Vinte momentos

CASCAVEL – Nos 20 anos da Fórmula Truck, tomei um bloquinho de rascunho e rabisquei ali vinte momentos da história da categoria. Uma seleção minha, bem pessoal, que não tem a pretensão de apontar os atos mais importantes dessas duas décadas. Um deles, e acho que esse faria parte da lista de top-20 de qualquer um, foi o fogo no caminhão de Mad Macarrão em Interlagos.

Será que mais alguém teria 20 momentos da história da Fórmula Truck para relacionar? Meus rabiscos estão no site da categoria, que se prepara para a terceira etapa de 2015, marcada para dia 17 em Londrina. Para ler, basta clicar nesse link aqui.

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NOVA SANTA RITA – Cheguei agora há pouco ao Velopark, onde a agenda do fim de semana – o meu, pelo menos – terá foco na segunda etapa da Copa Petrobras de Marcas.

Mas a passada pelo blog agora é para avisá-los de que a programação da Band neste domingo contempla a exibição das corridas que compuseram semana passada em Mogi Guaçu, no Velo Città, a segunda etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. O programa editado pela Auto+ irá ao ar a partir das 12h30.

Narrei as quatro corridas ao lado de dois sujeitos que também estão por aqui, ainda não os vi: Júlio Campos, que disputa a Stock Car, foi o comentarista nas corridas da categoria Challenge, função que na Cup coube ao Danilo Dirani, piloto do Brasileiro de Turismo – Stock e Turismo também têm suas corridas no Velopark durante o fim de semana, bem como a Fórmula 3 Brasil.

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SPRINT RACE CURITIBACASCAVEL – A foto, belíssima, foi produzida pela Cíntia Azevedo no último domingo, durante a segunda etapa da Sprint Race Brasil, em Curitiba. A etapa será apresentada em VT compacto hoje, a partir das 19h30, pelo Bandsports.

Haverá reapresentações no início da madrugada, à 1h30, e pela manhã, a partir das 8h30. Eu narro.

Porsche GT3 Cup em Cascavel!

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CASCAVEL – O ano era 2009, meu primeiro lá dentro do campeonato, o palco era a parte de trás da área de boxes do finado autódromo de Jacarepaguá. Eu conversava pouco com o patrão naquela época, mas durante um café arrisquei perguntar sobre a possibilidade de uma etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil cá no autódromo de Cascavel. A resposta foi uma sonora gargalhada, e por um bom tempo não voltei ao assunto. Tinha perguntado por falta de coisa melhor a dizer à mesa, mesmo. Tinha plena ciência de que, na situação de então, o autódromo daqui mal tinha condição de receber os eventos regionais que abrigava a cada mês.

Aí saiu um plano de reforma do autódromo, fins de 2011. Comentei a questão com o chefe em Interlagos, durante a última corrida daquele ano. Em vez de uma gargalhada acompanhada de um “esquece!”, ouvi um “se reformarem a gente pode conversar”, acompanhado de certo ar de desdém. Uma evolução e tanto. Passaram-se dois anos e, de autódromo já reformado, foi o chefe quem me chamou à conversa, nos boxes do Velo Città. “Como está Cascavel?”. Poderia ter respondido que vai bem, obrigado, mas sabia que era do autódromo que ele falava e descrevi o que podia, tomando o cuidado de, mesmo puxando deliberadamente a brasa para a sardinha cascavelense, não levantar falso testemunho e não exagerar.

Aí chegou a primeira etapa de 2015, Curitiba, essas conversas sempre acontecem em boxes de autódromos. Essa última, na verdade, transcorreu dentro da van que conduzia o staff ao aeroporto para os devidos voos de volta, mas começou atrás do box número 9. Puxei com o chefe uma conversa despretensiosa – ok, de despretensiosa não tinha nada – e o resultado é que o autódromo de Cascavel será o 11º do mundo a receber as corridas do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. Os outros dez, por ordem cronológica atestada pelo Luiz Alberto Pandini, foram Interlagos, Curitiba, Jacarepaguá, Santa Cruz do Sul, Velopark, Buenos Aires, Estoril, Algarve, Velo Città e Barcelona.

Depois de falar a respeito de Cascavel em tantos autódromos, hoje foi a vez do chefe vir ao autódromo de Cascavel, rascunhar tudo o que fosse possível para começar a preparar a inédita etapa cascavelense do campeonato que acabou de completar dez anos de vida. O chefe foi recebido pelo prefeito, pelo secretário, por nós que gostamos de automobilismo. Viu, mediu, anotou, observou, pitaqueou e confirmou: nossa próxima parada vai ser aqui mesmo.

Vai ser um sábado diferente para o público de Cascavel e região, esse 23 de maio, dia das corridas da terceira etapa – o calendário original reservava Interlagos como sede do evento, a mudança foi necessária como decorrência das obras que acontecem por lá.

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Na íntegra: Porsche GT3 Brasil 2015, 2/9

CASCAVEL – Agilidade pura da produção do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, que já disponibilizou na internet a íntegra das quatro corridas que compuseram, no último sábado, a segunda etapa da temporada, no Velo Città.

