#GoldClassic em dois grids

20160320_327_RodrigoRuiz_04866.jpg

Março de 2016, em Curitiba, na última vez em que equipes de várias partes do país se reuniram para um torneio extracampeonato. A farra em Cascavel na #GoldClassic vai ser bem maior.

CASCAVEL – Vocês que me leem vão lembrar que, nesse post do fim de maio, eu disse que por força das regras não passaríamos de 40 carros no grid da #GoldClassic. Bem, eu estava errado. Apesar da Federação Paranaense de Automobilismo nos ter instruído sobre ser esse o limite para corridas no formato do nosso torneio de clássicos e antigos em Cascavel, a coisa tomou uma proporção que num primeiro momento assustou.

A #GoldClassic, para quem não sabe, é um minitorneio que vai integrar, entre 16 e 18 de novembro, a programação da 32ª Cascavel de Ouro, no Autódromo Zilmar Beux, cá em Cascavel. Como não temos pelas bandas de cá nenhum equivalente da categoria Classic Cup, a partir do momento em que o promotor Edson Massaro autorizou a abertura de espaço para a competição dos antigos em Cascavel, fomos atrás dos pilotos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo, de Minas Gerais, do Paraná – justiça seja feita, vários deles, atraídos pela notícia de que haveria a competição, é que vieram atrás de nós. E foi questão de dias para rompermos, com boa sobra, o limite de 40 carros.

Numa situação dessas, o que fazer? Como são sete as classes em disputa, a solução que formatamos foi a divisão do grupo em dois grids. Um deles, mais forte tecnicamente no que diz respeito ao potencial dos carros, vai reunir os participantes das classes Força Livre, GTS, GTL e Turismo Super. O outro, de menor velocidade e – ao que me parece – maior competitividade, terá as classes Turismo Light, Fusca Cup e Speed Fusca, esta última baseada no regulamento do Campeonato Metropolitano de Londrina, de onde vêm maioria dos inscritos.

Haverá boxes para todo mundo da #GoldClassic no autódromo?, é o que têm me perguntado praticamente todo dia. Não, não haverá. Para ninguém, aliás. Como a Cascavel de Ouro e a Sprint Race Brasil vão ocupar todos os 27 boxes disponíveis, desde o início sabemos que os belos exemplares do grid serão acomodados em tendas fechadas distribuídas pela área de boxes, a partir de um mapa que já estamos estudando com método e com carinho. E se o novo limite estourar de novo? Bem, agora não há mais o que fazer. O máximo para cada um dos grids é mesmo de 40 carros.

A situação me faz lembrar de uma senhora que anda um tanto esquecida. Afinal de contas, estipulamos a meta, atingimos a meta e dobramos a meta. Abaixo deixo um álbum de fotos de algumas das máquinas que vão compor os grids da #GoldClassic, em novembro. Abaixo das fotos, a lista dos participantes já confirmados. É essa a lista que vou atualizando conforme novas adesões forem confirmadas.

 

1 – Neno Oliveira (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes (Speed Fusca)

2 – Deninho Casarini (SP), VW Puma/Casarini Racing (GTS)

3 – Niltão Amaral (RS), VW Passat/Brazauto Racing (Turismo Super)

4 – Luciano Cortina (PR), VW Gol/Cortina Competições (Turismo Light)

6 – Dimas Pimenta III/Rodrigo Pimenta (SP/SP), GM Opala/Dimep (Força Livre)

7 – Érico Sávio (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes (Speed Fusca)

8 – Valdir Favarin (PR), Bimotor/Lagarto Competições (Força Livre)

9 – José Newton Ficagna (PR), Ford Escort/Ficagna Competições (Turismo Light)

10 – Fábio Grenteski (PR), Ford Escort/Grenteski Racing (Turismo Light)

12 – César Ferro/Marcelo Rampazzo (PR/PR), VW Fusca/Feinho Racing (Speed Fusca)

13 – José Antonio Sala (RS), VW Fusca/Equipe Sala (Força Livre)

14 – Geraldo Mesquita (MG), VW Passat/Greff Motor Club (Turismo Light)

15 – Ademar Fedrigo/Luiz Gehring (PR/PR), VW Fusca (Speed Fusca)

16 – Dimas Pimenta II/Alex Dimas (SP/SP), GM Opala/Dimep (Força Livre)

18 – Douglas Speto (SP), VW Voyage/Spirit Race (Turismo Light)

19 – Paulo Cury (SP), VW Passat/Cassarini Racing (Turismo Super)

20 – Denísio Casarini (SP), Porsche 914/Casarini Racing (Força Livre)

