Na íntegra: Duas Horas de Guaporé

CASCAVEL – Vou dar uma pausa na agenda do dia para degustar, não sem antes compartilhar com vocês, a edição em vídeo das Duas Horas de Guaporé. Corrida que aconteceu no último dia 16, valendo pelo Campeonato Gaúcho de Superturismo.

Foi o fim de semana em que pude, enfim, participar de uma corrida em Guaporé, coisa que eu sonhava fazer bem antes de começar a correr. Fui à pista em dupla com o Bruno Ceccagno, com quem dividi o GM Corsa número 66 da Leandro Motorsport. Terminamos em quarto lugar na categoria TL, mas com a desclassificação técnica do carro vencedor fomos proclamados no pódio em terceiro lugar. O Telmo Júnior já despachou o troféu para Cascavel, o lugarzinho dele já está reservado na estante.

A edição é do Marcos Moschetta, com narração do irreverente Ademir Moreira – o “Perna”, para quem não o conhece pelo nome.

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Na íntegra: Endurance Brasil 2018, 1/7

CASCAVEL – Semana de retomar a temporada do Endurance Brasil. A segunda etapa, sábado, colocará em disputa a vitória na Chevrolet Absoluta 500. Previsão é de quase quatro horas de prova. Aqui e ali já rolam apostas quanto ao grid. Caseei meus níqueis em um número recorde, que não vou expor aqui para evitar que confundam com uma propaganda política que eu não faria.

A temporada teve início no dia 28 de abril, com as Quatro Horas de Curitiba. A corrida foi transmitida ao vivo pela internet, com narração minha, comentário do Bruno Monteiro e reportagem da Juliana Marques – vamos repetir a trinca em Interlagos, com a geração de imagens da Via Satélite.

Na íntegra: Sprint Race 2018, 3/8

CASCAVEL – Segue aqui o VT com os principais momentos da terceira etapa da Sprint Race Brasil, que movimentou Interlagos no fim da semana retrasada com uma corrida que premiou os mais rápidos do treino classificatório com pontos e inverteu as quatro primeiras filas do grid. “Inverse Grid” é o nome da etapa. A produção é do Beto Borghesi e da rapaziada do Velocidade Máxima, com narração minha.

A temporada da Sprint Race, que começou em Curitiba e depois visitou pela primeira vez o circuito uruguaio de Rivera, vai ter sequência no dia 21 de julho, com a “Sprint Night Challenge”. Etapa noturna, em Londrina.

#GoldClassic em dois grids

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Março de 2016, em Curitiba, na última vez em que equipes de várias partes do país se reuniram para um torneio extracampeonato. A farra em Cascavel na #GoldClassic vai ser bem maior.

CASCAVEL – Vocês que me leem vão lembrar que, num post de fim de maio (que tratei de excluir depois para evitar confusões em eventuais consultas), eu disse que por força das regras não passaríamos de 40 carros no grid da #GoldClassic. Bem, eu estava errado. Apesar da Federação Paranaense de Automobilismo nos ter instruído sobre ser esse o limite para corridas no formato do nosso torneio de clássicos e antigos em Cascavel, a coisa tomou uma proporção que num primeiro momento assustou.

A #GoldClassic, para quem não sabe, é um minitorneio que vai integrar, entre 16 e 18 de novembro, a programação da 32ª Cascavel de Ouro, no Autódromo Zilmar Beux, cá em Cascavel. Como não temos pelas bandas de cá nenhum equivalente da categoria Classic Cup, a partir do momento em que o promotor Edson Massaro autorizou a abertura de espaço para a competição dos antigos em Cascavel, fomos atrás dos pilotos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo, de Minas Gerais, do Paraná – justiça seja feita, vários deles, atraídos pela notícia de que haveria a competição, é que vieram atrás de nós. E foi questão de dias para rompermos, com boa sobra, o limite de 40 carros.

Numa situação dessas, o que fazer? Como são sete as classes em disputa, a solução que formatamos foi a divisão do grupo em dois grids. Um deles, mais forte tecnicamente no que diz respeito ao potencial dos carros, vai reunir os participantes das classes Força Livre, GTS, GTL, Turismo Super e Fusca Cup. O outro, de menor velocidade e – ao que me parece – maior competitividade, terá as classes Turismo Light e Speed Fusca, esta última baseada no regulamento do Campeonato Metropolitano de Londrina, de onde vêm maioria dos inscritos. A Fusca Cup, na primeira divisão, também integrava esse grid, e acabou realocada para o grupo dos mais fortes para atendermos as demandas manifestadas.

