Números doidos

ABACO

PINHAIS – Gosto bastante de mexer com números no automobilismo. Algum psicólogo menos afeito à minha simpatia questionável atribuiria essa pré-disposição ao conhecimento parco do assunto, no caso o automobilismo, o que segundo os preceitos de tal teoria da era medieval induzir-me-ia (putz!) a recorrer a datas e eventos estatísticos para ter o que dizer na roda quando a conversa orbitar o nosso mundinho das corridas.

Minhas razões para fuçar números são minhas. Além do mais, em trinta e… hã… em muitos anos de vida ainda não torrei dinheiro com psicólogos. Talvez precisasse torrar, é algo que tenho avaliado isento de estatísticas ou subterfúgios afins. Fato é que esse lido recorrente com números e datas me levou a uma constatação de boa fundamentação teórica e à prova de contrapontos jurídicos ou de qualquer outra ordem: os sistemas de pontuação do automobilismo brasileiro são uma zona completa.

Não que não funcionem, frise-se. Funcionam, e bem. A questão é que cada um dos zilhões de campeonatos existentes no país tem um sistema próprio de pontuação aos primeiros colocados de cada corrida, o que submete qualquer projeção matemática à obrigatória conferência dos regulamentos. Cada promotor adota o sistema que melhor atende seus propósitos e o faz valer, não há do que reclamar quanto a isso. Só que fazer contas de cabeça tornou-se inviável – nunca se pode descartar o risco de aplicar a pontuação de um campeonato ao resultado de outro.

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Tomemos o evento do fim de semana em Curitiba como exemplo. A Stock Car, carro-chefe da brincadeira, tem duas corridas por etapa. A primeira, mais longa, premia com pontos os 20 primeiros colocados na bandeirada final, à razão de 24 pontos, depois 20, 18, 17, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1; na segunda, só os 14 primeiros marcam pontos, sendo 15 para o vencedor e, para as posições subsequentes, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, e 1 – desde que todos esses pilotos cumpram pelo menos 75% da distância percorrida pelo vencedor, o que é regra em todas as categorias.

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O Brasileiro de Turismo, categoria de acesso da Stock, passou a ter em 2015 a mesma regra em todas as corridas, sejam etapas simples ou duplas – no ano passado, quando as rodadas duplas foram implantadas, a primeira de suas duas corridas tinha faixa de pontuação menor. Os 16 primeiros colocados de cada etapa marcam, respectivamente, 20, 16, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.

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O Mercedes-Benz Challenge tem duas categorias no mesmo grid, e cada uma prevê pontos para os 15 primeiros ao fim de uma etapa – são, respectivamente, 20, 17, 15, 13, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

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Na Copa Petrobras de Marcas, que também integra o fim de semana de ação em Curitiba, são 15 os pilotos que marcam pontos em cada uma das corridas de uma etapa, à razão de 23, 20, 18, 16, 14, 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

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A Fórmula 3 Brasil não está em Curitiba na programação de fim de maio, mas abriga-se sob o guarda-chuva do mesmo promotor, a Vicar. E tem sua regra própria, com 15, 12, 9, 7, 5, 3, 2 e 1 ponto para os oito primeiros em cada corrida, tanto na classe A quanto na Light.

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No Porsche GT3 Brasil, a categoria Cup, principal do evento, também tem sistemas distintos para as duas corridas de cada etapa. Na primeira corrida, a pontuação distribuída aos 15 primeiros colocados é de 22 pontos, depois 20, 18, 16, 14, 12, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2. Os pontos da segunda corrida seguem tabela próxima dessa, com 20, 18, 16, 14, 12, 10, 9, 8, 7, 6, 5, , 3, 2 e 1. Essa tabela da segunda prova de uma etapa da Cup é aplicada nas duas corridas de cada etapa da Challenge, a outra categoria do campeonato dos Porsche. Aí existem as classes, e essas têm sistemas diferentes, também. Na Cup, tanto a Master quanto a Sport, que têm classificação específica para os pilotos que nelas se enquadram, seguem as mesmas tabelas, premiando os oito primeiros. Na primeira corrida, são 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4 e 3 pontos; na segunda, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2 e 1, sistema que a Fórmula 1 utilizava na década passada e que também se aplica à classe Sport da categoria Challenge.

