Tributo ao Carlinhos

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Carlinhos Andrade em ação com seu icônico Chevette #5 no Campeonato Gaúcho de Marcas dos anos 80. Pioneiro do automobilismo do Rio Grande do Sul morreu no início de abril, aos 66 anos.

CASCAVEL – Carlinhos Andrade foi, é, um daqueles sujeitos que merecem todas as homenagens possíveis pelo conjunto da obra – em seu caso, o homem e o automobilista. E a galera do automobilismo gaúcho preparou uma que seguramente vai emocionar muita gente no fim de semana no autódromo de Tarumã, na segunda etapa da Copa Classic RS.

O Gilmar Carlassara, de Passo Fundo, vai colocar na pista seu GM Chevette adesivado exatamente como o que o Carlinhos pilotou nos anos 80 no Gaúcho de Marcas. Mais que isso, assinou um convite que piloto algum recusaria: chamou o velocíssimo Tiel Andrade, filho do Carlinhos, para formar dupla com ele. Convite feito e aceito, obviamente. O carro tem preparação do também piloto Anderson Baggio, da Baggio Racing.

Foi com um Chevette que Carlinhos se destacou nas pistas de 1982 a 1993, primeiro na Copa Chevette – onde foi campeão em 1983 – e depois no próprio Gaúcho de Marcas. “A realidade naquela época era outra, havia um suporte de patrocínio muito forte, e a cada dois anos o pai montava um monobloco novo e encostava o Chevette anterior”, conta Tiel. “O Gaúcho era até mais forte que o próprio Brasileiro, largavam mais de quarenta carros, os grandes nomes de outros estados vinham correr aqui no Sul também por causa disso”.

Carlinhos Andrade, fundador da emblemática equipe MC Tubarao, foi-se aos 66 anos no início de abril, dia 6. Exatamente uma semana depois de ter combinado comigo em Curitiba que faríamos, ele e eu, alguma corridinha em dupla na pista de Guaporé – onde, aliás, outra homenagem muito legal está sendo preparada para o próximo dia 11, antes de mais uma edição das Duas Horas. Estarei lá.

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O Chevette com que Gilmar Carlassara e Tiel Andrade formarão dupla na etapa de Tarumã da Classic Cup RS, domingo. O carro será devidamente adesivado para ficar idêntico ao da foto acima.

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DNA veloz

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O garoto Mateus com o pai Itacir e o instrutor de pilotagem André Pedralli no Kartódromo Municipal Delci Damian, em Cascavel: a saga da família Sperafico nas pistas continua 

CASCAVEL – A foto foi postada pelo Milton Sperafico em sua conta de Instagram e de lá a extraí sem pedir licença. Mostra o jovem Mateus Sperafico durante uma sessão de treinos no Kartódromo Municipal Delci Damian, cá em Cascavel. A seu lado, fazendo pose, o pai Itacir Sperafico e o piloto André Pedralli, que desenvolve um trabalho voltado ao ensino de pilotagem para jovens kartistas.

Seria uma foto normal, de um entre tantos garotos que iniciam alguma trajetória no kart, não fosse o sobrenome de Mateus. Seu ingresso no esporte frisa uma história que já mereceu menção no Guiness Book. Os Sperafico formam a maior família de pilotos do automobilismo mundial. Conforme o próprio Milton observou, Mateus é o 11º da lista.

A história da família nas pistas de corridas começou ainda no início dos anos 70, com Elói Sperafico. Depois vieram Dilso e Milton. Na sequência, e por pretensa ordem cronológica, os gêmeos Ricardo e Rodrigo, filhos de Dilso; Rafael, irmão de Mateus que perdeu a vida há quase dez anos em um acidente na Stock Car Light, Fabiano, irmão de Elói; Guilherme, filho de Milton; Alexandre e Natan, que são primos ou sobrinhos de todo mundo já citado. A lista de 11, integrada agora por Mateus, não contempla Arley Sperafico, que é piloto de motocross.

De pai para filho

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Edu caiu de cabeça no mundo das corridas há umas quatro décadas. Acabou arrastando o filho Cássio para o mesmo caminho. Hoje e amanhã os dois correm em dupla em Homestead 

SÃO PAULO – Eduardo Homem de Mello é, assumidamente, um dos maiores contadores de vantagens que conheço. Sujeito sem papas na língua para quaisquer situações. “Ranzinza para alguns, polêmico para muitos, insuportável para a maioria, mas acima de tudo um ser humano fantástico!”, segundo a autodefinição que ilustra uma de suas redes sociais. Proclama aos quatro ventos (por que dizem “quatro ventos”?) ser tetracampeão mundial de um campeonato paulista, justificando que ninguém mais no mundo conquistou tais títulos. Faz sentido. Para ele, pelo menos.

