Senna, 60: todas as vitórias

CASCAVEL – Nada de grandes papagaiadas patrióticas, mas cabe lembrar: Ayrton Senna faria 60 anos hoje. Nada a escrever a respeito de uma data que não existe – ou de um evento que não existe nesta data, melhor dizendo.

O que Senna faria da vida nos dias de hoje? Estaria se divertindo no Mundial de Endurance? Teria se aventurado nos ovais da Indy depois de encerrar a carreira na Fórmula 1 guiando carros da Ferrari? Estaria desafiando a resistência do próprio estômago exercendo algum mandato no meio podre da política brasileira? Será que vivo ainda sustentaria o rótulo de ídolo brasileiro, como Pelé e Zico, Chico Anysio, Zé Rico, Sílvio Santos?

Bem, Ayrton Senna faria 60 anos hoje, e se vivo talvez até estivesse nos ajudando, a nós que orbitamos as corridas de carros no Brasil, a pensar em soluções para a reposição dos calendários que o vírus chinês forçou a suspenderem. Como se foi, limito-me a relembrar, neste espaço modesto e pouco visto, as 41 vitórias conquistadas na Fórmula 1 por um brasileiro que se tornaria, hoje, um ilustre sexagenário.

GP de Portugal, Estoril, 21 de abril 1985. Screenshot_20200320-102841_Chrome

GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, 15 de setembro 1985Screenshot_20200320-104653_Chrome

GP da Espanha, Jerez de La Frontera, 13 de abril de 1986Screenshot_20200320-103713_Chrome

GP dos EUA, Detroit, 22 de junho de 1986Screenshot_20200320-103909_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 31 de maio de 1987Screenshot_20200320-104114_Chrome

GP dos EUA, Detroit, 21 de junho de 1987Screenshot_20200320-104033_Google

GP de San Marino, Imola, 1º de maio de 1988Screenshot_20200320-105131_Chrome

GP do Canadá, Montreal, 12 de junho de 1988Screenshot_20200320-105239_Chrome

GP dos EUA, Detroit, 19 de junho de 1988Screenshot_20200320-105402_Chrome

GP da Inglaterra, Silverstone, 10 de julho de 1988Screenshot_20200320-105522_Chrome

GP da Alemanha, Hockenheim, 24 de julho de 1988Screenshot_20200320-110209_Chrome

GP da Hungria, Hungaroring, 7 de agosto de 1988Screenshot_20200320-105825_Chrome

GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, 28 de agosto de 1988Screenshot_20200320-111056_Chrome

GP do Japão, Suzuka, 30 de outubro de 1988Screenshot_20200320-110017_Chrome

GP de San Marino, Imola, 23 de abril de 1989Screenshot_20200320-105101_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 7 de maio de 1989Screenshot_20200320-113034_Chrome

GP do México, Cidade do México, 28 de maio de 1989Screenshot_20200320-113132_Google

GP da Alemanha, Hockenheim, 30 de julho de 1989Screenshot_20200320-113948_Chrome

GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, 27 de agosto de 1989Screenshot_20200320-114104_Chrome

GP da Espanha, Jerez de La Frontera, 1º de outubro de 1989Screenshot_20200320-114239_Chrome

GP dos EUA, Phoenix, 11 de março de 1990Screenshot_20200320-114750_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 27 de maio de 1990Screenshot_20200320-115032_Chrome

GP do Canadá, Montreal, 10 de junho de 1990Screenshot_20200320-115406_Chrome

GP da Alemanha, Hockenheim, 29 de julho de 1990Screenshot_20200320-113837_Twitter

GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, 26 de agosto de 1990Screenshot_20200320-115558_Chrome

GP da Itália, Monza, 9 de setembro de 1990Screenshot_20200320-115732_Twitter

GP dos EUA, Phoenix, 10 de março de 1991Screenshot_20200320-120147_Chrome

GP do Brasil, Interlagos, 24 de março de 1991Screenshot_20200320-121008_Chrome

GP de San Marino, Imola, 28 de abril de 1991Screenshot_20200320-121415_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 12 de maio de 1991Screenshot_20200320-122027_Chrome

GP da Hungria, Hungaroring, 11 de agosto de 1991Screenshot_20200320-122406_Google

GP da Bélgica, Spa-Francorchamps, 25 de agosto de 1991Screenshot_20200320-122600_Twitter

GP da Austrália, Adelaide, 3 de novembro de 1991Screenshot_20200320-121405_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 31 de maio de 1992Screenshot_20200320-121428_Chrome

GP da Hungria, Hungaroring, 16 de agosto de 1992Screenshot_20200320-122952_Chrome

GP da Itália, Monza, 13 de setembro de 1992Screenshot_20200320-123117_Chrome

GP do Brasil, Interlagos, 28 de março de 1993Screenshot_20200320-120443_Chrome

GP da Europa, Donington Park, 11 de abril de 1993Screenshot_20200320-123444_Chrome

