Números doidos

ABACO

PINHAIS – Gosto bastante de mexer com números no automobilismo. Algum psicólogo menos afeito à minha simpatia questionável atribuiria essa pré-disposição ao conhecimento parco do assunto, no caso o automobilismo, o que segundo os preceitos de tal teoria da era medieval induzir-me-ia (putz!) a recorrer a datas e eventos estatísticos para ter o que dizer na roda quando a conversa orbitar o nosso mundinho das corridas.

Minhas razões para fuçar números são minhas. Além do mais, em trinta e… hã… em muitos anos de vida ainda não torrei dinheiro com psicólogos. Talvez precisasse torrar, é algo que tenho avaliado isento de estatísticas ou subterfúgios afins. Fato é que esse lido recorrente com números e datas me levou a uma constatação de boa fundamentação teórica e à prova de contrapontos jurídicos ou de qualquer outra ordem: os sistemas de pontuação do automobilismo brasileiro são uma zona completa.

Não que não funcionem, frise-se. Funcionam, e bem. A questão é que cada um dos zilhões de campeonatos existentes no país tem um sistema próprio de pontuação aos primeiros colocados de cada corrida, o que submete qualquer projeção matemática à obrigatória conferência dos regulamentos. Cada promotor adota o sistema que melhor atende seus propósitos e o faz valer, não há do que reclamar quanto a isso. Só que fazer contas de cabeça tornou-se inviável – nunca se pode descartar o risco de aplicar a pontuação de um campeonato ao resultado de outro.

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Tomemos o evento do fim de semana em Curitiba como exemplo. A Stock Car, carro-chefe da brincadeira, tem duas corridas por etapa. A primeira, mais longa, premia com pontos os 20 primeiros colocados na bandeirada final, à razão de 24 pontos, depois 20, 18, 17, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1; na segunda, só os 14 primeiros marcam pontos, sendo 15 para o vencedor e, para as posições subsequentes, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, e 1 – desde que todos esses pilotos cumpram pelo menos 75% da distância percorrida pelo vencedor, o que é regra em todas as categorias.

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O Brasileiro de Turismo, categoria de acesso da Stock, passou a ter em 2015 a mesma regra em todas as corridas, sejam etapas simples ou duplas – no ano passado, quando as rodadas duplas foram implantadas, a primeira de suas duas corridas tinha faixa de pontuação menor. Os 16 primeiros colocados de cada etapa marcam, respectivamente, 20, 16, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.

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O Mercedes-Benz Challenge tem duas categorias no mesmo grid, e cada uma prevê pontos para os 15 primeiros ao fim de uma etapa – são, respectivamente, 20, 17, 15, 13, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

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Na Copa Petrobras de Marcas, que também integra o fim de semana de ação em Curitiba, são 15 os pilotos que marcam pontos em cada uma das corridas de uma etapa, à razão de 23, 20, 18, 16, 14, 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

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A Fórmula 3 Brasil não está em Curitiba na programação de fim de maio, mas abriga-se sob o guarda-chuva do mesmo promotor, a Vicar. E tem sua regra própria, com 15, 12, 9, 7, 5, 3, 2 e 1 ponto para os oito primeiros em cada corrida, tanto na classe A quanto na Light.

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No Porsche GT3 Brasil, a categoria Cup, principal do evento, também tem sistemas distintos para as duas corridas de cada etapa. Na primeira corrida, a pontuação distribuída aos 15 primeiros colocados é de 22 pontos, depois 20, 18, 16, 14, 12, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2. Os pontos da segunda corrida seguem tabela próxima dessa, com 20, 18, 16, 14, 12, 10, 9, 8, 7, 6, 5, , 3, 2 e 1. Essa tabela da segunda prova de uma etapa da Cup é aplicada nas duas corridas de cada etapa da Challenge, a outra categoria do campeonato dos Porsche. Aí existem as classes, e essas têm sistemas diferentes, também. Na Cup, tanto a Master quanto a Sport, que têm classificação específica para os pilotos que nelas se enquadram, seguem as mesmas tabelas, premiando os oito primeiros. Na primeira corrida, são 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4 e 3 pontos; na segunda, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2 e 1, sistema que a Fórmula 1 utilizava na década passada e que também se aplica à classe Sport da categoria Challenge.

