Mataram o portuga (2)

A propósito, virou fumaça aquela lei que previa multa para quem escorregasse no idioma em letreiros ou peças de exposição pública, não virou? Tanto faz, seria só mais uma de aplicação inviável.

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Franceses e corridas

Achei antipático da parte do garoto quando aparentemente esnobou meu pedido de observar o bordado de seu boné de corridas. Mas logo percebi que ele não tinha era entendido o que eu queria.

A moça que o acompanha, que intuí ser sua mãe, também percebeu e me perguntou, num sotaque bastante carregado, se falo português. Respondi que sim, claro, embora o fale mal e porcamente. O garoto não fala.

Enfim, uma família de franceses que toma o caminho de volta às cercanias de Paris após alguns dias em São Paulo. Dorian, o garoto, tem 10 anos e é tarado por corridas de Fórmula 1. Seu boné faz alusão a Lewis Hamilton e à McLaren-Mercedes. Usando a mãe Fabiènne como intérprete para um inglês que ela demonstra praticar bem mais do que eu, contou-me orgulhoso que tem também uma camiseta da equipe. “Meu namorado comprou para ele quando esteve em Barcelona”, ela revelou.

E por que cargas d’água um garotinho francês reverenciaria um piloto britânico, afinal? “Porque o Lewis é o melhor do mundo”, lascou Dorian, e isso deveria me ser óbvio, ora. Eu, que não tenho bonés nem camisetas de F-1, contei a ele que trabalho com corridas, narro várias delas para plateias bem específicas aqui no Brasil, o que despertou algum interesse de seu tio Thierry, irmão de Fabiènne e marido de Beatriz, a quarta integrante do time.

Thierry – que fez questão de frisar ser homônimo de Henry – conhece em Interlagos. Não conhece, mas conhece. Já viu pela televisão. Tomara que não tenha sido na corrida de 1990.

Corridas são uma coisa legal. Até servem de assunto para gentes que nunca se viram antes, e que nunca vão se encontrar de novo.

Tierry, Beatriz, Fabiènne e Dorian, gente que nunca mais vou ver e a quem só posso desejar uma boa viagem de volta e uma boa vida.

Quebrado e rindo à toa

Falei há pouco com Maycon Zandavalli. Apesar de ter arrebentado a perna num acidente numa corrida de Superbike poucas horas atrás em Interlagos, deu-se ao trabalho de me retornar uma tentativa de ligação. Algo que, em mais de um ano de uma convivência profissional mais frequente, não havia feito mais que duas vezes.

Maycon ligou dando risada. “Tô num hotelzão regado aqui”, foi a primeira coisa que contou, enaltecendo as condições da clínica onde repousa. Até despertei – esqueci de citar, estava tirando um cochilo quando tocou o telefone. Aliás, o piloto foi levado do autódromo ao Hospital Santa Catarina, e não ao Albert Einstein, como noticiamos aos quatro ventos por ter sido a informação dada aos jornalistas.

Está de fato tranquilo, o Maycon. Tirando sarro de si próprio, falou da “barra de ferro” que lhe será implantada na perna na cirurgia marcada para amanhã à tarde, perguntou se achei que seu acidente foi mesmo “bonito”, tentou garantir que teria se mantido à frente de Bruno Corano na corrida, contou que a namorada, ou noiva, nunca sei, vem de Cascavel a São Paulo amanhã. “Alguém tem que cuidar o piazinho aqui, né?”, justificou.

Está otimista, também. Disse que, pelo diagnóstico de então, deve voltar a andar normalmente dentro de um mês. E que dentro de dois meses e meio ou três meses deve voltar a correr. “Vai continuar correndo de moto?”, reagi. “Claro. A gente entra nisso sabendo do risco, ciente de que poder dar uma merda a qualquer hora. É o preço. Cara, depois que eu comecei a correr de moto eu não quero fazer outra coisa, não”.

Ok, que volte com tudo, então, e que mantenha o bom estado de espírito que demonstrou há pouco ao telefone. Eu, se fissurasse qualquer falange, ia azedar por um bom tempo.

Aliás, não foi a primeira vez que Maycon saiu do autódromo para um hospital em menos de dois anos de carreira na motovelocidade. Ano passado, uma queda durante os treinos para a primeira etapa do Pirelli Superbike custou-lhe uma fratura no cotovelo e uma contusão indigesta no tornozelo. Acompanhou as corridas daquele fim de semana dos boxes, como mostra a foto feita pela Sílvia Linhares, que resgatei dos meus arquivos.

A propósito, a corrida de hoje, que narrei ao vivo para o site do Superbike Series e que foi marcada pelo acidente de Maycon, já está no YouTube. Foi postada em três partes pelo Sonny Braz. Aí abaixo, os três vídeos para quem quer ver ou rever a corrida.

Aliás, quem é esse Sonny Braz, que hoje deixou um comentário por aqui assinando como Fábio?

Alegria e apreensão na equipe Spiga

Poderia ter sido a primeira dobradinha a Spiga Racing no Pirelli Mobil Superbike.

Heber Pedrosa, um de seus pilotos, saiu de quarto para primeiro na largada da primeira etapa, agora há pouco em Interlagos, e liderou a competição de ponta a ponta, não sem ter a vida infernizada pelo semiveterano (existe isso?) Bruno Corano durante todas as voltas da corrida transcorridas sob bandeira verde.

Pedrosa venceu. E Maycon Zandavalli, seu parceiro no time, partiu em sexto e era segundo na quarta volta. Na abertura da quinta, pressionado por Corano, tentou manter sua posição tangenciando por fora a primeira tomada do S do Senna. Sua moto ricocheteou e o piloto foi catapultado. Na queda, quebrou o fêmur direito.