Conheci o Edu a partir do trabalho que exerceu por cerca de 15 anos como comentarista nas transmissões da Fórmula Truck. Nunca dividimos a cabine de transmissão da Truck, quando eu cheguei para narrar algumas corridas ele já havia saído, mas já fizemos essa dobradinha de microfones em alguns outros campeonatos. Não tive competência suficiente, nesses anos todos, para me indispor com o Edu ranzinza, polêmico e insuportável. Nem ele e nem eu fazemos questão.

Edu é um daqueles sujeitos que dizem e fazem o que lhes dá na telha. Como piloto de corridas, sempre mandou aplicar a seus capacetes a pintura listrada de François Cevert – no começo do ano, aliás, ele me presenteou com uma das peças de seu acervo particular, é o capacete que protege minha cabeça oca quando participo de uma corridinha aqui, outra ali. Neste fim de semana o Edu realiza um sonho que, sem eufemismos, me causa uma invejinha: vai correr ao lado do filho, Cássio, que foi campeão da DTM Pick-up, além de vice-campeão e recordista de vitórias da Stock Júnior. Lembro de ter narrado participações dele na Stock Car Light na década passada, também. Andava meio afastado das corridas.

Eles vão revezar a pilotagem de um Ginetta G55 durante a programação da Miami 500, no Homestead Motor Speedway, prova válida pela liga Fara USA. Integram o Team Ginetta USA, equipe liderada pelo brasileiro Adolpho Rossi. Correr em dupla com o filho vai tornar o Edu ainda mais insuportável. Paciência, é por uma boa causa.

Há uma porção grande de pilotos do Brasil participando do evento, sei que a lista passa pelos nomes de outros amigos, como Vinicius Margiota, Beto Monteiro e Elias Azevedo, pelo menos. Que todos eles se divirtam bastante. Na próxima eu volto lá para participar da festa com eles.

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O G55 do Team Ginetta USA que Eduardo e Cássio Homem de Mello vão pilotar em Homestead na etapa deste fim de semana do Fara USA

Haja fôlego!

BLOGCASCAVEL – A foto, estilo selfie, mostra o Galid Osman e o Beto Monteiro durante a corrida de duplas que abriu o campeonato de 2015 da Stock Car, em Goiânia. Aquela corrida, em que os dois pilotos obtiveram o 11º lugar, foi só uma das inúmeras oportunidades em que o Beto, competidor regular da Fórmula Truck, experimentou diferentes máquinas de corridas ao longo da temporada.

Não costumo repicar press releases aqui no blog, mas esse – que por sinal e sem melindres fui eu quem produziu – me chamou atenção pelo inusitado do contexto. Karts, monopostos, carros de velocidade na terra, Nascar, vários exemplares de turismo e logicamente o caminhão Iveco de competição estão na lista. A história completa está aqui.

Somos todos uns doidos, os Monteiro. Lobato deve ter sido o mais normal de nós.

Paulo Jardineiro

CASCAVEL – A foto foi postada exatamente um mês atrás no Instagram pelo Sérgio Tavares Filho. Não conheço o Sérgio, sua publicação acabou aparecendo no meu Facebook por obra e graça dos compartilhamentos – levantei apenas que é de Curitiba, visitando o perfil dele. Reproduzo o que o Sérgio escreveu quando publicou a foto.

“Estava na minha caixa de correio. Acredito que o Paulo não tem dinheiro suficiente para fazer cartões de visita, mas tem vontade de trabalhar. Aproveito e faço uma singela publicidade do jardineiro. Não conheço, mas deve ser esforçado e dedicado. Aqui em casa eu tenho uma máquina e faço o serviço. Se precisarem, tá aí.”

PAULO JARDINEIRO

Sabedor do DDD, liguei para o Paulo Jardineiro. Melhor ainda que assinamos a mesma operadora, o telefonema saiu de graça.

Pessoa simples e de bom papo, como eu presumia. Expliquei de cara que o contato dava-se pela mera curiosidade despertada pela foto do Sérgio. “O papelzinho era minha anotação para fazer o cartão, não sei como acabou indo parar na mão do rapaz, e me falaram que ele colocou na internet. O rapaz fez de boa vontade, mas ficou ruim, porque o meu endereço ficou na internet”, foi como reagiu o Paulo – precavido, lancei mão de avançados recursos gráficos para omitir o endereço de seu lar no bairro curitibano Centenário. “Centenário, Cajuru, ali é tudo pertinho”, como me instruiu.