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A Fórmula Truck, única competição que atribui pontos de bonificação, adotou em 2015 o terceiro sistema de pontuação diferente de sua história. As corridas são divididas em duas partes (a Ana Maria Braga diria que são “duas metades iguais”), separadas entre si por uma intervenção do safety car, que lá é o Pace Truck, e em cada metade há igual atribuição de pontos aos 20 primeiros colocados: 25, 22, 20, 18, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1. Piloto que se ferrou em uma parte da corrida tem a chance de buscar pontos na outra, já que a cronometragem é zerada e reiniciada durante a neutralização. Além disso, á um ponto de lambuja para o piloto que conquista a pole position da etapa e um ponto de lambuja para o autor da volta mais rápida de cada uma das metades da prova – cidadão que encaixar o fim de semana perfeito sai do autódromo com 53 pontos a mais na conta.

Como se vê, as únicas semelhanças nas tabelas de distribuição de pontos estão dentro do regulamento desportivo do Porsche GT3 Brasil, entre suas classes. E olhe que não mencionei o sistema diferente adotado por parte dos campeonatos, casos da Stock Car e da Copa Petrobras de Marcas, para as corridas de encerramento de temporada, com pontuação dobrada – a Stock prevê uma distribuição específica, também, para sua etapa de abertura de trabalhos, aquela em que os pilotos titulares formam duplas com convidados de renome internacional.

Portanto, assumo aqui o primeiro dos compromissos que um dia vão compor minha campanha à presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo: sistema de pontuação único para todos os campeonatos sobre quatro ou seis rodas existentes no país. A concorrência do #DataLuc vai agradecer, mas não ligo. Trabalho pelo bem comum.

#DataLuc no Mercedes-Benz Challenge (C250 Cup)

MBC

CAMPINAS – A programação de 30 de novembro no Autódromo Internacional de Curitiba vai apontar nada menos que três campeões brasileiros de automobilismo – o da Stock Car, que tem oito candidatos ao título, e os das duas categorias do Mercedes-Benz Challenge, a C250 Cup e a CLA 45 Cup.

Ontem dei um pitaquinho aqui sobre a chance de cada piloto na caça ao título da Stock Car. Repito a dose, hoje, com a categoria C250 Cup do Challenge, que tem cinco candidatos ao título – ou seis, se considerarmos que dois deles competem em dupla. A Paioli Racing chega à etapa decisiva na disputa com Peter Michael Gottschalk, que também atende como “Peter Tubarão”, e com a dupla formada pelo coordenador do time, Marcos Paioli, e por Peter Gottschalk Júnior, o pai de Tubarão. A RSports, chefiada por Leandro Romera, está na disputa com o catarinense Cristian Mohr (fiquei sabendo agora que o prenome do piloto é sem H – sempre escrevi “Christian”, não mais o farei). Chefiada por William Vasconcelos, a gaúcha WCR “classificou”, digamos assim, o Luiz Sena Júnior.  E a Córdova Motorsport, do José Cordova, também busca o título, com o piloto Cesare Marrucci.

Já considerei aqui, para não forçar neurônios eventualmente cansados da audiência, os eventuais casos de empate em pontos a partir das combinações de resultados. E vamos lembrar que o pódio do Mercedes-Benz Challenge acolhe apenas os três primeiros colocados a cada etapa. Ia colocar, como em todos os posts similares, uma foto do carro de cada “finalista”, mas não há tempo – já vão chamar o embarque para Cascavel. O Luciano Santos já me enviou as fotos, que serão postadas assim que em chegar em casa.

Vamos aos chutes do #DataLuc, pois.

Peter Michael GOTTSCHALK (Paioli Racing), 92 pontos

Único que tem a chance de depender apenas de si próprio, obviamente, já que lidera o campeonato e, se ganhar a corrida, fecha a fatura. Terminando até a quarta posição, precisará apenas que Mohr não esteja à sua frente. Um quinto lugar resolve a vida de Tubarão, desde que Mohr não esteja à sua frente e a vitória não seja de Paioli/Gottschalk. A partir do sexto lugar na corrida, Tubarão pode não se preocupar mais com Mohr, desde que cruze a linha de chegada imediatamente uma posição atrás do catarinense. Sendo sexto, sétimo ou oitavo, dependerá de seu pai e de Paioli, que correm em dupla, não terminarem em segundo. Ficando em nono ou décimo, Paioli e Gottschalk terão de terminar no máximo em quarto, sem que a vitória seja de Sena.

