Tchau, #66!

ESCORT

E foi-se embora o Escortinho das corridas que considero as minhas primeiras. Ficam boas lembranças. E os quadros, um aqui na sala de casa, outro lá no Bar do Zé, contemplado por todos.

CASCAVEL – E meu companheirinho de pista foi embora de vez. Vai dar carona a sonhos e objetivos malucos de outros malucos, a partir de agora lá no Centro-Oeste do Brasil.

Fiquei triste, de verdade, quando o Beto Trento me mandou a foto, nossa última foto, do Escortinho que, cúmplice do Thiago Klein, me fez ter coragem de encarar a pista de corridas, ainda que a meu modesto modo.

O carrinho viaja levando com ele um monte de marcas que levei comigo em doideiras nas corridas em Cascavel e em Curitiba. Paraguay Racing, Inspevel, ABS Sports, Sensei Sushi Bar, Sprint Race Brasil, AuStore, Bar do Zé, Pirelli (adesivo que usei só pra cobrir um outro no para-choque dianteiro, mas os pneus do carrinho eram Pirelli), Poderoso Timão.

Esse carrinho, antes de me levar pra pista, levou vários outros amigos pra começarem suas histórias nesse mundinho das corridas. Pra citar os mais recentes, Lorenzo Massaro, Caíto Carvalho e Felipe Carvalho.

O Escortinho leva pra Minas Gerais, também, o adesivo onde se lê “Valeu, #Bipe”. Imagino que o novo dono vá eliminá-lo. Mas valeu, mesmo, e o Bipe sabe disso.

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Pintando o sete

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Acrílica sobre tela de 50 x 90 cm, genial como todas as do mestre Muccillo. Vai ficar chique na sala do apartamento.

CURITIBA – “Pintando o 66” seria um título mais fiel à situação, mas matenho o da série. Tinha até esquecido da existência do blog, na verdade, mas diante da novidade senti-me tentado a recorrer a ele para compartilhar com vocês o belíssimo resultado do trabalho do Roberto Muccillo Torino.

Eis que o gauchinho eternizou meu carrinho de corridas – o Gol número 66, que sendo honesto com os fatos é da Paraguay Racing, e não meu – com um fantástico trabalho em acrílica sobre tela. Há anos sou fãzaço da obra do Muccillo. Hoje à tarde, logo depois de desembarcar em Curitiba, vi que saiu a tela do 66 e exclamei um palavrão de irrefutável admiração. O taxista me olhou assustado. Quando parou no farol vermelho mostrei a ele a foto no visor do celular. Ele concordou comigo, ficou mesmo do caralho!

Dias atrás fiz uma brincadeira na internet, falei que como participante de corridas de carros estava prestes a me igualar a grandes nomes, acho que citei Pedro Muffato, Rubinho Barrichello, Miguel Paludo, Nelson Piquet, seguramente mais alguns que agora me fogem à memória. São pilotos que, a exemplo de vários amigos desse mundinho das corridas, já tiveram seus carros e motos e caminhões de competição vertidos à linguagem perfeita do Muccillo. Agora sou um deles. Sensacional.

Aos que acham que estou exagerando, e aos que conhecem o portfólio do Muccillo e sabe que não há exagero algum, recomendo uma visita ao site dele, artesmuccillo.com. É de olhar por horas e mais horas.

Meus highlights

CASCAVEL – Mês passado fomos a Curitiba para uma etapa do Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, acho que já contei isso. Se não contei, pelo menos chamei atenção para o videotape do evento, que foi mostrado em várias cidades do Paraná e de Santa Catarina no programa “Velocidade Máxima”.

Foi um fim de semana bem bacana, aquele de Curitiba. No que diz respeito propriamente às duas corridas, que aconteceram no dia 9 de abril, o Deivicris de Cristo fez um resuminho bem bacana, também em vídeo, do que foi minha participação, que valeu um trofeuzinho de terceiro lugar na etapa da categoria Marcas B.