21 – Léo Freitas (MG), VW Puma/Greff Motor Club (GTS)

22 – Joacir Alves (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

23 – Beto Haus (PR), VW Gol/Cortina Competições (Turismo Light)

29 – Jorge Mansur (MG), VW Fusca/Greff Motor Club (Speed Fusca)

31 – Fábio Manstelle (PR), GM Chevette/Manstelle Competições (Turismo Light)

32 – Reinaldo Cangueiro (SP), VW Karman-Ghia/Casarini Racing (GTS)

33 – Beto Lacombe (RS), VW Gol BX/Lacombe Motorsport (Força Livre)

35 – Marcos Sommer (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)

37 – Giovani Almeida/Alê Peppe (SP/SP), Ford Corcel II/LF Preparações (Turismo Super)

39 – Cleiton Krause (RS), Fiat Uno/Castelo Pack (Turismo Super)

41 – Ike Nodari (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)

44 – Guilherme Fubá (MG), VW Puma/Greff Motor Club (GTS)

45 – Marcelo Tizzot (PR), VW Fusca/Tumiate Competições (Speed Fusca)

46 – Edson Massaro (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

47 – Fred Mesquita (MG), GM Chevette/Greff Motor Club (Turismo Light)

49 – Marcelo Pacheco (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)

53 – Milton Borges Vieira (PR), VW Voyage/Poliservice (Turismo Light)

55 – Estevam Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

63 – Miguel Galli (PR), VW Fusca/equipe a definir (Speed Fusca)

66 – Luc Monteiro (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

69 – Fernando Brock (RS), Bianco S/Eltz Racing (Turismo Light)

73 – Flávio César (MG), GM Chevette/Greff Motor Club (Turismo Light)

74 – Fabiano Schneider (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)

77 – Thiago Perez (SP), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

83 – Antônio Pitta Neto (CE), VW Passat/Spirit Race (Turismo Super)

84 – Miguel Beux (PR), Avallone-Chevrolet/Beux Competições (Força Livre)

88 – Júlio Saravy (PR), VW Fusca/Julião Racing (Speed Fusca)

99 – João Cury (SP), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

119 – Rodrigo Conti/Maurício Gonçalves (SP/SP), M.I. Motors Performance (Turismo Super)

121 – Fábio Mestre (PR), VW Fusca/equipe a definir (Speed Fusca)

131 – Alessandro Pedone/Rodrigo Bonora (RS/PR), Bonora Racing (Força Livre)

133 – Duda Weirich (PR), VW Voyage/Weirich Competições (Turismo Light)

145 – César Cardoso/César Cardoso Júnior (RS/RS), Miúra Targa (GTL)

147 – Jeff Foitte/Anderson Rieper (SC/SC), VW Gol/Devassos Racing (Turismo Light)

173 – Marcelo Fortes (SP), VW Passat/LF Competições (Turismo Super)

188 – Cleber Fonseca (PR), Ford Escort/Fast Racing (Turismo Light)

202 – Gelson Veronese (PR), VW Apollo/Sete Motorsport (Turismo Light)

211 – Rodrigo Pupo/Clifford Jelinsky (SC/SC), VW Fusca “Zé-do-Caixão/Devassos Racing (Turismo Light)

233 – Manoel Salgueiro (MG), VW Passat/TSS Racing Team (Turismo Light)

302 – Leovaldo Petry (RS), Ford Maverick/Project Motorsport (Força Livre)

333 – Tony Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

538 – Nenê Finotti/Marcelo Caslini (SP/SP), Porsche 550/LF Preparações (GTS)

666 – Luiz Carlos Preto (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

777 – PH Costa/Rodrigo França (PR/SP), VW Voyage/Red Foot Racing Team (Turismo Light)

888 – Júnior Herzog (PR), GM Chevette/Auto Molar (Turismo Light)

899 – Alexandre Martins/Adriano Martins (SC/SC), VW Gol/AVM Racing (Turismo Light)

911 – Ronaldo Cesar Silva/Renan Silva (PR/PR), VW Voyage/Ronaldo Racing (Turismo Light)

Anúncios

Na íntegra: Porsche Carrera Cup 2018, 4/9

CASCAVEL – De volta ao lar, e antes que fique tarde, eis aqui as corridas que compuseram ontem a quarta etapa do Porsche Império Carrera Cup e do Porsche Império GT3 Cup, em São Paulo. O VT reproduz a transmissão ao vivo que o evento teve nas plataformas digitais mantidas pela categoria, com imagens da Master/CATVE, narração minha, comentário do Tiago Mendonça e reportagem da Theodora Gouveia.