Cristian MOHR (RSports), 91 pontos

Sua maior disputa é com Tubarão, obviamente. O catarinense será campeão se for ao pódio na corrida de Curitiba terminando a corrida à frente do atual líder do campeonato. Se terminar em quarto, além de ter Tubarão pelo menos uma posição atrás, também dependerá da vitória não ser de Paioli e Gottschalk. Da quinta posição em diante, o título de Cristian dependerá, primeiro, de Tubarão terminar a corrida no mínimo duas posições atrás dele. Com o quinto lugar na corrida ele também dependerá da dupla da Paioli Racing não ganhar a corrida. Se for sexto ou sétimo, dependerá de Paioli/Gottschalk no máximo em terceiro. Ficando em oitavo, precisará que a dupla não vá ao pódio e que a vitória não seja de Sena Júnior – o líder Tubarão, não esqueçamos, tem de estar sempre duas posições atrás para as contas de Mohr darem certo. Se for nono, a dupla não pode ficar entre os quatro primeiros e Sena, igualmente, não pode ser o vencedor. Um décimo lugar resolve a vida de Mohr com Tubarão em 12º, Paioli/Gottschalk em quinto e Sena em terceiro.

Marcos PAIOLI/Peter GOTTSCHALK JR. (Paioli Racing), 85 pontos

A segunda vitória na temporada, se vier em Curitiba, poderá significar o título, desde que Mohr não vá ao pódio e Peter Tubarão não esteja entre os quatro primeiros. Ficando em segundo na corrida, a dupla dependerá de Mohr em sexto e Tubarão fora do grupo dos seis primeiros. Um terceiro lugar de Paioli e Gottschalk em Curitiba inclui Sena Júnior na conta – o gaúcho não poderia vencer a corrida, além de Mohr não poder estar entre os sete primeiros, com Tubarão no máximo em nono. O quarto lugar na etapa final também pode ser útil à dupla, desde que a vitória não seja de Sena e nem de Marrucci, Mohr fique no máximo em décimo e o líder Tubarão fique fora da lista dos dez primeiros. A dupla foi quinta colocada em três das sete corridas já disputadas e, se ficar em quinto em Curitiba, dependerá de Sena e Marrucci não estarem em primeiro ou segundo, de Mohr em 12º e de Tubarão em 13º.

Luiz Sérgio SENA JR. (WCR), 80 pontos

Foi quem mais saiu no prejuízo na corrida em Salvador, onde chegou como líder e de onde saiu em quarto na classificação do campeonato. Agora, para ser campeão, precisa no mínimo ser o quarto colocado, caso em que dependeria de Marrucci não ir ao pódio, de Paioli/Gottschalk em oitavo, Mohr em 14º e de Tubarão não pontuar. Se vencer, o caxiense precisará que o segundo lugar não seja de Paioli/Gottschalk, com Mohr em oitavo e Tubarão em nono. Sena será campeão terminando a corrida em segundo, desde que Marrucci não vença, Paioli e Gottschalk não fiquem entre os quatro primeiros, Mohr seja décimo e Tubarão fique no máximo em 12º. Para ficar com o título a partir do troféu de terceiro lugar em Curitiba, Sena dependerá de combinações ainda mais exigentes: Marrucci no máximo em terceiro, Paioli/Gottschalk em décimo, Mohr em 12º e Tubarão em 14º.

Cesare MARRUCCI (Cordova Motorsports), 79 pontos

Só será campeão se estiver no pódio curitibano. Terminando a corrida em terceiro, dependerá de Sena em quarto, Paioli/Gottschalk em oitavo, Mohr em 14º e Tubarão em 15º. Se ficar em segundo, será campeão desde que Sena não vença, Paioli e Gottschalk não terminem entre os cinco primeiros, Mohr seja 12º e Tubarão, 13º. Uma vitória em Curitiba, que seria sua primeira no ano, faria Marrucci depender de Paioli e Gottschalk não conquistarem o segundo lugar, com Mohr no máximo em nono e Tubarão em décimo.