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A Fórmula Truck, única competição que atribui pontos de bonificação, adotou em 2015 o terceiro sistema de pontuação diferente de sua história. As corridas são divididas em duas partes (a Ana Maria Braga diria que são “duas metades iguais”), separadas entre si por uma intervenção do safety car, que lá é o Pace Truck, e em cada metade há igual atribuição de pontos aos 20 primeiros colocados: 25, 22, 20, 18, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1. Piloto que se ferrou em uma parte da corrida tem a chance de buscar pontos na outra, já que a cronometragem é zerada e reiniciada durante a neutralização. Além disso, á um ponto de lambuja para o piloto que conquista a pole position da etapa e um ponto de lambuja para o autor da volta mais rápida de cada uma das metades da prova – cidadão que encaixar o fim de semana perfeito sai do autódromo com 53 pontos a mais na conta.

Como se vê, as únicas semelhanças nas tabelas de distribuição de pontos estão dentro do regulamento desportivo do Porsche GT3 Brasil, entre suas classes. E olhe que não mencionei o sistema diferente adotado por parte dos campeonatos, casos da Stock Car e da Copa Petrobras de Marcas, para as corridas de encerramento de temporada, com pontuação dobrada – a Stock prevê uma distribuição específica, também, para sua etapa de abertura de trabalhos, aquela em que os pilotos titulares formam duplas com convidados de renome internacional.

Portanto, assumo aqui o primeiro dos compromissos que um dia vão compor minha campanha à presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo: sistema de pontuação único para todos os campeonatos sobre quatro ou seis rodas existentes no país. A concorrência do #DataLuc vai agradecer, mas não ligo. Trabalho pelo bem comum.

Tela veloz

253609_503463_sabado_luca_bassani_cascavel__6_PINHAIS – Uma pintura, como dizem, a foto produzida pelo Luca Bassani no sábado passado, durante a etapa do Porsche GT3 Cup em Cascavel. Publicá-la-ia na sessão “Instantâneos”, se a tivesse visto antes, mas vi só agora, fuçando nos e-mails da semana passada em busca justamente disso, de uma foto do evento para ilustrar esse post. O Luca atrás da lente é um artista, há que se reconhecer.

E eu fui vasculhar e-mails para quê? Ora, para lembrar ao eleitorado, como de costume, que as quatro corridas da etapa da semana passada em Cascavel serão exibidas em VTs compactos neste domingo, a partir das 12h30, na Rede Bandeirantes. Geração de imagens da minha conterrânea Master/CATVE com produção final da rapaziada tranquila da Auto+. Narrei a etapa tendo como comentarista o piloto Pedro Muffato.

A próxima etapa do Porsche GT3 Cup, quarta do calendário, vai acontecer no Velo Città no dia 27 de junho. Já sei que ao meu lado estará mais um nome do grid da Fórmula Truck, estreando como comentarista de televisão. Vai ser divertido.

É, parabéns…

CIDADE MARAVILHOSACASCAVEL – Carente da devida vírgula e irônica pela própria natureza, a inscrição “Parabéns cidade maravilhosa” foi o que mais me chamou atenção nesta foto de divulgação que “O Globo” publicou ontem à noite, em matéria que anuncia o leilão da estrutura que tomou o lugar do finado autódromo de Jacarepaguá, no Rio.

É essa matéria aqui, para quem tiver interesse em ler.

Enquanto isso, mais milhões nossos vão sendo investidos – esse é o termo que podemos usar sem risco de processo por insinuação de práticas como superfaturamento, propina e desvio – na construção do Parque Olímpico para a Rio 2016. Essa estrutura, claro, vai ter os mesmos meios e o mesmo fim.