É necessário que se diga. Alguns dos resultados que anunciamos ontem, ao término das corridas, passaram por modificações a partir da análise que os comissários desportivos fizeram dos incidentes de pista. Está tudo explicadinho no link a seguir, do site da categoria.

As corridas da Carreca Cup, considerando o vídeo postado abaixo, têm sua transmissão iniciada a 3min20s e a 3h59min54s. No caso da GT3 Cup, essa atenção começa a 1h06min45s e a 5h06min08s – no caso desta última prova, uma pane qualquer nos sistemas da internet acabou derrubando a transmissão, motivo pelo qual a equipe de produção do campeonato já está providenciando a devida postagem no YouTube – que será incorporada aqui tão logo esteja disponível.

Foi o terceiro evento consecutivo da categoria no autódromo de Interlagos, por efeitos de circunstâncias bastante atípicas. A segunda, em abril, já estava agendada para lá, mesmo. A terceira, no mês passado, foi inicialmente programada para Goiânia, mas as obras de reforma no autódromo do Centro-Oeste forçaram uma readequação. A de ontem, pelo calendário original, aconteceria em Thermas de Río Hondo, aquele fantástico paraíso argentino das corridas de carros e de motos. Só que a operação logística para uma corrida fora do país, tarefa com que o Porsche Cup Brasil já está até habituado, esbarraria nas consequências da paralisação que os profissionais do transporte rodoviário fizeram no fim do mês passado. Esperar as coisas voltarem à normalidade era uma incógnita à época e poderia culminar no cancelamento do evento. Era melhor garantir a etapa, e a opção mais correta para isso seria realocar as corridas em sua data original, novamente em Interlagos.

Agora damos uma pausa no campeonato das corridas curtas para, como diz o Mendonça, “virar a chavinha”. O quinto evento do calendário, no dia 27 de julho, vai abrir a terceira temporada do Endurance Series, com uma corrida de três horas de duração. Em Interlagos, como previa o calendário desde o início.

Na pista, os 70 anos da Porsche

70 ANOS 1

A invejável frota do Porsche Cup Brasil voltou a ocupar Interlagos na tarde de ontem, numa disposição atípica e histórica para celebrar as sete décadas de história da marca. Fotaça do Luca Bassani.

SÃO PAULO – Quando seis anos atrás o Dener Pires fez acontecer uma ideia quase maluca que lhe ocorreu rabiscando guardanapos durante um almoço, decretei: você nunca vai conseguir superar essa. Afinal, ficou fantástico resultado da produção que levou o Porsche GT3 Cup a escrever em plena reta do autódromo português de Estoril a palavra “Porsche” usando 48 carros da marca – quem não lembra pode ver esse resultado aqui. Muitas outras fotos foram produzidas desde então, e na minha insignificante avaliação nenhuma delas tinha conseguido superar aquele imponente “Porsche” acompanhado da bandeira brasileira no retão estorilenho.

Até ontem. Numa ação alusiva aos 70 anos da Porsche, exatos 70 carros da marca foram posicionados no S do Senna aqui de Interlagos reproduzindo a logo alusiva à marca comemorativa. Uma lista que incluiu exemplares do Porsche 911, do Porsche 356, de alguns outros modelos e, cereja do bolo, o 908/02 Spyder que o próprio Dener posicionou estrategicamente ao fim da ação. Foi um daqueles momentos com a cara e a alma do campeonato que “o filho do Dener” criou, fez crescer astronomicamente e que está em sua 14ª temporada.

Há um vídeo bem bacana, também, mostrando todo o trabalho de produção. Ele pode ser visto no site da categoria, na página do Facebook, no canal do YouTube, também no perfil do Instagram. Dá para baixar o vídeo a partir desse link aqui. Seis anos atrás falei ao Dener não conseguiria se superar na questão da imagem para a foto. Esqueci, na ocasião, de com quem estava lidando.

Meu pódio na estreia

CELIO 5

Um brinde ao Betão Fonseca, ao Wagner Agostinho, ao Pedro Pimenta e a toda a rapaziada da CenterBUS-Sambaíba, em foto do Célio Debes Jr. que vai virar quadro na sala do meu novo apartamento.