Miltão e a história da Stock Car

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SÃO PAULO – Um trabalho digno de fazer inveja ao #DataLuc. Esse é o Guia Shell Stock Car, publicação que leva o selo da editora AutoMotor Esporte e que resulta na compilação de tudo que o Milton Alves reuniu de informações históricas da categoria desde 2004, quando, de estalo, resolveu pôr a mão na massa e produzir para a Stock o que se convencionou chamar media guide. Ele não deve ter imaginado, dez anos atrás, que levaria tanto tempo.

Acompanhei cá de longe, ao longo dos anos, o esforço do jornalista para coletar todos os dados que vão compor a publicação. Foi um trabalho meticuloso. Grande parte dos registros históricos vem do acervo brasiliense do Napoleão Ribeiro, algo em torno de 80%. “Os outros 18% eu fui buscar com pesquisa em jornais e revistas, arquivos de amigos, de pilotos, de jornalistas. Corri atrás em todos os lugares”, conta o Miltão.

O douto leitor terá notado que a conta não chega aos 100%. A estimativa dos 2% faltantes é do próprio Miltão, mais exagerado e menos preciso que o #DataLuc. O que lhe tem tirado o sono é a falta de resultados completos de algumas poucas corridas das priscas eras stockianas, das quais detém apenas os tempos dos pilotos vencedores. Como o media guide da Stock Car será impresso todos os anos, com dados atualizados e informações sobre a temporada anterior, imagino que a segunda edição já trará essas informações.

Não estamos tratando apenas de resultados. Miltão, com a paciência de Jó que não lhe é tão peculiar, traçou um perfil de todos os 354 pilotos que já passaram pela categoria, estatística que não considera as várias versões da categoria de acesso implantada em 1993 – Stock Car B, Stock Car Light, Copa Vicar, Copa Montana e Brasileiro de Turismo, pela ordem. Talvez sejam mais que 354, também, ninguém duvida que possa aparecer mais algum nome que não constou das súmulas de treinos e corridas que o Miltão resgatou nesse verdadeiro trabalho de arqueologia. Enfim, os perfis indicam quantas e quais corridas cada piloto disputou, quantas ganhou, quantas poles e melhores voltas, a classificação final do sujeito ao fim de cada temporada, data da morte dos que já se foram, e por aí vai. Uma coisa bem completinha que vai ajudar bastante os jornalistas a dirimirem aquelas dúvidas que sempre surgem durante a produção de uma pauta, seja ela bem elaborada ou nem tanto.

O Guia Shell Stock Car será lançado em São Paulo no dia 2 de junho, conforme indica o convite que acabei de receber. Vou fazer o possível para aparecer. Quanto à foto lá de cima, eu preferiria publicar a capa da publicação, mas isso estragaria a surpresa aos que já estão pondo o lançamento em suas agendas. Assim, optei por uma do Milton Alves, mesmo, que foi produzida pelo Leonardo Cardoso e cedida ao blog pelo Fernando Wobeto.

O quarto integrante

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BRASÍLIA – Os Piquet celebraram um evento estatístico interessante neste sábado. O Autódromo Internacional de Brasília, que leva o nome de Nelson Piquet, conheceu na quinta etapa da Fórmula 3 Brasil o quinto integrante da família a vencer uma corrida em um de seus dois traçados (na versão original do post, escrevi que era o quarto, mas há uma retificação no último parágrafo, lá abaixo).

A façanha foi atingida pelo imberbe Pedro Piquet, 15 anos, que manteve-se invicto na temporada – cinco vitórias na categoria principal em cinco etapas, sendo que em uma da rodada dupla em Santa Cruz do Sul, no mês passado, foi segundo colocado na classificação geral atrás de Vitor Batista, seu companheiro de equipe na Cesário F3, que compete pela subdivisão Light.

Nelsinho, seu irmão, ganhou corridas em todas as pistas que receberam as rodadas duplas do então Sul-Americano de Fórmula 3 em 2002, ano de seu título. Geraldo, o irmão mais velho, venceu em Brasília duas etapas da Fórmula Truck, em 2006 e 2007 – estas foram a primeira e a terceira das dez vitórias que soma na categoria dos caminhões.

