DNA veloz

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O garoto Mateus com o pai Itacir e o instrutor de pilotagem André Pedralli no Kartódromo Municipal Delci Damian, em Cascavel: a saga da família Sperafico nas pistas continua 

CASCAVEL – A foto foi postada pelo Milton Sperafico em sua conta de Instagram e de lá a extraí sem pedir licença. Mostra o jovem Mateus Sperafico durante uma sessão de treinos no Kartódromo Municipal Delci Damian, cá em Cascavel. A seu lado, fazendo pose, o pai Itacir Sperafico e o piloto André Pedralli, que desenvolve um trabalho voltado ao ensino de pilotagem para jovens kartistas.

Seria uma foto normal, de um entre tantos garotos que iniciam alguma trajetória no kart, não fosse o sobrenome de Mateus. Seu ingresso no esporte frisa uma história que já mereceu menção no Guiness Book. Os Sperafico formam a maior família de pilotos do automobilismo mundial. Conforme o próprio Milton observou, Mateus é o 11º da lista.

A história da família nas pistas de corridas começou ainda no início dos anos 70, com Elói Sperafico. Depois vieram Dilso e Milton. Na sequência, e por pretensa ordem cronológica, os gêmeos Ricardo e Rodrigo, filhos de Dilso; Rafael, irmão de Mateus que perdeu a vida há quase dez anos em um acidente na Stock Car Light, Fabiano, irmão de Elói; Guilherme, filho de Milton; Alexandre e Natan, que são primos ou sobrinhos de todo mundo já citado. A lista de 11, integrada agora por Mateus, não contempla Arley Sperafico, que é piloto de motocross.

De pai para filho

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Edu caiu de cabeça no mundo das corridas há umas quatro décadas. Acabou arrastando o filho Cássio para o mesmo caminho. Hoje e amanhã os dois correm em dupla em Homestead 

SÃO PAULO – Eduardo Homem de Mello é, assumidamente, um dos maiores contadores de vantagens que conheço. Sujeito sem papas na língua para quaisquer situações. “Ranzinza para alguns, polêmico para muitos, insuportável para a maioria, mas acima de tudo um ser humano fantástico!”, segundo a autodefinição que ilustra uma de suas redes sociais. Proclama aos quatro ventos (por que dizem “quatro ventos”?) ser tetracampeão mundial de um campeonato paulista, justificando que ninguém mais no mundo conquistou tais títulos. Faz sentido. Para ele, pelo menos.

Conheci o Edu a partir do trabalho que exerceu por cerca de 15 anos como comentarista nas transmissões da Fórmula Truck. Nunca dividimos a cabine de transmissão da Truck, quando eu cheguei para narrar algumas corridas ele já havia saído, mas já fizemos essa dobradinha de microfones em alguns outros campeonatos. Não tive competência suficiente, nesses anos todos, para me indispor com o Edu ranzinza, polêmico e insuportável. Nem ele e nem eu fazemos questão.

Edu é um daqueles sujeitos que dizem e fazem o que lhes dá na telha. Como piloto de corridas, sempre mandou aplicar a seus capacetes a pintura listrada de François Cevert – no começo do ano, aliás, ele me presenteou com uma das peças de seu acervo particular, é o capacete que protege minha cabeça oca quando participo de uma corridinha aqui, outra ali. Neste fim de semana o Edu realiza um sonho que, sem eufemismos, me causa uma invejinha: vai correr ao lado do filho, Cássio, que foi campeão da DTM Pick-up, além de vice-campeão e recordista de vitórias da Stock Júnior. Lembro de ter narrado participações dele na Stock Car Light na década passada, também. Andava meio afastado das corridas.

Eles vão revezar a pilotagem de um Ginetta G55 durante a programação da Miami 500, no Homestead Motor Speedway, prova válida pela liga Fara USA. Integram o Team Ginetta USA, equipe liderada pelo brasileiro Adolpho Rossi. Correr em dupla com o filho vai tornar o Edu ainda mais insuportável. Paciência, é por uma boa causa.

Há uma porção grande de pilotos do Brasil participando do evento, sei que a lista passa pelos nomes de outros amigos, como Vinicius Margiota, Beto Monteiro e Elias Azevedo, pelo menos. Que todos eles se divirtam bastante. Na próxima eu volto lá para participar da festa com eles.

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O G55 do Team Ginetta USA que Eduardo e Cássio Homem de Mello vão pilotar em Homestead na etapa deste fim de semana do Fara USA

Haja fôlego!

