Na íntega: Endurance Brasil 2018, 1/7

CASCAVEL – Grid recheado e a chegada de supercarros, tanto GTs quanto protótipos, marcaram a abertura do Endurance Brasil no Autódromo Internacional de Curitiba. A disputa pelo título nacional começou na tarde de 28 de abril, com as Quatro Horas de Curitiba durando até um pouco menos que isso por conta do cair da tarde que, acompanhado da chuva, diminuiu bastante a luz natural.

A corrida foi transmitida ao vivo nos canais de internet do Endurance Brasil, num trabalho que uniu a geração de imagens da Via Satélite, a coordenação do bochechudo Rodrigo Saravalli, minha narração, o comentário do Bruno Monteiro e a reportagem de pista e de box da Juliana Marques – foi a estreia dela na função, inclusive.

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O ano da Ginetta

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Fruto de um projeto arrojado, o G60-LT é a arma da Ginetta para uma meta ousada: superar as marcas já consagradas na prova e vencer no ano de estreia nas 24 Horas de Le Mans

CASCAVEL – Para quem acompanha as principais provas mundiais de longa duração, a notícia do dia ficou por conta da apresentação do G60-LT, modelo de fábrica que a Ginetta vai lançar no automobilismo nas 24 Horas de Le Mans deste ano. A meta da marca inglesa para o evento de estreia não tem nada de modesta: arrebatar a vitória na classificação geral. No Mundial de Endurance, o carro avaliado em US$ 3 milhões terá preparação a cargo da equipe Manor e seus pilotos ainda não estão escalados.

A Ginetta, aliás, espera para 2018 a temporada mais movimentada de sua atuação nas pistas. Não só pela ousada incursão por Sarthe, mas pela difusão de suas ações no automobilismo norte-americano. É o que concluo do rápido bate-papo que tive há pouco com o Adolpho Rossi, brasileiro que vive na Flórida e que que coordena ao lado da esposa Alline – eles dois são pilotos, também – as atividades do Team Ginetta USA. Acompanhei de perto a atividade da equipe quase dois anos atrás, num evento da FARA USA em Homestead. Neste ano as ações vão bem além da liga baseada na Flórida e passa a integrar duas das principais ligas profissionais da terra do Tio Sam.

O campeonato da FARA USA, com sete corridas no ano, vai começar nos dias 17 e 18 de fevereiro, com a Miami 500 Road Racing. Além disso, o Team Ginetta teve seus carros homologados para integrar o grid de duas ligas profissionais. Uma delas é a TransAm, com calendário de 12 etapas, a primeira delas no dia 4 de março em Sebring. Um G55 já está confirmado no campeonato, em que a equipe estreou como convidada no ano passado conquistando o segundo lugar na etapa de Austin, no Circuit of the America, e mais carros deverão ser anunciados nesse grid nas próximas semanas. Outro desafio do time será o Pirelli World Challenge, que terá a primeira de suas 11 etapas, o GP de St. Petersburg, no dia 11 de março. Será o terceiro ano de homologação das G55 na categoria, que integra a programação preliminar das etapas da Fórmula Indy.

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O modelo G55 da Ginetta, que já integrava as disputas do Pirelli World Challenge, está homologado também para a TransAm, depois da estreia com segundo lugar em 2017 no COTA, em Austin.

Além disso tudo tem o trabalho já feito visando participação na NASA, que nada tem a ver com os foguetes alinhados em Cabo Canaveral – é a sigla para National Auto Sport Association, liga de torneios regionais que tem muitas dezenas de eventos por ano. O principal deles é a disputa das 25 Horas de Thunderhill. Ah, essas provas longas… Os protótipos G57 da marca incorporaram, desde o fim da última temporada, as últimas especificações da fábrica para as corridas da NASA e da FARA

Mesmo com mais de 30 fins de semana de corrida agendados, o Team Ginetta prepara edições do Ginetta Day. São eventos de track day em que todos, desde nós simples mortais, terão a oportunidade de acelerar em pistas consagradas até pela Fórmula 1 e pela Indy, casos de Road Atlanta, Watkins Glen, Road America, Mid-Ohio, Barber e Austin.

