Há 30 anos

CASCAVEL – Novidade para ninguém, mas faz 30 anos, hoje, da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1. Não tenho a pretensão de reviver os momentos daquele domingo de 1985, até porque à época não dava a mínima bola para corridas de carros. O que lembro bem daquele domingo é que foi o dia da morte do seu Otávio, caminhoneiro amigo da família. Um acidente na estrada, foi o que o levou, e foi durante seu funeral, um tanto tarde da noite, que soubemos, meus pais e eu, que Tancredo Neves também havia morrido.

Vi aquele GP de Portugal pela primeira vez há coisa de dois ou três meses, numa manhã de sábado em que a Juli havia viajado para um show com sua banda. Tenho impressão de já tê-la compartilhado aqui no blog. De qualquer modo, sei de gente que vai querer ver de novo, em reverência à data redonda. Ei-la, pois, na transmissão da Globo, narrada pelo Galvão Bueno, que exultou o resultado com a efusividade que lhe é marca registrada e testemunhou que “uma coisa apenas se fala hoje na Fórmula 1: do talento fantástico, da incrível capacidade de conduzir um automóvel que tem esse garoto”.

Estive no Estoril pela primeira vez quase 26 anos depois daquela vitória encharcada e vi que os portugueses nutrem certa devoção pelo piloto. Não tanto quanto japoneses e brasileiros, acho que nessa ordem, mas existe no autódromo uma espécie de santuário de Senna. Durante aquela viagem tentei mostrar um pouco do que vi na série de posts “Pastéis de Belém”, de uma época em que me dedicava um pouquinho mais a este blog.

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Calor e conversa alheia

CASCAVEL – Fazia um calor infernal, sem trocadilhos, durante aquele almoço de meio de novembro no autódromo Campo Grande, refeitório sob lona anexo à lanchonete atrás dos boxes, uns trezentos graus àquela sombra. Era o que havia, e ali eu fazia, por volta das duas da tarde, minha primeira refeição no dia, um tanto angustiado, ou qualquer coisa perto disso, porque era aniversário do meu filho e eu estava ali, tão longe de casa, almoçando sozinho.

Sozinho, claro, é eufemismo. Dezenas de pessoas dividiam aqueles poucos metros quadrados sob a escaldante sombra sob a lona, que instantes antes eram disputados quase a tapa por umas duas centenas – detesto filas, por isso deixei para almoçar comer mais tarde, quando quase não havia mais tempo. Alguns pilotos daquele evento adotaram igual estratégia, e me causava agonia vê-los fervendo dentro daqueles macacões grossos.

Na mesa ao lado, um desses pilotos batia papo com um sujeito que imperdoavelmente não sei quem é. Deveria saber, claro, parecia figura importante no contexto de alguma das várias organizações que compunham a festa do fim de semana. E que parecia bastante atualizado quanto às coisas da Fórmula 1, detalhes técnicos e situações de mercado incluídos na lista.

A conversa não era comigo e nela não meti o bedelho. Não me interessava, a bem da verdade, eu queria mesmo era poder ver a cara do meu moleque em casa quando abrisse seu presente de aniversário, que hoje nem lembro qual foi (o presente, no caso; moleque eu só tenho um). Só um trecho daquela conversa alheia me chamou atenção: “O Razia corre na Fórmula 1 no ano que vem”. Ano que vem, claro, é 2013. “Será?”, reagiu o piloto. “Corre, já está tudo certo”. “Qual equipe?”, quis saber o interlocutor, repetindo a mesma pergunta que lhe fiz mentalmente. “Não posso dizer. Só sei que vão demorar pra anunciar, mas já está certo”.

Isso aconteceu em 17 de novembro, momentos antes de Wilson Fittipaldi Júnior – era o comentarista da vez – e eu abrirmos a transmissão de uma corrida do Brasileiro de Gran Turismo pela internet. O que tenho lido nos sites especializados é que Luiz Tadeu Razia Filho assinou hoje cedo seu contrato com a Marussia.

Parece que a água do Razia foi mesmo abençoada.

Senna/84

CASCAVEL – Não chega a ser novidade, mas é bacana, principalmente por mostrar um dos argumentos mais utilizados tantos pelos que santificam os dotes de Senna como piloto quanto pelos que o quase demonizam.

