Calor e conversa alheia

CASCAVEL – Fazia um calor infernal, sem trocadilhos, durante aquele almoço de meio de novembro no autódromo Campo Grande, refeitório sob lona anexo à lanchonete atrás dos boxes, uns trezentos graus àquela sombra. Era o que havia, e ali eu fazia, por volta das duas da tarde, minha primeira refeição no dia, um tanto angustiado, ou qualquer coisa perto disso, porque era aniversário do meu filho e eu estava ali, tão longe de casa, almoçando sozinho.

Sozinho, claro, é eufemismo. Dezenas de pessoas dividiam aqueles poucos metros quadrados sob a escaldante sombra sob a lona, que instantes antes eram disputados quase a tapa por umas duas centenas – detesto filas, por isso deixei para almoçar comer mais tarde, quando quase não havia mais tempo. Alguns pilotos daquele evento adotaram igual estratégia, e me causava agonia vê-los fervendo dentro daqueles macacões grossos.

Na mesa ao lado, um desses pilotos batia papo com um sujeito que imperdoavelmente não sei quem é. Deveria saber, claro, parecia figura importante no contexto de alguma das várias organizações que compunham a festa do fim de semana. E que parecia bastante atualizado quanto às coisas da Fórmula 1, detalhes técnicos e situações de mercado incluídos na lista.

A conversa não era comigo e nela não meti o bedelho. Não me interessava, a bem da verdade, eu queria mesmo era poder ver a cara do meu moleque em casa quando abrisse seu presente de aniversário, que hoje nem lembro qual foi (o presente, no caso; moleque eu só tenho um). Só um trecho daquela conversa alheia me chamou atenção: “O Razia corre na Fórmula 1 no ano que vem”. Ano que vem, claro, é 2013. “Será?”, reagiu o piloto. “Corre, já está tudo certo”. “Qual equipe?”, quis saber o interlocutor, repetindo a mesma pergunta que lhe fiz mentalmente. “Não posso dizer. Só sei que vão demorar pra anunciar, mas já está certo”.

Isso aconteceu em 17 de novembro, momentos antes de Wilson Fittipaldi Júnior – era o comentarista da vez – e eu abrirmos a transmissão de uma corrida do Brasileiro de Gran Turismo pela internet. O que tenho lido nos sites especializados é que Luiz Tadeu Razia Filho assinou hoje cedo seu contrato com a Marussia.

Parece que a água do Razia foi mesmo abençoada.

A temporada da Truck

CASCAVEL – Faltam exatos 39 dias para a abertura da 18ª temporada da Fórmula Truck. A corrida que devolve a categoria à pista de Tarumã vai marcar, no dia 10 de março, o início da disputa pelos dois títulos, dos campeonatos Brasileiro e Sul-Americano.

Téo José, que vai para seu 12º ano como narrador da categoria, esteve nesta semana na sede da Truck, em Santos, e falou um pouco sobre o que acha e o que não acha para os campeonatos que vêm aí. Está aí, em vídeo.

Quem faz a entrevista é o peixe (mas corintiano!) Vytor Zeidan, que a partir deste ano passa a atuar nas transmissões das corridas da Truck pela Rede Bandeirantes. Transmissões que assumem um novo formato, com mais espaço e mais informação.

Sucesso ao Vytão, claro, nessa nova fase da carreira.<p

Superbike 2013

CASCAVEL – E o Bruno Corano, piloto e organizador do Superbike Series Brasil, convidou as moças e rapazes das duas rodas para amanhã à noite no Espaço ABM, em São Paulo. Lá, além da premiação aos campeões e vices de todas as categorias dos campeonatos que formam o SBK Series, ele vai comandar a apresentação da temporada de 2013.

O SBK Series Brasil é, em termos práticos, a soma de dois campeonatos distintos. Um, em 2012, foi batizado Pirelli Mobil Superbike, com seis categorias. Outro foi o ELF Superbike, que integrou a programação dos eventos do Brasileiro de GT, organizados pela SRO Latin America. O campeão geral da última temporada foi Diego Faustino, aí ao lado pilotando a BMW da Spiga Racing.