A terceira etapa do Metropolitano vai ser em Cascavel, no dia 4 de junho, na mesma programação da quarta etapa da Fórmula Truck. Chegarei à cidade na madrugada do domingo – até sábado estarei em Mogi Guaçu narrando a terceira etapa do Porsche Império GT3 Cup – para largar da última fila e tentar fazer mais uns pontinhos. Estou em quarto no campeonato, afinal. Para mim, nada mau.

Copo meio cheio

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Alexandre Papazissis, eu, Fernando Fortes e Marcelo Costa. Ao fim das contas, acabamos formando um time bem bacana com o Bujão, o Leandro e o Leonardo. A foto, como todas as do post, é do Rodrigo Ruiz.

SÃO PAULO – Todo mundo conhece a teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Um copo contém água até a metade. Um pessimista que o avalia diz que ele está meio vazio; um otimista, que está meio cheio. Equivale-se à cascatinha dos dois vendedores de calçados que foram mandados a um país pobre da África pela fabricante. Um deles pegou o avião de volta no primeiro dia, alegou que lá ninguém usa calçados e não venderia para ninguém; o outro ficou e avisou a empresa para dar um gás na produção, observando que lá ninguém usava calçados, era uma clientela em potencial.

Atenhamos à história do copo d’água, menos xenofóbica que a outra. Saí de Interlagos ontem à noite, na verdade já no início da madrugada de hoje, sem saber se o copo estava meio cheio ou meio vazio. Poderia avaliar o fim de semana sob os dois pontos de vista, com sobras. Dormi com essa dúvida. Quando acordei, dei de cara com o macacão de corrida pendurado no cabide ao lado da cama do hotel e tive certeza de que o copo da nossa presença nas 8 Horas de Interlagos estava meio cheio.

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Essa, acho, é da tomada de tempos da sexta-feira. O sol na cara ao fim da tarde é um problema nas subidas do Laranjinha e do Café. E também usa os espelhos retrovisores para judiar na tomada do S do Senna.

Se estivesse meio vazio, diria que meus companheiros de equipe me ferraram na sexta-feira quando me apontaram para ser o piloto do carro na tomada de tempos classificatória, da mesma forma como me ferraram quando fui o escolhido para levar o GM Celta da Tuta Racing-Leandro Motorsport à pista no treino de aquecimento e, mais ainda, para largar na corrida de ontem, as 8 Horas de Interlagos. Caramba, um deles não poderia ter assumido esse trabalho?

Mas o copo estava meio cheio. Alexandre Papazissis, Fernando Fortes e Marcelo Costa, todos eles bem mais experientes que eu nesse negócio de guiar carros de corridas, confiaram no meu taco para o treino classificatório. O Fernando disse que era por mérito, já que cada um de nós tinha feito um treino livre e o melhor tempo de volta era o meu – algo casual, uma circunstância de escolha dos pneus que deixou o carro melhor quando entrei na pista por volta do meio-dia de sexta do que para eles, que treinaram depois. Confiaram no meu taco para fazer a última verificação de tudo no treino de 20 minutos que antecedeu a largada, quando uma das tarefas era assentar devidamente as pastilhas de freio que acabavam de ser instaladas no carro. Igualmente, confiaram no meu taco para o primeiro turno da corrida, em que um ritmo mais lento que o dos caras lá da frente poderia potencializar a perda de terreno.

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O grid das 8 Horas de Interlagos não reuniu tantos carros quanto reuniria. Lamento por quem vinha e desistiu de vir. A festa estava ótima e a corrida foi divertidíssima.

Se o copo estivesse meio vazio, diria que somos uns ferrados, eu e meus companheiros de equipe. Caramba, tivemos que mexer nos freios do carro duas ou três vezes durante a corrida. E ainda teve aquele alternador que pifou já de noite, a três horas do fim, que nos custou meia dúzia de voltas nos boxes. E de novo dificuldades com os freios nos últimos turnos, o do Fernando e o do Marcelo, e mais o motor que abriu o bico a 25 minutos do término. Ah, não, é muita desgraça para um box só.

