Nada de que reclamar

Demorou, mas enfim consegui encaixar um fim de semana de proveito duplo em uma das ene vindas a São Paulo. Mais que duplo, até.

Depois de três dias de locução do Porsche Cup em Interlagos, onde atuei em corridas boas como não se vê a todo domingo, consegui aproveitar que a programação no autódromo terminou bem cedo, acompanhei uma turma de amigos a uma ótima churrascaria – almoçar às três e meia da tarde é interessante – e, sem mais nenhum compromisso para atender, demos uma esticada a São Bernardo do Campo, a terra do cara.

Foi lá, numa festa promovida por uma emissora de rádio para algo alusivo a motoboys, não entendi direito, que voltamos, Juli e eu, a acompanhar um show de Lincon & Luan. Eu devia essa visita há tempo, para eles e para mim mesmo. Ótima dupla do novo estilo sertanejo. Que saiu lá de Cascavel, do palco o mesmo bar onde hoje tocam Luc & Juli – neste caso vale frisar a marca –, e tem feito um sucesso e tanto para as bandas de cá.

Fomos ao ABC paulista com time completo. Eu com a Juli, Danilo Gaidarji com a Regiane, Pedro Rodrigo com a Natália. Edy, a esposa do Luan, estava na área também. Rever os amigos é bom, mesmo quando estão trabalhando. No caso de Lincon & Luan, não tenho o mínimo dó de ver amigos trabalhando em pleno domingo. Primeiro, porque também trabalho aos domingos, em todos eles. Segundo, porque foi atrás do trabalho deles, também, que fomos para lá. Música de ótima qualidade.

Havia tempo que não os via em ação. Danilo e Pedro, que em princípio não foram tão receptivos quanto suas patroas ao convite, flagraram-se dançando ao lado do palco, de onde acompanhamos a apresentação toda com visão privilegiada. Depois do show, um animado bate-papo, uma rodada de vinho no apê do Luan e a vinda para nossa hospedaria, de onde saímos na madrugada, Juli e eu, de volta para Cascavel.

Agora, antes de dormir, a última ação da madrugada. Tratei de me certificar do óbvio – o Corinthians havia abotoado o Vitória e o fraco Fluminense tropeçou em casa no cintilante confronto com o São Paulo. Tudo normal.

Foi um domingo legal.

"Eu não tenho foco"

Até poderia concluir que a editoria estava sem pauta, mas poderia soar deselegante. E se há algo que não sou é deselegante, e se alguém disser que sou eu cubro no tapa.

Enfim, não sei o que passou pelas cabeças do Diego Kruger e do Luiz Carlos Wessler, rapaziada da nova safra do jornalismo esportivo de Cascavel, para elegerem a mim como assunto de uma matéria em seu jornal. Os dois revezam a editoria de esportes da Gazeta do Paraná e, sei lá por que cargas d’água, concluíram que as besteiras que vivo contando em mesas de boteco poderiam render uma matéria.

Matéria que está na edição de hoje, fruto de um bom bate-papo entre mim e Luiz durante a semana, acho que na quarta-feira à noite, no Barra Chopp. O exagerado não achou o limite para o enredo e distribuiu o conteúdo em página espelhada, como na reprodução aí acima. Teve a cortesia de citar, inclusive, o jornal O Paraná, concorrente direto da Gazeta, onde trabalhei por quase 18 anos. Quem é do Paraná e não tiver o que fazer hoje pode conferir no jornal. Está na internet, também, não sei se para todos os mortais ou só para assinantes. Vou tratar de descobrir.

Nunca tinha conversado pessoalmente com Luiz, é verdade, apesar de já termos trocado quilômetros de linhas pela internet. Sujeito que tem umas histórias bacanas, também. Qualquer hora, conto-as aqui no BLuc. É compromisso.

Como estou em São Paulo e a Gazeta não circula por aqui, alguém aí da minha vizinhança reserva umas cinco edições? Pago por elas quando voltar, na terça-feira.

Sábado de cão

Não costumo usar para casos como o de ora esse espaço já chamado marotamente como “querido diário” por entes vis e desprezíveis, mas o lado pitoresco da encrenca toda merece no mínimo um registro mambembe para ser consultado na posteridade.

A Risi Competizione, equipe do meu conterrâneo, amigo e cliente Jaime Melo (foto), teve um início de participação louvável na oitava e penúltima etapa da American Le Mans Series. A corrida vai rolar amanhã na pista de Mosport. É na cidade de Bowmanville, estado de Ontario, Canadá.