SÃO PAULO – Não tenho falado em outra coisa nos últimos dias, mas não tem problema. Vai demorar para cansar de abordar a participação que tive no Mercedes-Benz Challenge em Interlagos, no dia 27 de maio. Muito justo, pois, que eu faça o meu relato protocolar aqui no blog. Menos por achar que minhas impressões interessam a alguém, mais para ter um conteúdo que me permita reviver tudo aquilo daqui a algum tempo, quando outras corridas e fins de semana memoráveis tiverem acontecido. Claro que o VT da corrida, devidamente armazenado na internet, pode rememorar alguns momentos da pista. Aliás, vamos a ele, ao VT da transmissão ao vivo que teve narração do Celso Miranda e comentário do Tiago Mendonça, com imagens geradas pela Master/CATVE.

Quando comecei a correr, quase três anos atrás, usei comigo mesmo a desculpa de que seria um meio de entender melhor o ambiente em que trabalho. Não passava de balela, àquela época. Hoje tem ajudado, sim, e bastante. Vocês não têm ideia do quanto foi possível, em dois dias de atividades de pista, mergulhar a fundo na categoria de que fui narrador por quase cinco temporadas nas transmissões de TV, primeiro pela Rede TV! e, na fase atual, pelo BandSports. A ideia inicial do pessoal da CenterBUS-Sambaíba que me integrou à equipe para esta etapa passou por várias adaptações até o momento da saída à pista para o primeiro treino livre, já na véspera da largada. No fim, consegui me entender bem com o carrinho. Na tomada de tempos, nono lugar entre os 16 inscritos. Nada mau para quem fazia a corrida de estreia em campeonatos brasileiros. Fui o melhor colocado no grid dos seis da equipe, considerando a classe C250 Cup – havia outros três carros alaranjados na CLA 45 AMG Cup, a série principal.

Me entender bem com o carro foi importante, até por ter sido um fim de semana atípico. Os efeitos da paralisação nacional dos profissionais do transporte rodoviário, que refletiu na vida de todo mundo, ecoou no autódromo também, levando a programação da etapa a uma série de readequações. Essa adaptação teve a assinatura substancial do Pedro Pimenta, que nunca havia pisado no box da CenterBUS-Sambaíba, mas que desta vez estava lá, escalado para ser o meu guia. “Coach”, como se convencionou dizer no automobilismo. Vá lá que a paciência de Jó com que ele me mostrou o caminho das pedras durou bem pouco na corrida, já que eu não parava de chama-lo no rádio. “Para de falar e guia, deixa que eu falo!”, esbravejou. Ordens são ordens. Combinamos a estratégia, combinamos a tentativa do pulo do gato, combinamos como seria uma eventual readequação da corrida que havíamos traçado. O Pimenta sabia do meu potencial e das minhas limitações, tinha a exata noção de até onde eu poderia ir com o carro, sabia o que deveria ser feito e dito.

SOUZA 1

Sorte até no número. Meu 66 velho de guerra estava na lista dos números reservados pela equipe. Não podia ser outro para a estréia em Campeonatos Brasileiros. A foto é do Sandro de Souza.

Na corrida, minha preocupação inicial – um erro, vejo hoje – era a de não perder posição para o pessoal que vinha atrás. Teria largado melhor se me preocupasse com quem estava à frente. Mantive a posição, perdendo um pouquinho de contato  com os oito primeiros, o que foi bastante produtivo no início da segunda volta. Um salseiro no S do Senna deixou vários carros atravessados, alguns deles fora de combate. Tinha alguns metros de distância para esse pessoal da frente, foi o suficiente para me permitir desviar da confusão e seguir com minha corridinha. Algumas voltas mais tarde, um momento que não vou esquecer: uma disputa bem acalorada com ninguém menos que o Ângelo Giombelli, o grande Ângelo. Tê-lo como companheiro de equipe nessa ocasião já era algo digno de nota para o meu parco currículo. Trocar posição com ele algumas vezes, os dois sabendo que ficar à frente do outro poderia valer o pódio, foi sensacional. Lembrei do Otávio Mesquita, dez anos atrás, quando disputou posição com Emerson Fittipaldi numa corrida da GT3 e depois da corrida chorou emocionado. Não chorei e nem carreguei na emoção, mas na corrida mesmo fiz minha nota mental: pôr no currículo que tive um pega bem bacana com o Giombelli. Pus.