Como o copo estava meio cheio, e também para não ser injusto, a primeira parada para a ziquezira com as pastilhas nos custou pouco, só 75 segundos além dos quatro minutos do tempo mínimo de parada nos boxes. Rapaziada da equipe trabalhou rápido e bem. Quando sentei no carro pela segunda vez, decidiram usar o tempo da parada obrigatória de 15 minutos – todas as equipes tinham de cumprir um pit stop de 15 minutos na corrida, a qualquer tempo – para um reparo mais minucioso que se fazia necessário, até agora não sei direito o que era, já estava dentro do carro e não sei o que tanto mexiam. Mas funcionou. O carro que ganhou a corrida, não sei se por imprevisto ou por opção prévia dos Arias, teve até os discos de freio trocados. O motor quebrou? Fato, isso deixou todo mundo com cara de bunda no box. Isso porque, mesmo com todos os nossos percalços, ainda estávamos correndo atrás de pelo menos um lugar no pódio. Pelo transcurso da corrida, antes dos problemas começaram a visitar o nosso box e os dos nossos adversários, estávamos caminhando para um ótimo terceiro lugar, com pretensão sólida de brigar pelo segundo. As provas longas, que para mim ainda são meio que novidade, têm disso. E carro de corrida quebra, é uma máxima que temos de aceitar, todos nós que orbitamos, em qualquer nível, esse mundinho dos autódromos. O copo estava meio cheio, e o problema que nos tirou da corrida aconteceu no último turno, quando todo mundo já havia se divertido na pista, cada um no seu quadrado. Já imaginou se o carro quebra na minha mão nos primeiros minutos de corrida e fica todo mundo chupando o dedo? Não, nada disso. Aceleramos por mais de sete horas e meia. Foi muito bom.

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Estávamos a caminho de um pódio certo com o Celtinha preparado pelos gaúchos. Mas corridas, sobretudo as de longa duração, acabam nos pregando algumas peças. Paciência, vamos para a próxima.

Com o copo meio vazio, eu mesmo me sujeitaria a uma sessão de chibatadas pelo ritmo pífio no meu turno à noite. Nunca havia entrado numa pista à noite, só consegui assumir um ritmo razoável quando já estava na hora de fazer mais um pit stop e passar o carro ao Alexandre. A visibilidade estava horrível, já deixo para a próxima edição minha sugestão de que o regulamento libere o uso de faróis auxiliares – só podíamos usar os que são originais dos modelos de fabricação em série.

Mas o copo estava meio cheio, e saí contente já do meu primeiro turno na corrida. Largamos lá de trás do grid – não esqueçamos que quem fez a tomada de tempos fui eu… –, quando parei no box depois de 23 voltas já estávamos em quinto ou sexto. Nas minhas contas era sexto, o Marcelo Gomes jura de pés juntos que era quinto, ele acompanhava a corrida lá do fim da reta dos boxes e garante ter contado mais de uma vez. Fiz algumas ultrapassagens, uma delas um tanto ousada (estou começando a me acostumar aos carros dessa categoria), tive um ritmo muito constante da largada até a parada, recebi cumprimentos e tapinhas nas costas quando parei no box.

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Trabalho rápido já na calada da noite. Ainda não tínhamos desistido de lutar por um lugar no pódio. Ficou para a edição de 2018 das 8 Horas de Interlagos. Ou para alguma outra corrida que faremos juntos.