GP de Mônaco, Monte Carlo, 23 de maio de 1993Screenshot_20200320-123639_Chrome

GP do Japão, Suzuka, 24 de outubro de 1993Screenshot_20200320-123921_Chrome

GP da Austrália, Adelaide, 7 de novembro de 1993Screenshot_20200320-124028_Chrome

Há 30 anos

CASCAVEL – Novidade para ninguém, mas faz 30 anos, hoje, da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1. Não tenho a pretensão de reviver os momentos daquele domingo de 1985, até porque à época não dava a mínima bola para corridas de carros. O que lembro bem daquele domingo é que foi o dia da morte do seu Otávio, caminhoneiro amigo da família. Um acidente na estrada, foi o que o levou, e foi durante seu funeral, um tanto tarde da noite, que soubemos, meus pais e eu, que Tancredo Neves também havia morrido.

Vi aquele GP de Portugal pela primeira vez há coisa de dois ou três meses, numa manhã de sábado em que a Juli havia viajado para um show com sua banda. Tenho impressão de já tê-la compartilhado aqui no blog. De qualquer modo, sei de gente que vai querer ver de novo, em reverência à data redonda. Ei-la, pois, na transmissão da Globo, narrada pelo Galvão Bueno, que exultou o resultado com a efusividade que lhe é marca registrada e testemunhou que “uma coisa apenas se fala hoje na Fórmula 1: do talento fantástico, da incrível capacidade de conduzir um automóvel que tem esse garoto”.

Estive no Estoril pela primeira vez quase 26 anos depois daquela vitória encharcada e vi que os portugueses nutrem certa devoção pelo piloto. Não tanto quanto japoneses e brasileiros, acho que nessa ordem, mas existe no autódromo uma espécie de santuário de Senna. Durante aquela viagem tentei mostrar um pouco do que vi na série de posts “Pastéis de Belém”, de uma época em que me dedicava um pouquinho mais a este blog.

Calor e conversa alheia

CASCAVEL – Fazia um calor infernal, sem trocadilhos, durante aquele almoço de meio de novembro no autódromo Campo Grande, refeitório sob lona anexo à lanchonete atrás dos boxes, uns trezentos graus àquela sombra. Era o que havia, e ali eu fazia, por volta das duas da tarde, minha primeira refeição no dia, um tanto angustiado, ou qualquer coisa perto disso, porque era aniversário do meu filho e eu estava ali, tão longe de casa, almoçando sozinho.

Sozinho, claro, é eufemismo. Dezenas de pessoas dividiam aqueles poucos metros quadrados sob a escaldante sombra sob a lona, que instantes antes eram disputados quase a tapa por umas duas centenas – detesto filas, por isso deixei para almoçar comer mais tarde, quando quase não havia mais tempo. Alguns pilotos daquele evento adotaram igual estratégia, e me causava agonia vê-los fervendo dentro daqueles macacões grossos.

Na mesa ao lado, um desses pilotos batia papo com um sujeito que imperdoavelmente não sei quem é. Deveria saber, claro, parecia figura importante no contexto de alguma das várias organizações que compunham a festa do fim de semana. E que parecia bastante atualizado quanto às coisas da Fórmula 1, detalhes técnicos e situações de mercado incluídos na lista.

A conversa não era comigo e nela não meti o bedelho. Não me interessava, a bem da verdade, eu queria mesmo era poder ver a cara do meu moleque em casa quando abrisse seu presente de aniversário, que hoje nem lembro qual foi (o presente, no caso; moleque eu só tenho um). Só um trecho daquela conversa alheia me chamou atenção: “O Razia corre na Fórmula 1 no ano que vem”. Ano que vem, claro, é 2013. “Será?”, reagiu o piloto. “Corre, já está tudo certo”. “Qual equipe?”, quis saber o interlocutor, repetindo a mesma pergunta que lhe fiz mentalmente. “Não posso dizer. Só sei que vão demorar pra anunciar, mas já está certo”.

Isso aconteceu em 17 de novembro, momentos antes de Wilson Fittipaldi Júnior – era o comentarista da vez – e eu abrirmos a transmissão de uma corrida do Brasileiro de Gran Turismo pela internet. O que tenho lido nos sites especializados é que Luiz Tadeu Razia Filho assinou hoje cedo seu contrato com a Marussia.

Parece que a água do Razia foi mesmo abençoada.

Senna/84

CASCAVEL – Não chega a ser novidade, mas é bacana, principalmente por mostrar um dos argumentos mais utilizados tantos pelos que santificam os dotes de Senna como piloto quanto pelos que o quase demonizam.

O narrador virtual Guto Colvara foi quem indicou o link, que tem a íntegra do GP de Mônaco de 1984.