Nelsão, o pai tricampeão mundial, ganhou em Brasília a etapa do BPR Gran Turismo de 1996, revezando a pilotagem de um McLaren com Johnny Ceccoto. No ano seguinte voltou ao topo do pódio das Mil Milhas Brasileiras, na única edição da prova na capital federal, mais uma vez com o McLaren F1 BMW, tendo Ceccoto e Steve Soper como parceiros.

Pedrinho Piquet está fazendo história na Fórmula 3, no ano de renascimento da categoria no país. O garoto é bom, de fato – e eu troquei a foto tosca publicada originalmente pelas do Bruno Terena, que são bem mais profissa.

222333_401257__f3_race_1_0008ATUALIZANDO EM 7 DE MAIO, ÀS 14h42:

Segundo alerta a Lívia Castrioto aí abaixo, na área de comentários, Rodrigo Piquet, primo de Pedro, Geraldo e Nelsinho, também integra a lista de pilotos da família que ganharam corridas no autódromo de Brasília. Ele foi parceiro de Nelson na vitória nos Mil Quilômetros de Brasília, em 2000 (e não em 2001, como dito na primeira retificação; créditos ao enciclopédico Paulo “McCoy” Lava, pontual como sempre, pela observação). Logo, o título correto para o post seria “O quinto integrante”. Registro feito.

 

Títulos antecipados no GT?

SÃO PAULO – O Campeonato Brasileiro de GT pode, claro, ter seus campeões apontados já neste sábado. Poucos apostam que isso vá acontecer, mas a matemática permite as definições de títulos na corrida das 14h30 de amanhã, que vou narrar ao vivo aqui de Interlagos para a TV UOL, o Portal GT e o Total Race.

As contas dos títulos antecipados eu fiz agora, e produziram quase um quilo de rascunhos – o DataLuc atém-se aos sistemas antigos de projeções matemáticas, sempre mais confiáveis. Não cabe esmiuçar contas à audiência do blog – a classificação do campeonato está aqui, para quem quiser examinar números. Vale lembrar, talvez, que toda dupla terá de descartar, na soma final do campeonato, seu pior resultado na segunda metade da temporada, tal qual já foi feito depois das primeiras oito corridas.

Na categoria GT3, para que o campeonato seja definido neste sábado, os líderes Cléber Faria e Duda Rosa, parceiros na pilotagem do Mercedes-Benz SLS AMG da Cautex Racing aí da foto, precisam ganhar a corrida, sem que Cacá Bueno e Cláudio Dahruj, vice-líderes com o modelo Z4 do BMW Team Brasil, terminem em segundo. Cacá e Cláudio dominaram as duas sessões de treinos livres de hoje aqui em Interlagos. O segundo lugar também pode valer o título a Cléber e Duda, desde que a dupla da BMW não vá ao pódio, onde estarão os três primeiros colocados.

Pela GT4, a liderança é de Sérgio Laganá e Alan Hellmeister. Tal qual Faria e Rosa, eles chegam a Interlagos contabilizando três vitórias em 14 corridas. Uma vitória será suficiente para os pilotos do Aston Martin Vantage da equipe M2 Competições fazerem já no jantar de amanhã a festa do título.

Se terminarem em segundo, dependerão da vitória não ser de Leonardo Cordeiro e Vitor Genz, parceiros no M3 do BMW Team Brasil – Léo, que começou o ano correndo em dupla com William Starostik, está sozinho na vice-liderança. Qualquer colocação de Alan e Sérgio entre os 10 primeiros da GT4 será suficiente para acabar com as chances de título de Valter Rossete e Fábio Greco, pilotos da Maserati GT. Terminando entre os oito melhores amanhã, os líderes também tiram da briga William Freire e Duda Oliveira, seus companheiros de equipe, que competem com um Ferrari Challenge.

Na GT Premium, que contempla modelos menos recentes da categoria GT3, a disputa pelo título está restrita a duas duplas. Só há uma possibilidade de definição antecipada do título: a Ferrari F430 dos vice-líderes Raijan Mascarello e Felipe Tozzo não concluír 75% da distância do carro vencedor – o que deixaria a dupla sem pontos na etapa –, desde que os líderes gaúchos Carlos Kray e Andersom Toso levem o Lamborghini LP 520 da CKR Racing pelo menos ao segundo lugar.