Para quem vai ao evento de hoje, a chegada ao Espaço ABM é facilitada por esse mapinha aqui, publicado pelo Bruno em seu perfil no Facebook.

Genz na Stock

CASCAVEL – Quem sempre traz esse tipo de informação é o Nei Tessari, em seu blog, mas o coitado do Nei ainda está sofrendo com o jet lag da última viagem que fez, despendeu o dia buscando ajuda psicológica e não pitaqueou a respeito.

Enfim, segundo o que me contou um pássaro róseo, Vitor Genz estreia na Stock Car em 2013.

Genz, em 2012, conquistou o título da última temporada de existência do Mini Challenge e também defendeu o BMW Team Brasil no Brasileiro de Gran Turismo, pela categoria GT4. Ele vai competir pela equipe Gramacho Racing, cujo outro carro será pilotado pelo paulista Rodrigo Pimenta.

O Nei publicou hoje cedo no “Bobo da Corte” a lista dos pilotos já confirmados para 2013, ainda sem o nome do Vitor.

A Stock Car vai abrir sua 35ª temporada no dia 3 de março, em Interlagos.

Instantâneos

CASCAVEL – Imagem das mais expressivas que já contemplei, que está pipocando nas redes sociais. Quem gosta um pouquinho que seja de corridas há de captar a essência. Obra de arte.

A obra é do fotógrafo argentino Fabio Vignolles. Foi feita em 2011 numa corrida do Turismo Carretera e faz sucesso pelo mundo desde então. Há há versões que a batizam como “Emoção sem limites” e como “A paixão sem limites”.

F-Uno em Cascavel

CASCAVEL – Resgataram via Facebook. Corrida de 20 anos atrás aqui em Cascavel, abrindo a temporada da Copa Onyx Jeans de Fórmula Uno com 36 carros na pista. Xandy, Waltinho, Toninho, Ingo, Leonel, Ângelo, Chico… A safra de pilotos ajudava, é claro.

A Rede Bandeirantes transmitia ao vivo, no “Show do Esporte”. A narração era do Luiz Carlos Largo, hoje na ESPN – Pedro Muffato e o campeão da temporada anterior Flávio “Nonô” Figueiredo comentavam como convidados especiais. Largo, aos que não sabem, é aqui de Cascavel. Na reportagem, o Gelson Negrão.

Pista interessante, essa, desde sempre. Alguém aqui esteve nessa corrida?

ATUALIZANDO EM 28 DE JANEIRO, ÀS 11h08:

A corrida cascavelense da F-Uno marcou um momento histórico nas transmissões do gênero no Brasil. Foi a primeira vez em que uma categoria nacional contou com o recurso da câmera onboard ao vivo, segundo relata o Jorge Guirado, que é um dos sujeitos que fizeram a coisa acontecer nesse meio de televisionamento de grandes eventos. O que reporta o Jorge:

“On board caseiro, barato e funcional. Dois sinais simultâneos sem mesa apropriada. Boa lembrança para ver o quanto éramos bons e o quanto regredimos. Voltaremos a criar e evoluir pode estar certo disto. Em São Paulo o Angelo Giombelli falou ao vivo no meio da corrida, muito antes daquela gravada do Senna no plim – a do Senna foi gravada e GB disse que era ao vivo. Colocamos até telespectador falando com piloto da Truck ao vivo. Nosso time era espetacular e voltará a ser.”

Jorjão, desde há muito e até os dias de hoje, é o chefão da Master TV, empresa responsável pela geração de imagens de várias das categorias do automobilismo nacional que tem nova direção a partir de 2013 – o capitão operacional continua sendo o Jorge. Nem poderia ser outro.