Quatro horas de corridas

GAZETA 2 - STOCK CAR (Bruno Gorski)

CASCAVEL – Quatro horas de corridas. É isso que nos reserva o fim de semana no Autódromo Internacional de Curitiba, para onde já se dirige toda a horda do automobilismo brasileiro em seus mais variados âmbitos – com o devido perdão pelo mau termo.

Que ninguém intua nada relativo ao Endurance Brasil, que começou encorpado com duas boas corridas no Rio Grande do Sul, em que pese os dirigentes torcerem o nariz para o uso da palavra “Brasil” no nome do campeonato, sob a prerrogativa de determinado adendo. Menos ainda algo relativo à prova 800 Quilômetros de Curitiba, que essa vai acontecer só em 5 de julho e dela só o que sei até o momento, além da data, é que está sob a batuta do incansável Daniel Procópio, que ainda tenta incluí-la no calendário do Endurance… hã… bem, do Endurance Brasil.

Falo do fim de semana em Curitiba, deste que se aproxima, dias 30 e 31 de maio. A programação dos treinos livres e classificatórios vai começar na sexta-feira, e as corridas, válidas por quatro campeonatos, vão acontecer no sábado e no domingo.

O carro-chefe da festa, claro, é a Stock Car, com seu Circuito Schin, com as duas corridas no domingo. A primeira com 48 minutos e mais uma volta, a segunda com 28 minutos e mais uma volta. Arredondemos para 80 minutos de corrida, que é o que vai dar no fim das contas, salvo uma interrupção de alguma prova por bandeira vermelha.

GAZETA 1 - TURISMO (Vanderley Soares)

Tem também o Brasileiro de Turismo, categoria de acesso à Stock. As duas corridas, uma no sábado e outra no domingo, têm a mesma duração, 30 minutos e mais uma volta. Grosso modo, vamos a mais 63 minutos de corridas. A Copa Petrobras de Marcas terá, igualmente, uma corrida no sábado e outra no domingo, cada uma com 25 minutos e mais uma volta. Coloque mais 53 minutos na conta. Por fim, o Mercedes-Benz Challenge, esse com corrida única, de 45 minutos e nem mais um centavo.

Colocando desta forma, serão exatos 241 minutos de corridas. Ok, quatro horas, não precisamos fazer tanta conta assim. Fora isso, somando treinos livres e classificatórios, teremos mais de doze horas de motores roncando – 7h50min de pista liberada na sexta-feira, outras 4h30min no sábado.

Aí abaixo destrincho a programação completa do fim de semana, considerando apenas (“apenas”?) as sete corridas e os horários de suas largadas.

Sábado

14h05 – Campeonato Brasileiro de Turismo (primeira corrida, 30 minutos mais uma volta)

16h05 – Copa Petrobras de Marcas (primeira corrida, 25 minutos mais uma volta)

Domingo

8h40 – Campeonato Brasileiro de Turismo (segunda corrida, 30 minutos mais uma volta)

10h00 – Copa Petrobras de Marcas (segunda corrida, 25 minutos mais uma volta)

11h15 – Mercedes-Benz Challenge (corrida única, 45 minutos)

13h05 – Stock Car (primeira corrida, 35 voltas, ou 48 minutos mais uma volta)

14h20 – Stock Car (segunda corrida, 20 voltas, ou 28 minutos mais uma volta)

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À luz do luar

253621_503591_foto_luciano_santo___sigcom__3_CASCAVEL – O título do post é bem besta, estilo poema de quinta categoria, mas não importa. Estou sem tempo e sem cabeça para pensar em algo melhor. O que importa é que os momentos legais do esporte sobre rodas no fim de semana não foram privilégio exclusivo de Cascavel. Em Londrina, a quatro horas de carro daqui, a Sprint Race Brasil reeditou na terceira etapa da temporada o passo mais ousado de sua história – a realização de uma etapa à noite, já experimentada em 2014.

