A voz do povo

CASCAVEL – Não creio que a televisão tenha dado grande destaque a essa parte do show do Detonautas no Rock in Rio.

O que não dá para entender é uma cidade como o Rio de Janeiro ser eternamente contrária às porcarias que elege para governar. Ou, por melhor dizer, é o que não se consegue compreender é um lugar de tamanha relevância não ter a competência de lançar uma, ao menos uma, opção decente para receber o voto da população de quatro em quatro anos.

É um meio dominado por canalhas, não há como negar, esse da política. Enquanto isso, que o público se manifeste à vontade. De cara limpa, como sugeriu o Tico Santa Cruz.

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Livres para voar

SÃO PAULO – Antes de receber a opinião dos dezenas de pilotos de motovelocidade que conheço, já deixo a minha: o que temos aqui é banditismo.

A matéria desse vídeo aqui foi mostrada pelo MGTV, da Globo mineira.

É mais um caso, o mostrado na reportagem, daqueles em que faço questão de diferenciar motociclistas de motoqueiros. Os que a matéria mostrou são motoqueiros. É mais um caso, sobretudo, que comprova ser o Brasil um país onde tudo que é errado é certo. Somos o país da impunidade. A única função real da lei é servir como material para advogados encontrarem brechas.

Deve ser prazeroso, isso no meu caso é mera suposição, pilotar uma moto dessas a 150, 200, 300 km/h. Vejo bastante isso nas corridas do Moto 1000 GP, organizadas pelo Gilson Scudeler, e do Superbike Series, pelo Bruno Corano, eventos que frequento com certa assiduidade. Eventos que proporcionam ambiente e condições aos pilotos para extravasarem. É isso que piloto de moto faz, afinal. Mais que dar show e mostrar que é bom e que o esporte é bom o bastante para fazer quem está fora da pista roer as unhas, pilotos usam suas máquinas e sua habilidade para extravasar em treinos e corridas. Todo mundo precisa extravasar, afinal. E quando algo sai errado num treino ou numa corrida, lá está toda uma equipe de profissionais e um aparato de segurança para minimizar consequências. Que em alguns poucos casos acabam sendo trágicas. Velocidade implica risco, desde sempre.

Nas vias públicas é diferente. E não se trata, aqui, de preocupação com as fuças dos motoqueiros. Se querem arriscar suas vidas em nome do prazer, o problema deveria ser inteiramente deles, aliás, sem que blogueiros do interior do Paraná se metessem com isso. Não é o caso. Arriscando suas vidas, arriscam também a de todo mundo que usa as mesmas vias públicas convertidas por eles em pistas de corrida.

Antes que apareça o tosco argumento “corrida é só para ricos”, não são as corridas e clínicas de pilotagem em autódromos as únicas opções para o exercício sadio da paixão pelo mundo sobre duas rodas. Enquanto motoqueiros fazem baderna nas ruas e nas rodovias, motociclistas organizam-se pelo Brasil inteiro em eventos bem organizados, encontros que atraem apaixonados de todos os cantos do país – alguém já disse que são quatro, os cantos -, sempre recheados de bons atrativos, bem organizados e pautados no que permitem as regras de boa conduta, que nada têm a ver com a escrotidão proposta pela deputada estadual carioca Myrian Rios. Cascavel, onde vivo, foi referência por alguns anos com o “On The Road”, organizado por um grupo liderado pelo Augusto Bittencourt. Quem é do ramo diz que jamais houve nada igual. Quanto à baderna nas vias públicas, somo não se fiscaliza e não se pune, vai continuar tudo como está. Em Minas, onde não há pistas de corridas, e no país todo.

Boa, Zeca

NENHURES – É legal estar perto de heróis de vez enquanto. Encontrei um ano passado ou retrasado, não lembro quando, só lembro onde. Estava questionando alguém que não providenciou seu jornal no tempo esperado.

Era o Zeca Pagodinho. Que deve aparecer em todos os jornais de hoje por ter feito o que quem ganha pra fazer não faz.

Suponho que muita gente, políticos não incluídos, tenha se mobilizado em prol das vítimas de Xerém. Zeca, famoso, acabou sendo o representante de toda essa legião de voluntários.