Instantâneos

CASCAVEL – Largada à Le Mans nas 24 Horas de Interlagos, em 1970. Dá só uma olhada no naipe dos carros. Por que não nasci pelo menos uns 20 anos antes?

ATUALIZANDO EM 28 DE JANEIRO, ÀS 11h03:

Fui alertado pelo catedrático Paulo McCoy Lava, sempre gentil, de que a foto em questão remete às 24 Horas de Interlagos de 1966, e não a de 1970, como supus. Reproduzo as argumentações do McCoy, quase sempre irrefutáveis:

“A julgar pela fotos dos carros (DKWs, Gordinis, etc), penso que a imagem é de 1966 (edição ’24 Horas SP disputada no dia 28/05/1966). Lembro ter visto imagem similar na revista Quatro Rodas do mês junho ou julho de 1966. Outra coisa: na 24 Horas SP de 1970, os carros ‘modernos’ formavam o grid: Opalas, Corceis, TLs e, claro… fuscas. Muitos Fuscas.”

ATUALIZANDO DE NOVO EM 29 DE JANEIRO, ÀS 21h42:

Mesmo quem pede sem jeito é atendido, como não? O “Anônimo” dos comentários aí abaixo (sempre aparece o “Anônimo”) confirma que a foto é de 1966, conforme nos havia alertado o McCoy. Ainda segundo o “Anônimo”, a foto foi produzida por Rogério Brandão – alguém teria elementos para confirmar a informação? É difícil atestar o que alega o “Anônimo”, afinal.

Aliás, amigo “Anônimo”, onde está escrito ou dito que a foto é do McCoy?

Ademais, será o próprio Rogério, a quem não conheço, postando comentários grotescos, apócrifos e mentirosos? Sim, mentirosos. Ninguém furtou nada de ninguém, essa foto me foi enviada por e-mail em 2012. Mas a lei está aí, à disposição do “Anônimo”, ou do Rogério, ou de quem quer que seja. Que cada um procure seus direitos. A postagem está aqui e não será removida.

E, se sempre defendi que os anônimos merecem ter voz, por que não lhe daria o espaço pedido, não é mesmo?

Gallo

CASCAVEL – Se existe mesmo um céu, um paraíso, um lugar bacana pra gente desopilar depois de passar por esse purgatório aqui, a farra já está rolando solta por lá com a chegada do João Carlos Gallo.

Parceiro dos bons, pessoa das melhores, humorista dos geniais. Gallo era assim. É assim. Espirituoso como poucos, devoto da vida que soube aproveitar com maestria, a seu modo.

Gallo deu-me a satisfação de integrar a equipe do “Telefone Pirata” na última versão, por lá fiquei o quanto a agenda das corridas me permitiu. Agenda de corridas que ele próprio experimentou nos anos 80 e 90, como repórter de pista de praticamente todas as categorias que tinham transmissão de tevê à época – numa dessas, extraiu alguns segundos do já célebre Ayrton Senna.

Qualquer um que tenha desfrutado da divertida convivência com ele terá episódios memoráveis a relatar, bons causos a contar. Que sejam contados e recontados. Abri esse post, aliás, com o propósito de relatar algum episódio desses, talvez aquele envolvendo o saldo de seu rápido papo com Senna. Desisti em poucas linhas. Não tenho esse dom de compartilhar alegria na tristeza.

O Gallo tinha. De sobra.

ATUALIZANDO EM 26 DE JANEIRO, ÀS 16h24:

Fui há pouco me despedir do amigo, um costume que as pessoas têm. Notei que, apesar da dor da perda, havia sorrisos cercando aquele corpo inerte. Sim. Mesmo tristes, as pessoas sorriam. Acho que é coisa para poucos, o Gallo conquistou isso.