Sem mais delongas, então, revejamos as duas corridas da categoria Cup, que deram a liderança isolada do campeonato ao Miguel Paludo. As provas foram transmitidas ao vivo pelo portal Terra. Narrei-as tendo o Danilo Dirani, piloto do Campeonato Brasileiro de Turismo, como comentarista.

A categoria Challenge inscreveu nome novo na galeria de vencedores. As duas corridas da etapa, em que atuou como comentarista convidado o piloto Júlio Campos, da Stock Car, seguem também na íntegra.

E vamos em frente, que a semana é de atenção ao Campeonato Brasileiro de Marcas, com etapa no Velopark, mas o Porsche GT3 Cup continua ocupando a agenda.

Há 30 anos

CASCAVEL – Novidade para ninguém, mas faz 30 anos, hoje, da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1. Não tenho a pretensão de reviver os momentos daquele domingo de 1985, até porque à época não dava a mínima bola para corridas de carros. O que lembro bem daquele domingo é que foi o dia da morte do seu Otávio, caminhoneiro amigo da família. Um acidente na estrada, foi o que o levou, e foi durante seu funeral, um tanto tarde da noite, que soubemos, meus pais e eu, que Tancredo Neves também havia morrido.

Vi aquele GP de Portugal pela primeira vez há coisa de dois ou três meses, numa manhã de sábado em que a Juli havia viajado para um show com sua banda. Tenho impressão de já tê-la compartilhado aqui no blog. De qualquer modo, sei de gente que vai querer ver de novo, em reverência à data redonda. Ei-la, pois, na transmissão da Globo, narrada pelo Galvão Bueno, que exultou o resultado com a efusividade que lhe é marca registrada e testemunhou que “uma coisa apenas se fala hoje na Fórmula 1: do talento fantástico, da incrível capacidade de conduzir um automóvel que tem esse garoto”.

Estive no Estoril pela primeira vez quase 26 anos depois daquela vitória encharcada e vi que os portugueses nutrem certa devoção pelo piloto. Não tanto quanto japoneses e brasileiros, acho que nessa ordem, mas existe no autódromo uma espécie de santuário de Senna. Durante aquela viagem tentei mostrar um pouco do que vi na série de posts “Pastéis de Belém”, de uma época em que me dedicava um pouquinho mais a este blog.

“O filho do Dener”

PORSCHE CUP 1 CASCAVEL – Não, o título que você leu não trata de nenhuma analogia boba ao campeonato que o Dener criou. Eu já explico. Antes, que se esclareça: essas linhas beiram a fraude por vários motivos.

Primeiro, por ser um texto relativo a uma data e escrito na véspera. Segundo, porque não estou em Cascavel, como indica o início da postagem. Enquanto vocês meia dúzia que me leem passam por aqui, estou em algum ponto do trajeto rodoviário que vai me levar a ver o noticiário do fim da tarde em algum hotel do interior paulista, que ainda nem sei qual é, do caminho ligo para alguém e pergunto – escrevi antes por saber que estaria na estrada, as ferramentas de postagem programada do blog ajudam bastante nessas horas. Terceiro, porque escrevo sobre um momento que não vivi, do qual sequer estive perto ou tomei conhecimento em tempo hábil.

Mas há um fato, e esse merece registro. Hoje, 16 de abril, o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil completa 10 anos. Foi nesse dia, em 2005, que 11 carros alinharam em Interlagos formando o primeiro grid da história da categoria – seriam 12, mas Omilton Visconde Júnior foi impedido pela agenda pessoal de tomar parte da etapa inaugural. Totó Porto ganhou as duas corridas da primeira corrida da história, num grid formado basicamente por carros brancos, que a muitos pares de olhos pareceu ser uma maluquice monstruosa do Dener Pires e do Beto Keller – nunca conheci o Beto.

Chega a ter simbologia eu programar isso aqui para ser publicado enquanto estou na estrada a caminho de Mogi Guaçu justamente para a narração de uma etapa do Porsche GT3 Cup, corridas que vão acontecer no sábado e serão transmitidas ao vivo pelo portal Terra. É o sétimo ano em que estou com a rapaziada da categoria. Nunca sequer tinha visto uma corrida quando em 2009, durante a etapa brasileira do WTCC, um rapaz veio falar comigo, era início da tarde de domingo e eu estava com uma fome gigantesca – almoçar em domingo de corrida é utopia. “Você é o locutor? Prazer, eu sou o Dener, do Porsche Cup”, ele se apresentou. Minha reação foi a mais imbecil que o momento poderia comportar: “Você deve ser o filho do Dener. Leio sobre o Dener desde que era moleque”. Eu, no lugar do Dener, teria me mandado à merda, mas ele é um tanto mais polido que eu e deu sequência à conversa.