Ontem, primeiros treinos livres, a equipe colocou seus carros em primeiro em segundo. À frente, Pierre Kaffer e Toni Vilander, dupla de ocasião formada com dois dos vários pilotos que servem ao time de Houston. Melo e Gianmaria Bruni, dupla fixa, ficaram em segundo. Eles são vice-líderes do campeonato, pela classe GT, chegaram ao Canadá precisando da vitória a qualquer custo para diminuir a vantagem de Jörg Bergmeister e Patrick Long. E os líderes tinham ficado só em oitavo lugar com seu Porsche. O panorama desenhava-se perfeito.

Hoje, contudo, as coisas começaram a dar errado. No treino livre, Kaffer, nascido na Suíça e naturalizado alemão, estampou uma das Ferrari na segunda curva da pista. Vinha em quinta marcha, a cerca de 240 km/h. Baixou no hospital, aquela correria toda, exames e mais exames. Teve alta, nada de ferimentos graves, mas nem o carro e nem ele teriam condições de fazer tomada de tempos hoje e corrida amanhã.

Mais tarde, foi a vez de Melo receber atenção médica. Não bateu, mas estava mal. Os exames diagnosticaram uma virose estomacal – minha esposa, que trabalhou por muito tempo no ramo de farmácias, garante que esse termo está correto. Vetado pelos médicos.

Sobraram à Risi um dos dois carros e dois dos quatro pilotos. E é com isso que a equipe vai competir amanhã. Gianmaria – a quem Jaime se refere como “Gimmi” – e Toni improvisam uma nova dupla, com o carro que o italiano costuma revezar com o brasileiro. Se Gimmi sair do Canadá com chance de título, Gimmi irá para a Petit Le Mans, Jaime irá à etapa final, a Petit Le Mans, com a missão inglória de suar sangue para vencer para ver o companheiro ser campeão sozinho.

Uma situação que já teve o próprio brasileiro envolvido, em 2006. Ele disputava o Mundial FIA GT em dupla com Matteo Bobbi. Os dois lideravam o campeonato. Por um motivo que me foge à memória, o italiano não pôde participar da etapa final. Jaime marcou uns pontinhos na última corrida e foi campeão. O parceiro do ano quase todo ficou chupando o dedo na festa do título.

Gimmi, em Mosport, conseguiu a pole. Que possa contar com Jaime para dar outro título à Ferrari. Há uma única possibilidade, remota, do cascavelense repetir o título que comemorou na American Le Mans três anos atrás: seu companheiro se dar mal amanhã e não marcar nenhum ponto. Para isso, seria necessário Jörg e Patrick também ficarem a zero, ou perto disso. E se há uma coisa que os dois não vêm tendo em 2010 é contratempo.

Mas sempre tem uma primeira vez, né…

Espetáculo tipo exportação

Sempre há umas novidades legais aqui no Porsche GT3 Cup Challenge. Categoria que volta à cena depois de uns dois meses e alguns dias de intervalo.

Em Interlagos, neste fim de semana, acontecem as corridas do quinto evento do ano. A categoria 997, principal, terá as nona e décima etapas, uma amanhã e outra no domingo. A Light, com os carros modelo 996, tem corrida única, quinta etapa, no sábado. Narro todas elas para as transmissões do evento pelo Speed Channel. Que ocorrerão depois do SporTV mostrar as provas, o que provavelmente vai acontecer na quinta-feira que vem, com narração de alguém da casa e comentário do infausto e enciclopédico Rodrigo Mattar, também editor do blog A Mil por Hora. Mas nada disso é novidade pra ninguém.

A novidade que chegou aos meus ouvidos desatualizados hoje cedo, aqui no autódromo, é a confirmação de que a categoria vai expandir fronteiras. A exemplo do que já fizeram a Stock Car e a Fórmula Truck, o Porsche Cup, um dos irmãos caçulas do automobilismo brasileiro – nasceu em 2005 –, terá uma etapa extra-campeonato em Buenos Aires, no dia 25 do mês que vem. Evento completo, com rodada dupla da 997 e uma prova da 996. Não haverá nenhuma série argentina junto. O que é uma pena para nós que vamos para lá, porque as categorias argentinas estão entre o que há de melhor no automobilismo de todo o mundo.

Dener Pires, o cacique da festa porscheana (inventei agora essa palavra horrível, seguramente será censurada), conta, até com certa obviedade, que o evento em Buenos Aires é uma espécie de embrião na intenção que se tem de internacionalizar a categoria.

Não sei o que falta, na verdade. O Porsche Cup, como categoria e como evento de automobilismo, não fica devendo nada a ninguém.

Máquinas quentes

O título aí de cima até que tem impacto. Mas, como dizem os jornalistas, é chupado. Resgatei-o da promoção que uma marca de chicletes promoveu há uns 30 anos, quando eu ainda era um fedelho de bolso. Você comprava o chiclete e levava uma figurinha de coleção com fotos de carros capazes de satisfazer todos os gostos.