Na carona da estreia em Le Mans, o Team Ginetta incluiu no pacote de atrativos um item bastante sedutor para quem gosta de corridas: os pilotos da equipe em todos esses campeonatos terão credenciais para circular pela área vip da marca durante as 24 Horas. E tudo isso emoldura a expectativa pelo lançamento do Ginetta de rua, um superesportivo construído de fibra de carbono e equipado com motor Chevy. Haja fôlego! A agenda do Team Ginetta está bem esmiuçadinha no kit de boas-vindas, que está disponível nesse link aqui. Vai ser, repito, um ano bastante movimentado. Imagino que o Adolpho e a Alline possam pôr o Enzo para trabalhar, também. Está com quase um ano, afinal, já está na hora de arregaçar as mangas.

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As unidades do modelo G57 do Team Ginetta, sensação da última temporada nas provas da FARA USA, também estarão em ação nas corridas da NASA.

 

Só brasileiros no Team Ginetta

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Giulio Borlenghi, que na última semana foi ao pódio do Brasileiro de Turismo em Santa Cruz do Sul, busca voltar à liderança do campeonato pilotando o protótipo G57 ao lado de Valter Pinheiro

CASCAVEL – Daqui a pouco tomo o caminho de Santa Cruz do Sul para mais uma etapa do Dopamina Endurance, como comentei dia desses. Durante o fim de semana vou tentar reservar algumas atenções, também, para outra corrida de longa duração, essa um tanto mais longe de casa. É a Memorial 500, quarta etapa da FARA USA, no traçado “infield” do Homestead Motor Speedway. Como sempre, um grupo numeroso de pilotos brasileiros estará na pista.

O quesito brasileiros na pista destaca sempre o Team Ginetta USA, que atua sob a batuta do brasileiro Adolpho Rossi. No caso específico da Memorial 500, que terá largada no domingo às 14h de Brasília para 500 quilômetros ou quatro horas de disputas, apenas gente aqui do país estará no comando dos carros da equipe. O revolucionário protótipo Ginetta G57, que dominou o início da temporada, será pilotado pelo paulista Giulio Borlenghi e pelo carioca Valter Pinheiro. Giulio busca recuperar a liderança da categoria principal, depois da pane que o impediu de completar a última corrida. Valter, para quem não lembra, é o que pilotou um Lotus Evora para nos tempos da finada GT Brasil.

Os outros quatro carros do Team Ginetta USA no grid são o G55. Elias Azevedo, líder da classe 2, retoma a dupla com Ramon Alcaraz. Ésio Vichiese e Maurício Salla estarão juntos em outro G55. Os outros dois exemplares terão duas duplas formadas por pilotos que até o ano passado disputaram o Mitsubishi Lancer Cup – José Berenger/Bernardo Parnes e Carlos Quintela/Vital Menezes. Cássio Homem de Mello, vice-líder da classe, não participa desta corrida.

Adolpho tem dezenas de corridas no currículo, seja como piloto ou como chefe de equipe. A Memorial 500, aposto eu, é a que vai acompanhar com mais expectativa em toda a vida. Não pelos eventos de pista, mas pela chegada iminente do Enzo, seu filho com a também piloto Alline Cipriani. Esperam a chegada do menino para segunda-feira. Se for veloz como o pai e a mãe, pode chegar antes.

Por falar no FARA USA, não dá para deixar de lembrar, também, outro trio brasileiro que estará em ação na corrida de domingo. Marcello Sant’Anna, Sérgio Laganá e William Freire serão os pilotos do Lamborghini da Auto+ Racing.