BLOGCASCAVEL – A foto, estilo selfie, mostra o Galid Osman e o Beto Monteiro durante a corrida de duplas que abriu o campeonato de 2015 da Stock Car, em Goiânia. Aquela corrida, em que os dois pilotos obtiveram o 11º lugar, foi só uma das inúmeras oportunidades em que o Beto, competidor regular da Fórmula Truck, experimentou diferentes máquinas de corridas ao longo da temporada.

Não costumo repicar press releases aqui no blog, mas esse – que por sinal e sem melindres fui eu quem produziu – me chamou atenção pelo inusitado do contexto. Karts, monopostos, carros de velocidade na terra, Nascar, vários exemplares de turismo e logicamente o caminhão Iveco de competição estão na lista. A história completa está aqui.

Somos todos uns doidos, os Monteiro. Lobato deve ter sido o mais normal de nós.

Paulo Jardineiro

CASCAVEL – A foto foi postada exatamente um mês atrás no Instagram pelo Sérgio Tavares Filho. Não conheço o Sérgio, sua publicação acabou aparecendo no meu Facebook por obra e graça dos compartilhamentos – levantei apenas que é de Curitiba, visitando o perfil dele. Reproduzo o que o Sérgio escreveu quando publicou a foto.

“Estava na minha caixa de correio. Acredito que o Paulo não tem dinheiro suficiente para fazer cartões de visita, mas tem vontade de trabalhar. Aproveito e faço uma singela publicidade do jardineiro. Não conheço, mas deve ser esforçado e dedicado. Aqui em casa eu tenho uma máquina e faço o serviço. Se precisarem, tá aí.”

PAULO JARDINEIRO

Sabedor do DDD, liguei para o Paulo Jardineiro. Melhor ainda que assinamos a mesma operadora, o telefonema saiu de graça.

Pessoa simples e de bom papo, como eu presumia. Expliquei de cara que o contato dava-se pela mera curiosidade despertada pela foto do Sérgio. “O papelzinho era minha anotação para fazer o cartão, não sei como acabou indo parar na mão do rapaz, e me falaram que ele colocou na internet. O rapaz fez de boa vontade, mas ficou ruim, porque o meu endereço ficou na internet”, foi como reagiu o Paulo – precavido, lancei mão de avançados recursos gráficos para omitir o endereço de seu lar no bairro curitibano Centenário. “Centenário, Cajuru, ali é tudo pertinho”, como me instruiu.

A postagem do Sérgio Tavares no Facebook, de qualquer modo, já rendeu alguma fama ao Paulo. Lógico que não fui o primeiro a telefonar para ele. “Aí me ligaram umas pessoas também, que parece que são de São Paulo, eles fizeram e me mandaram mais de mil cartões. No outro dia teve uma moça que ligou e ofereceu cartões, eu contei que já tinha ganhado e acho que não deveria ter falado isso, acho que ela ficou chateada comigo”, expôs.

Já passado dos 50 anos, o Paulo. Trabalha sozinho? “Não, trabalho com Deus. Trabalhando com Deus, tenho vontade de trabalhar bem”, respondeu, voz mansa. Visita seus clientes de bicicleta, a condução de que dispõe. E chega a tratar de dois jardins por dia, às vezes mais. “Sempre gostei disso, e agora estou fazendo curso de jardinagem na Universal”, contou, orgulhoso. Perguntei o que seria a tal Universal, talvez fosse o Instituto Universal Brasileiro, que eu via nos anúncios dos gibis que lia quando moleque. “É onde eu faço o curso”, falou. Acabei ficando na mesma. “Mas eu sempre mexi com isso, aprendi sozinho. Eu sou um autoditada, sabe?”. Agora sei.

Pude ouvir o sorriso do Paulo Jardineiro por telefone. Parecia que nos conhecíamos desde há muito. Me contou orgulhoso, também, do serviço que fez na casa do seu Cláudio, onde recuperou um serviço mal-feito por outro jardineiro. “O seu Cláudio pagou 400 reais para quem fez, mas não ficou bom, e eu recuperei o jardim dele em um dia. Cobrei 250 reais. Ele me pagou e disse que era o melhor jardim que ele já tinha visto. Veja bem, não sou eu falando isso, foi o seu Cláudio”, fez questão de destacar, para não parecer presunçoso. Não pareceu, aliás.

Você, que é de Curitiba e está precisando dar fino trato a seu jardim, conte com os serviços do Paulo Jardineiro. Mas atenção: ele só faz jardinagem. “Não costumo arrancar mato, não, mas faço uma jardinagem bem feitinha. Gosto de fazer como se fosse para mim”.