O evento, em si, não chega a ser nada que se aproxime das farras feitas pela turma do Flavio Gomes em torno de carros antigos, mas é um dos programas que vou lamentar perder por não passar o fim de semana em Cascavel.

Falo de um Encontro de Carros Antigos que vai movimentar o Shopping West Side entre sábado e domingo. Uma denominação errada, já que quem vai se encontrar são os colecionadores de Cascavel e de várias outras cidades aqui de perto, e não os próprios. Enfim, soa compreensível a todos. Os organizadores anunciam 80 exemplares de diversos gêneros.

Entre os destaques listados pela comissão está um modelo octagenário, e até agora ninguém que eu tenha consultado soube explicar qual é o modelo do carrinho fabricado em 1928. Um Chevrolet Bel Air de 1951 é outro convidado especial. A lista contempla ainda Aero-Willys, Maverick, Corvette e um sem-número de caminhonetes que, mesmo com suas características modificadas, mantêm o aspecto nostálgico de suas épocas. Para quem tem pouco conhecimento de causa, ou nenhum, como eu, não deixa de ser uma interessante viagem ao passado do mundo automotivo. Esse, aliás, é um quase jargão meu, já o apliquei em várias situações em locuções de automobilismo. Preciso me reciclar.

Já confirmaram participação e presença os colecionadores dos grupos Facção 8, Antigos de Cascavel, Fusca Ar Club Cascavel – essa rapaziada deu um show no autódromo daqui há duas semanas, desfilando relíquias e mais relíquias entre as baterias do Regional de Marcas & Pilotos –, Chevetteiros Cascavel, Opaleiros e Catarautos, este de Foz do Iguaçu. A festa também terá um palco montado ao ar livre para que os presentes possam apreciar os repertórios das bandas de rock Black Sabbath Cover e Matilia Sideral.

Vai ser a terceira edição do evento, que pela primeira vez também abrirá espaço para os primos mais novos Chevette e Opala. Se fosse ficar por aqui durante o fim de semana, eu seguramente apareceria por lá com meu “tubarão” 77.

Vendo as fotos de algumas das máquinas que vão expor no, até penso que Gomes, que costuma rechear seu blog com histórias, eventos e curiosidades sobre carros antigos, quereria dar uma rápida passada pelo shopping. Até porque há tempos está devendo uma visita a Cascavel, o baixinho.

Meu nome é Luc!

LUC PRESIDENTE

Não que me envergonhe disso, mas fato é que, por meras e particulares dificuldades logísticas, não consegui assistir ao horário político nenhuma vez. Sempre faço questão de lamentar um pouco antes da hora o nível dos que se predispõem a, como dizem, nos representar no poder público. Mas ando numa correria dos diabos, falta tempo para tudo, é essa a verdade.

Tenho lido e ouvido que o nível dos incautos candidatos da atual campanha vem superando os limites do ridículo. O que me induz, por também ser um sujeito ridículo, a aventar minha eventual candidatura. Não penso ser vereador, deputado, governador, senador, esses cargos em que mesmo os eleitos enfrentam uma concorrência desleal.

Serei presidente da República. Isso. É assim que vou dar minha parcela de contribuição à mãe gentil, que de gentil não me tem manifestado absolutamente nada ultimamente. Para tanto, vou providenciar já minha filiação ao PQP, o Partido Qualitativo Popular.

Como serei presidente, tenho de pensar na coletividade. Logo, já tenho rascunhadas algumas prioridades do meu plano de governo, sempre aberto a sugestões. Ei-las:

* Exército nas ruas para fuzilar sumariamente qualquer motoqueiro que trafegue utilizando o limite entre duas faixas de trânsito – motociclistas que obedecem às leis de trânsito serão condecorados de quando em quando. Não será uma medida muito popular em megalópoles como São Paulo e Cascavel, é sabido. Contudo, meu governo não vai configurar uma gestão caça-votos. Vou governar para a coletividade.

* Congressistas prestarão trabalho voluntário, problema deles se moram longe. De segunda a sexta. A meta é reunir, de todo o Brasil, uns 14 deputados e seis senadores. Difícil, mas não impossível. Meu governo não sucumbirá aos desafios.

* No meu governo, dinheiro público só será empregado em causas nobres. Um estádio para o Corinthians, para que cessem as piadas alusivas aos sem-teto. Torcedores corintianos terão regalias especiais em tudo que quiserem, claro. Será, afinal, uma nação legitimamente corintiana, e quem não estiver satisfeito que se mande para a Zâmbia.