Cheguei a figurar em segundo lugar, mas isso era por causa da estratégia de parar no último momento em que fosse possível. Vai que entra o safety car e todo mundo já parou… Seria o pulo do gato. Não entrou safety car nenhum, e quando voltei à pista era o quarto colocado. Poderia ter mantido a posição se tivesse compreendido a contento a penúltima mensagem do Pimenta no rádio. Estava três segundos e meio à frente do Flávio Andrade, faltavam seis minutos para a corrida terminar e depois do Flávio não havia ninguém próximo a ponto de ameaçar o nosso pódio, era só trazer o carro para a bandeira quadriculada. Bem, foi essa a mensagem que suponho ter sido passada pelo Pimenta. Com os ouvidos já tão cansados quanto o corpo, só entendi o lance dos seis minutos e o “ninguém perto”, além de algo envolvendo três segundos e meio – não me atrevi a pedir para repetir. Vi o carro amarelo do Flávio pelo espelho e decidi tirar o pé e deixa-lo passar. Pensei que fosse um dos três carros que a equipe dele mantém na CLA 45 AMG Cup. Difícil afirmar que teria me mantido à frente dele, que vinha numa prova de recuperação bem interessante depois daquele quiproquó na segunda volta. Poderia ter resistido e segurado o quarto lugar. Ele poderia ter descontado essa diferença e passado do mesmo jeito. Nunca vou saber. E o Pimenta não sabia disso até agora, vai me matar quando ler.

CONTO 2

É regra: toda vez que a Rita vai comigo à corrida, termino no pódio. Funcionou até no Mercedes-Benz Challenge. Mais um motivo pra ter essa doçura sempre por perto. Foto do Fernando Conto.

Fato é que deu pódio. Sem saber, uma vez que só fui constatar isso já em casa, consultando as minhas anotações, fui o 50º piloto a figurar no pódio do Mercedes-Benz Challenge em oito temporadas da categoria. Números redondos são legais, dão a impressão de potencializar um resultado que por si só, considerando que o piloto era eu e todas as demais circunstâncias envolvidas, foi bom demais. Acabei a corrida como melhor colocado entre os pilotos da CenterBUS-Sambaíba na C250 Cup – a equipe ganhou na geral com o Betão Fonseca e o Adriano Rabelo, que correram em dupla. E poucas vezes veio tanto a calhar minha mania de trazer para as corridas a bandeira de Cascavel. Ela foi comigo para o pódio, conforme mostram as fotos ou as imagens da matéria que a Patrícia Cabral fez comigo para a CATVE. Meu agradecimento a ela e também à Taísa Kisiel e ao Luciano Neves, da TV Tarobá, que me deram uma baita colher de chá no “Tarobá Esporte”.

GUERIN 1

Além do ótimo carro, o pódio foi resultado do trabalho em dupla. O Pimenta são não pressionou os pedais. Importante compreender o funcionamento do coaching. A foto é do capilar Glauco Guerin.

Teve também o ponto negativo do fim de semana – sempre tem um ponto negativo. Que, no caso dessa corrida, foi o toque com o Cello Nunes, da categoria principal. Um cara que conheci lá mesmo, no Challenge, enquanto mostrou uma evolução absurda como piloto em 2017, correndo de C250. Cello disputava posição com o Renato Braga, os dois me alcançaram para pôr volta de vantagem (categorias diferentes, carros diferentes, a diferença de uma volta no fim da corrida é ocorrência normal). Ele esperava uma reação minha, eu contava com outra dele, nenhuma das duas aconteceu e faltou espaço para nós dois na Junção. O Cello rodou por causa do toque e acabou perdendo o pódio que vinha conquistando com muita competência. Fiquei extremamente chateado. Mesmo sem ter a cancha que ele já vem construindo nas corridas, sei bem, aprendi ainda mais nessa corrida, o quanto vale um pódio, levar o champanhe para a equipe. E, conforme ele mesmo afirmou, a rapaziada da equipe dele merecia muito aquele champanhe. Vou torcer de forma especial para que o próximo resultado do Cello compense a decepção que ele teve. Deve ter ficado puto comigo.

ZOIAO 4

Foto feita pelo Vanderley Soares na volta de apresentação. Fui o nono colocado no grid de 16 carros, primeiro entre os que compuseram o esquadrão alaranjado da CenterBUS-Sambaíba na etapa.

A participação no Mercedes-Benz Challenge acabou sendo minha última corrida como integrante da lista de pilotos da WeCredit Racing. São mais de 15 em várias categorias pelo Brasil e pelo mundo, e por sete meses tive a honra de integrar essa lista. Uma parceria que começou com pódio, o décimo lugar geral nas 500 Milhas de Londrina do ano passado, e terminou com pódio, esse bendito quinto lugar em Interlagos. Toda gratidão e simpatia ao Renato Costa, ao Marcelo Gomes e à equipe do Grupo Financial, dono da marca, que me acompanharam em tantos momentos bacanas. Quando a história da WeCredit Racing for contada em livro, vai constar de alguma página que fui o primeiro piloto a conquistar uma vitória para eles no automobilismo, na segunda etapa do Fusca Cup, também aqui em Interlagos. Vinda longa ao time, pois.