Tenho dado sorte com as equipes que cruzam o meu caminho nessa doideira de participar de corridas de carros. No caso de Interlagos, estávamos em ótimas mãos. O Leonardo “Tuta” Kubaski e o Leandro Silva são dois preparadores bastante reconhecidos pelos pilotos lá do Rio Grande do Sul. Leandro e Leonardo, que se recusaram a cantar umas modas nos intervalos entre os treinos. E mais o Alexandre Rheinlander, o não menos conhecido “Bujão”, que nos deu um suporte de primeiríssima linha, e o Júlio Taboas, que não só ficou conosco no rádio do começo ao fim da corrida como nos emprestou todo o conhecimento que tem desse negócio de corrida de carros, que não é pouco. Apesar das nossas caras de bunda ontem à noite, saímos todos contentes e satisfeitos, com nossos copos meio cheios. E já combinamos, os rapazes da equipe e mais o Fernando, o Marcelo, o Alexandre e eu, que vamos enchê-los em breve.

Sobre o grid abaixo do esperado já dei meu pitaco ontem. O transcorrer da prova e seu resultado estão nesse link no Speed On Line. E eu vou tratar de fazer as malas que daqui a pouco tomo o caminho de volta para casa. Tem gente importante me esperando lá.

 

(ATUALIZANDO EM 27 DE MARÇO, ÀS 22h05)

Só no último fim de semana, durante a primeira etapa do Dopamina Endurance em Viamão, é que peguei com o bujônico Alexandre Rheinlander as imagens da câmera onboard da corrida do mês passado. Coloco aqui só a primeira parte da corrida, que foi a que fiz, desde a largada. Também conduzi o carro no quinto turno, e acho até sorte não haver imagens daquilo. Nunca tinha guiado numa pista à noite e fiz um monte de bobagem.

A primeira chuva

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O grid das Três Horas de Piracicaba, corrida que abriu a disputa da Copa ECPA de Endurance. Haverá outras três etapas, intercaladas com o campeonato de provas curtas . A foto – como todas as do post – é do Adilson Zavarize. 

CASCAVEL – Meu sentimento era de vergonha, não há termo mais adequado. Meu ritmo na pista era ridículo, pensei, quando minha tentativa quase desesperada de manter o carro na pista encharcada do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo fez-se acompanhar da mensagem via rádio: “Está muito bom, você é o mais rápido da pista nesse momento”. Hã?

Falo, claro, da minha participação nas Três Horas de Piracicaba, corrida do último sábado que abriu a temporada da Copa ECPA de Endurance. Corri a convite do Guilherme Reischl, um gaúcho que conheci no ambiente do Porsche GT3 Cup. Revezei com ele, nos treinos e na corrida, a guiada do GM Celta da Phoenix Competições, equipe do Luisinho Piccolo e da Cris Lima. Era o Guilherme quem falava comigo ao rádio. E era acordo nosso que as conversas via rádio tratariam apenas da nossa categoria na prova, a Turismo B.

Jamais havia corrido na chuva. Para não dizer que a experiência foi totalmente inédita, fiz um treino de meia hora com pista molhada em Cascavel no ano passado, com o Ford Escort da Paraguay Racing. Era o treino livre em que meu então parceiro Felipe Carvalho iria para a pista, ele recuou diante do aguaceiro e pedi a vez para saber como era dirigir naquela condição. Mais a título de curiosidade, mesmo. No caso do último sábado era diferente. Havia uma disputa real em transcurso, o Guilherme já tinha cumprido a primeira hora de corrida, buscávamos uma recuperação depois de um problema na chave geral do carro que não nos permitiu completar uma volta sequer na tomada de tempos, largamos do rabo da fila.

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Manter o carro na pista sem rodadas no aguaceiro de Piracicaba não deixou de ser algo digno de nota. Sobretudo porque eu jamais havia corrido com pista molhada – e a chuva veio bem no meu turno

Fiquei com ele no rádio durante essa primeira hora. No pit stop invertemos as posições, claro. A primeira vez que acionei o rádio de dentro do carro foi para dizer que estava começando a chover – o tom de voz foi de quem dizia “fodeu!”. E foi inútil, o Guilherme deve ter percebido a água antes mesmo de mim. Com a pista já encharcada, a mensagem seguinte dele me pegou totalmente de surpresa. Em que mundo eu seria o mais rápido da pista? Os outros da Turismo B teriam ido embora do autódromo? Concluí na hora que deveria ser um truque dele na tentativa de me manter calmo. Ele sabia que eu jamais havia pilotado na chuva. Deve ter roído as unhas.