Envolvido que estava com as coisas e causas do Porsche GT3 Cup pelas bandas de cá, mal pude acompanhar o que rolou na Capital do Café. Só o que ouvi e li foram, tal qual aqui, relatos festivos e elogiosos ao evento, que terminou em balada no 2800 Music Club, com a devida exposição, na entrada, do carro do vencedor Juninho Berlanda. Acabei perdendo essa, também. Vou torcer para a corrida noturna do ano que vem não coincidir com nenhum outro campeonato. Numa dessa arrisco uns acordes no show da festa.

Nos próximos dias teremos o que de melhor aconteceu na noite londrinense, na pista e fora dela, na exibição do VT da etapa pelo Bandsports e pela PlayTV.

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À moda da casa

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CASCAVEL – Não tenho falado de outra coisa nos últimos dias. Até tenho, mas me refiro agora ao que se fala em público. A terceira etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, que teve suas corridas no último sábado no Autódromo Internacional Zilmar Beux, escreveu de vez o nome de Cascavel na história do esporte sobre rodas. Desde dois dias atrás, absolutamente tudo que existe ou existiu no automobilismo brasileiro passou pela cidade. Só faltavam os Porsche. Não faltam mais.

Na pista, como era de se esperar, corridas muito boas. Na categoria Cup, a primeira vitória foi de Ricardo Baptista e a segunda coube a Franco Giaffone, que retornava ao grid. Já foram seis corridas em 2015 e contabilizamos, até agora, seis vencedores diferentes. Quer equilíbrio maior? A Challenge teve uma vitória do Elias Azevedo, que ainda não havia ganhado nenhuma – por incrível que pareça!; segundos lugares ele já tem sete – e é o novo líder do campeonato, e outra do JP Mauro, terceira dele no ano.

Talvez seja precipitado afirmar que o Porsche GT3 Cup caiu na graça de Cascavel. Uma eventual volta da competição à cidade nos poderá dar mais parâmetros para essa constatação. E por que falar em outra etapa em Cascavel? Porque a cidade, sim, caiu na graça do campeonato, de pilotos a integrantes da equipe técnica. Não só pela pista de corridas, atraente que é aos olhos dos pilotos por ter a maior média de velocidade do país. Falo da cidade, mesmo. A acolhida a quem veio de fora, muitos deles pela primeira vez, surpreendeu. O clima de evento oferecido pelos cascavelenses soou como novidade ao campeonato, que já havia passado por dez autódromos em quatro países.

Pedro Muffato, que atuou como comentarista das corridas na transmissão pelo Terra e pela Rede Bandeirantes, teceu no ar um agradecimento à categoria “em nome de Cascavel”, em palavras que tomo para mim, cascavelense que sou. Nesse caso específico, dou-me a liberdade de falar pelos dois lados: o Porsche GT3 Cup também tem muito a agradecer à cidade pelos momentos históricos do último fim de semana.

Que venha a próxima. De modo ou outro, estarei lá curtindo.

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Novato no ninho

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CASCAVEL – Em 48 anos de automobilismo, quase 49, Pedro Muffato fez quase tudo que uma pista de corridas pode proporcionar a um piloto. Hoje, acrescentou mais um feito inédito a seu currículo: pilotou um carro do Porsche GT3 Cup em Cascavel.

Não foi exatamente um treino. Foi uma experiência, por assim dizer. “Uma experiência indescritível”, segundo o Pedro, que ficou maravilhado com o Porsche 911 GT3 da geração 997, devidamente personalizado pela organização da categoria com seu nome e seu número 20 para a ocasião.

Antes do treino, Pedro aproveitou para pôr o papo em dia com o velho amigo Nelson Piquet, que também tem feito seus treinos com carros da categoria.

Tem bastante gente me perguntando se o Pedro vai participar das corridas ou se só treinou, mesmo. Honestamente, nem eu sei. Acharia interessantíssimo, como a maioria acha, o Pedro alinhar um carro número 20 no grid de sábado. O único problema é que, se isso acontecer, fico sem comentarista para a transmissão da corrida pelo Terra e pela Band.

Por via das dúvidas, já vou atrás de uma segunda opção de comentarista.

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