A postagem do Sérgio Tavares no Facebook, de qualquer modo, já rendeu alguma fama ao Paulo. Lógico que não fui o primeiro a telefonar para ele. “Aí me ligaram umas pessoas também, que parece que são de São Paulo, eles fizeram e me mandaram mais de mil cartões. No outro dia teve uma moça que ligou e ofereceu cartões, eu contei que já tinha ganhado e acho que não deveria ter falado isso, acho que ela ficou chateada comigo”, expôs.

Já passado dos 50 anos, o Paulo. Trabalha sozinho? “Não, trabalho com Deus. Trabalhando com Deus, tenho vontade de trabalhar bem”, respondeu, voz mansa. Visita seus clientes de bicicleta, a condução de que dispõe. E chega a tratar de dois jardins por dia, às vezes mais. “Sempre gostei disso, e agora estou fazendo curso de jardinagem na Universal”, contou, orgulhoso. Perguntei o que seria a tal Universal, talvez fosse o Instituto Universal Brasileiro, que eu via nos anúncios dos gibis que lia quando moleque. “É onde eu faço o curso”, falou. Acabei ficando na mesma. “Mas eu sempre mexi com isso, aprendi sozinho. Eu sou um autoditada, sabe?”. Agora sei.

Pude ouvir o sorriso do Paulo Jardineiro por telefone. Parecia que nos conhecíamos desde há muito. Me contou orgulhoso, também, do serviço que fez na casa do seu Cláudio, onde recuperou um serviço mal-feito por outro jardineiro. “O seu Cláudio pagou 400 reais para quem fez, mas não ficou bom, e eu recuperei o jardim dele em um dia. Cobrei 250 reais. Ele me pagou e disse que era o melhor jardim que ele já tinha visto. Veja bem, não sou eu falando isso, foi o seu Cláudio”, fez questão de destacar, para não parecer presunçoso. Não pareceu, aliás.

Você, que é de Curitiba e está precisando dar fino trato a seu jardim, conte com os serviços do Paulo Jardineiro. Mas atenção: ele só faz jardinagem. “Não costumo arrancar mato, não, mas faço uma jardinagem bem feitinha. Gosto de fazer como se fosse para mim”.

A pista e os Baptista

BAPTISTA BRUNO

CASCAVEL – Os Sperafico, aqui da vizinha Toledo, já fizeram por merecer menção no “Livro dos Recordes” como família com maior número de pilotos de automobilismo da Via Láctea. Elói, Dilso, Milton, Rodrigo, Ricardo, Fabiano, Alexandre, Rafael e Guilherme, todos eles tomaram parte de corridas de carros aqui e ali, romperam fronteiras, escreveram uma história bonita e que merece ser contada detalhadamente.

Famílias com pencas de pilotos não são, necessariamente, uma novidade. No Brasil, mesmo, há muitas. Fittipaldi e Piquet estão as de maior rótulo da lista que passa a contar com mais um sobrenome: Baptista. Os Baptista começam a escrever história parecida.

Ricardo Baptista foi campeão do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil duas vezes, em 2007 e 2012. Seu irmão Adalberto também compete na categoria e atua, também, no Mitsubishi Lancer Cup. Saiu da primeira etapa, no último fim de semana, como vice-líder do campeonato – a etapa será apresentada amanhã à noite pelo canal Bandsports.

Bruno Baptista, filho de Adalberto, tem 18 anos e está no grid da Fórmula 3 Brasil, onde chegou credenciado pelo título do ano passado pela Fórmula 4 sul-americana, como mostra a comemoração registrada na foto aí acima. E Rodrigo Baptista, primo de Bruno – é filho de Adalmiro, irmão de Ricardo e Adalberto -, vai estrear, também aos 18 anos, na Copa Petrobras de Marcas, como companheiro de equipe de Alceu Feldmann na equipe Toyota-Bassani Racing.

BAPTISTA RODRIGO

Bolaños

CASCAVEL – O recado dado por Bolaños aos brasileiros em entrevista de poucos anos atrás vale para a humanidade em geral: “Sejam como vocês são”.

A edição que o SBT levou ao ar em homenagem ao criador de tantos personagens que fazem parte das vidas da gente fala por si só.

Valeu demais, Chavinho.

CH