Os autódromos do Brasil

Reproduzo aqui, ipsis literis, a série de posts que o piloto Giuseppe Vecci fez em forma de desabafo, hoje cedo, em sua conta no Twitter.

Vecci é piloto de Goiânia, já atuou em uma série de categorias nacionais e é um entre tantos indignados com a situação do autódromo de sua cidade. Via Twitter, aponta descaso e denuncia irregularidades envolvendo a pista de sua cidade. Comentários que não vão mudar os destinos, mas marecem registro. Falam por si.

Bom dia a todos. Hoje vou falar sobre um assunto que entristece todos os pilotos e desportistas goianos: a situação do nosso Autódromo.

O Autódromo foi esquecido durante esta gestão que aí se encontra. Nada foi feito nestes últimos 04 anos em prol desta praça esportiva..

O Autódromo se tornou um valhacouto de drogados e vagabundos. Ponto de encontro de drogados e bandidos. E a pista? Esta nem se fala..

O Autódromo foi construído em 1974. E de lá pra cá nunca recebeu uma reforma. Aliás, no final de 1997, foi feita uma maquiagem mentirosa lá.

Superfaturaram a reforma. Colocaram uma capa asfáltica mais fina que uma folha de papel. Resultado: no 1º evento nacional, o asfalto ruiu.

O Autódromo está morrendo!! Está dando os seus últimos suspiros. E pensar que Nelson Piquet iniciou a carreira aqui…lastimável.

é unanimidade: todos os pilotos que competí na Stock Car acham que Goiânia era o melhor traçado do país. E um dos mais seguros. Era né..

Este governo que aí se encontra não vai reformar ou reconstruir nada. Fica anunciando no jornal uma coisa que não irão fazer…

O Autódromo não precisa de portões novos, ou de pintura. Ele precisa de uma reforma decente, profunda. Estrutural. Batom já fizeram…

Veio uma tal de Herman Tilke aqui, fez um relatório, recebeu do governo cento e tantos mil e se pirulitou…e a situação terminal continua..

O nosso Autódromo vai morrrer. Estão anunciando reforma de novo. Pura conversa fiada.Como irão fazê-la em ano eleitoral? Papo furado.

Véspera de eleição é assim. Anunciam mundos e fundos. Vão ao local, tiram fotos e falam, falam e falam. Mentem para o povo e para eles mesmo

Chega, isso tem que ter um basta. Bando de políticos que não tem compromisso com a verdade e com o bem público. Chega de mentiras deslavadas

Tristeza com o descaso. Mais tarde irei postar fotos para vcs verem a situação degradante do autódromo. É de dar dó. MUITA TRISTEZA.

Problemas com autódromos em petição de miséria, meu caro Giuseppe, não são exclusividade de vocês, goianienses. Nem de nós, cascavelenses. Desde há muito as pistas de corridas brasileiras estão a caminho do sucateamento total. A foto aí de cima, pinçada do Google, ilustra bem a situação do autódromo de Goiânia, descrita por você.

O novo Velopark, que conhecerei dentro de poucos meses, me parece o formato mais próximo de projeto útil nesse sentido. Mas gente de visão que planeja lucros a partir do esporte bem fomentado e bem estruturado, como o grupo gaúcho que está investindo no novo complexo, não brota em toda esquina. Picaretas, sim, esses vemos às pencas.

É, Giuseppe. O que a gente imagina é bem diferente. Somos bobos demais.

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Braços abertos para a etapa da Truck?

Reviravolta das mais estranhas no calendário do automobilismo brasileiro para 2010. E envolvendo o autódromo de Jacarepaguá, que muitos, eu inclusive, davam como morto para a história das corridas.

Eis que, num primeiro momento, o Rio de Janeiro surgiu como sede de uma série de corridas no início do ano. Até da Indy, que seria numa pista de rua no Aterro do Flamengo, em episódio que a administração carioca deixou o bonde passar – não foi a primeira vez –, perdendo o evento para São Paulo.

Voltando ao autódromo de Jacarepaguá, a piloto Suzane Carvalho comentou tempos atrás, via Twitter, que o mês de abril teria calendário cheio, com provas do Trofeo Linea/Fórmula Future, Fórmula Truck e Porsche Cup em fins de semana sucessivos.

Hoje, novamente via Twitter – a ferramenta virou algoz dos segredos administrativos –, Jorge Guirado, diretor da geradora de eventos Master TV, revelou que Truck e Porsche Cup dividiriam uma mesma programação em Jacarepaguá no mês de abril. “E Cascavel, nada”, frisou, alusão clara às deficiências que tiram a cidade dele e minha da disputa por qualquer evento automobilístico de porte.

Minha primeira reação foi imaginar que o Porsche Cup havia remanejado suas datas e antecipado sua segunda etapa do dia 18 para o dia 11, data para a qual está marcada a corrida dos caminhões. Mas o próprio Guirado tuitou, instantes mais tarde, que foi a Truck quem mudou sua programação para acompanhar a categoria monomarca uma semana mais tarde. Informou que o autódromo foi locado para testes de uma empresa de pneus, sem mencioná-la, no dia 11.

