vai continuar sendo.

Queria até escrever algo a respeito, mas não tenho o que dizer. Na verdade, não preciso. Para compartilhar com os que me leem as parcas informações que tenho, reproduzo na íntegra um press-release produzido pela Communica Brasil, que foi gentilmente distribuído pelo colega Márcio Fonseca, da MF2.

Documentário sobre a vida de Ayrton Senna será lançado no Brasil em 12 de novembro

A Universal Pictures, distribuída no Brasil pela Paramount Pictures Brasil, confirmou para 12 de novembro o lançamento do documentário sobre a vida de Ayrton Senna no país. SENNA é uma produção Working Title em associação com Midfield Films. A direção é de Asif Kapadia, o roteiro escrito por Manish Pandey e a produção de James Gay-Rees, Tim Bevan e Eric Fellner.

No Brasil, o lançamento do filme nos cinemas conta com patrocinadores de peso: o Bradesco Seguros e a Embratel.

O documentário mostra a notável história de Senna, pontuando suas realizações nas pistas e fora delas, sua busca por perfeição e o status de mito que ele alcançou. SENNA abrange os anos da lenda do automobilismo como piloto de F1, desde sua temporada de estreia em 1984 até sua morte precoce uma década depois. Muito mais que um filme para fãs da F1, a produção expõe uma história extraordinária de maneira inigualável, evitando o uso de muitas técnicas padrões de documentários e favorecendo uma abordagem mais cinematográfica, que faz uso total de filmagens espetaculares, boa parte inédita, tirada dos arquivos da F1.

SENNA foi realizado com completa cooperação da família de Ayrton Senna, que concedeu permissão para que esse fosse o primeiro filme-documentário sobre a vida do piloto; e com apoio tanto da Fórmula Um, que deu permissão à equipe para usar filmagens inéditas, quanto do Instituto Ayrton Senna, organização não-governamental criada em 1994, que oferece educação de qualidade a milhões de crianças e jovens brasileiros.