Maycon foi socorrido ainda na pista, num procedimento que deixou a corrida sob bandeira amarela por sete voltas. A suspeita de fratura me foi confirmada pelo colega jornalista Flávio Bergmann, assessor de imprensa do evento.

Maycon foi levado ao Hospital Albert Einstein. Estava consciente, conversando com serenidade, mas manifestando muita dor. Antônio Finardi, o “Spiga”, seu chefe de equipe, foi junto. Não comemorou a vitória de Pedrosa. O que se diz por aqui, de momento, é que uma intervenção cirúrgica deve ser necessária.

As fotos deste post foram produzidas pela Gui Donini.

Pedrosa (42) lidera, enquanto seu parceiro Zandavalli (28) perde o controle da moto ao tentar defender a posição do ataque de Corano (34)

Um brinde do Pedrão

Os tempos foram melhores, já houve sorteios de automóveis, almoços memoráveis regados a boa música. Menos mal que o que pingou por aqui foi um brindezinho bem bacana.

Ofereci pelo Twitter, um catatau de gente mostrou interesse. Como só veio uma unidade, vamos de promoção, lá mesmo, pelas timelines do Twitter.

Estamos tratando de um boné da equipe de Pedro Muffato na Fórmula Truck. Autografado pelo próprio.

Regra simples e sem delongas. Amanhã começa a temporada da Truck em Santa Cruz do Sul. Vai receber o boné em casa – e com frete pago, vejam só! – quem tiver acertado o palpite sobre a posição final de Pedro na corrida, que vai começar às 13h de Brasília e será transmitida pela Band.

Tem interesse? Então mande uma mensagem via Twitter para minha conta @lucmonteiro, contendo a posição de chegada em que você aposta para Pedro na corrida, a hashtag #PedroMuffato e o link deste post, que é http://bit.ly/fl6q2T. Ser meu seguidor não é exigência aos participantes da brincadeira, já que sou tuiticamente muito chato.

Se facilitar sua vida, vai aqui uma dica: Pedro, que estreia caminhão novo nesta corrida, bateu no treino classificatório de hoje à tarde e vai largar em 18º. Só valem os palpites postados até meio-dia de amanhã.

ATUALIZANDO EM 26 DE FEVEREIRO, ÀS 21h26:
Alertado pelo espírito-de-porco Nei Tessari, acrescento mais um detalhezinho aqui: se houver dois acertadores ou mais, o brinde será sorteado entre eles, a meu inteiro critério e sem que ninguém tenha nada a ver com isso.

ATUALIZANDO DE NOVO EM 26 DE FEVEREIRO, ÀS 21h33; O NEI TESSARI NÃO TEM O QUE FAZER…:
Achei que por bom senso não fosse necessário explicitar, mas é óbvio que vale só um palpite por participante. Caso haja mais de um palpite de uma mesma pessoa, vou considerar o que tiver sido postado primeiro.

Barrichello Racing na Indy?

Pouco mais de um mês atrás, o site Grande Prêmio publicou uma matéria em que Tony Kanaan admitia a disposição de Rubens Barrichello de financiar sua participação na temporada 2011 da Indy. “Estou precisando dos meus amigos. O resto eu vou atrás e vou trabalhar”, foi o que disse Kanaan ao jornalista Victor Martins, editor-chefe da casa. Àquela altura, já se havia anunciado que o baiano, dispensado pela Andretti Autosport, iria defender a De Ferran-Luczo Dragon.

Ocorre que, todos sabem, Tony Kanaan não vai mais correr pela De Ferran-Luczo Dragon. Nem a equipe deve correr na Indy, essa é a verdade. É perfeitamente compreensível a posição do piloto de agradecer e dispensar a ajuda que lhe foi oferecida pelo irmão, amigo, colega de trabalho. Que, depois de duas décadas na Fórmula 1, vê-se numa posição confortável o suficiente, do ponto de vista financeiro, para prover um apoio desta envergadura.

Tony Kanaan está entre os profissionais mais competentes do ofício que escolheu para viver. Teria lugar certo em praticamente qualquer categoria a que se oferecesse. Mas sua paixão é a Fórmula Indy, não faz questão de esconder. Mesmo com o título de 2004, falta-lhe uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, uma lacuna cujo preenchimento lhe parece ser questão de honra.

Eles, Barrichello e Kanaan, tratam-se como irmãos, e é um sentimento que nada tem de jogo de cena. Mantêm a amizade sólida há décadas, abraçaram em parceria a criação de instituto filantrópico, vivem disputando provas festivas de kart juntos. Rubens já confessou, tempos atrás, que a Indy lhe atrai, e admitiu que não considera a possibilidade de encarar a categoria, citando o receio latente de Silvana, sua esposa, quanto aos ovais norte-americanos. Rubens, aos 38 anos, aproxima-se da aposentadoria na Fórmula 1, embora evite o assunto – a mim, disse há algum tempo que a hora certa de parar é “quando o (preparo) físico for para o brejo”, o que pode avalizar sua permanência lá por mais algumas temporadas.

Diante dos fatos, Rubens há de nos dar licença para supor que manter – talvez chefiar, inclusive – uma equipe na Indy lhe poderia ser uma opção de negócio para o futuro, talvez o futuro que o aguarda antes mesmo de dizer tchau à F-1. Se um dia fizer isso, eu tenho o nome de um piloto para indicar a ele. O de um baiano que, apesar do conturbado momento profissional, parece estar de bem com a vida.