* Com a lista ainda à espera de ajustes, o ministério do meu governo já está escalado: Edilson Pereira de Carvalho (Justiça), Ronaldo Fenômeno (Nutrição), Beato Salu (Economia), Plínio Arruda Sampaio (Relações Exteriores), Otávio Mesquita (Ação Social), Chimbinha (Cultura), Lula (Turismo, como não?), David Brasil (Porta-Voz da Presidência), Vera Lúcia Sant’Anna Gomes (Criança e Assuntos da Família), Nelson Piquet (Diplomacia Internacional), Luís Fernando da Costa (Segurança Pública), meu provável sucessor Capitão Nascimento (Forças Armadas). Pra Casa Civil não adianta especular nomes. Se não for a Juli, apanho quando chegar em casa.

* Até como forma de incentivo ao homem do campo, plantio, consumo e distribuição da maconha serão legalizados e regulamentados, tal qual ocorre com o tabaco e os cigarros, que estão custando o olho da cara. Apesar de eu não fumar maconha, meu governo será um governo para a maioria. Preciso garimpar uns votinhos no meio artístico, afinal.

* Sou anti-PT, mas meu governo não será uma panela partidária. Logo, acolhendo nobre sugestão de Edilson Reche (eleitor incondicional de Lula e Dilma), serão acrescentados à lista de benefícios federais o Bolsa Cerveja e o Bolsa Sinuca. Haverá outros, impróprios para o BLuc por haver crianças na parca audiência deste mulambento espaço.

Abre parênteses: foi Reche quem criou o santinho de campanha que abre o post. Como não cobrou nada, não pude mandá-lo ao raio que o partisse por conta da estrelinha com que ilustrou a sigla do partido. Nada de estrelinhas, nem foices, nem martelos. Fecha parênteses.

* Escolinhas de futebol, centros de treinamentos e outras firulas serão desativados pelo Ministério do Esporte, tudo em nome da economia do dinheiro público. Quem quiser praticar atividade física que vá a pé para o trabalho. Se morar perto do local de trabalho, que se mude para mais longe. Nada de vida sedentária.

* No primeiro dia de mandato, instalações como o Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios, Palácio Alvorada e covis congêneres serão desativadas. O governo federal do PQP vai subsidiar a cada integrante seu um laptop e um pente de internet para conexão a 256 kbps, para que despachem de suas casas. Caem, assim, a farra das passagens aéreas, o auxílio extra ao vestuário (eu, por exemplo, vou despachar de pijama e pantufas), as pencas de assessores que nunca ninguém soube explicar.

* Meu governo porá em estudo uma reforma do mapa político, que vai limitar o Brasil a 26 municípios (Maranhão, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas, etc.) e um subdistrito. É mais barato para o cofre público pagar o salário de 26 prefeitos, um subprefeito e 300 ou 400 vereadores. Governadores, secretários de estado, congressistas em geral só servem mesmo pra dar despesa. Vamos combater o supérfluo. As tias do cafezinho e os meninos que pegam fila no banco e fazem nossa fezinha nas casas lotéricas, claro, terão seus empregos assegurados.

* Aos mármores com o papinho de atenção devida à educação, saúde, emprego e segurança. No meu governo, cada brasileiro vai ser virar por conta própria. Tenho visto que isso não é problema do poder público, então que nenhum cidadão venha me aporrinhar o saco presidencial com cobranças dessa ordem.

* Todo brasileiro terá respeitado o direito de saber ler e escrever, e de tomar café da manhã, almoçar e jantar. Se não o fizer, problema dele. Estarei ocupado aprendendo a jogar pôquer presidencial no computador.

* Pra festa da posse já está contratado o show da dupla Luc & Juli. Que somos, por ordem óbvia, eu e minha patroa. Assim, artista nenhum vai pra imprensa me acusar de calote no cachê. O máximo que posso amargar por conta da insolvência é uma discussão em casa.

Vê-se que sairei um ótimo governante. Nessa, parece-me, não dá mais tempo para registrar candidatura. Mas me aguardem para 2014.

Ah, claro. Conto com seu votinho.

Velocidade, chope e boa música. Ótimo!

Pode até parecer propaganda. E é, mesmo. Serve só para quem gosta de animação e boa música. Dez entre dez, penso.

A promoção é do Padaria. Que é um daqueles sujeitos que não definiram ainda o que fazer da vida – enquanto isso, vai se experimentando como colunista de jornal, apresentador de televisão, competidor de artes marciais, promotor de eventos. Reza a lenda que ataca como cozinheiro, também.