Eu sabia, por ter ouvido os outros dizerem, que um bom tempo de volta com pista molhada vem na casa de 1min35s. O Alfano no painel do carro indicava que eu estava virando acima de 1min50s. Não havia como ser o melhor ritmo da categoria, pensei. “Continua assim, você ainda é o mais rápido”, ele falou depois. Caramba, esse cara ficou maluco? “Nessa volta você foi o segundo mais rápido”. Depois da corrida a doce Rita, que me fez agradável companhia durante todo o fim de semana, confirmou a veracidade das informações que estavam me passando. Minha namorada, para quem não conhece. Ela estava monitorando a cronometragem ao lado do Guilherme. E, com a água vindo cada vez mais forte, meu drama particular aumentou: o parabrisa ficou completamente embaçado. “Luc, vira pra direita”, escutei pelo rádio. Guilherme viu que eu estava passando direto pela curva ao fim da reta dos boxes. A visibilidade era abaixo de zero. Foram instantes que o Luís Piccolo, coordenador geral da Phoenix Competições, a nossa equipe, definiu como “voo por instrumentos”.

Entrei na pista já com uma hora de corrida, depois do primeiro turno do Guilherme, e minhas três primeiras voltas não baixavam da casa de 1min23s. Muito pouco, na véspera eu já tinha feito voltas na casa de 1min20s. Até então a preocupação era só a de manter a calma para buscar repetir em sucessão as voltas de 1min20s. Foi quando São Pedro abriu as comportas. Via gente rodando e atravessando em todos os pontos da pista. Assumi o ritmo mais cauteloso possível, o que talvez ajude a justificar as voltas acima de 1min50s – não rodei nenhuma vez, o que também pode valer em minha defesa.

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Os dois GM Celta da Phoenix Competições, com que fizemos dobradinha em Piracicaba. Luisinho Piccolo, Cris Lima e toda a rapaziada da equipe deram um show de comprometimento.

Questionei o Guilherme sobre a possibilidade de uma parada extra para desembaçar o parabrisa, que estava completamente opaco. Àquela altura eu já guiava procurando pelos acrílicos das portas os limites da pista. Ele disse que parar ou não estava a meu inteiro critério e frisou que até então estávamos indo bem. Liderando na nossa categoria, inclusive, o que também achei bastante estranho. Respirei fundo e avisei que só pararia se ele chamasse ou se batesse o carro. “Beleza”, foi a resposta dele.

Foi quando passando pela reta dos boxes – e até ali o ritmo era lento, porque o início daquele trecho tem VHT, uma substância usada para competições de arrancada que, com chuva, faz da pista um verdadeiro sabão – consegui notar no PSDP a placa indicando que o safety car estava na pista. Avisei que iria aproveitar para entrar. Entrei. Guilherme considerou pagarmos ali a segunda e última parada obrigatória de cinco minutos, estratégia abortada tão logo encostei. Piccolo notou que o pneu dianteiro esquerdo do carro estava muito baixo – 21 libras, para ser mais preciso. Encheram o pneu, meteram um químico no parabrisa e fui para a pista. Quando desceu a bandeira verde de novo já estávamos na segunda metade da corrida. Pilotei por mais uns 15 ou 20 minutos e devolvi o carro ao Guilherme, para que completasse a corrida. E completou.

Minha parada extra nos boxes deveria ter sido feita uma volta depois, já com o pelotão todo reagrupado. Quando parei – conseguir acertar o estreito acesso aos boxes sem bater o carro, diante da visibilidade nula, foi uma façanha – os carros ainda estavam bem distribuídos pela pista. Com isso perdemos uma volta, que pode até nos ter custado a vitória. Nunca saberemos. Terminamos em segundo lugar, com vitória de João Moraes, Ricardo Pinto e Francis Piedade, inscritos com o outro Celta da Phoenix. Dobradinha para a equipe. Fizemos muita festa.