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Sérgio Laganá, William Freire e Marcello Sant’Anna, todos eles pilotos paulistas, formam o trio que compete na FARA USA com o Lamborghini da Auto+ Racing

 

Dopamina Endurance ao vivo

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Franco Pasquale e Tiel Andrade, com o protótipo MC Tubarão 9 inscrito sob o número 5, venceram as Três Horas de Tarumã na abertura da temporada do Dopamina Endurance

CASCAVEL – Mais um fim de semana de jornada dupla para mim, coisa que já tem sido corriqueira nessa minha agenda maluca. Antes de narrar em Cascavel a etapa de abertura do Campeonato Brasileiro de Turismo 1600, tenho trabalho em Santa Cruz do Sul, com a terceira etapa do Dopamina Endurance.

Vai ser mais uma corrida de três horas. A competição é composta por oito etapas. Seis delas são válidas pelo Campeonato Brasileiro de Endurance, que teve sua abertura com as Três Horas de Tarumã, no fim de março. As duas que não vão contar pontos pela série nacional são a de abril em Guaporé e a deste sábado em Santa Cruz do Sul – o relato das duas pode ser visto ou revisto nesse link aqui, basta acionar a barra de rolagem que as matérias produzidas sobre o campeonato estão todas lá. A sequência da temporada determina a disputa dos 500 Quilômetros de Curitiba, no dia 24 de junho, dos 500 Quilômetros de Interlagos, em 29 de julho, de mais uma edição das Três Horas de Santa Cruz do Sul, marcada para 19 de agosto, dos 500 Quilômetros do Velo Città, em 23 de setembro, e das Três Horas de Tarumã, fechando a temporada na tarde de 28 de outubro.

As Três Horas de Santa Cruz do Sul, no sábado, terão largada às 13h, pelo horário de Brasília. Haverá transmissão ao vivo nas páginas do Dopamina Endurance e da Auto+ TV no Facebook. Quem preferir acompanhar pelo YouTube pode acessar tanto o canal do campeonato quanto o da Auto+, também ao vivo. Narro a corrida ao lado do comentarista JB Rodrigues, ex-piloto que conhece tudo e mais um pouco do automobilismo gaúcho – que é, no fim das contas, a raiz desse campeonato.

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O protótipo MCR Grand-Am Lamborghini V10 da Mottin Racing, que Fernando Poeta e Fernando Fortes levaram à vitória nas Três Horas de Guaporé, segunda etapa do Dopamina Endurance, em abril

Um G57 a mais!

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Os norte-americanos Gar Robinbson e Lawrence Loshak vão correr com um dos G57 do Team Ginetta USA, inscrito sob o número 74. Os demais carros da equipe estarão na pista com pilotos brasileiros.

CASCAVEL – O sempre atrativo FARA USA retoma sua temporada neste fim de semana, com a Sunset 500, em Homestead. É a terceira etapa do campeonato, que teve a primeira corrida em novembro e a segunda em fevereiro – as duas aconteceram no Homestead Motor Speedway. O Team Ginetta USA, liderado pelo brasileiro Adolpho Rossi, dominou tanto a Miami 500 quanto a Homestead 500. O time vem com novidades para a corrida de domingo agora, inclusive.

Um dos Ginetta G57, nova sensação da competição, terá dois norte-americanos como pilotos, graças a uma parceria fechada com a Pennzoil. A marca adquiriu os direitos sobre o carro, que segue com preparação a cargo do time de Adolpho. Gar Robinson, campeão da Trans-Am Series em 2015, e Lawrence Loshak, pentacampeão da SCCA, vão revezar comando do carro durante as cerca de quatro horas de corrida. No outro G57 – sim, agora são dois! – estarão os brasileiros Artur Fortunato, vencedor a corrida do mês passado ao lado de Giulio Borlenghi, e Elias Azevedo. Borlenghi estará em Goiânia participando da primeira rodada dupla do Campeonato Brasileiro de Turismo pela equipe Full Time, do Mau Ferreira.