O palco da muvuca vai ser o Pantanero Bar, que Juli e eu já elegemos como extensão da nossa casa. Padaria e Mateus Ferreira, o mandachuva da casa, batizaram de 1ª ChopPada. Em que pese o trocadilho infame, tem tudo para ser festa das boas. Cidadão paga a entrada e bebe tanto chope quando conseguir. Há quem vá beber mais que a cota, cada um com seus problemas.

Para mim, festa imperdível. Além de gostar de um bom chope – e o do Pantanero é bom –, não é segredo que aprecio uma boa música sertaneja. Vai ter a tal “violada universitária”, com os músicos de um grupo da FAG, e além disso três das melhores duplas da cidade vão revezar o palco da casa. Sobre duas delas – Flávio Aquino & Gabriel, da foto aí de cima, e Everton & Alex, os da foto abaixo – já falei aqui no BLuc, aqui e aqui. Markus & Alexandre também se apresentam.

Serão cinco horas de som e chope. Antes disso, uma passada pelo autódromo de Cascavel. Depois de uns dois anos, vou narrar uma corrida do Metropolitano de Marcas & Pilotos daqui. Assim que terminar a corrida da Stock Car na televisão, vou pra lá.

Meu domingo vai ser bem movimentado, nota-se.

Fiz história na Granja

A história do evento já deve ter sido contada por quem de direito com seus fatos mais interessantes. Como o BLuc é um espacinho meu e devo ser o único que o lê, faço aqui um registro meu da minha participação no Barrichello Kart Day, anteontem na Granja Viana. Foi a segunda edição de uma farra armada por Rubens Barrichello, onde jornalistas que atuam no automobilismo vão para a pista em provas de kart. Foram 36 participantes, fiquei em 16º lugar, nada mau para alguém que, até então, só havia estado lá para narrar as 500 Milhas do ano passado.

O que passa pela cabeça de Rubens para ter tamanho empenho? Nada mais que dar aos jornalistas, àqueles que noticiam suas atuações nas pistas, a oportunidade de um contato direto com uma ultrapassagem, uma rodada, uma batida, uma retomada de curva, um contra-esterço, enfim, com tudo que um piloto de fato faz. É bem verdade que vários desses escribas são kartistas muitíssimo bem treinados, o que não lhes tira o mérito pela vantagem quase covarde sobre nós, simples mortais. Vamos ao resumo, antes que comece a minha choradeira.

Como contei no post aí de baixo, eu não sentava num kart há uns bons quatro anos. Já podia antever trocadilhos infames como “Luc Duno” ou coisa do gênero. Antes de todos irem à pista, Rubens distribuiu dicas sobre traçado, zebras, retomada, essas coisas. Veio me pedir umas dicas, também, não as neguei. Sou humilde, afinal. Durante tomadas de tempo e corridas, metia-se entre os pilotos na pista, seguia os participantes para analisar o que estavam fazendo, depois pulava à frente para que os jornalistas pudessem ter sua referência de pilotagem. Cortesia que me permitiu acrescentar ao parco currículo apresentado no post anterior “um totó em Barrichello na curva 4 da Granja Viana”, deve ter sido meu maior feito numa pista. Até então, porque na própria prova de anteontem eu consegui fazer história.

Já chego lá, vamos por etapas. Rubens e o capitão Anderson Marsili, que ralou duro para organizar todo o evento festivo, contabilizaram 36 participantes. O suficiente para duas corridas com 18 jornalistas, cada, vê-se que sou um gênio da matemática. Cada prova classificava os oito primeiro para a corrida final. Fui escalado para a segunda eliminatória. Na tomada de tempos, fiquei com o nono lugar no grid – observem ali, o kart número 34, na fila da direita, sou o de macacão azul escuro. E meu drama começou duas curvas depois da largada.

A curva três da Granja Viana, um grampo à direita, foi o palco do primeiro salseiro do BKD. Com um monte de gente rodando por ali, fui lá fora para evitar a confusão. Perdi tempo e algumas posições. Cada volta servia para eu assimilar um pouquinho melhor o traçado, até que meu número 34 apareceu no painel da reta, onde só há espaço para os 10 primeiros. Não faltava muito para conseguir a vaga na final. O oitavo lugar veio a umas cinco voltas do fim. Consegui abrir um pouquinho de vantagem, o suficiente para ficar por ali até o final. Nas últimas duas voltas, depois de analisar as besteiras que eu estava fazendo, Rubens veio à minha frente para dar referência, como na foto lá de cima.

Consegui a vaga na final, cruzei a linha de chegada comemorando feito bobo, acho que Carsten Horst fotografou isso – quero consultar seus copiões digitais tão logo quanto possível. Definidos os 16 nomes da final, o céu fechado e eu preocupado com o horário de tomar o avião de volta, fez-se o sorteio dos karts. Para as eliminatórias, cada um podia escolher o kart que quisesse. Para a final, o sorteio me deu o kart número 25. Bem mais rápido que o da prova anterior. Foi o que começou a me trazer problemas.