E pra você, por certo um profundo entendedor do assunto? Senna atropelaria Prost ou seria engolido por Bellof?

F-1 no México em 2013?

PINHAIS – Agora há pouco rolou entrevista coletiva aqui no autódromo de Curitiba, que como todos sabem fica em Pinhais. À mesa, respondendo aos jornalistas, estavam os três primeiros colocados no campeonato – Leandro Totti, Felipe Giaffone e Beto Monteiro – e a presidente da Fórmula Truck, Neusa Navarro.

Veio de Neusa a informação que me chamou atenção. Questionada sobre a ida da Truck à América do Norte no ano que vem, ela foi direta. Primeiro, disse que a corrida nos Estados Unidos, que faz parte de seus planos para o processo de internacionalização da categoria, está descartada. Depois, que a etapa no México está 90% confirmada, condicionando os presumíveis 10% restantes a trâmites que são compreensíveis para uma operação de tal magnitude.

Foi aí que Neusa revelou haver um novo fator no trabalho para levar a categoria ao México. “Com o cancelamento da corrida em Nova Jersey, a Fórmula 1 está querendo correr no México, exatamente na Cidade do México, onde pretendemos correr. Se confirmarem a corrida da F-1, o autódromo vai passar por reformas e isso inviabilizará a nossa ida”, explanou.

A missão da Truck no Autódromo Hermanos Rodríguez estaria abortada, então? Não, segundo a Neusa. “Ainda estamos trabalhando nisso e a chance de dar certo é grande. Mas, se não for em 2013, vamos ao México em 2014”, arrematou, com a serenidade e o sorriso que lhe são peculiares.

Mas… Grande Prêmio de Fórmula 1 no México? Não acontece há 20 anos. Quando cancelaram Nova Jersey, pelo que me explicou há pouco um tucano dorminhoco, a F-1 teria passado a considerar duas possibilidades: uma, que acho sensacional, a volta à França, na pista de Paul Ricard (ainda existe a reta Mistral ou já meteram alguma chicane lá?); outra, a redução do Mundial de 2013 para 19 etapas.

Ah. A Neusa também confirmou que Tarumã e Londrina vão voltar ao calendário da Truck em 2013. Saem Jacarepaguá, claro, e Velopark.

F-1 em 360 graus

CASCAVEL – Uma boa indicação do Fábio Seixas, o que é coisa rara, esse vídeo, mais um da extensa lista de coisas bacanas que a Red Bull tem inventado – lista da qual excluo o maluco que saltou de uma thunder-cápsula na estratosfera.

Acione o player do vídeo e, durante a volta do Sébastien Buemi, mova as setas do seu teclado – nalguns computadores, não é o caso do meu, dá pra mover o cursor do mouse, também. O giro da câmera em 360 graus é sensacional.

O vídeo está nesse link aqui.

Meia horinha

ALTA GRACIA – Sim, todo mundo falou que o pênalti dado a Vettel pelo chega-pra-lá em Alonto em Monza foi ridículo, e eu também falo. FIA, FOM, PT e porcarias do gênero deveriam abrir uma igreja para tratar apenas de administrar o troco tomado dos fieis trouxas, enquanto alguém com um pouquinho de noção cuidar de assuntos de gente grande.

As análises de coisas de pista no automobilismo do andar de cima têm-se mostrado de uma babaquice sem tamanho. O Jorge Pezzolo foi um dos que exemplificaram um episódio exatamente igual ao de hoje, envolvendo os mesmos personagens em condições opostas, no GP italiano de 2011, quando ninguém fui punido – está nesse link aqui.

Diria um amigo carioca aos comissários da Fórmula 1: vão dar meia horinha de bunda, vão.

Crash!


GUAPORÉ – Romain Grosjean fez uma das maiores besteiras da temporada, acabou com a corrida de meio mundo, quase matou um e, quase meia hora depois, respondeu ao assédio dos jornalistas dizendo que “perdeu o controle do carro”.

Grosjean me fez lembrar de Lula, o que não sabia. E lembrar do Lula nunca é agradável.

Highlights

GUAPORÉ – GP da Bélgica sempre traz um catatau de coisas a lembrar.

Como a etapa de 1998, marcada na largada pelo acidente envolvendo quase todo o grid, e depois pelo ímpeto de Schumacher ao estilo novela das nove, quando foi ao box da McLaren disposto a dar uns tapas em Coulthard.

Esquentou o clima, amigo.

Highlights

CASCAVEL – Olha que legal esse vídeo que o Bruno Mantovani garimpou na internet. A íntegra do GP do Canadá de 1991, o da última vitória do Piquet na Fórmula 1, com narração do Galvão. E a imagem não está invertida, como naquele famoso vídeo da última volta.


Legal ver um grid com Alboreto, Gugelmin, Johansson, De Cesaris, Moreno, Patrese e companhia bela. Chegando em casa, vou assistir a essa corrida.