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O outro exemplar do modelo Ginetta G57 terá os brasileiros Artur Fortunato, vencedor da etapa anterior, e Elias Azevedo como pilotos na Sunset 500, terceira etapa do FARA USA.

Tal qual na Homestead 500, a equipe terá também quatro modelos G55 na pista, na classe MP-2a. Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa buscam em dupla a segunda vitória consecutiva. Ramon Alcaraz, que em fevereiro teve Elias Azevedo como parceiro, passa a formar dupla com Júlio Martini, que no último sábado venceu as Três Horas de Tarumã em sua categoria, a P3, pilotando o protótipo Tubarão 8 em dupla com Marcelo Viana. Adolpho Rossi volta à ativa também como piloto para correr ao lado de Esio Vichiese. O quarto carro será pilotado por Jesse Gröse e Alessio Bellucci. A etapa de 40 dias atrás, aliás, só teve brasileiros no pódio da MP-2a. Vitória de Homem de Mello/Barbosa, com segundo lugar de Alcaraz/Maurício Salla e terceiro de Azevedo/Martini.

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Cássio Homem de Mello foi o quarto da classe MP-2a em novembro, em dupla com seu pai Eduardo, e venceu a corrida de fevereiro ao lado de Ricardo Barbosa, seu parceiro na etapa deste domingo.

Haverá, claro, vários outros pilotos brasileiros em ação em Homestead. Cinco deles vão competir com os Lamborghini da Dopamina Racing. Marcello Sant’Anna e William Freire, que em Viamão conquistaram o terceiro lugar geral nas Três Horas de Tarumã, terão também o Sérgio Laganá como parceiro no comando do modelo RE-X. Adalberto Baptista e Marcelo Franco vão revezar o LP600+. Ah, e a corrida de domingo será a terceira de um calendário de oito. Tem muita história para ser contada até o fim do ano a respeito do FARA USA.

 

A festa foi do Team Ginetta

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O revolucionário G57 que Borlenghi e Fortunato levaram à vitória na segunda etapa da temporada do FARA USA – a primeira aconteceu em novembro. A foto, como todas as do post, são do Chris Green.

CASCAVEL – A correria da semana foi monstruosa e mal tive tempo para cumprimentar devidamente os amigos do Team Ginetta USA pelo excepcional desempenho na Homestead 500, no último domingo. Foi um domínio acachapante, como diriam os jornalistas da época em que eu consumia revistas que falavam de Fórmula 1, ainda na pré-adolescência.

Contando com uma série de pilotos brasileiros, a equipe chegou à segunda vitória consecutiva na classificação geral do Florida Racing Championship, campeonato da FARA USA que tem suas etapas nas pistas de Homestead, Sebring e Daytona. Giulio Borlenghi, que havia conduzido o novo protótipo da marca inglesa à vitória na Miami 500 formando dupla com Mike Simpson em novembro, repetiu o resultado, desta vez ao lado de seu compatriota Artur Fortunato. A dupla, obviamente, também foi a vencedora de sua categoria a FP-1. Sem querer desmerecer o talento do Giulio e do Artur, parece mesmo ser um carro fantástico, o novo G57. Vê-lo em ação nas pistas da nova série brasileira de Endurance seria algo fantástico, não dá para negar.

Bem, saiamos dos devaneios e voltemos à corrida de domingo no Homestead Motor Speedway. Onde não teve para mais ninguém no pódio da classe MP-2a, que acabou formado pelas três duplas inscritas com os modelos G55 do Team Ginetta USA. Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa foram os vencedores da prova, três voltas à frente de Ramon Alcaraz e Maurício Salla, que ficaram em segundo. A terceira posição coube a Elias Azevedo e Júlio Martini. Na classificação geral, os G55 da equipe preencheram da sexta à oitava posição.

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Elias Azevedo, Júlio Martini, Maurício Salla, Ramon Alcaraz, Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa: pódio 100% brasileiro e 100% do Team Ginetta na classe MP-2a da Homestead 500.