Primeiro, porque o kart era tão bom que, nos cinco minutos de tomadas de tempo, fiquei receoso ao final da reta. Não fiz a curva um de pé cravado nenhuma vez. Na “Eau Rouge”, depois da retinha oposta, tinha que dar uma bombeada no pedal da direita, escorregava um pouquinho. Não conseguia me acertar com a zebra da penúltima curva, também, na terceira tentativa de volta rápida saltei por sobre ela. Acabei batendo com a costela na parte de cima da lateral do banco e quase parei por ali mesmo, mas respirei fundo, resolvi continuar. Doía pra cacete, e ia continuar doendo se parasse ali.

Toda essa lambança, claro, me deixou em último no grid. Eu tinha inventado um truquezinho na largada que funcionou na eliminatória, mas acabou não funcionando na final. Fiquei em último até a segunda volta, quando começou o que, uau!, poderia ser uma épica corrida de recuperação. Na terceira volta fiz a minha melhor volta no fim de semana, 49s051, bem melhor que os 49s210 que foi o máximo que consegui na primeira corrida. Na quinta, peguei carona numa tentativa de ultrapassagem ao final da reta, houve um toque, rodei, perdi tempo.

O saldo não era tão positivo na 12ª das 25 voltas. Àquela altura, eu vinha em 12º ou 13º lugar e tinha como meta clara não levar volta do líder, embora não fizesse a mínima ideia de quem estivesse ganhando. No mesmo grampo, alguém rodou à minha frente, não lembro quem era. Ficou parado. Era fácil desviar, mas, por condenável reflexo, fiz um movimento muito brusco no volante. Rodei também, ficamos os dois parados na contramão, fora do traçado. Quando pensei em sair dali, surgiu o kart 38, de um tal Milton. Que, em vez de aliviar o pé e ganhar as posições, cravou lá embaixo. Resultado: veio para cima e me acertou de frente.

Lembram da costela que doeu na tomada de tempos? Pois é, tripliquem o golpe com a pancada frontal do Milton. Acho que não freou, sei lá. Ali, sim, era fim de corrida para mim. Ou não. Dor por dor, vai continuar doendo, pensei de novo, então vamos em frente. E voltei. No primeiro trecho em que precisei frear, percebi que a pancada do Milton tinha arrebentado alguma coisa no meu freio. Não tinha nenhum. Pedal frouxo. Ergui o braço e fui para o box.

Aí, outro drama e outra demonstração de falta de preparo por parte de Crocodilo Dundee, no caso eu. A pista de rolamento dos boxes configura uma descida. E eu chegando ali, sem nada de freios. Um monte de gente andando pelo box. Não fazia idéia de como parar o kart. Tentei forçar o pé sobre o pneu dianteiro direito. Não funcionou. Pus o pé à frente do pneu, vejam meu grau de burrice. O pneu “abraçou” meu pé e o foi arrastando por uns 15 metros. O kart parou, minha tática de frenagem foi muito eficiente. Nem Rubens conseguiu, em toda sua carreira, parar um kart do modo como parei o meu nos boxes. Considerando que por um milagre qualquer eu não quebrei o tornozelo, foi melhor ainda. Vendo como ficou o meu tênis, dá para ter uma ideia da consequência que minha besteira poderia ter alcançado.

Mas fiz história, acho que o Felipe e a Vandeide vão encomendar uma placa com meu nome para exibir no kartódromo, “primeiro a atropelar o próprio pé para parar o kart”, e cada vez que alguém olhar para a placar vai rir e dizer “não era mais fácil provocar uma rodada?”. Na hora do sufoco, não pensei na possibilidade da rodada, que era a melhor solução, claro.

Eu mal conseguia levantar do kart. Na verdade, não consegui, o pessoal da equipe médica me ajudou. Em princípio, o enfermeiro disse que provavelmente havia uma costela trincada, do que não cheguei a duvidar, aquele voo na tomada de tempos rendeu uma batida realmente forte. De qualquer forma, o tempo passava, havia o trânsito paulistano para me complicar a viagem de volta. Dei um tchau generalizado e vim embora, de macacão, mesmo. No aeroporto, vesti uma jaqueta por cima e tudo certo.

