Troféu Du Cardim

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SÃO PAULO – Interlagos, de onde escrevo agora, era o lugar preferido do Du Cardim. Quaisquer que fossem os motores acionados por aqui, por perto estava o Du, porque se não conseguisse uma credencial para os boxes não havia problema algum, ele comprava ingresso e acompanhava da arquibancada ali do Café.
O ambiente preferido pro Du em Interlagos eram os boxes reservados à Classic Cup a cada etapa do Paulista de Automobilismo. Transitava com desenvoltura por todos os parafusos e todas as carenagens da categoria. A predileção pela categoria dos antigos, que eu atribuía ao fato dele também ser antigo, levou o Du a falar bastante comigo depois que lancei a #GoldClassic, que vai acompanhar a festa da Cascavel de Ouro. Ele estava bem contente com o andamento das coisas para o evento de Cascavel, me manifestou alguns comparativos tão irreverentes quanto elogiosos tendo por base os vários eventos a que esteve presente em Interlagos, Velo Città, Piracicaba e Londrina, acho que tem mais algumas pistas nessa lista, talvez Curitiba e Goiânia.
Du nunca foi a Cascavel. Tinha me garantido que embarcaria no caminhão de alguma equipe no meio da próxima semana para estar na #GoldClassic. “Não perco essa bagaça por nada”, foi o que decretou.
Bem, talvez não perca, mesmo, mas a credencial que eu prometi a ele vai ficar guardada. Du morreu ontem, vítima de algo que ainda não sei bem o que foi – uma queda no jardim de casa, uma internação seguida de transferência, uma cirurgia, o fim. “Beijo, fui”, deve ter repetido, pela última vez. Era um dos vários bordões que marcavam seu papo.
Ele não vai estar lá. Não para dizer que a melhor coisa que fiz no automobilismo foi não correr a #GoldClassic, decisão que tomei dias atrás e de que talvez ele nem tenha tomado conhecimento, mas sei que diria isso. Mas vamos celebrar o Du no evento, sim. Dando, inclusive, seu nome aos troféus dos vencedores de cada uma das sete categorias.
Fim de papo, Du.
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Nomes e cores: #GoldClassic

CASCAVEL – Costura daqui, vai dali, muda de lá, e no fim das contas a primeira edição da #GoldClassic, dias 17 e 18 de novembro no autódromo de Cascavel, terá 50 carros na pista. É o maior grid de uma competição de carros clássicos da história do automobilismo brasileiro, motivo de orgulho para todos nós que estamos envolvidos com a organização e a realização do torneio. Em número, seríamos mais. Chegamos a 91 numa primeira relação, caímos a 74 na segunda, a 50 na definitiva. Quem cancelou a vinda tem seus motivos, todos incontestáveis, e de agora em diante a conversa em torno da #GoldClassic orbita apenas os que de fato vão estar na pista, 60 pilotos para 50 carrinhos com pelo menos 25 anos de idade (os carrinhos, não os pilotos), um mais simpático que o outro (de novo falo dos carrinhos, não dos pilotos).

A #GoldClassic, como grande parte das coisas boas da vida, nasceu de uma conversa de mesa de bar. Era para ser algo menor, mas tomou a proporção que tomou, em boa parte por ter sido acolhida pela Cascavel de Ouro – Edson Massaro, promotor da Cascavel de Ouro, colocou como condição bem-humorada para isso que ele também pudesse participar das corridas, o que foi providenciado de pronto, e o Massaro vai ser um dos pilotos da Wessler Racing, num Fusca cor-de-rosa.

Assim, chega o momento de apresentar à audiência os 50 carros que estarão na pista nas corridas de daqui a dois fins de semana, que terão transmissão pela CATVE, afiliada paranaense da Rede Cultura – o material será exibido também na internet. Nem todo mundo está com os carros prontos, motivo pelo qual algumas fotos mostram os brinquedos no estado em que se encontram nas oficinas das equipes, alguns aparecem com número diferente, porque foi o número de inscrição em outro evento, e também tem caso em que a foto tem a indicação do layout que o carro vai ter. O que vale é mostrar os carros da #GoldClassic. E não relacionei devidamente os créditos dos fotógrafos, mas sei que aí abaixo, em meio às fotos que os próprios pilotos tiraram e armazenaram com seus celulares há material da Sandra Zama, da Mônica Godoy, do Rodrigo Ruiz, do César Luz, do Paolo Reis, do Deivicris de Cristo, do Sérgio Sanderson, do Ângelo Gomes, do Victor Lara, do Jimmi Torres, do Humberto da Silva e do Anderson Zambrzycki. A eles todos um muito obrigado pela contribuição.