Sem muito mais a dizer e bastante coisa para guardar na gaveta das boas memórias, deixo aqui, mais uma vez, o meu agradecimento ao Betão Fonseca e ao Wagner Agostinho, que viabilizaram aquele fim de semana tão improvável quanto aprazível, ao Evandro, ao Carlinhos e a todos os meninos da equipe, que me acolheram com a maior cortesia do mundo, e ao bom Deus que me tem proporcionado tanta coisa bacana. Tomo a saída estratégica pela esquerda deixando uma galeria de fotos dos amigos Celinho Debes, Fernando Conto, Sandro de Souza e Vanderley Soares.

 

 

O grid da Gold Classic

GOLD CLASSIC - VALDIR FAVARIN

O veterano Valdir Favarin voltará a disputar uma corrida, sua primeira com o protótipo Bimotor construído em Cascavel por Deoclides Carpenedo e que está sob seus cuidados há vários anos.

CASCAVEL – Era começo do ano quando sugeri ao Edson Massaro, promotor da Cascavel de Ouro, que incluíssemos um torneio com carros antigos na programação preliminar do evento. Já tínhamos fechado parceria com a Sprint Race Brasil, que vai ter no mesmo dia em Cascavel as duas corridas de sua sétima e penúltima etapa, e a novidade ainda não tinha sido divulgada a pedido do Thiago Marques, que fala pela categoria. Massaro me olhou com desconfiança – compreensível, já que o automobilismo de Cascavel não tem a categoria Classic Cup, isso só seria possível com pilotos de fora e atrair pilotos para um evento numa cidade longe dos grandes centros não tem sido missão das mais fáceis, quem lida com automobilismo sabe bem do que estou falando.

Mas fui autorizado a levar a coisa adiante, sob uma condição: que o grid tivesse um bom número de carros. Não falou nem quinze, nem oitenta; mencionou “um bom número”. Ora, o que seria um bom número? Bem, ao mesmo tempo em que tratava de formatar com o Paulo Nazzari um regulamento técnico que contemplasse todos os carros que há nesse mercado, fui atrás da Federação Paranaense de Automobilismo para saber quantos carros poderia acolher numa competição como essa. Esses limites não são determinados por sorteio ou por palpite, existe uma fórmula para levar a eles, conta quilométrica que contempla praticamente todos os números envolvidos em uma corrida de carros. Quarenta carros, esse foi o limite que a Federação me autorizou a buscar. Quarenta é um bom número.

34107643_1994400860811597_2906534343503511552_n

O Bianco de Fernando Brock, um dos pilotos da Classic Cup do Rio Grande do Sul que estarão no grid da Gold Classic em Cascavel integrando a Turismo Light, classe mais numerosa do torneio.

E lá fomos nós, à moda da casa, atrás de 40 carros aqui e ali para o nosso torneio. Que foi batizado Gold Classic. É a primeira edição, e as duas corridas, cada uma com duração de meia hora e mais uma volta, vão acontecer no dia 17 de novembro, sábado, véspera da Cascavel de Ouro. Antes das corridas, os pilotos vão ter cinco sessões de treinos livres de 30 minutos e mais uma tomada de tempos classificatória de 25 minutos. Quando formatei a programação, pensei de cara nos amigos do Campeonato Paulista, onde às vezes vou correr na classe Fusca Cup da categoria Turismo N, que divide o grid com a Classic Cup. Lá cada etapa tem dois treinos de meia hora, uma tomada de tempos de 25 minutos e uma, só uma, corrida de meia hora mais uma volta. Pessoal de São Paulo vai se esbaldar de treinar e correr em Cascavel, pensei, quando vi a tabela pronta.

Bem, e vai mesmo. Não só o pessoal de São Paulo, como também o de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do próprio Paraná. Ué, mas o Paraná não tem a Classic Cup, como eu mesmo já disse. De fato não tem, mas tem a Speed Fusca, que renasceu em Londrina neste ano fruto de um trabalho muito bacana dos pilotos e equipes de lá. E tem os amigos de Minas Gerais também, que estão se organizando por lá para definirem quantos vão compor a excursão de daqui a cinco meses e meio a Cascavel. E tem mais amigos de São Paulo no mesmo processo. Pelo que foi feito até agora, teremos mais de 40 carros nessa lista. Vamos estourar o limite? Apesar da tentação, não vamos. A Federação não deixaria – coberta de razão, é bom que se diga. Pelo sim, pelo não, o público da Cascavel de Ouro pode se preparar para acompanhar em novembro o espetáculo dos 40 carrinhos excêntricos e seus quarenta e poucos pilotos. Sim, há mais pilotos que carros, uma vez que é permitida a participação em duplas.