Valeu principalmente por rever a galera das salas de imprensa e dos bastidores de autódromos, parceiros como Alexander Grünwald, Betto D’Elboux, Celso Miranda, Déa Amadeo, Érica Hideshima (que não quis correr), Fred Sabino, Lipe Paiga, Natali Chiconi, Nei Tessari, Rafael Lopes, Rafael Munhoz, Rodrigo França, Téo José (também não correu), Victor Berto, Zé Eduardo Martins, acho que ficou explícita aqui a disposição em mera ordem alfabética. E mais o Felipe Motta, a quem fiz questão de procurar depois da primeira eliminatória para me desculpar pelo toque que nele dei numa disputa por posição, e mais um sem-número de novos amigos.

Munhoz, Luiz Vicente, França, D’Elboux e Cássio Cortes foram os cinco primeiros na corrida. Eu fui levantar o meu troféu já em Foz do Iguaçu, a foto não mente. Assim que cheguei a Foz – moro em Cascavel, mas essa várzea aqui não tem um aeroporto decente, e só tocam nesse assunto em época de eleição –, procurei atendimento médico. Enquanto não vinham as chapas de raios-X, doutor Osmar preparou um coquetel molotov com analgésicos e coisas do gênero. Os raios-X mostraram que não houve fratura nenhuma, só uma forte lesão. Devo estar recuperado pra próxima corrida.

(ATUALIZANDO EM 18 DE AGOSTO, ÀS 12h38)
Para quem ainda não viu, um pouco mais do Barrichello Kart Day pode ser visto na matéria que a japa gente fina Érica Hideshima produziu no dia do evento para o “Linha de Chegada”, do SporTV. Vídeo do YouTube:

Profissão piloto?

A foto aí de cima, produzida pelo camarada Orlei Silva, é de 26 de junho de 1994. Primeira etapa da Copa Tarobá de Kart, na pista de Cascavel. O piloto com postura de caminhoneiro e macacão de mecânico, como já definiram, sou eu. Tinha 17 anos e fazia por conta própria – principalmente em termos financeiros – minha primeira tentativa de uma corrida de kart. A categoria era a V4, com motores nacionais, menos potentes que os italianos Parilla, sensação da época.

O grid tinha oito pilotos. Praticamente ninguém sabia nada daquele negócio, deu-se melhor quem errou menos. Sérgio Polina, que tinha (ou tem ainda, não o vejo há anos) uma revenda de sorvetes Nestlé, ganhou a corrida. Adriano Reisdorfer, piloto até os dias de hoje e colecionador de títulos de Marcas & Pilotos, foi o segundo, com Luiz Silvério, hoje repórter da Fórmula Truck nas transmissões da Rede Bandeirantes, em terceiro. Silvério foi quem me tirou da pista na curva da Ferradura e me fez perder uns 40 segundos. Tirou-me do pódio, claro.

Depois disso, participei de mais duas etapas daquela Copa Tarobá de Kart, um sexto lugar e uma capotagem na primeira volta. No ano seguinte, estive em uma etapa do Campeonato Paranaense, bati com Júlio Vianna quando disputávamos o sexto lugar, levei a pior, o Júlio foi sexto, eu abandonei e dei um mau exemplo à beira da pista. Depois fui me desculpar com ele.

Anos mais tarde, fui disputar etapas do Paranaense de Endurance, com um Hot-Fusca envenenadão. Fiz duas corridas, cheguei a liderar o campeonato das 5.000cc, até porque só havia eu inscrito nessa categoria. Mais alguns anos, presenças ilustres e esporádicas, minhas, no Regional de Marcas & Pilotos – o verdão número 18 lá de baixo, emprestado pelo Valdemir “Tainha” Rech, foi o carro da última corrida da minha vida, a que abriu o campeonato de 2006. Houve até bandeira vermelha, o carro de um piloto da mesma equipe que me havia dado espaço pegou fogo, foi um salseiro danado.

E pra que lembrar disso hoje? Primeiro, porque talvez eu nunca tenha outra oportunidade de falar das minhas agruras automobilísticas de novo. Hoje à tarde vou participar no Kartódromo da Granja Viana, ali em Cotia, da segunda edição do Barrichello Kart Day. É uma prova que confronta vários jornalistas que atuam no automobilismo, organizada por Rubens Barrichelo, que, falaram-me, atua como instrutor de todos os braços-duros que lá estarão. Pela movimentação de hoje cedo no Twitter, já fiquei sabendo que Betto D’Elboux ganhou a disputa no ano passado. Alguém disse que Rubens, ao final do evento, vai escrever uma matéria sobre a corrida. Acho que é lenda.