As combinações de resultados projetadas aqui garantem às duplas líderes de suas categorias os pontos necessários para a conquista antecipada do título. Contudo, oficialmente, nenhuma delas será proclamada campeã amanhã. Há sempre o risco de uma desclassificada da corrida de domingo por querelas técnicas ou desportivas. Neste caso, os desclassificados não poderiam aplicar a etapa final no descarte obrigatório de resultado, o que mudaria toda a matemática do campeonato.

Querem meu palpite? Os números só vão revelar campeões no domingo, na corrida que vai começar ao meio-dia, com transmissão ao vivo da Rede TV!.

A conta do título

CAMPO GRANDE – A Stock Car parte para sua última etapa e, como já é tradição, o BLuc antecipa a matemática da disputa pelo título. Depois da vitória de Max Wilson domingo em Brasília – foi a quinta vitória em 11 corridas no ano do Stock Car Luc Team, já apresentado aqui tempos atrás; um ótimo aproveitamento –, a lista de candidatos ao título passou a contemplar sete nomes.

O campeão de 2012 sairá da Corrida do Milhão, dia 9 de dezembro em Interlagos. Que valerá o dobro da pontuação habitual. Três equipes destacam-se nesse momento decisivo da temporada – Red Bull Racing, Eurofarma-RC e Super Mobil Pioneer Racing têm, todas elas, seus dois pilotos lutando não só pelo prêmio de um milhão de reais, mas também pelo título. A Shell Racing também está na disputa pela taça da temporada, com Valdeno Brito, o primeiro a ter conquistado o prêmio milionário que a Stock Car instituiu em 2008, na época em dólares.

O ábaco do DataLuc foi tirado do armário hoje e, considerando o sistema de pontos especial da etapa de daqui a três semanas em São Paulo, apontou as possibilidades de título de cada um dos sete, digamos, finalistas.

Cacá BUENO, 159 pontos

Com três vitórias para usar como ferramenta de desempate, depende de um quarto lugar na Corrida do Milhão para ser campeão, mesmo que um dos vice-líderes ganhe a corrida. Em se tratando de um tetracampeão reconhecidamente vitorioso, caso do carioca da Red Bull Racing, pode parecer fatura liquidada, mas cabe lembrar que, nas últimas seis corridas, os quintos lugares em Salvador, Tarumã e Curitiba foram seus melhores resultados.

Átila ABREU, 149 pontos

Dos três vice-líderes, o vencedor da etapa de Curitiba é quem leva vantagem num eventual desempate, por ter um segundo lugar em Tarumã, coisa que Daniel Serra, também vencedor de uma etapa, não marcou. Vencendo a corrida, o piloto da Super Mobil Pioneer Racing dependerá de Cacá Bueno não estar entre os quatro primeiros. Se for segundo, além do atual líder não poder ficar entre os seis primeiros, a vitória não pode ser nem de Serra, nem de Maurício. Se Abreu foi terceiro em Interlagos, só será campeão se Bueno for no máximo nono, com Serra e Maurício fora do pódio.

Daniel SERRA e Ricardo MAURÍCIO, 149 pontos

A conta para o primeiro título do filho do tricampeão Chico Serra, que defende a Red Bull Racing, ou para a segunda taça do campeão de 2008, hoje piloto da Eurofarma-RC, é exatamente a mesma de Abreu, com inversão óbvia das limitações de posições entre os três. Há diferentes campanhas para mero efeito de desempate. Abreu soma uma vitória e um segundo lugar. Serra, com uma vitória, não terminou nenhuma corrida em segundo, mas tem três terceiros lugares e leva vantagem sobre Maurício, que ainda não venceu e tem duas segundas posições. Para qualquer um dos três que aparecem em segundo na tabela, até um 15º lugar, em uma combinação de resultados improvável, valer o título.

Max WILSON, 138 pontos

Se repetir na Corrida do Milhão a vitória de hoje cedo em Brasília, dependerá dos três vice-líderes fora do grupo dos quatro primeiros e de Bueno em décimo. Um segundo lugar pode fazer o baixinho repetir o título de dois anos atrás, desde que Brito não vença, os vice-líderes não estejam entre os seis melhores da corrida e o atual líder seja no máximo 12º. Terminando em terceiro, o piloto da Eurofarma-RC esperará Brito em quarto, os vice-líderes fora do grupo dos oito melhores da corrida e Bueno em 14º. Abaixo do décimo lugar em Interlagos, para Wilson, nada vale título.