 1 – Neno Oliveira (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes (Speed Fusca)GC 001

  2 – Deninho Casarini (SP), VW Puma/Casarini Racing (Força Livre)GC 002

  3 – Niltão Amaral (RS), VW Passat/Brazauto Racing (Turismo Super)GC 003

  9 – José Newton Ficagna (PR), Ford Escort/Ficagna Competições (Turismo Light)GC 009

  11 – Gelson Veronese (PR), VW Apollo/Sete Motorsport (Turismo Light)GC 011

 13 – José Antonio Sala (RS), VW Fusca/Equipe Sala (Força Livre)GC 013

15 – eAdemar Fedrigo (PR), VW Fusca (Speed Fusca)GC 015

 17 – Humberto Guerra Júnior (SP), VW Passat/HT Guerra (Turismo Light)GC 017

22 – Joacir Alves (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)GCA 22A

23 – Alex Sandre Morais (PR), Protótipo Aldee/Paraná Racing (Força Livre)GCA 23

27 – Wanderlei Berlanda (SC), GM Omega/MIG Motorsport (Força Livre)GC 027

32 – Reinaldo Cangueiro (SP), VW Karmann-Ghia/HT Guerra (GTS)GC 032

33 – Beto Lacombe (RS), VW Gol BX/Lacombe Motorsport (Força Livre)GC 033

35 – Marcos Sommer (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)GC 035

36 – Miguel Galli (PR), VW Fusca/Galli (Speed Fusca)GC 063

39 – Cleiton Krause (RS), Fiat Uno/Castelo Pack (Turismo Light)GC 039

41 – Ike Nodari (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)GCA 41

43 – Hamilton Morsch (PR), GM Chevette/SydiMotorsport (Turismo Light)GC 043

45 – Marcelo Tizzot (PR), VW Fusca/Tumiate Competições (Speed Fusca)GC 045

46 – Maurizio Sala/Cleves Formentão (SP/PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)GCA 46.jpg

47 – Jeff Foitte/Anderson Rieper (SC/SC), VW Gol/Devassos Racing (Turismo Light)GC 047

49 – Marcelo Pacheco (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)GCA 49

53 – Milton Borges Vieira (PR), VW Voyage/Milton Racing (Turismo Light)GC 053

54 – Rafael Lopes/Ricardo Domenech (SP/SP), GM Omega/RC Racing (Força Livre)GC 054

55 – Estevam Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)GC 055

69 – Fernando Brock (RS), Bianco S/Eltz Racing (GTL)GC 069

74 – Fabiano Schneider (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)GC 074

77 – Luciano Cortina/César Cortina (PR/PR), VW Gol/Cortina Competições (Turismo Light)GC 077

84 – Miguel Beux (PR), Avallone-Chevrolet/Beux Competições (Força Livre)GC 084

88 – Osnildo Lemes/Júlio Saravy (PR), VW Fusca/Julião Racing (Speed Fusca)GC 088

97 – Felipe Schumann/Cesar Cardoso (RS/RS), GM Chevette/Fast Racing (Força Livre)GC 097

99 – João Cury (SP), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)GC 099

112 – Carlos Guizzo (RS), VW Fusca/Guizzo’s (Speed Fusca)GC 112

133 – Duda Weirich (PR), VW Voyage/Weirich Competições (Turismo Light)GCA 133 B

192 – Anselmo Canelas Júnior (SP), VW Passat/X Power (Turismo Light)GC 192

211 – Rodrigo Pupo/Clifford Jelinsky (SC/SC), VW Fusca “Zé-do-Caixão”/Devassos Racing (Turismo Light)GCA 211

222 – Fábio Tokunaga (PR), VW Gol/RedFoot Racing Team (Turismo Light)GC 222

302 – Leovaldo Petry (RS), Ford Maverick/Project Motorsport (Força Livre)GC 302

333 – Tony Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)GC 333

339 – Rafael Schuhli/Rogério Schuhli (PR/PR), VW Puma/Terraquatro (Força Livre)GC 339

538 – Nenê Finotti/Marcelo Caslini (SP/SP), Porsche 550/LF Preparações (GTS)GC 538

 777 – PH Costa (PR), VW Voyage/Red Foot Racing Team (Turismo Light)GC 777

 888 – Júnior Herzog (PR), GM Chevette/Auto Molar (Turismo Light)GC 888

899 – Alexandre Martins/Adriano Martins (SC/SC), VW Gol/AVM Racing (Turismo Light)GC 899

911 – Ronaldo César (PR), VW Voyage/Ronaldo Racing (Turismo Light)GC 911

913 – Carlos Estites (SP), VW Passat/HT Guerra (Força Livre)GC 913

O Fitti-V de Emerson à venda!