GRID GOLD 1 - DENINHO CASARINI (HUMBERTO DA SILVA)

Deninho Casarini, destaque da Classic Cup paulista, virá a Cascavel disputar a Gold Classic com o Puma número 2 de sua própria equipe. Denísio, seu pai, também estará na pista, com um Porsche 914.

A lista dos pilotos que vão participar da Gold Classic segue abaixo, estratificada por categorias. Vou editá-la conforme as coisas forem acontecendo, tal qual tenho feito com a da Cascavel de Ouro.

FORÇA LIVRE

6 – Dimas de Melo Pimenta III (SP), GM Opala/DIMEP

8 – Valdir Favarin (PR), Bimotor/Lagarto Competições

13 – José Antônio Sala (RS), VW Fusca/Equipe Sala

20 – Denísio Casarini (SP), Porsche 914/Casarini Racing

33 – Beto Lacombe (RS), VW Gol BX/Lacombe Motorsport

84 – Miguel Beux (PR), Avallone-Chevrolet/Beux Competições

302 – Leovaldo Petry (RS), Ford Maverick/Project Motorsport

538 – Nenê Finotti/Marcelo Caslini (SP/SP), Porsche 550/LF Preparações

GTS

2 – Deninho Casarini (SP), VW Puma/Casarini Racing

32 – Reinaldo Cangueiro (SP), VW Karmann/Dopamina Racing

21 – Léo Freitas (MG), VW Puma/Greff Motor Club

GTL

43 – César Cardoso/César Cardoso Júnior (RS/RS), Miúra Targa/Fast Racing

44 – Guilherme Fubá (MG), VW Puma/Greff Motor Club

TURISMO SUPER

3 – Niltão Amaral (RS), VW Passat/Brazauto Racing

14 – Geraldo Mesquita (MG), VW Passat/Greff Motor Club

37 – Giovani Almeida/Alê Peppe (SP/SP), Ford Corcel II/LF Preparações

39 – Cleiton Krause (RS), Fiat Uno/Castelo Pack

47 – Fred Mesquita (MG), GM Chevette/Greff Motor Club

78 – Thiago Macedo (MG), GM Chevette/Greff Motor Club

TURISMO LIGHT

9 – José Newton Ficagna (PR), Ford Escort/Ficagna Competições

10 – Fábio Grenteski (PR), Ford Escort/Grenteski Racing

41 – Ike Nodari (SC), Fiat Uno/Bonora Racing

44 – Beto Haus (PR), VW Gol/Cortina Competições

49 – Marcelo Pacheco (SC), Fiat Uno/Bonora Racing

69 – Fernando Brock (RS), Bianco S/Eltz Racing

73 – Flávio César (MG), GM Chevette/Greff Motor Club

777 – PH Costa/Rodrigo França (PR/SP), VW Voyage/Red Foot Racing Team

899 – Alexandre Martins/Adriano Martins (SC/SC), VW Gol/AVM Racing

911 – Ronaldo Cesar Silva/Renan Silva (PR/PR), VW Voyage/Ronaldo Racing

SPEED FUSCA

1 – Neno Oliveira (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes

5 – Jorge Mansur (MG), VW Fusca/Greff Motor Club

7 – Érico Sávio (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes

12 – César Ferro/Marcelo Rampazzo (PR/PR), VW Fusca/Feinho Racing

15 – Ademar Fedrigo/Luiz Gehring (PR/PR), VW Fusca/Grilo Motorsport

45 – Marcelo Tizzot (PR), VW Fusca/Tumiate Competições

666 – Luiz Carlos Preto (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport

FUSCA CUP

22 – Joacir Alves (PR), VW Fusca/Wessler Competições

46 – Edson Massaro (PR), VW Fusca/Wessler Competições

66 – Luc Monteiro (PR), VW Fusca/Wessler Competições

77 – Thiago Perez (SP), VW Fusca/Wessler Competições

OLD DIMAS III

Dimas Pimenta III, um dos integrantes do grid da ascendente Old Stock Race paulista, será um dos candidatos à vitória na classe Força Livre e também na classificação geral da Gold Classic.

Em casa

MB 01

Wagnão Agostinho me ciceroneou a tarde toda na sede da CenterBUS-Sambaíba em Taboão da Serra, aqui do ladinho. E falou pra eu me sentir em casa na equipe. Como se precisasse.