Valdeno BRITO, 137 pontos

Sua matemática é bem parecida com a de Wilson, embora tenha duas vitórias para aplicar num eventual desempate, contra apenas uma do adversário – isso coloca os três vice-líderes em igual condição em sua matemática. Vencendo, em Interlagos, o paraibano da Shell Racing vai contar com Serra, Abreu e Maurício fora do grupo dos quatro primeiros e Bueno em 11º. O segundo lugar lhe será suficiente para o título se Wilson não for o vencedor, sem nenhum dos vice-líderes entre os seis primeiros e com Bueno fora do grupo dos dez primeiros. Sendo terceiro, Brito fica com a taça se combinar Wilson fora do pódio, os vice-líderes fora da lista dos oito melhores, com Bueno em 14º, desde que Figueiredo não vença. Com um quarto lugar em Interlagos, vai esperar que Figueiredo não vença, com Wilson em quinto, os vice-líderes no máximo em décimo e Bueno em 16º. Suas possibilidades de título vão até o nono lugar na corrida.

Nonô FIGUEIREDO, 130 pontos

É quem tem a chance mais parca de ser campeão. Vencendo em Interlagos, comemora o título se o segundo lugar não for de Brito ou Wilson, com os três vice-líderes fora do grupo dos oito primeiros e Bueno em 14º. O segundo lugar também confere o titulo a Figueiredo, desde que Brito seja no máximo quinto, Wilson fique em sexto, os vice-líderes não estejam entre os dez primeiros e Bueno não termine entre os 15 primeiros. Sendo terceiro, o piloto da Mobil Super Pioneer contará com Brito em sétimo, Wilson em oitavo, Maurício, Abreu e Serra fora do grupo dos 12 primeiros e Bueno no máximo em 18º. Se não terminar pelo menos entre os seis, nem precisa fazer contas. Fica para a próxima.

O volta-a-volta dos punidos

CASCAVEL – Foi a alegação dos comissários técnicos de uma irregularidade no material das pinças de freio, um daqueles vários itens que, parece, possibilitam interpretações distintas, a responsável por deixar no fim do grid da Stock Car na etapa de hoje, no Rio de Janeiro, os três pilotos que já haviam conquistado vitórias em 2012.

Os três pilotos em questão são Cacá Bueno, que seria o pole-position, Daniel Serra, quinto mais rápido do treino classificatório, e Valdeno Brito, que largaria em sétimo; Todos têm a preparação de seus carros assinada pelo estafe de Andreas Mattheis. Com a canetada dos comissários, foram para 30º, 31º e 32º no grid.

A transmissão da corrida pela tevê valorizou bastante a corrida de recuperação dos punidos. Bueno terminou a corrida em oitavo, com Serra em 13º e Brito em 14º, todos marcando pontos – os 20 primeiros na Stock Car marcam pontos.

O DataLuc, num trabalho inédito, espetacular, exclusivo, irretocável, tratou de acompanhar a evolução dos três pilotos ao longo das 30 voltas da corrida. Não que fosse algo tão difícil, a televisão veio com eles praticamente o tempo todo, mas as anotações foram um tanto mais minuciosas do que permitiriam comentários e caracteres. E são apresentadas aqui, sob recursos gráficos de última geração – não acho que seja necessário explicar que “V1, V2, V3… indicam, uma a uma, as voltas da corrida.

Afora isso, há que se registrar o desempenho do Stock Car Luc Team na corrida. São seis os pilotos da, hã, equipe, e cinco deles ficaram entre os seis primeiros. O sexteto é composto por Allam Khodair, que ganhou a corrida, o segundo colocado Thiago Camilo, o quarto Antonio Pizzonia, o quinto Max Wilson e o sexto Nonô Figueiredo, além de Brito, o 14º. O resultado completo da corrida está aqui.

Mas que raio é esse Stock Car Luc Team? Nada além de farra, uma brincadeira minha com os seis pilotos que citei, bobagem que nada leva e nada traz, que não tira a paciência de ninguém. Mas acreditem, já levei crítica de muita gente por causa disso. Criticar é o esporte preferido da humanidade.