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Emerson Fittipaldi a bordo do Fitti-V em fins da década de 60, pouco antes de tomar o caminho da Europa para conquistar o mundo. Em dois anos foram fabricados 52 unidades desse carro.

CASCAVEL – Se há uma coisa que recebo quase diariamente é informação de carros de corrida que estão à venda em vários cantos do Brasil. Motivo pelo qual quase deixei de dar a devida atenção ao telefonema que recebi do Anderson Portes, piloto aqui de Cascavel que queria falar sobre um carro de corridas que tem para vender. Mas não era sobre o Ford Ka com que atua no Metropolitano de Marcas & Pilotos. Sei lá por quais meios, o Portes está envolvido na negociação do Fitti-V com que Emerson Fittipaldi disputou algumas temporadas do Campeonato Brasileiro de Fórmula V há cinquenta anos.

Emerson e Wilsinho Fittipaldi comandaram a fabricação de 52 unidades do Fitti-V quando o Brasil importou o regulamento da categoria que já existia na Europa havia alguns anos. O que veio parar no Sul do país, que Emerson conduziu na conquista do título brasileiro de 1967 vencendo cinco corridas, completa 50 anos de fabricação em 2017 e já foi visto em exposição e mesmo em pleno uso em uma série de eventos relacionados ao automobilismo de coleção e de competição. Um exemplar raro que, nas viagens que ainda proporciona ao passado das corridas de automóveis, chega aos 170 km/h.

 

O carro é o mesmo que Felipe Massa, então piloto da Sauber na Fórmula 1, testou na década passada para uma reportagem do “Auto Esporte”, à época apresentado pela Silvia Garcia – hoje quem comanda o programa dominical na Globo é a queridíssima Millena Machado. “Até que acelera, a caranguinha aqui”, testemunhou Massa, em depoimento onboard que pode ser visto na reportagem do AE. “Vivi o passado nesse carro, foi uma experiência que não vou esquecer pelo resto da minha vida”. Vale – e muito – ver o vídeo.

A relíquia está à venda por R$ 105 mil. Quem tiver real interesse na aquisição pode contatar o Portes por e-mail – o endereço dele é anderson@eurotec.net.br. É de se imaginar que o simpático carrinho vá parar na sala de algum apaixonado por automobilismo, como excêntrica peça de decoração. A nós, não custa sonhar vê-lo no grid de alguma corrida de carros clássicos dessas que existem aqui e ali. Sonhar é de graça.

O Avallone-Ford de Cascavel

15726180_10209694759318955_841050538_oCASCAVEL – Quase uma década. Foi o tempo que Miguel Beux passou debruçado sobre um projeto que permeava seu pensamento desde os tempos em que, ainda criança, voltava do autódromo de Cascavel todo lambuzado de graxa. Pois bem, o Avallone com que Beux sonhou está prontinho da silva.

Passou bastante tempo desde as aventuras da infância. Aos 49 anos, Miguel tem arriscado alguns treinos com o novo carro no autódromo de Cascavel. Sai do cockpit com a mesma cara de moleque deslumbrado de décadas atrás. Novo carro, logicamente, é um eufemismo. A máquina fez sucesso no automobilismo brasileiro nos anos 70 – tudo indica que seja o mesmo com que Pedro Victor De Lamare atuou na Divisão 4.

Projetos malucos não são exatamente uma raridade no automobilismo. Esse, do Miguel, é. E como é! Principalmente porque tudo que está no carro é original da época. O chassi Avallone, o câmbio Hewlland DG 300, o motor Ford 302 que desenvolve perto de 460 cavalos de potência, as rodas, a mecânica do Lola T142, a carenagem do Lola T222. O contagiros, presente do piloto catarinense José Bornemann, é o que equipava os Fórmula 1 da década de 70.

15697906_10209694375389357_1211610651793514624_nAs aparições do carro no circuito que leva o nome do pai do Miguel – os testes de vez ou outra acontecem no Autódromo Zilmar Beux – indicam que o projeto está consumado. O automobilismo brasileiro vai ver o Avallone-Ford na ativa de novo em provas de longa duração? Se perguntarem a ele hoje, a resposta será negativa. Talvez uma participação ou outra em eventos como os da Classic Cup de São Paulo ou do Rio Grande do Sul, foi o que ele me disse instantes atrás.