Trabalhei como locutor de arena nas cinco primeiras edições do WTCC no Brasil contratado pelo Toninho de Souza, todas elas aconteceram em Curitiba, aquela era a quarta e tínhamos os Porsche na programação preliminar pela primeira vez. “Meu narrador acabou me deixando na mão e vi que você já conhece todos os pilotos”, foi como ele abriu o convite para eu trabalhar com ele – era convite válido para um dia, em princípio. Na verdade não conhecia piloto algum – tinha, sim, decorado os nomes pela cor e pelo número de cada carro, é isso que um narrador faz. A ideia inicial dele jamais funcionaria: providenciar a gravação da narração para o público do autódromo e usá-la na edição para o programete que mostraria a etapa em compacto na Band, apenas para São Paulo. Já tinham acontecido, naquele dia, uma corrida do Porsche Cup e uma do WTCC, eram duas de cada no evento. “Você já gravou a primeira?”. “Não, mas na primeira a gente dá um jeito depois”, ele respondeu. Sugeri que abortasse a ideia e que esperássemos o evento terminar para tratar do assunto com a devida ponderação, falo sob o ponto de vista técnico.

Assim foi feito. Evento encerrado, fomos nós dois para o ônibus da Master TV. Jorge Guirado estava por lá e assinou atrás do meu cheque. “Dener, sai do vício de sempre a põe sangue novo. O Luc pode não ser o cara que você procura, mas eu no seu lugar colocaria gente nova nesse microfone. Seu campeonato está crescendo”, falou, enquanto descia as escadas do ônibus para voltar a Cascavel. “Luc, a coisa está na sua mão”, arrematou, já lá de fora.

Enfim, narrei o VT das duas corridas na íntegra, que alguém editou depois para caber no horário que o Dener tinha na Band paulista. Nunca vi essa transmissão. Dener e Max Wilson foram os comentaristas. “Como é que o cara pilota tanto com esse tamanho?”, era o que eu pensava olhando o Max, nanico como eu e com quem obviamente ainda não tinha amizade. Eu saber quem era o piloto quando aparecia a imagem do carro impressionou o Dener; para mim era coisa normal, esse tipo de trabalho depende disso, como já comentei. “Vi que você ligou pra sua família avisando que não iria embora hoje, não tenho como agradecer por isso, mas obrigado mesmo”, disse o Dener, depois da nossa gravação, e me impressiona lembrar com tamanha precisão de tudo que aconteceu naquele dia, coisas que não significam nada a ninguém. Estava feliz por ter ajudado. “Quanto te devo?”, ele arrematou. Deve? Como assim, deve?

Não fazia a menor ideia de quanto o Dener me devia, até porque não devia nada; ele apresentou uma situação, a do narrador que o deixou na mão, sei lá quem era, eu respondi que o socorreria. Não pensei em cobrar; honestamente, não imaginei que aquela conversa avançaria além daquele domingo. “Não deve nada, imagine”. “Não combinei antes e agora estou na sua mão”, ele respondeu, rindo, “mas faça um preço justo e se programe para estar em São Paulo na data tal, tenho outra etapa nesse dia”, arrematou. Max viu que eu não tinha ideia de quanto pedir e que o Dener não quis pôr preço no que eu havia feito e interveio, coberto de razão: “Dou uma sugestão: pensem no assunto e resolvam por telefone amanhã”. Assim foi feito. Sim, e recebi um cachê por isso.

Me estendi até demais para descrever minha entrada na categoria, devo ter aborrecido você que leu até aqui, mas confesso que a cada linha fui revivendo as cenas e os momentos daquele domingo, do dia em que falei ao “filho do Dener” para ficar tranqüilo que não o deixaria na mão sem pensar em receber dinheiro em troca por isso. E foi ali que começou essa nova fase do meu trabalho, e hoje vivo de narrar corridas do Porsche GT3 Cup e de outros campeonatos também. O Dener não sabe, mas eu vivia um turbilhão profissional naquela época em que nos conhecemos. Fazia três ou quatro meses que tinha tomado um pé na bunda no jornal onde trabalhava depois de 17 anos de casa – a direção havia mudado pouco tempo antes e os pensamentos meus e dos novos donos não eram exatamente compatíveis –, não sabia direito como repor aquela rotina e aquela renda, estava literalmente procurando um rumo na vida.

O “filho do Dener” me deu esse rumo.

*** (Quando comecei a escrever isso aqui, a ideia não era abrir o meu querido diário como acabo de fazer, mas falar do campeonato, que cresce ano a ano, que ganhou o Brasil e o mundo, que já teve suas corridas em Interlagos, Jacarepaguá, Curitiba, Santa Cruz do Sul, Velopark, Buenos Aires, Estoril, Algarve, Barcelona, Velo Cittá, e mais novidades vêm por aí; a ideia era comparar o que vi em 2009 com o que temos hoje em cada evento, lembrar algo legal das jornadas às barbas da F-1, do WTCC e do WEC, falar da criatividade do Dener e da impressionante capacidade dele de pensar em um monte de coisas ao mesmo tempo e dar resposta a todas elas; a ideia era falar de um monte de coisa, enfim. Peço minhas desculpas a quem veio aqui imaginando que seria esse o conteúdo. A esses, indico o bom blog do parceiraço Luiz Alberto Pandini, jornalista que esteve junto do Porsche GT3 Cup desde o início e que há de esmiuçar esses contextos com o conhecimento de causa que só ele tem. Acabou sendo até melhor.) PORSCHE CUP 2