Volta pela pista da Indy

Vídeo divulgado pela produção da etapa brasileira da Fórmula Indy, com simulação feita em computador de uma volta no circuito que está sendo preparado para a corrida de 14 de março. O traçado tem 4.180 metros e 11 curvas.

São Paulo Indy 300 é o nome da corrida, que vai abrir a temporada no Anhembi. Vou estar lá.

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BMW no kartódromo

Recebo da Central Press, agência jornalística do colega Cláudio Stringari, press-release anunciando que a equipe oficial da BMW fará testes privados no autódromo de Curitiba no final do mês que vem, em preparação para a etapa brasileira do WTCC. O texto é esse aqui, reproduzido pelo também boa-praça João Otávio Ness no Cronospeed.

Testes em Curitiba não são propriamente uma novidade para a BMW. Via Twitter, o piloto de fim de semana Juliano Bastos lembrou que a marca alemã já treinou largadas ali ao lado, na reta do kartódromo Raceland. Isso mesmo, no kartódromo. Algo que acho estranho, porque me remete ao episódio em que pessoas saíram no tapa aqui em Cascavel porque uma delas colocou um carro na pista do kartódromo.

Enfim, Juliano ratifica o que diz com o vídeo abaixo, que garante ter sido feito por ele próprio:

Intrometendo-se na conversa sem ser chamado, Tarso Marques Lima, outro piloto de fim de semana – e tão rato-de-autódromo quanto Juliano -, informou que a equipe da Chevrolet fez testes em pista no kartódromo, que é anexo ao autódromo, no domingo da primeira edição do evento, em julho de 2006. Informa Tarso, que também é mantenedor do site Green Flag, que o modelo Lacetti foi para a pista no Raceland depois do warm up para a corrida, para uma atividade em que o time testava os reparos feitos depois de um acidente no S de alta.

Eu não sabia de nada disso.

A Indy, Neide e meu pai

Em 1996, o Brasil recebeu pela primeira vez uma prova da Fórmula Indy. Que, a bem da verdade, já não era mais Fórmula Indy, foi aquele o ano da cisão que isolou a categoria nas searas ianques e deu brecha para a criação de uma outra série pela Cart, a que arrebatou os principais nomes da competição.

Enfim, se perguntassem à época, todos falavam da Indy no Brasil. Uma corrida a que não assisti. Meu pai estava hospitalizado e a largada aconteceria no exato momento em que seria aberta a visitação aos pacientes do hospital. Naquele 17 de março, priorizei, claro, os poucos instantes que teria para estar com ele. Eram outros tempos, ainda não se vivia o ápice da tal “era da informação”.

O jornal em que eu trabalhava não circulava às segundas-feiras, então não teria de escrever nada naquela tarde. Não havia pressa para nada depois de sairmos do hospital. Optei por passear com a minha mãe pelo centro da cidade em meu velho Fiat 147 e não ver o fim da corrida. O Fiat já era velho em 1996, foi meu primeiro carro, perdi-o duas semanas depois em um acidente fatal.

É claro que pedi a uma amiga para gravar a toda a transmissão do SBT em VHS. Lembram do vídeo-cassete? Deve haver um em algum lugar por aqui, não vou revirar as quinquilharias agora para procurar. Eram umas quatro da tarde, acho, quando toquei a campainha da casa da Neide, queria a fita para assistir à prova toda em casa. Como se fosse ao vivo, eu viveria com algumas horas de delay tudo que outros fãs da Indy já tinham vivido.

Quando Neide veio abrir o portão, já trouxe a fita em mãos. “Não me diz o resultado”, bradei a ela, puro reflexo, como que por algum instinto. “Claro que não”, ela respondeu, para arrematar: “Mas a mãe do André Ribeiro ficou tão feliz…”. Os momentos finais daquele VHS, que sobrevive em alguma prateleira empoeirada, estão reproduzidos neste vídeo.

E lá se vão 14 anos. E daqui a alguns dias, Indy no Brasil de novo, a Indy de verdade. Quiçá, com vitória de um brasileiro. Provavelmente vou assistir à corrida, de alguma mureta ou vidraça lá do Anhembi, ou talvez pela televisão. Espero não ter ninguém próximo hospitalizado no dia.

E depois daquela vitória de André, meu pai permaneceu neste plano por mais quatro anos, nove meses e três dias.

Oito e vinte e cinco

Ontem, ou já nos arremedos do que seria hoje, fui dormir encucado. Com compromisso marcado para as oito e vinte e cinco. Pontualmente, às oito e vinte e cinco. Nem vinte e quatro, nem vinte e seis. Oito e vinte e cinco.