Convivo pouco com o Miguel. O suficiente para arriscar que, bem conversadinho, o lindo protótipo número 84 poderá integrar, sim, grids do endurance brasileiro. Tomara. Zilmar Beux diria que o filho não tem juízo. Que lhe falte juízo, pois, a ponto de presentear o automobilismo brasileiro dos dias de hoje com a onipresença do Avallone-Ford.

***

Dias atrás, a ex-loira Patrícia Cabral produziu um material sobre o Avallone-Ford do Miguel Beux para a “Hora do Esporte”, da CATVE. A reportagem pode ser vista através desse link aqui.

Túnel do tempo argentino, parte 1

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Uma pretensa panorâmica do Museo Termas de Río Hondo, em Santiago del Estero: todo apreciador de corridas de carros e motos tem de passar por lá pelo menos um dian na vida

GUARULHOS – Começaria esse post observando que nós, brasileiros que gostamos e vivemos o automobilismo de alguma forma, somos todos uns merdas no que diz respeito a preservar a história e a glória passada desse esporte tão fascinante, e de cara faz-se necessário observar justa exceção ao Paulo Trevisan, a quem ainda não conheço, que criou e fez tornar-se real na gaúcha Passo Fundo o Museu do Automobilismo Brasileiro, que também ainda não conheço, imperdoavelmente. Tenho duas viagens ao Rio Grande do Sul no mês de junho, vou fazer com que uma delas contemple a parada em Passo Fundo.

Faz-se necessário, também, agradecer ao talibânico José Mário Dias pelo puxão de orelha que me deu sei lá de que ponto do mapa múndi quando soube que eu estava em Termas de Río Hondo, simpática cidadezinha da província argentina de Santiago del Estero, que abriga um dos mais impressionantes dos 25 autódromos onde já estive. “Se voltar para casa sem visitar o museu, dou-lhe uns tapas na cara”, avisou o Zé, polido como sempre. Desavisado como sempre, eu sequer sabia da existência de um museu no complexo da pista, onde estive para narrar as corridas da segunda etapa do Porsche GT3 Cup Challenge. Que é do Brasil.

Já havíamos vivido, é válido lembrar, um certo clima de viagem ao passado nos dias em que estivemos em Termas. O hotel onde ficamos, ao lado do autódromo (íamos e voltávamos a pé todos os dias, algo inimaginável para um sedentário como eu), é todo decorado com motivos que remetem à história do automobilismo argentino. O culto a Juan Fangio lembra a devoção dos brasileiros por Ayrton Senna. As paredes dos quartos, do hall, do restaurante, tudo no hotel remetia à Fórmula 1 dos anos 50, era em que a Argentina nadou de braçada no esporte. E era o próprio Fangio quem nos recepcionava à entrada do Museo Termas de Río Hondo.

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Luc Monteiro, Juan Manuel Fangio e Luis Ferrari: o encontro improvável de três lendas do automobilismo às portas do Museo Termas de Río Hondo…

Rapaz, e que museu! São centenas ou milhares de metros quadrados que abrigam parte rica da história do automobilismo e do motociclismo da Argentina e do mundo. Estive lá na tarde de ontem, com as corridas já encerradas. Fui com os pilotos Ricardo Landi e Norberto Gresse Filho e o colega jornalista Luís Ferrari. Ficamos todos embasbacados com tanta coisa bonita e que exalava história, por si só.

Uma das peças que mais atraem atenção dos visitantes é a Benetton-Renault B196, com que Gerhard Berger e Jean Alesi disputaram o Mundial de Fórmula 1 em 1996. Carro original, com motor, câmbio, tudo. Dizem que dá para funcionar o motor e sair andando, desde que haja gasolina no tanque. Não seria má ideia, num ano em que tenho feito tantas maluquices, mas tirar o Benetton de uma plataforma de uns 60 ou 70 cm de altura era risco de prejuízo na certa.

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A Benetton de Berger e Alesi exposta no interior da Argentina: tanto em aerodinâmica quanto em layout, um dos carros mais bonitos que a Fórmula 1 já mostrou ao mundo

Mas carro de Fórmula 1 a gente cansou de ver pela televisão, e às vezes ao vivo também. O que pega, como dizem lá no meu boteco, é ver os carros antigos. E lá fomos nós quatro ver os carros antigos. Trouxe no pouco um pouco daquela história para compartilhar com os amigos que me acompanham por aqui. Respirem fundo e apreciem sem moderação.