Às 18h53 de hoje, horário desta postagem, o site da Truck mantinha a informação de que a segunda etapa aconteceria em 11 de abril no Rio de Janeiro. Sempre duvidei, sem qualquer demérito para a categoria, que a Truck tivesse uma prova no Rio de Janeiro. Para isso tenho meus motivos, que não ferem ninguém. As peças do quebra-cabeça parecem começar a se encaixar. Evidências de que a ainda inédita corrida do Rio vai mesmo acontecer serão bem-vindas.

Guirado, aliás, está internado no Hospital São Lucas, diante da necessidade de acompanhamento dos problemas na coluna. Leva a torcida para que esteja bem e sob alta para seu aniversário, no domingo.

Reinício sem sotaque

Vim a São Paulo pela primeira vez no ano para o relançamento da Scuderia Iveco, da Fórmula Truck. A marca, a título de informação já divulgada onde de direito, passa a ter o Pace Truck da categoria, que será conduzido pela bela e simpática morena Mariana Felício, ex-BigBrother, filha de caminhoneiro. Os pilotos que vão buscar vitórias pelo time vermelho são Beto Monteiro, que segue na equipe para onde foi no ano passado, e Cristiano da Matta, que volta a competir quase quatro anos depois do acidente que poderia ter encerrado sua carreira num teste pela Champ Car em Elkhart Lake.

Monteiro, o Beto, já é parceiro de longa data. Com Monteiro, o Cristiano – é seu nome do meio, herança de mãe –, o contato nasce a partir de sua chegada à Truck. Desde há muito, um dos sujeitos que mais admiro no automobilismo. Conheci-o em dezembro, nas 500 Milhas de Kart da Granja Viana. Foi quando matei a charada que seria ele o novo piloto da equipe, não sei por que cargas d’água eu apostava em Jacques Villeneuve.

À tarde, antes do evento, encontramo-lo no saguão do hotel. Num longo papo comigo e com Luiz Silvério, “Kiki”, o apelido é de infância, mostrou-se dono de uma memória invejável. Relembrou com detalhes da pista de Cascavel, onde correu uma única vez, em 1994. “E como não lembrar de uma curva como o Bacião?”, justificou. Foi sua estreia na Fórmula 3, uma prova da qual saiu como vencedor depois de uma boa disputa com Helio Castroneves.

Essas conversas ocasionais com pilotos são coisa que me agrada. Entrevistas são protocolares e impõem um enredo. Num bate-papo, fala-se de tudo. Cristiano gosta de falar. Falou da guitarra que toca desde os 12 anos, da facilidade na pilotagem em ovais, definiu o automobilismo esportivo como exercício pleno da física, avalizou que Bia Figueiredo pilota muito melhor que Danica Patrick, contou histórias da trajetória do pai multicampeão de automobilismo. Ah, também arriscou um suco de laranja como os que Silvério e eu tomávamos, mas desistiu quando percebeu que havia vodca adicionada. Alegou que não bebe álcool antes de trabalhar. Também digo isso, às vezes. Tomei a bebida dele.

Roqueiro e ciclista, Da Matta construiu uma carreira como poucas no automobilismo. Trajetória que foi descrita de forma descontraída nessa entrevista aqui, concedida dois meses atrás ao colega Marcus Lellis, do site Grande Prêmio. Campeão de F-Ford, de F-3, de F-Indy Lights, da Champ Car. Agora, aos 36 anos, vem buscar o sucesso pilotando caminhões. Seu discurso é o da cautela, da necessidade de aprendizado e adaptação. Quem já o viu em ação, à revelia das limitações que ele próprio manifesta, aposta em mais.

Ganha muito, a Fórmula Truck, com a chegada de um sujeito do quilate de Cristiano da Matta. E “não tenho sotaque” é sua frase mais divertida, recorrente em suas manifestações. O sotaque denuncia-lhe a origem mineira às primeiras sílabas.

Nossas modas

Tenho enchido o pacová de todo mundo que passa por aqui ou que segue o perfil @lucmonteiro no Twitter com as histórias de Luc & Juli, a dupla formada por mim e por minha esposa. Principalmente na semana passada, quando fizemos nosso primeiro show com banda, no Square Bar.

Atendendo aos pedidos, que não foram tantos assim, vai aqui o primeiro de uma pequena série de vídeos de produção amadora feitos naquela noite de 10 de fevereiro. Para os menos afeitos à causa, a música é “Estrela cadente”, gravação original de Victor & Léo.

E o aviso do dia aos leitores do BLuc: preparem-se ou fujam. Nos próximos dias, vou postar mais algumas coisas do gênero aqui.

Sensação estranha

Hoje, dei uma passada pelo jornal O Paraná. Fui dar um alô aos amigos, e são muitos, afinal de contas vivi quase uma maioridade lá dentro, conforme contei semana passada nesse post aqui.