Enquanto isso, a corja que assina papéis no Brasil aplaude a posse do condenado Genoíno e presta sua solidariedade à vereadora petista presa por forjar o próprio sequestro.

Deletem o Brasil e recomecem-no, por favor.

ATUALIZANDO EM 4 DE JANEIRO, ÀS 11h09:

Falou tudo, o Zeca: Dá nojo de político, dá nojo dessa gente bandida.

Serviço 24 horas

SÃO PAULO – Meu costume de levar as coisas na base do bom-humor pode induzir alguém a achar que se trata de brincadeira, mas não é. Merece um registro, talvez.

Eram 18h40, eu estava finalizando o post sobre o estado calamitoso vivido pela Spyder Race no automobilismo quando um entregador acionou a buzina da moto ali no portão. Fui ver do que se tratava. Tinha nas mãos um pacote e procurava por mim. “É do Holly’s”, exclamou, com o orgulho típico de um funcionário que veste a camisa da empresa para a qual trabalha.

O tal embrulho continha o lanche que pedi ontem à noite, pela internet. Depois de uma rápida busca por um delivery no Google, caí no site da Mondo Pizza, onde preenchi um rápido cadastro e fui redirecionado ao cardápio da lancheria Holly’s. Escolhi algo que me pareceu bom, não lembro agora. Meu pedido, feito pela internet, foi concluído às 23h01. A previsão manifestada para entrega era de 40 minutos.

Fui dormir quase à uma da manhã, sem comer – o que não chega a ser exatamente um mau negócio, dado meu ganho de peso exagerado nos últimos meses. Mas a única coisa que me deixa mais mal-humorado que a fome é o sono. Fui dormir azedo, azedo acordei. Logo passou. E fui obrigado a rir quando o rapaz do Holly’s, bastante solícito, chamou ao portão para entregar o pedido do senhor Luciano. Como observou alguém no Twitter, é uma nova modalidade de serviço 24 horas, critério que atestaria a eficiência do serviço do Holly’s, que levou apenas 18 horas e 39 minutos para me atender. O rapaz levou o lanche de volta, claro.

Comentando o episódio todo aqui com o Pedro Rodrigo, que é o meu anfitrião – na semana que vem vamos inverter os papéis -, ele lembrou que foi no Holly’s, eu não havia feito tal associação, que passei raiva tempos atrás, quando lá chegamos, um grupo de três, e pedimos três lanches. Fui o primeiro a fazer o pedido, vi meus dois amigos comendo até lamberem os beiços e de lá saí de estômago vazio. Meu lanche não saiu.

Acho que o problema é comigo.

20 minutos

CASCAVEL – Não vai mudar nada, como nada muda nada, mas fica o registro.

Reza a lenda que há uma lei determinando em 20 minutos o tempo máximo de espera em filas de bancos. A Juli foi ao Bradesco agora há pouco, sei lá o que ela tinha pra resolver lá. Tirou a senha 033 para atendimento, até mandou a foto aí. Falta foco, mas a senha foi retirada às 11h16. O atendimento aconteceu faltando poucos minutos, menos de dez, para o meio-dia.

Não foi lá a maior demora do mundo, é verdade. Mas chama atenção o descaso do banco com a clientela quando a Juli narra que havia apenas uma operadora de caixa atendendo todo mundo. Uma. É por descasos assim que já abrimos conta noutro banco, o Santander, que é bem mais viável, embora seja contumaz em ter os terminais de autoatendimento “fora do sistema”. Sempre há o sistema pra ferrar a agenda de alguém, em tudo.

Do episódio de hoje, fica ao menos um palpitezinho pro jogo do bicho. 033 é cobra. Acho que vou voltar a fazer minha fezinha no bicho. Num país que não consegue fazer valer uma lei simples como a da permanência máxima em filas, corno nenhum vai poder falar uma vírgula sobre eu tentar uns cobres numa jogatina que, por não recolher impostos, é taxada como contravenção. E paga 16 por um no grupo, que é uma das apostas mais simples.