A ideia era mostrar aqui tudo que vi no Museo Termas de Río Hondo. Não deu – o que por um lado é bom, porque me obriga a voltar lá pelo menos mais uma vez. Primeiro, porque há um recinto, ao qual não havia acesso por ser domingo à tarde e pela ausência de determinado responsável pelo lugar, com raridades do Mundial de MotoGP. Parece que há até uma moto do “Doutor” respousando por lá. Segundo, porque quando entrei no museu e formatei meu roteiro ele não contemplou o devido exame dos carros que repousam sobre a simulação de um trecho de pista atrás de determinada parede. Fotografei só o primeiro e esqueci de voltar. Fico devendo. Pago no ano que vem.

Nem só de carros é feito o delicioso roteiro do passeio. Há motos, também, de todas as idades e para todos os gostos. Trouxe-as comigo, também. Estarão por aqui até amanhã, ou no máximo até quinta-feira. Acho bacana compartilhar essas coisas com a audiência. E notei que vocês também acham isso quando mostrei aqui um pouco da garagem de carros antigos que o Ted Vernon mantém na Flórida.

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Motocicletas de todas as idades e para todos os gostos também atraem atenção de quem vai a Termas de Río Hondo. Amanhã ou depois apresento esses belos exemplares à audiência do blog.

 

O tesouro de Mr. Vernon

CASCAVEL – É muito provável que eu volte algumas vezes a assuntos inerentes à viagem que terminou hoje cedo, contextos que ainda preciso digerir para ter uma noção do que pode ou não interessar a vocês. Mas isso aqui eu não poderia deixar de compartilhar.

Ontem, último dia dessa primeira peregrinação de 2016 pelos EUA, saí para algumas visitas despretensiosas, devidamente ciceroneado pelo Robson, brasileiro que vive pelas bandas de lá há mais de nove anos. “Gosta de carros antigos?”, perguntou o Robson. “Gosto, mas entendo rigorosamente nada da arte”, respondi.

VERNONAinda em South Beach, ele estacionou no pátio da Ted Vernon Specialty Autos Inc,. Tem cada coisa lá que só vendo. Raridades e beldades para todos os gostos. Mr. Vernon não estava no lugar. Robson contou-me do dia que levou dois de seus fãs ao lugar para conhecerem-no, descreveu a tietagem e a atenção dispensada pelo bigodudo, um ex-pugilista bastante famoso pelas bandas de lá por conta programa sobre carros que apresenta num canal de televisão, salvo engano o Discovery. Imperdoável, também, que eu não soubesse de quem se trata.

Em vídeo amador, compartilho com vocês um pouco do acervo de Mr. Vernon.

No meio caminho surgiu uma joinha que me enganou imperdoavelmente à primeira vista: pensei tratar-se de um exemplar clássico da Porsche. Obviamente não era um Porsche, o que não invalida a visita deliciosa pelas instalações de Ted Vernon. Vendo pelo lado positivo, uma derrapada que serve para corroborar o que disse ao Robson sobre meus conhecimentos acerca dessas máquinas que fazem qualquer um babar.

Um novo lar

CASCAVEL – Faz quatro ou cinco anos que a família aumentou com a chegada do rapaz aí das fotos. Que tem a minha idade, vejam só a coincidência. Mas não tem aproveitado tanto quanto eu a vida.

Hoje, depois de eras, ganhou a rua, um pouco de sol, um banho, o que sempre faz bem. Viveu, ainda que por poucos momentos. E não é esse, reconheço e me penitencio, o tratamento que se dá a alguém que foi recebido como um filho no lar.

O rapazote aí merece alguém que lhe dê mais atenção. Mais carinho. Que converse com ele. Pena, não sou eu, que ultimamente tenho me visto sem tempo para tanta coisa importante, e conversar com ele e pô-lo para viver um pouco estão entre as coisas que têm sido deixadas de lado.

Vou procurar uma família que dê ao meu amigão aí tudo que eu pensei em dar-lhe quando o trouxe para o nosso convívio. A gente às vezes acha que pode fazer coisas que não pode, é esse o grande mal do mundo. Foi esse o grande mal que fiz ao meu amigo, que sequer ganhou espelhos depois dos parcos cuidados especiais que lhe providenciei.

Ele há de ser feliz, de rir e de viver em outro lar.