Haverá boxes para todo mundo da #GoldClassic no autódromo?, é o que têm me perguntado praticamente todo dia. Não, não haverá. Para ninguém, aliás. Como a Cascavel de Ouro e a Sprint Race Brasil vão ocupar todos os 27 boxes disponíveis, desde o início sabemos que os belos exemplares do grid clássico serão acomodados em tendas fechadas distribuídas pela área de boxes, a partir de um mapa que já estamos estudando com método e com carinho. A probabilidade de montarmos essa estrutura na área dos boxes antigos do autódromo é muito grande. E se o novo limite estourar de novo? Bem, agora não há mais o que fazer. O máximo para cada um dos grids é mesmo de 40 carros.

A situação me faz lembrar de uma senhora que anda um tanto esquecida. Afinal de contas, estipulamos a meta, atingimos a meta e dobramos a meta. Abaixo deixo um álbum de fotos de algumas das máquinas que vão compor os grids da #GoldClassic, em novembro. Abaixo das fotos, a lista dos participantes devidamente inscritos. É essa a lista que vou atualizando conforme novas adesões forem confirmadas.

 

 

 

 

1 – Neno Oliveira (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes (Speed Fusca)

2 – Deninho Casarini (SP), VW Puma/Casarini Racing (GTS)

3 – Niltão Amaral (RS), VW Passat/Brazauto Racing (Turismo Super)

6 – Caio Lacerda (SP), VW Passat/HT Guerra (Turismo Super)

7 – Érico Sávio (PR), VW Fusca/Sávio Sorvetes (Speed Fusca)

8 – Cleber Fonseca (PR), Ford Escort/Fast Racing (Turismo Light)

9 – José Newton Ficagna (PR), Ford Escort/Ficagna Competições (Turismo Light)

11 – Gelson Veronese (PR), VW Apollo/Sete Motorsport (Turismo Light)

12 – César Ferro/Marcelo Rampazzo (PR/PR), VW Fusca/Feinho Racing (Speed Fusca)

13 – José Antonio Sala (RS), VW Fusca/Equipe Sala (Força Livre)

14 – Geraldo Mesquita (MG), VW Passat/Greff Motor Club (Turismo Light)

15 – Ademar Fedrigo/Luiz Gehring (PR/PR), VW Fusca (Speed Fusca)

16 – Beto Haus (PR), VW Gol/Cortina Competições (Turismo Light)

17 – Humberto Guerra Júnior (SP), VW Passat/HT Guerra (Turismo Light)

18 – Douglas Speto (SP), VW Voyage/Spirit Race (Turismo Light)

19 – Paulo Cury (SP), VW Passat/Cassarini Racing (Turismo Super)

20 – Denísio Casarini (SP), Porsche 914/Casarini Racing (Força Livre)

21 – Léo Freitas (MG), VW Puma/Greff Motor Club (GTS)

22 – Joacir Alves (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

27 – Wanderlei Berlanda (SC), GM Omega/MIG Motorsport (Força Livre)

28 – Mallaco Maam (SP), GM Opala/Odeon Racing (Força Livre)

29 – Jorge Mansur (MG), VW Fusca/Greff Motor Club (Turismo Light)

30 – Henry Grosskopf (SC), VW Brasília/HG Custom (Turismo Super)

32 – Reinaldo Cangueiro (SP), VW Karmann-Ghia/HT Guerra (GTS)

33 – Beto Lacombe (RS), VW Gol BX/Lacombe Motorsport (Força Livre)

35 – Marcos Sommer (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)

39 – Cleiton Krause (RS), Fiat Uno/Castelo Pack (Turismo Light)

40 – Tiago Schaedler (RS), Fiat 147/Fórmula Uno Racing-Fast Racing (Força Livre)

41 – Ike Nodari (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)

43 – Hamilton Morsch (PR), GM Chevette/SydiMotorsport (Turismo Light)

44 – Guilherme Fubá (MG), VW Puma/Greff Motor Club (GTS)

45 – Marcelo Tizzot (PR), VW Fusca/Tumiate Competições (Speed Fusca)

46 – Edson Massaro (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

47 – Fred Mesquita (MG), GM Chevette/Greff Motor Club (Turismo Light)

49 – Marcelo Pacheco (SC), Fiat Uno/Bonora Racing (Turismo Light)

53 – Milton Borges Vieira (PR), VW Voyage (Turismo Light)

54 – Rafael Lopes/Ricardo Domenech (SP/SP), GM Omega/RC Racing (Força Livre)