O ECPA tem uma pista curta, de 2,1 mil metros. Um traçado que achei divertidíssimo, bem mais que o de Interlagos. Comentei isso com um amigo também ligado às corridas e só não apanhei dele porque estávamos longe um do outro. Mas gostei, mesmo. E na próxima oportunidade que tiver volto a Piracicaba para buscar a casa de 1min19s, quem sabe 1min18s. Por ora, atenções voltadas às 8 Horas de Interlagos. A corrida vai ser daqui a 11 dias e ainda nem sei com quem e por qual equipe vou participar.

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No fim das contas, eu e o Guilherme saímos de Piracicaba com um segundo lugar na Turismo B e várias lições de pista assimiladas. Logo eu volto lá para arriscar mais uma participação.

Despedida na pista

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No último fim de semana de autódromo no ano, troquei de novo a cabine de narração por um carro de corrida. Desta vez foi o Gol da Paraguay Racing, o carro de condição mais competitiva que já guiei numa pista. A foto é do bonachão Fernando Conto.

CASCAVEL – Meu fim de temporada nesse mundo de corridas não poderia ser diferente. Bem, claro que poderia, mas tentei fazer com que fosse assim e deu certo. Com a agenda de narrações fechada (ou quase fechada, já que ontem à tarde narrei a etapa final da Sprint Race para a transmissão de TV), voltei a Interlagos. As anotações e arquivos de sempre ficaram em casa. Em seu lugar, levei os macacões, as luvas, o capacete e uma vontade monstruosa de me divertir na pista. Ah, também levei a namorada, o que fez uma diferença e tanto – ótima companhia e ótima pessoa, a Rita.

Desta vez minha participação no Paulista de Marcas & Pilotos foi pela Paraguay Racing, equipe que nasceu aqui em Cascavel no começo do ano passado e que, com uma pontinha de intervenção minha, foi parar em 2016 no grid da Copa Petrobras de Marcas. Odair dos Santos e Thiago Klein me confiaram o carrinho que levou o Thiago ao bicampeonato da classe A no Metropolitano de Marcas, um VW Gol a que apliquei meu número de sempre, o 66, e a logo da Inspevel – Inspeção Veicular de Cascavel, que sempre me dá uma força quando me meto a tentar acelerar em algum lugar. Joacir Alves tem sido outro grande parceiro nessas minhas andanças e aceleranças.

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O Odair dos Santos, culpado pelo convite para eu estar com a Paraguay Racing em Interlagos, esteve no pódio das duas corridas da categoria Light na etapa final do Paulista de Marcas.

Bem, vamos às coisas da pista. Ansioso e imediatista que sou, tinha tudo para começar o fim de semana bem irritado. No primeiro treino livre, na sexta-feira, cumpri duas voltas lentas, para que tudo no carro atingisse uma temperatura adequada. Quando fui abrir a terceira, já com alguma pretensão de acelerar, a brincadeira a acabou. Uma quebra de motor, evento até então inédito no meu parco currículo. Fiquei fora do treino e os meninos da Paraguay Racing trataram rapidamente de substituir o motor em tempo para o segundo treino, que viria à tarde. Era para me irritar, mas não me irritei. Acompanho esse negócio há tempo suficiente para saber, sem hipocrisias, que carros de corridas quebram com uma naturalidade até incômoda.