Tempo atrás, pouco tempo, ser-me-ia impraticável. As primeiras horas da manhã, para mim, nunca existiram de fato, eram uma lenda que as pessoas insistiam em citar, mas não poderia existir nada no mundo antes, sei lá, das dez da manhã. E sempre me falaram essas coisas, boi-tatá, saci, mula-sem-cabeça e que havia gente que pulava da cama às seis, às sete. Claro que nunca acreditei, oras, acham que sou tolo?

Oito e vinte e cinco, estou de olho no relógio. Meu compromisso é um telefonema, menos mal, dispensa-me de um figurino apresentável e de um penteado decente, coisas impossíveis para uma manhã de fato.

Não posso perder a hora, daqui a pouco serão oito e vinte e cinco.

E nesse instante do dia o sol tem o capricho de apontar exatamente pela janela do escritorinho que mantenho cá em casa, deixo a janela fechada e recorro à lampada fluorescente, que emite mais energia magnética em forma de luz do que de calor, é o que me conta a Wikipédia, e que foi criada por Nikola Tesla. Nome besta para um sujeito, Nikola Tesla, tomara que tenha ganhado um bom dinheiro com sua invenção.

Ainda há um tempo. Ultimamente, diferente de tempos recentes, tenho mesmo acordado mais cedo. Coisa de velho, disse-me alguém, não lembro quem, e deve ser verdade, sempre ouvi dizer que velhos acordam mais cedo para passarem mais tempo no dia sem fazer nada. Comentário maldoso com eles, os velhos, a quem a falta de melanina das minhas parcas madeixas recomenda que eu defenda veementemente. Sou um deles, afinal.

Acho que nunca vou compreender certas manifestações de pontualidade. Minha esposa, muito menos. Se marcamos uma efeméride qualquer para as dez da noite, por exemplo, tenho de mentir para ela que está combinado para as nove. Ela demora para se arrumar, e quando está pronta conclui que não está bem e começa toda a caça ao guarda-roupa de novo. Nunca chegamos às nove, claro, e às vezes nem às dez.

No bar que frequentamos, as reservas de mesa valem até as dez da noite. Perdi várias mesas de boa localização por chegar minutos depois das dez. Anteontem fomos mais cedo, e o cidadão que reservou um camarote não estava lá às dez, e como não havia mesas a casa nos cedeu aquele camarote. Nelson, era o nome dele, havia uma plaquinha sobre a mesa do camarote, como tantas plaquinhas com o meu nome que jogaram fora às dez badaladas. A mulher de Nelson também deve demorar para se aprontar, pensei. Tomara, não quero que Nelson tenha tido problemas mais sérios que isso em plena terça-feira. Não sei quem é Nelson, mas que chegue no horário combinado na próxima vez.

Oito e vinte e cinco, não me deixem esquecer. Não sei por que cargas d’água, isso me lembra o antigo programa que Jô Soares tinha no SBT, que tinha “Onze e Meia” no nome, mas nunca começava antes das duas da manhã. Igual à novela das oito, que começa às nove e, se mudarem-na para as dez, continuará sempre novela das oito.

Aí lembro dos monitores que espalham-se pelos aeroportos, que insistem em confirmar tal pouso ou tal decolagem para, digamos, as 11h37, algo de que rio, afinal avião nenhum decola no horário certo, então não se veem motivos para uma previsão que passe uma precisão tão falsa. Na única vez, sem eufemismos, que um avião meu decolou no horário, isso aconteceu no mês passado, um voo Foz-São Paulo, eu cheguei atrasado ao aeroporto porque Luc Jr. não me dispensou de comer um lanche de franquia com ele, e isso custou minutos importantes. Cascavel não tem aeroporto que preste, sempre tenho de dar um pulo a Foz, e quando ganhei o estacionamento do aeroporto, vi o charutão da Gol ganhando o horizonte.

Está quase na hora. “Acerte o seu aí que eu arredondo o meu aqui”, diria aquele locutor de voz rouca, antes de iniciar a narração de uma pelada qualquer de futebol.

E leio em algum lugar que, em determinado espaço de tempo, o atraso médio dos trens-bala no Japão foi de seis segundos. E os japas têm isso como dado relevante, cada trem daquele ano, falo de trem-bala, chegou seis segundos depois do combinado. Imperdoável.

Oito e vinte e cinco. Estranho lidar com coisas de cronologia tão precisa. Outra lenda me conta que um relógio genuinamente suíço atrasa um segundo a cada 30 anos. Quem ficou olhando pro relógio por 30 anos pra chegar a essa conclusão? E por que dizemos relógio suíço, se nem todos os bons relógios suíços são fabricados na Suíça?

Os relógios mais precisos, dizem, são os suíços. Não sei, não uso relógio de pulso há mais de uma década, hábito ratificado com a compra do meu primeiro telefone celular. Mas o exemplo mais fiel de pontualidade vem dos britânicos, todo mundo fala em pontualidade britânica. Os trens de Londres devem atrasar mais que os de Osaka. Não conheço a Inglaterra, nem o Japão, quem sabe um dia eu tire essa história a limpo.