SÃO PAULO – Ontem foi o dia de conhecer a sede da CenterBUS-Sambaíba, minha equipe na etapa deste domingo do Mercedes-Benz Challenge em Interlagos.

O Wagner Agostinho, com sua paciência de Jó, não só me descreveu de cabo a rabo a trajetória da equipe como também falou de alguns dos planos para as próximas temporadas. É uma rapaziada muito bem disposta a fazer história, essa da equipe.

A visita serviu também para o primeiro contato com o #66, meu companheiro do fim de semana. Vamos nos entender bem.

Apadrinhados

MAQUINI EQUIPE

A Maquini Racing, equipe que chega ao automobilismo na Opala 250 e que acabou “apadrinhada” pelo Pedro Pimenta, que tem 32 anos de trajetória nas pistas e lidera a Old Stock Race.

CASCAVEL – O Pedro Pimenta tem um jeito diferente de trabalhar com automobilismo, isso não dá para negar. Tem coisas que ele comenta com a maior naturalidade do mundo, talvez sem se dar conta de que destoa dos ritos do esporte. Como o que me falou agora há pouco, enquanto conversávamos sobre a terceira etapa da Old Stock Race, domingo agora, em que ele vai defender a liderança do campeonato em Interlagos.

O Pimenta simplesmente adotou um piloto – apadrinhou, como ele define. Ok, não chega a ser tanta novidade assim, se levarmos em conta que há muitos pilotos experientes que colocam estreantes sob sua tutela desportiva, a título de trabalho ou de participação no eventual sucesso. Não é o caso de agora. Não há dinheiro envolvido. Ele chegou até a usar o termo “inclusão social”, que não estou certo de ser o mais adequado à situação. De qualquer forma, achei muito bacana.

Bruno Boulle Matrai, o piloto em questão, corre na Opala 250, que é algo como uma classe de acesso à Old Stock Race. Na etapa passada, estava sem box em Interlagos. Pimenta acomodou carro, piloto e equipe dentro do box que já dividia com os outros pilotos de sua equipe, a Motorfast. Feito isso, o que chamou atenção do Pimenta foi o fato do preparador Adauto Faquini, que é tio do Bruno, ser cadeirante. Tem as pernas paralisadas.

MAQUINI BRUNO

Com um quinto e um terceiro lugar, Bruno Matrai ocupa o quinto lugar na classificação da Opala 250. A partir da etapa deste domingo, ele terá a instrução técnica e desportiva de Pedro Pimenta. 

Adauto foi quem construiu de cabo a rabo o carro do sobrinho, o Opala número 222 da Maquini Racing, que Bruno levou a um terceiro e a um quinto lugar nas duas corridas da etapa passada, que teve nove carros na pista. “Dá gosto ver o Adauto trabalhar. Ele pula da cadeira, vai para baixo do carro, mexe em amortecedor, mexe em tudo, o filho ajuda ele a voltar para a cadeira”, foi o que me falou o Pimenta. “Me chateou ver que eles estavam sem box. Lembrei na hora de quando comecei a correr. Daí nasceu a ideia de ‘adotar’ a equipe”, explicou.

A Maquini Racing é equipe nova. Além do Adauto e do Bruno, é composta pela Sílvia Faquini, a responsável por colocar tudo para funcionar, e pelos mecânicos Giovani Faquini, Alexandre Sanghy e Bruno Bastos. “Eles estão começando agora, e vão ficar no mesmo box que eu até o fim do campeonato. Vou procurar ensinar ao Bruno e à equipe a fazerem automobilismo como eu sempre fiz. Coisas de pista, análise de telemetria e de imagens onboard, o marketing e a fidelização dos patrocinadores, o que pode ser feito e como pode ser feito. Acho que tenho muito a contribuir com essa rapaziada”, arrisca o Pimenta. “É uma inclusão social que a WeCredit e o Grupo ODA me dão suporte para levar adiante. Isso me traz uma satisfação pessoal”.

Os carros da Opala 250 rendem 240 hp de potência, um pouco menos que os da Old Stock, que põem nas rodas traseiras cerca de 300 dos 370 cavalos que o motor têm de potência. Bruno está em quinto na pontuação. Com o Pimenta dando pitacos, aposto meus cobres que vai evoluir logo.

MAQUINI ADAUTO

A limitação física de Adauto Gomes Faquini não o impede de responder pela construção e preparação do carro que o sobrinho Bruno Matrai levou duas vezes ao pódio na etapa passada da Opala 250.