Houve mais um carro da Ginetta no grid, o simpático G40 que Ésio Vichiese revezou com o norte-americano Ethan Law. Ésio era o líder da classe MP-4a quando abandonou a corrida por conta de um acidente.

A Sunset 500, terceira etapa do FARA USA, voltará reunir os dezenas de pilotos e equipes da liga norte-americana no dia 2 de abril, novamente no circuito misto de Homestead. A sequência do calendário determina a Memorial 500, dia 28 de maio também em Homestead, a Sebring 500, dia 9 de julho, a Summer Challenge 500, dia 27 de agosto em Homestead, a Race of Champions, dia 8 de outubro em Daytona, e a Miami 500, dia 10 de dezembro.

 

Onze carros e um segredo

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Pilotos e preparadores durante o briefing de ontem à tarde com o diretor de provas Marcus Ramaciotti. O box número 1 poderia estar bem mais povoado, é verdade. Esses trinta e poucos nomes serão pesquisados na história do automobilismo daqui a alguns anos.

SÃO PAULO – Bem, não há segredo algum. Apenas aproveitei o número para estabelecer uma analogia boba com o nome de um filme, coisa típica de jornalista mediano – alguns têm um talento um tanto louvável para esse tipo de trocadilhos, e esse definitivamente não é o meu caso.

Não há segredo, mas há onze carros. Os onze que vão formar hoje à tarde o grid da primeira edição das 8 Horas de Interlagos. Ou Endurance Interlagos, para mencionar o nome correto da prova, que é restrita a carros da categoria Marcas & Pilotos 1.6. O regulamento técnico segue o do Campeonato Paulista, que tem alguma diferença aqui e ali em relação aos de campeonatos como o Goiano, o Mineiro, os Metropolitanos do Paraná e o Gaúcho – embora eu já tenha ouvido que a categoria Marcas 1.6 deixa de existir no Rio Grande do Sul.

Ontem à tarde, durante os treinos livres, vim postando em minha conta no Instagram  os resultados de cada sessão, postagens que eram compartilhadas em outras redes sociais. Eram onze os carros na pista no primeiro treino, e foi desse que participei. Marcelo Costa, Fernando Fortes e Alexandre Papazissis, meus parceiros na prova, fizeram um treino, cada, também. Alguém comentou a postagem no Facebook perguntando se eram só onze carros, e respondi que não, que fomos onze no primeiro treino, mas que haveria mais.

Não é de hoje que venho acompanhando, ainda que de longe, a preparação para as 8 Horas de Interlagos, ou Endurance Interlagos. Precisamente desde julho, quando a realização do evento nos foi anunciada durante o briefing de uma etapa do Paulista de Marcas & Pilotos, da qual vim a Interlagos para participar em dupla com o Caíto Carvalho. Um dos empecilhos enfrentados pelo Interlagos Motor Clube, dilema eterno do nosso automobilismo, esteve atrelado ao calendário sempre dúbio de eventos em Interlagos. Os organizadores só puderam confirmar poucos dias antes do Natal que a corrida aconteceria hoje, 18 de fevereiro. É pouco tempo para se levar a efeito uma corrida de potencial.

Mas fizeram. Contararam pilotos, equipes, parceiros, fornecedores. Formataram uma regra, viabilizaram o apoio da Pirelli para os pneus e da Boxter para um subsídio no combustível, atenderam com paciência de Jó e dedicação de uma mãe a todo tipo de dúvida que apresentamos. Aldo Piedade Júnior, um dos pilotos que participam da prova, prestou algo como uma consultoria ao clube. Eram ele e sua irmã Erika, na verdade, minhas referências para tratar de tudo que fosse relativo ao evento. Na terça-feira pela manhã falei com o Aldo (acho que só eu o chamo assim, tudo mundo diz Júnior). Quantos carros já temos? Eram doze inscrições efetivadas e quase o mesmo número de um procedimento que ele me definiu como pré-inscrições. Largamos com 20?, insisti. Acho que com um pouquinho mais que isso, ele respondeu.