Enfim, paro por aqui. Senão, perco meu horário.

Explicação lógica

A molecada surpreende a cada dia.

Ontem, enquanto Juli e eu agilizávamos alguns contatos via internet, percebemos quase concomitantemente o preocupante silêncio do Luc Júnior. Corremos ao quarto bisbilhotar e, claro, lá havia uma surpresa à nossa espera.

O pestinha pegou um pincel atômico preto e pintou a mão inteira. Quando viu que percebemos, reagiu com a maior naturalidade possível. Juli e eu não sabíamos distinguir o caso, se era de repreensão, de uns tapas, de um banho imediato ou de uma gargalhada uníssona.

A dúvida foi dirimida diante da explicação do garoto para a arte: “Já ficou de noite. Se eu pintar a minha mão o pernilongo não vai ver a minha mão e não me morde mais”. Bastante prático, deduzimos.

O mundo seria melhor se as crianças tivessem voz e vez para solucionar problemas.

Do "Bate-Papo" para o YouTube

Na semana passada, fomos, patroa e eu, ao “Bate-Papo de Esportes”, da CATVE. Contei a história no dia seguinte, nesse post aqui. Só não tinha os vídeos da participação de Luc & Juli no programa para postar.

Ontem, o Jorjão colocou os tais vídeos no YouTube. Portanto, atendendo a milhares de pedidos, vão aqui as quatro “canjas” da dupla no programa. Na primeira, até os ouvidos menos atentos vão perceber que esqueci de ligar o microfone do violão. Coisa de principiante, mereço um desconto.

No “Bate-Papo”, fizemos “Você de volta“, de Maria Cecília & Rodolfo, “Mi’ na espiga“, de Flávio Aquino & Gabriel, “Rédeas do possante“, de Zezé di Camargo & Luciano, e “Estrela cadente“, de Victor & Léo. Bom proveito, se for possível.

Monteiro, piloto da Nascar

Do alto de seus 35 anos, Beto Monteiro (não somos parentes) parece uma criança, tão feliz que se mostra com sua novidade da semana. Anunciada em primeira mão aqui, no blog do Téo José, a estreia do piloto pernambucano na Nascar tem data marcada. Vai ser sábado agora, em Los Angeles, uma participação pela Troy Williams Racing em prova especial da Nationwide Series, que é algo como a “classe B” da categoria ianque. Nem por isso menos atrativa. Dei uma bisbilhotada no site do Speed Channel, mas não encontrei por ali nenhum indício de que a corrida possa ser transmitida para o Brasil.

Mais do que confirmado pela Scuderia Iveco para mais uma temporada da Fórmula Truck brasileira, que agora tem status de sul-americana, Luiz Alberto Monteiro Neto, campeão da série de caminhões em 2004, vinha flertando com a Nascar há algum tempo. No ano passado, participou de corridas da Top Race V6 na Argentina, o que assegura ao menos não ser-lhe uma novidade total a pilotagem de um carro de turismo. O pouco tempo para treino e adaptação talvez seja seu algoz mais preocupante. Nada que lhe tire o ânimo.

Beto é daqueles que, discaradamente, não conseguem ficar longe das corridas. Com frequência, quando o calendário de provas da Truck permite, é visto nos bastidores de eventos de outras categorias. É seu hábito, é o meio onde faz questão de estar. O sotaque nordestino que mantém orgulhoso oculta, por vezes, uma dose exagerada de conhecimento sobre o mundo das competições. É um sujeito de visão, Beto, em se tratando de corridas.

Enquanto pilota no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos, Beto Monteiro, que já competiu no automobilismo europeu, também tenta fomentar categorias. Em parceria com Leandro Totti, seu adversário nas pistas da Truck, trabalha para alavancar a Fórmula Spyder Race, que disponibiliza a pilotos de qualquer canto do Brasil a chance de correr com um protótipo ao custo de R$ 2 mil – praticamente de graça para os padrões desse esporte. Já comentei sobre a categoria, aqui.

Parênteses. A propósito do blog do Téo, que trouxe a notícia ontem em primeira mão – na verdade, ele e Beto fizeram o anúncio via Twitter, praticamente ao mesmo tempo –, é um dos que procuro visitar todos os dias. Lá, Téo costuma escancarar algumas de suas posturas, como nesse post aqui, em que dá seu pitaco sobre o anúncio do governo de Goiás de que o autódromo de lá será passado a limpo pelo alemão Hermann Tilke. Fecho parênteses.

Quanto a Beto Monteiro, o embarque para a Califórnia está confirmado para quinta-feira. Antes, na quarta, fará testes com seu F-Truck em Curitiba. Tem fôlego, também, o pernambucano.