Entre o treino e outro do Paulista de Marcas, mais uma oportunidade inédita: a de ir para a pista com um monoposto. Fiz um treino com o carro do Igor Costa na Fórmula 1600. A ideia inicial era, aproveitando a passagem por Interlagos, participar da etapa final da categoria formando dupla com o Igor. Conversei um pouco a respeito com o Juka Gandelim, chefe de equipe da Jukamotors, que me abriu essa possibilidade diante da intenção do Igor de fazer só uma das duas corridas. A verdade é que não me entendi bem com o carrinho da categoria, que é muito gostoso, apesar da posição desconfortável no cockpit. Decidi que seria arriscado largar tendo o histórico no formulinha limitado a um treino de meia hora – treino que, no meu caso, foi marcado por uma série de rodadas e saídas de pista. O carrinho é manhoso, isso é fato; e só hoje cedo soube, do próprio Juka, que quando fui para a pista o carro estava praticamente sem freios, o que pode justificar um pouco do excesso de erros. Ainda vou experimentá-lo mais algumas vezes, combinei isso com o Juka. Numa dessas pode sair uma participação em 2017, sim.

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O Rodrigo Ruiz me flagrou treinando com o F-1600 da Jukamotors. A Rita nem sabia que eu estava na pista naquele momento com um carrinho tão manhoso quanto divertido, que já está na pauta de 2017.

À tarde, com o Gol da Paraguay Racing de coração novo, voltei à pista. Minha melhor volta no treino veio em 2min07s011 – o que me fez ganhar uma aposta na turma sarrista aqui de Cascavel, que duvidava de qualquer coisa abaixo de 2min08s. O navegador digital indicava, a certa altura, o fechamento de uma volta em 2min06s7, mas tive de abortá-la na subida do Café por conta de uma interrupção do treino. Vi a bandeira vermelha no posto 18, tirei o pé e fui direto para os boxes certo de que voltaria em seguida à casa dos 2min06s. Jamais voltei em todo o fim de semana.

A tomada de tempos, no sábado de manhã, foi uma decepção completa. Nada abaixo de 2min10s, o que me deixou em 32º no grid. Caramba, menos de 20 horas antes eu subia o Café pronto para virar em 2min06s7. Bem, o que tinha era uma 16ª fila no grid, e assim fui para a corrida do sábado. Como tenho dito aos amigos mais próximos, foi uma corridinha bem boa se levado em conta o meu baixo futebol. Mesmo com uma dificuldade na redução de quinta para quarta marcha, que já havia dado as caras nos treinos e que levou a rapaziada da equipe a uma série de tentativas de solução – até o câmbio foi trocado. Foi complicado, porque a cada volta, sobretudo no fim da reta dos boxes, eu tinha alguma certeza de que a quarta não entraria. Tinha de frear muito cedo, na tentativa de segurar o carro no freio. Bem longe do ideal.

Enfim, ultrapassei, fui ultrapassado, errei, defendi, ataquei – em boa parte pelo ótimo rendimento do carro que os meninos do Muriel Stumpf me entregaram – e terminei em 19º na geral. Fui ao pódio em terceiro na Novatos, a minha classe, com vitória do Ale Peppe e segundo lugar do Erik Mayrink, que garantiu o título. Fui ao pódio em Interlagos! Bem, azar dos fotógrafos que estavam registrando a premiação. Molhei as lentes de muitos deles com champanhe. A câmera GoPro dividiu a gravação da corrida em dois arquivos, como estou sem nenhum programa de edição aqui postei os dois isoladamente no YouTube.

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À moda da casa, consegui ir ao pódio nas três pistas em que corri em 2016 – Curitiba, Cascavel e agora Interlagos. O lacre na foto não deixa dúvidas quanto à autoria: mais uma do Rodrigo Ruiz.

O único compromisso do domingo seria a segunda corrida da etapa final do Paulista de Marcas, que já tinha definido seus campeões na véspera – Wanderson Freitas/Edgard Amaral na categoria Super, Nelson Fortes na Light, Mayrink na Novatos. A pista estava bem mais escorregadia que no sábado. Desta vez largamos com o sol a pino, por volta do meio-dia, diferente da largada em fim de tarde da primeira prova. Demorei um pouco para me habituar a isso e, verdade seja escrita, tive um começo de prova excessivamente conservador. Fui bundão, mesmo, e isso me custou uma série de posições. Comecei a assumir meu ritmo na segunda volta e passei a buscar algumas das posições perdidas.