Exposto sobre determinada bancada, um mosaico de fotos montado pelo próprio Gallo a tesoura e fita adesiva resumia sua vida bem melhor que qualquer livro que se ousasse escrever. Invariavelmente sorrindo, único jeito que parecia conhecer para viver, lá estava ele em várias eras, maioria dos casos de microfone à mão, ou no estúdio onde desde moleque virou disc-jóquei, e noutros com a esposa e os filhos, e também de chapéu fazendo pose de coronel a bordo de alguma aeronave, e com os colegas e amigos de trabalho, e entrevistando Senna e Piquet, e montado em um burrico, e em várias outras situações que traduziam com simplicidade uma vida de irreverência.

A dado momento, um rapaz interrompeu seu momento de contemplação de boas memórias e veio falar comigo. “Você é o Luciano?”, perguntou. À resposta óbvia, reagiu: “Sou o filho do Gallo. Meu pai falava muito de você”. Era o Alexandre, a quem eu não conhecia. Gallo me falou muito dele, também, voltou há três anos da Europa, onde morou por vários, para auxiliar no que fosse possível o pai que já apresentava sinais de que a saúde não estava lá tão boa.

E ouvi o simpático rapaz falar não só dos últimos dias de vida do pai, mas também do meu antigo fusquinha, das minhas paródias, das corridas que eu narrava e que ele, Gallo, acompanhava pela tevê. Parecia me conhecer bem pelos relatos que ouviu do pai. Sorri também. O Gallo me deu esse momento de alegria, mais um, mesmo depois de partir. Isso também é para poucos. Gallo era um cara privilegiado.

Hoje, pela última vez na vida, participei de um “Telefone Pirata”. Edição especial que a Capital FM preparou em homenagem ao amigo que se vai. Vai ao ar daqui a pouco, às sete da noite, e quem está fora do alcance dos 102,7 pode acompanhar pelo site da emissora.

Fla-Flu beneficente

CASCAVEL – Camisas oficiais utilizadas por jogadores do Flamengo e do Fluminense. Estão com o Jorge Guirado, que prometeu há pouco, em seu perfil no Twitter, entregá-las a quem se dispuser a fazer doações ao Lar dos Bebês.

Aliás, o Jorjão vem dando expediente filantrópico no Twitter hoje. Vale acompanhar.

Para muitos, uma chance única. Quando rolar a do Corinthians o Jorjão já sabe a quem mandar a cobrança.

Na Sprint, 10 confirmados

CASCAVEL – O estafe do Thiago Marques arregaçou as mangas faz tempo para a segunda temporada da Sprint Race. Os carros estão passando por uma reconfiguração na oficina da categoria, anexa ao autódromo de Curitiba, em Pinhais, e virão para o campeonato de 2013 com entre 15 e 20 hp a mais de potência, além de algumas outras novidades.

Conversei há pouco com o Thiago a respeito. Dez pilotos já assinaram contratos com a organização da Sprint Race e estão confirmados no grid das oito rodadas duplas. Sem a menor cerimônia, digo quem são: Adeodatto Volpi Neto, Caito Vianna, Daniel Kaefer, Eduardo Serratto, Gustavo Trunci, João Braga, João Venturin, Marcelo Maiolli, Marcelo Rodriguez e Marco Garcia. A lista deverá ter mais quatro nomes na semana que vem.

A temporada de 2013 da Sprint Race vai manter o formato de duas provas por etapa. O calendário disponível no site da categoria indica os seguintes locais e datas: 16 de março – Curitiba; 13 de abril – Interlagos; 18 de maio – Londrina; 15 de junho – Curitiba; 13 de julho – Interlagos; 24 de agosto – Cascavel; 19 de outubro – Curitiba (essa, no anel externo); 14 de dezembro – Interlagos. Para essa última etapa, espera-se mudança da sede ou da data, já que está prevista para o fim de semana da etapa de encerramento da Stock Car. De qualquer forma, o calendário é provisório e uma versão definitiva deverá ser divulgada nas próximas semanas.

A etapa final da temporada de 2012 foi exibida na semana passada pelo Bandsports no programa “Sport Brazil” – que está reproduzido nesse link aqui, com minha narração.