Uma corrida festiva de kart não chega a ser novidade absoluta pro Crocodilo Dundee aqui. Em 2001, o Marc Zimermann organizou em Itu, no Kartódromo Schincariol, o primeiro – e foi o único – Encontro Nacional de Pilotos. A sigla, Enapil, parecia nome de remédio. Lá estavam pilotos de várias categorias, estavam expostos carros de praticamente todas as categorias nacionais, e claro que houve várias corridas de kart durante o dia, entre eles. Uma das corridas foi entre jornalistas. Ganhei, depois de um sujeito que corria na Fórmula 1.600 de São Paulo me infernizar a corrida toda. Não lembro o nome dele. Só consegui ganhar porque pesava 30 quilos a menos que ele e aproveitava bem isso na subida que leva à reta de chegada.

Faz lá uns quatro anos que não sento num kart. Constatação que, somada à alta frequência dos colegas jornalistas nas provas daqui de São Paulo, faz de mim um bom sparring para todos. O primeiro que me chamar de Milka Duno amargará reações hostis, claro.

Meu sócio costuma dizer que todo jornalista que trabalha em automobilismo teve frustrado o sonho de virar piloto. Se for verdade, a rapaziada de hoje vai fazer das tripas coração para ganhar um troféu. Enfim, vamos à Granja Viana. No mínimo, vão sobrar bons motivos para dar risadas depois. Acima de tudo, sou um bom perdedor.

Sou?

Pais e filhos

Essa questão de datas comemorativas tradicionais, por mais insignificante ou subjetivo que o conceito possa ser considerado, acaba mexendo com os brios da gente. Para mim, o Dia dos Pais, que teve origem numa semana de Páscoa, é um desses casos.

Primeiro, óbvio, porque já não tenho mais meu velho por perto, vai fazer dez anos que passou de fase. Segundo, mais óbvio ainda, é porque agora sou eu quem recebe os cumprimentos, as lembrancinhas e o carinho especial da data, coisas que eu sempre tratava de providenciar para o “seu Neinha”.

É o meu quarto Dia dos Pais. Na verdade, o 34º, quarto desde que me tornei pai, é claro. Passei dois desses quatro longe do Luc Júnior. No meu primeiro Dia dos Pais, justamente no primeiro, vi-me tão longe dele quanto jamais estive. Em Pernambuco, eu que moro lá no Paraná. Hoje, de novo, não vai dar para ganhar aquele abraço gostoso. Estou em São Paulo. Meu trabalho me tira bastante de casa.

Juninho é fantástico, acho que todo mundo vê seres fantásticos nos próprios filhos. Às vezes penso que ele tem tudo a ver comigo. Às vezes, pensa à frente do ponto a que a gente imagina que possa ir o raciocínio de um pirralho, como no episódio do canetão, que já contei aqui. Não tento influenciá-lo, tanto é que sou adepto do sertanejo e ele gosta de ouvir rock. Mas de uns tempos para cá, por exemplo, encanou com carros de corrida. Que estão no epicentro de quase tudo que faço.

Até inventamos uma brincadeira em que sou o carro de corrida que ele pilota. Deito, dobro as pernas para formar nas coxas o encosto do banco quando ele senta na minha barriga, ele põe os pezinhos nas minhas axilas (tentei um termo menos afrescalhado para “sovaco”, que julgo muito chulo, mas não achei), dou o indicador esquerdo para ele trocar as marchas, abro o polegar e o mínimo da mão direita para ele usar como volante. Ultimamente ele inventou que precisa parar para arrumar o carro, e com as mãos faz gestos que, me explicou dia desses, são a troca dos pneus. Ele presta atenção às corridas a que eu assisto. É muito divertido para nós dois, talvez contando assim pareça chato.

Juninho preparou na escola a lembrancinha do Dia dos Pais. Coisinhas bobas que emocionam, e por bobas, em vez de algo que se despreze, entendam a simplicidade do trabalhinho de uma criança de três anos. Sei o quanto significa para ele. Ele é que não tem ideia de quanto vai significar para mim quando chegar em casa, terça à noite – acabei esticando a estadia por aqui para atender um outro compromisso –, e receber dele a lembrancinha que ele próprio anunciou por telefone, dizendo que não ia contar do que se tratava porque “a profe falou que é surpresa”.

E vai ser emocionante, o abraço e os parabéns para os quais, imagino, a professora deve tê-lo ensaiado, ou a Juli. Esse molequinho fez a vida valer bem mais a pena. Eu é que tinha de dar a ele os meus parabéns. Escrevendo, aqui, bateu saudade daquela voz aguda, do pique que ele tem e que a gente nunca consegue acompanhar, até do jeitinho de falar como gente grande, que eu acho a coisa mais irritante do mundo em qualquer criança, nele inclusive, mas noto que as crianças de hoje são assim. O abraço que vou ganhar terça à noite vai para a lista das coisas mais positivas do ano, posso apostar.

Sei lá. Às vezes tenho impressão que o seu Neinha está por perto para compartilhar com a gente esses bons momentos.