A pista e os Baptista

BAPTISTA BRUNO

CASCAVEL – Os Sperafico, aqui da vizinha Toledo, já fizeram por merecer menção no “Livro dos Recordes” como família com maior número de pilotos de automobilismo da Via Láctea. Elói, Dilso, Milton, Rodrigo, Ricardo, Fabiano, Alexandre, Rafael e Guilherme, todos eles tomaram parte de corridas de carros aqui e ali, romperam fronteiras, escreveram uma história bonita e que merece ser contada detalhadamente.

Famílias com pencas de pilotos não são, necessariamente, uma novidade. No Brasil, mesmo, há muitas. Fittipaldi e Piquet estão as de maior rótulo da lista que passa a contar com mais um sobrenome: Baptista. Os Baptista começam a escrever história parecida.

Ricardo Baptista foi campeão do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil duas vezes, em 2007 e 2012. Seu irmão Adalberto também compete na categoria e atua, também, no Mitsubishi Lancer Cup. Saiu da primeira etapa, no último fim de semana, como vice-líder do campeonato – a etapa será apresentada amanhã à noite pelo canal Bandsports.

Bruno Baptista, filho de Adalberto, tem 18 anos e está no grid da Fórmula 3 Brasil, onde chegou credenciado pelo título do ano passado pela Fórmula 4 sul-americana, como mostra a comemoração registrada na foto aí acima. E Rodrigo Baptista, primo de Bruno – é filho de Adalmiro, irmão de Ricardo e Adalberto -, vai estrear, também aos 18 anos, na Copa Petrobras de Marcas, como companheiro de equipe de Alceu Feldmann na equipe Toyota-Bassani Racing.

BAPTISTA RODRIGO

Bolaños

CASCAVEL – O recado dado por Bolaños aos brasileiros em entrevista de poucos anos atrás vale para a humanidade em geral: “Sejam como vocês são”.

A edição que o SBT levou ao ar em homenagem ao criador de tantos personagens que fazem parte das vidas da gente fala por si só.

Valeu demais, Chavinho.

CH

Raul e Malé

RAUL SEIXAS

CURITIBA – Hoje faz 25 anos que Raul Seixas morreu. Sobre Raul tenho muito pouco a falar, ou quase nada, já que à época de sua morte eu era um fedelho de 12 anos que praticamente só conhecia, de seu repertório, “Carimbador maluco”. Vim a curtir sua obra bem depois disso, sem ter até hoje compreendido exatamente a que ela se destinava, sei maioria das músicas do cara, gosto de trazê-las à pauta nas invariáveis rodas de viola.

Os 25 anos da morte de Raul me fazem lembrar de outro poeta maluco que já morreu. Um maluco do bem, se é que me entendem. Mário Lemanski, o “Malé”, que era meu vizinho de bancada na redação dos tempos de jornal. Exatos 15 anos atrás, quando falávamos sobre os dez anos sem Raul, Malé e eu fizemos um pacto. O de promovermos em conjunto, cinco anos depois, um grande festival lá em Cascavel, com bandas tocando e celebrando Raul, reunir muita gente, fazer uma festa memorável. Tínhamos bastante tempo para isso até que a morte de Raul completasse 15 anos.

Acabou não acontecendo. Malé, em 2004, já estava às voltas com a doença que o levaria embora no começo do ano seguinte. Lembrei do nosso pacto não cumprido durante seu velório, prometi a mim mesmo e a ele, também, que tentaria fazer algo parecido nos 20 anos sem Raul. Não fiz picas a respeito. Faria hoje, nos 25. Algo mais modesto e menos trabalhoso, um show com músicas de Raul Seixas que eu mesmo trataria de apresentar, já que de uns anos pra cá tomei certo lido com as coisas da música. Mas sabia que não estaria em Cascavel. Era para estar na Argentina com o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, que acabou transferindo as corridas de sua quarta etapa aqui para Curitiba. Como já sabia que estaria fora de combate, sugeri a amigos donos de casas noturnas da cidade que promovessem algo nesse sentido, não estarei lá para saber se a coisa vai rolar.

Talvez eu mesmo providencie uma festa ou algo do gênero em 21 de agosto de 2019, quando a morte de Raul Seixas completar 30 anos.

Em tempo: “Cabeças que não comem são barrigas que não pensam”, escreveu o Malé, em poema que poderia muito bem ter sido música de Raul, talvez sucesso nesse show que reuniu 150 mil pessoas mais de 30 anos atrás na Praia do Gonzaga.