O narrador virtual Guto Colvara foi quem indicou o link, que tem a íntegra do GP de Mônaco de 1984.

E pra você, por certo um profundo entendedor do assunto? Senna atropelaria Prost ou seria engolido por Bellof?

F-1 no México em 2013?

PINHAIS – Agora há pouco rolou entrevista coletiva aqui no autódromo de Curitiba, que como todos sabem fica em Pinhais. À mesa, respondendo aos jornalistas, estavam os três primeiros colocados no campeonato – Leandro Totti, Felipe Giaffone e Beto Monteiro – e a presidente da Fórmula Truck, Neusa Navarro.

Veio de Neusa a informação que me chamou atenção. Questionada sobre a ida da Truck à América do Norte no ano que vem, ela foi direta. Primeiro, disse que a corrida nos Estados Unidos, que faz parte de seus planos para o processo de internacionalização da categoria, está descartada. Depois, que a etapa no México está 90% confirmada, condicionando os presumíveis 10% restantes a trâmites que são compreensíveis para uma operação de tal magnitude.

Foi aí que Neusa revelou haver um novo fator no trabalho para levar a categoria ao México. “Com o cancelamento da corrida em Nova Jersey, a Fórmula 1 está querendo correr no México, exatamente na Cidade do México, onde pretendemos correr. Se confirmarem a corrida da F-1, o autódromo vai passar por reformas e isso inviabilizará a nossa ida”, explanou.

A missão da Truck no Autódromo Hermanos Rodríguez estaria abortada, então? Não, segundo a Neusa. “Ainda estamos trabalhando nisso e a chance de dar certo é grande. Mas, se não for em 2013, vamos ao México em 2014”, arrematou, com a serenidade e o sorriso que lhe são peculiares.

Mas… Grande Prêmio de Fórmula 1 no México? Não acontece há 20 anos. Quando cancelaram Nova Jersey, pelo que me explicou há pouco um tucano dorminhoco, a F-1 teria passado a considerar duas possibilidades: uma, que acho sensacional, a volta à França, na pista de Paul Ricard (ainda existe a reta Mistral ou já meteram alguma chicane lá?); outra, a redução do Mundial de 2013 para 19 etapas.

Ah. A Neusa também confirmou que Tarumã e Londrina vão voltar ao calendário da Truck em 2013. Saem Jacarepaguá, claro, e Velopark.

F-1 em 360 graus

CASCAVEL – Uma boa indicação do Fábio Seixas, o que é coisa rara, esse vídeo, mais um da extensa lista de coisas bacanas que a Red Bull tem inventado – lista da qual excluo o maluco que saltou de uma thunder-cápsula na estratosfera.

Acione o player do vídeo e, durante a volta do Sébastien Buemi, mova as setas do seu teclado – nalguns computadores, não é o caso do meu, dá pra mover o cursor do mouse, também. O giro da câmera em 360 graus é sensacional.

O vídeo está nesse link aqui.

Meia horinha

ALTA GRACIA – Sim, todo mundo falou que o pênalti dado a Vettel pelo chega-pra-lá em Alonto em Monza foi ridículo, e eu também falo. FIA, FOM, PT e porcarias do gênero deveriam abrir uma igreja para tratar apenas de administrar o troco tomado dos fieis trouxas, enquanto alguém com um pouquinho de noção cuidar de assuntos de gente grande.

As análises de coisas de pista no automobilismo do andar de cima têm-se mostrado de uma babaquice sem tamanho. O Jorge Pezzolo foi um dos que exemplificaram um episódio exatamente igual ao de hoje, envolvendo os mesmos personagens em condições opostas, no GP italiano de 2011, quando ninguém fui punido – está nesse link aqui.

Diria um amigo carioca aos comissários da Fórmula 1: vão dar meia horinha de bunda, vão.

Crash!


GUAPORÉ – Romain Grosjean fez uma das maiores besteiras da temporada, acabou com a corrida de meio mundo, quase matou um e, quase meia hora depois, respondeu ao assédio dos jornalistas dizendo que “perdeu o controle do carro”.

Grosjean me fez lembrar de Lula, o que não sabia. E lembrar do Lula nunca é agradável.