A hora de parar

GOIÂNIA – Um dos grandes mistérios da vida é saber a hora de parar. Nunca, ou quase nunca, identificamos o momento de sair de um emprego, de interromper um relacionamento amoroso, de trocar de lado, de mudar de ares, enfim. Nunca identificamos a hora de, para usar um exemplo bastante usado, jogar tudo para o alto e ir para a beira da praia vender coco.

Sim, um grande mistério. Porque, seja mantendo a zona de conforto ou pondo uma mochila nas costas para viver no cume de um monte, sempre vai ficar a pergunta “e se?”. E se tivesse mudado? E se não tivesse? É um dos grandes baratos disso que conhecemos mal e porcamente como vida.

Ontem, acerca desse eterno dilema da humanidade, presenciei uma situação inédita no meu repertório. Alguém aqui tem a reportar o caso de um piloto de competição que decidiu abandonar o macacão e o capacete sem motivação de um trauma, sem ser por falta de orçamento, sem ter se contundido? Pois bem. Eu, desde ontem, tenho um caso desse a contar.

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Marcelo Dias Azevedo, baiano de Camaçari, disputa o Moto 1000 GP pela 2MT-PRT e é vice-líder da categoria GP 600 Evo. Disputava, melhor dizendo. Na sexta-feira, participou do primeiro treino da etapa de Goiânia, voltou para o box e disse para si próprio: “Parei”.

“Corridas são pura adrenalina e instinto, e minha intuição me disse que aquela era a hora de parar”, contou-me o Marcelo, que ontem mesmo tomou o voo para Salvador para passar o resto do fim de semana com a família – o filho Kauai, de 12 anos, e a esposa Ana Carolina, que espera para novembro a chegada de Filipe, o segundo filho. Viajou antes dos acidentes que marcaram a programação de ontem no autódromo, dos quais só tomou conhecimento quando já estava em casa. “É isso que quero, me dedicar mais à família, ao filho que está chegando. No fundo minha intuição estava me dizendo algo”, falou o piloto, agora ex-piloto, que completará 44 anos depois de amanhã.

O fim de carreira foi comunicado aos amigos no fim da noite de sábado, por uma postagem no Facebook. “Comecei a competir em 2012 aos 40 anos de idade. Um sonho desde pequeno e uma paixão que não irá acabar nunca. A motovelocidade me deu muitos amigos, alegrias, ensinamentos e determinação. Me deu também a oportunidade de conhecer minha esposa. A vontade de correr para a família e liderar a corrida da vida bateu mais forte”, foram as palavras que escreveu.

Marcelo teve o estalo de que era hora de parar e parou. Simples assim. “Vai ser difícil não subir mais na moto. Talvez mate a saudade fazendo um ou outro Track Day”, considerou.

Fez bem o Marcelo? Ou fez besteira? Talvez nunca saiba a resposta. Mas está feliz, em casa, com as pessoas que ama, e no fim das contas é isso que importa.

Um beijo na família toda, Marcelo.

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Duas rodas em Cascavel

CASCAVEL – Os próprios pilotos do Moto 1000 GP fizeram questão de deixar seu convite ao público de Cascavel e região para que venham no fim de semana ao Autódromo Zilmar Beux, onde eles próprios, os pilotos, já estão superando a casa dos 175 km/h de média – eu disse “de média” – nos treinos para a quarta etapa do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade.

Há muitos vídeos mais sobre o GP Cascavel no canal do campeonato no YouTube, resultado do trabalho do bróderes Marcello Pavão e Ricardinho Montesano. E as infos sobre tudo que vocês possam imaginar sobre o evento e o campeonato estão no site do Moto 1000 GP.

Moto 1000 GP e o calendário definitivo

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CASCAVEL – Tenho acompanhado de perto, nos últimos meses, a habilidade com que Gilson Scudeler teve de conduzir a elaboração do calendário de etapas de seu Moto 1000 GP. A quarta temporada do evento, segunda sob a homologação da CBM como Campeonato Brasileiro de Motovelocidade.

O calendário saiu hoje, a 33 dias da abertura da temporada em Santa Cruz do Sul. Gilson tinha planos de torná-lo público ainda no começo de janeiro, mas as indefinições quanto à disponibilidade de autódromos, vários deles com obras de reforma agendadas para o decorrer do ano, forçaram mudanças sucessivas. A opção do ex-piloto e agora dirigente foi por retardar essa divulgação tanto quanto necessário para que, quando ocorresse, pudesse ser aplicada por pilotos, equipes e todos os demais envolvidos sem o risco de mudanças.

Pareceu-me, desconsiderando minha ligação com o Gilson e todo pessoal do campeonato, uma postura bastante ponderada. Porque, podem anotar e me cobrar depois, haverá mudanças em todos os calendários de etapas já disponibilizados por promotores de campeonatos de carros e de motos.

Moto 1000 GP, temporada 3

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CASCAVEL – As coisas já vão rolando na terceira temporada do Moto 1000 GP. A primeira das oito etapas vai acontecer no dia 21 do mês que vem, em Interlagos, e os bastidores da competição, que neste ano ganha status oficial de Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, estão fervilhando.

As notícias vão pipocar gradativamente ao meio que consome o motociclismo. A transmissão das corridas pela televisão, algo em que sou questionado quase diariamente, também será anunciada nos próximos dias – no ano passado, metade dos eventos teve transmissão ao vivo da Record News e a outra metade passou ao vivo no Bandsports. Edgard Mello Filho, Celso Miranda e eu narramos as corridas.

Pilotos e equipes, enquanto isso, já têm todos os regulamentos à disposição. Não me custa indicar o caminho das pedras a quem de direito, pois.O regulamento desportivo do Moto 1000 GP está nesse link aqui, por exemplo. Para os chefes de equipe, sobretudo, está aqui o regulamento técnico. Metódico como poucos, o Gilson Scud, capitão do evento, providenciou também este regulamento de condições específicas.