Na quarta volta, momento que acabaria levantando um monte de interrogações na base do “e se?”: ultrapassei o João Lemos na reta Oposta e assumi, por alguns instantes, o terceiro lugar na categoria Novatos, que tinha 11 carros. Na freada do Laranjinha, uma saída de pista. Não consegui reduzir de quinta para quarta marcha e deixei que o carro rolasse direto pela área de escape, onde consegui engatar uma terceira para voltar à pista. Todo o miolo de Interlagos é contornado em terceira marcha com os carros de Marcas 1.6. Na descida do Mergulho, a quarta entrou normalmente; na freada da Junção, a tentativa de nova redução para terceira deu em nada. Fui para a grama. Até consegui voltar, mas já não tinha mais nada de embreagem. Subir a reta e, impossibilitado de mudar marchas, estacionei o carro na grama pelo lado interno do S do Senna. Foi foi de corrida. O Francisco Paiva Júnior terminou em primeiro e o João Lemos em segundo, só que o Juninho acabaria punido por um toque com o Mayrink e a vitória ficou com o Lemos, com quem dividimos o box 4 durante o fim de semana. Disse ao Lemos, um português que mora no litoral paulista, que teria conseguido me manter à frente dele se a embreagem não quebrasse. Ele assentiu. E se? E se? Bem, carros de corridas quebram, às vezes por puro capricho, às vezes porque não os tratamos com o devido carinho. Talvez tenha sido culpa minha. Nunca vou saber.

O tal programa de edição de vídeo vai ser uma necessidade para 2017… De novo, tenho de pingar o material de domingo em dois vídeos. O primeiro tem 26min15s, mas a largada, mesmo, está depois dos 23min10s. Todo o restante é dispensável – formação de grid, volta de apresentação, essas coisas. O segundo vídeo traz os últimos momentos da minha participação, e tem longos minutos de absolutamente nada. Peguei os arquivos brutos para postar, a câmera só foi desligada quando o carro foi levado ao box pela rapaziada do resgate.

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Comemorando o pódio de sábado com a Rita e o bróder Leandro Romera, um doido que no dia seguinte me colocou para pilotar um Mercedes-Benz C250 Turbo. A foto é do Cláudio Kolodziej.

Um dos grandes parceiros do fim de semana foi o Leandro Romera, piloto dos bons, que tem equipes na Copa Petrobras de Marcas e no Mercedes-Benz Challenge. Esteve em Interlagos nas duas corridas finais do Paulista de Marcas & Pilotos me orientando pelo rádio. É o que chamamos de coach, no automobilismo. Funciona bem. Romera foi um dos meus parceiros na Cascavel de Ouro, naquela ocasião dividimos o carro com o Paulo Salustiano e coube a ele, Romera, me guiar via rádio, também. No último domingo, o Romera me confiou uma outra missão, já depois da nossa corrida: guiar um carro do Mercedes-Benz Challenge. Hã?

Pois é. Havia um grupo de convidados no autódromo e a incumbência da RSports, equipe do Romera, era levá-los para algumas voltas pela pista com os carros C250 Turbo. Eram dois carros. Ele assumiu um e me colocou no outro. Absorvidas as devidas instruções, lá fui eu para a pista com um daqueles carros que estou acostumado a ver nas corridas que narro pelo Bandsports, ora ao volante, ora no banco da direita, dando instruções à rapaziada que tinha seu primeiro contato com uma pista de corridas. Levaria a Rita para umas voltas ao fim da atividade, mas a bandeira quadriculada veio antes e a experiência da minha loira em uma pista de corridas ficou limitada às voltas em que o bróder Marcelo Gomes levou-a no safety car.

E assim terminou meu 2016 no automobilismo.

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A melhor ideia que tive foi a de convidar a Rita para ir comigo a Interlagos. A presença dela fez o fim de semana, que já seria bom demais, ficar ainda melhor. Mais uma pintura do Fernando Conto, essa foto.