Vim a São Paulo tendo em mente que estaria, em alguns momentos da corrida, dentro de um dos 21 ou 22 carros das 8 Horas de Interlagos. Mas não sabia dos episódios que vinham se sucedendo desde minha última conversa com o Júnior. Por uma série de fatores que se somaram, talvez sem que houvesse um motivo principal, os pilotos começaram a avisar que não viriam para a corrida. Não poderiam. Haveria outro compromisso. O carro não estava pronto. Foram várias as justificativas. Isso acontece bastante, em qualquer âmbito. Causou estranheza, pelo menos a mim, que tenha acontecido por atacado em um prazo de tão poucos dias. Haveria aí algum segredo para justificar o título infame do post? Não sei dizer.

Tenho o péssimo hábito de me imaginar na condição dos outros em algumas situações. Foi o que fiz ontem, me imaginei na posição do Cláudio, do Élcio, do Júnior, da Erika, do Marcão. Materialista que sou, o que me ocorreu prioritariamente nessa suposição foi o balanço financeiro – conheço um pouquinho desse negócio de promover corridas e, mesmo sem acesso a dados, vi com clareza que a prova daria, dará, prejuízo aos promotores. Fosse eu no lugar deles, imaginei, amargaria algumas indisposições, mas passaria a mão no telefone e falaria com piloto por piloto, equipe por equipe, exporia os motivos e cancelaria a corrida, ou adiaria sua realização, sei lá.

Isso se fosse eu. Não sou eu, para alívio dos quase 40 participantes. O Interlagos Motor Clube optou por honrar com tudo com que havia se comprometido. Assumiu todos os custos decorrentes da realização do evento. Aldo Júnior pediu a palavra ontem, ao fim do briefing dos pilotos. Falou em nome dos promotores. Disse que o sentimento era de uma certa tristeza por não termos hoje um grid tão povoado e colorido como todos, eu inclusive, imaginamos alguns meses atrás. Deixou-nos bem claro que dinheiro não é a preocupação para agora, esse a gente trabalha e ganha outro, o sentimento é esse. É o fim de uma história? Negativo. Começa hoje mesmo o trabalho para a segunda edição do evento, que deve sair no começo de 2018. Existe uma expectativa de que para o ano que vem o calendário de eventos seja liberado e definido com antecedência bem maior, não sei exatamente por qual motivo. Pode até ser que a edição seguinte das 8 Horas de Interlagos valha como etapa de abertura do Campeonato Paulista de Marcas & Pilotos, é algo que ainda será discutido com quem de direito.

Imagino, gosto muito de imaginar, que daqui a alguns anos as pessoas que consomem o automobilismo de competição vão pesquisar o início da história das 8 Horas de Interlagos, e nas ferramentas de busca do futuro vão encontrar os onze carros de hoje, com os nomes de seus pilotos, quem terá vencido, quantas voltas terão sido completadas, tudo isso. E os mais afeitos ao tema saberão explicar aos mais novos, que talvez nem tenham nascido, que o começo dessa história foi um tanto complicado, que houve uma série de fatores que acabaram por limar alguns carros do nosso grid, e particularmente devo ficar bastante feliz por saber que meu nome estará lá, na lista do futuro, entre os trinta e tantos que participaram no longínquo 2017 da primeira edição da corrida.

Os promotores honraram seu compromisso para conosco e prepararam uma grande festa. A nós, participantes, cabe apenas honrar nossa presença aqui e fazer da corrida de daqui a pouco exatamente isso: uma grande festa do automobilismo, que vai começar às quatro da tarde e terminar à meia-noite. Algo para ser lembrado no futuro.

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Marcelo, Fernando, Alexandre e eu estamos entre os onze de Interlagos. Vamos revezar esse carrinho aí, o simpático Celtinha da Tuta Racing-Leandro Motorsport. E vamos para o pódio.