Os regulamentos técnicos são específicos para cada uma das categorias, também – no caso da indicação aqui do blog, basta ao incauto interessado clicar sobre o nome da categoria que – zás! – o regulamento lhe surgirá à tela ou ao display.

A GP 1000 continua, claro, como categoria principal do evento, tendo incorporadas a seu grid as motos dos pilotos inscritos na subdivisão GP Máster, restrita a competidores com 48 anos ou mais.

Palpite meu, quem tiver elementos para derrubá-lo que fique à vontade para tal, o maior grid do Moto 1000 GP tende a ser o da GP Light – que segue praticamente as mesmas regras da GP 1000, tem uma diferencinha aqui, outra ali, os preparadores conhecem-nas bem.

Novidade de 2012, a GP 600 tende a ganhar votos entre a torcida, consequência esperada para a boa relação custo-benefício que oferece aos pilotos. E tem também a novidade de 2013, a GPR 250, que teve uma corrida-teste na etapa de Brasília do ano passado e passa a figurar em todas as etapas. Uma categoria-escola, para usar um termo comum.

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As datas do Moto 1000 GP

ImageCASCAVEL – Em comunicado enviado aos pilotos e reproduzido em seu site, o Moto 1000 GP anunciou o calendário de corridas para 2013. Serão oito etapas, em oito eventos distintos e sem rodadas duplas.

Há uma pendência declarada no que diz respeito à primeira etapa, confirmada para 21 de abril, em princípio em Interlagos. A categoria gerida por Gilson Scudeler ainda não obteve confirmação oficial de reserva do autódromo paulista, providência que aguarda para até o início da próxima semana. Já se admite, em caso de negativa, a transferência do evento para outra praça, mantendo-se a data.

A se manter o calendário que os pilotos receberam em suas caixas de entrada no fim da tarde de ontem, serão três etapas em São Paulo, onde estão maioria dos pilotos e das equipes. As outras cinco estão previstas para as pistas de Curitiba (PR), Brasília (DF), Cascavel (PR), Santa Cruz do Sul (RS) e Goiânia (GO).

Voltando à questão do dia 21, pode ser que Scud e sua trupe – da qual faço parte, aliás – tenham mesmo de procurar outra pista para a abertura do campeonato. Uma situação que depende dos rumos ainda não anunciados do Brasileiro de Gran Turismo. O calendário divulgado em dezembro informa que a temporada do GT e de suas categorias de suporte vai começar no dia 14 de abril, data em que, já se sabe, Interlagos receberá uma programação extensa no evento internacional do Ferrari Challenge, o que, especula-se, levaria ao adiamento do GT em uma semana. Reza a física do esporte motor que dois eventos distintos não podem ocupar o mesmo espaço em Interlagos num mesmo fim de semana.

De forma ou outra, reproduzo aqui a distribuição das oito etapas do Moto 1000 GP no calendário:

21 de abril – Interlagos (SP)**
26 de maio – Curitiba (PR)
23 de junho – Interlagos (SP)
28 de julho – Brasília (DF)
25 de agosto – Cascavel (PR)
22 de setembro – Interlagos (SP)
20 de outubro – Santa Cruz do Sul (RS)
17 de novembro – Goiânia (GO)

Na íntegra: Moto 1000 GP (GP 600), 7/8 e 8/8

CASCAVEL – E, para completar as postagens de todas as corridas da última temporada do Moto 1000 GP, vão aqui as duas últimas etapas da categoria GP 600, que compuseram a rodada dupla do GP Petrobras no último domingo, no autódromo de Curitiba.

Adrian Silveira ganhou as duas corridas. Chegou a quatro vitórias em quatro etapas disputadas. Segurem esse argentino em 2013… Bem, vai aí a íntegra da sétima etapa, que abriu a programação da GP 600.

A oitava etapa, que confirmou o título do André Veríssimo, está no vídeo abaixo. Tem, igualmente, narração do Celso Miranda, comentário do César Barros e reportagem do Ricardo Montesano.

Agora, é esperar por 2013. Tenho acompanhado a certa distância algumas das novidades que vão aparecer no evento – que passa, inclusive, a ter chancela oficial da Confederação Brasileira de Motociclismo, ganhando status de Campeonato Brasileiro. Vai ser uma temporada bem interessante.

Na íntegra: Moto 1000 GP (GP Light), 7/8 e 8/8

CASCAVEL – O Nick Iatauro, corintiano dos bons, prometeu ganhar pelo menos uma das corridas do GP Petrobras, que encerrou a temporada do Moto 1000 GP no último domingo em Curitiba, e comemorar no pódio com a bandeira do Corinthians. Cumpriu metade da promessa. Venceu a primeira prova da programação da categoria GP Light. Esqueceu-se de providenciar a bandeira. Como mandou um sono “Vai, Corinthians!” durante a coletiva de imprensa, está perdoado pela falha.

No vídeo abaixo, a íntegra da sétima e penúltima etapa da GP Light, vencida pelo Nick e transmitida pelo canal Bandsports com narração do Celso Miranda, comentário do Cesinha Barros e reportagem do Ricardo Montesano.

Na oitava etapa, a vitória foi do Lucas Barros, que havia sido campeão com o terceiro lugar de horas antes. Lucas esteve no pódio de todas as corridas do ano. Faz 17 anos depois de amanhã. Foi seu primeiro ano sobre uma moto de 1.000cc.

E o Celso mandou muitíssimo bem quando observou, pouco antes das onze da manhã, que o Corinthians comemorava o bicampeonato mundial de futebol.