Não que houvesse tempo sobrando. Afinal, há muito trabalho a fazer, embora sempre responda a quem pergunte que ainda não voltei a trabalhar, e também muitos afazeres menos nobres na lista, coisas como providenciar um eletricista e um encanador para reparos aqui em casa, efetuar uma cobrança, deixar o terno na tinturaria, pagar algumas prestações, fazer uma aposta na Mega Sena de 50 milhões – essa ficou para amanhã, a fila na casa lotérica estava enorme.

Mas me senti convidado a despender algum tempo com a galera do O Paraná. À qual incorpora-se, também, a do Hoje, outro jornal aqui de Cascavel, os dois pertencem ao mesmo grupo e desde o ano passado dividem as mesmas instalações na rua Pernambuco.

Agrada-me, por um lado, o modo como sou tratado lá na redação. Fica nítido o carinho a mim conferido pelos ex-colegas, ainda amigos. É patrimônio puro. Por outro lado, traz estranheza o nível quase reverencial (essa palavra existe?) que percebo nesses esporádicos contatos.

Talvez fosse o caso de observar com mais isenção, com mais atenção. Mas, a cada vez que passo por lá para tomar um café e filar um cigarro de alguém – eu sempre os tenho comigo, mas filar cigarros no jornal era um esporte aprazível e nada dispendioso a outrem, visto que os meus ficavam à disposição dos dedos alheios -, percebo que meu pessoal, que continua sendo meu pessoal, anda mais sisudo. Talvez falte algo por lá, quisera fosse algo que eu pudesse levar em troca dos cigarros e do cafezinho.

Gosto de ver e rever os amigos, e me faz bem quando os vejo bem. Hoje, de maneira especial, saí de lá com uma sensação estranha, apesar dos sorrisos e da descontração contida – embora deva concordar que descontração seja algo incompatível com um ambiente de trabalho. Sensação muito estranha.

Coisas da idade, espero.

O diploma existe!

Dia especial, ontem, para a última turma do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo da Unipar em Cascavel. A colação de grau, a bênção oficial para que todos que ali despenderam quatro anos de suas vidas possam exercer seu jornalismo sem que nenhuma entidade de esquerda venha lhes encher os pacovás. Todos formados, enfim.

Bacana ver os semblantes emocionados da garotada. Sim, garotada – para variar, sou o mais velho do time que subiu ao tablado ontem para os praxes. Professores mesclavam expressões de satisfação e orgulho com olhos marejados, também. Julliane, laureada, não conseguiu evitar a voz embargada no pronunciamento que fez em nome da turma. Havia apostado que não se emocionaria, perdi. José, Antonio e Juliana foram alguns dos que flagrei às lágrimas. Não chorei, não me emocionei, não devo ser uma pessoa normal.

Batizada com o nome de Jean Paterno, exímio jornalista, professor e roqueiro, a turma de Jornalismo, posicionada à direita na foto, dividiu a cerimônia com Estética e Cosmetologia. Colaram grau, dispostos por mera ordem alfabética, os bacharéis Aline, Antonio, Camila, Cassiane, Crislaine, Daniela, Edilaine, Edimar, Fabiana, Francielly, Hermann (que manteve seu padrão e chegou atrasado), Janaí, Jaqueline, José, Julian, Juliana, Julliane, eu, Nina (o primeiro nome é Maria), Marina – que ontem eu chamei de Michelle, mas sei que ela não vai ficar brava -, Mirielly, Oniodi, Rafaela, Roberto Carlos, Silvana (também atrasou e preocupou todo mundo), Thaís, Thayanne, Tiago e Pâmela (ficou por último porque também tem primeiro nome, que prefere não usar).

Sem contar o Rony, parceiro dos bons, levou o curso até o fim, participou dos trabalhos de conclusão e tudo mais. Marcou presença ontem, embora tenha de esperar mais um ano. Por força de seus princípios religiosos, não frequentava as aulas das sextas-feiras e ficou preso em uma matéria. Repô-la-á em outra instituição. Guaracy e João “Asa Negra” não deram as caras, nem sabia que tinham deixado pendências junto à grade.

Enfim, a faculdade acabou. E há quem vá atrasar a devolução das becas, exigida para hoje, e usá-las como fantasia de Carnaval. E semana que vem todos – ou quase – voltam a se reunir na tão esperada festa, vai ser no Parque de Exposições. E depois disso, cada uma dessas 29 pessoas vai dar um rumo diferente à sua vida. Alguns vão para longe daqui trabalhar como jornalistas, outros ficam por aqui atuando em áreas distantes do jornalismo, e as combinações de destinos dessa turma, a última, vão oferecer diversidade.

O contato vai-se dissipar e vão restar as lembranças, boas ou ruins, ou ambos, de quatro anos que marcaram nossas vidas. Que todos cumpram os propósitos e atinjam o sucesso citados no juramento e nos discursos de ontem.

Os anos de faculdade me permitiram conhecer pessoas especiais, gente nota dez, isso não tem preço.

Meus cumprimentos a todos, claro.