55 – Estevam Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

63 – Miguel Galli (PR), VW Fusca/equipe a definir (Speed Fusca)

64 – Marcos Philippi (SP), Ford Maverick/Philippi Racing (Força Livre)

66 – Luc Monteiro (PR), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

69 – Fernando Brock (RS), Bianco S/Eltz Racing (GTL)

73 – Flávio César (MG), GM Chevette/Greff Motor Club (Turismo Light)

74 – Fabiano Schneider (SC), GM Chevette/Pinduca Racing (Turismo Light)

75 – João Ometto Neto (SP), GM Opala/JON Racing Team (Força Livre)

77 – Luciano Cortina (PR), VW Gol/Cortina Competições (Turismo Light)

78 – Thiago Macedo (MG), GM Chevette/Greff Motor Club (Turismo Super)

83 – Antônio Pitta Neto/Tarcilo Pimentel Sobrinho (CE/CE), VW Passat/Spirit Race (Turismo Super)

84 – Miguel Beux (PR), Avallone-Chevrolet/Beux Competições (Força Livre)

86 – Anderson Baggio (RS), VW Voyage/Baggio Racing Team (Turismo Super)

88 – Júlio Saravy (PR), VW Fusca/Julião Racing (Speed Fusca)

97 – Felipe Schumann/Cesar Cardoso (RS/RS), GM Chevette/Fast Racing (Força Livre)

99 – João Cury (SP), VW Fusca/Wessler Racing (Fusca Cup)

112 – Carlos Guizzo (RS), VW Fusca/Guizzo’s (Speed Fusca)

113 – Bruno Campos (MG), VW Passat/Greff Motor Club (Turismo Super)

128 – Vanessa Mallaco (SP), VW Fusca/Odeon Racing (Speed Fusca)

133 – Duda Weirich (PR), VW Voyage/Weirich Competições (Turismo Light)

147 – Jeff Foitte/Anderson Rieper (SC/SC), VW Gol/Devassos Racing (Turismo Light)

148 – Sérgio Rocha (RS), Ford Escort/Lopes Car (Turismo Light)

192 – Anselmo Canelas Júnior (SP), VW Passat/X Power (Turismo Light)

211 – Rodrigo Pupo/Clifford Jelinsky (SC/SC), VW Fusca “Zé-do-Caixão/Devassos Racing (Turismo Light)

222 – Fábio Tokunaga (PR), VW Gol/RedFoot Racing Team (Turismo Light)

233 – Manoel Salgueiro (MG), VW Passat/Greff Motor Club (Turismo Light)

302 – Leovaldo Petry (RS), Ford Maverick/Project Motorsport (Força Livre)

333 – Tony Manhani (PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

339 – Rafael Schuhli/Rogério Schuhli (PR/PR), VW Puma (Força Livre)

454 – Daniel Kelemen (SP), GM Opala/RC Racing (Forca Livre)

666 – Luiz Carlos Preto/Luiz Fellipe Preto (PR/PR), VW Fusca/Grilo Motorsport (Speed Fusca)

777 – PH Costa (PR), VW Voyage/Red Foot Racing Team (Turismo Light)

888 – Júnior Herzog (PR), GM Chevette/Auto Molar (Turismo Light)

899 – Alexandre Martins/Adriano Martins (SC/SC), VW Gol/AVM Racing (Turismo Light)

911 – Ronaldo Cesar Silva/Renan Silva (PR/PR), VW Voyage/Ronaldo Racing (Turismo Light)

913 – Carlos Estites (SP), VW Passat/HT Guerra (Força Livre)

Na íntegra: Porsche Carrera Cup 2018, 4/9

CASCAVEL – De volta ao lar, e antes que fique tarde, eis aqui as corridas que compuseram ontem a quarta etapa do Porsche Império Carrera Cup e do Porsche Império GT3 Cup, em São Paulo. O VT reproduz a transmissão ao vivo que o evento teve nas plataformas digitais mantidas pela categoria, com imagens da Master/CATVE, narração minha, comentário do Tiago Mendonça e reportagem da Theodora Gouveia.

É necessário que se diga. Alguns dos resultados que anunciamos ontem, ao término das corridas, passaram por modificações a partir da análise que os comissários desportivos fizeram dos incidentes de pista. Está tudo explicadinho no link a seguir, do site da categoria.

As corridas da Carreca Cup, considerando o vídeo postado abaixo, têm sua transmissão iniciada a 3min20s e a 3h59min54s. No caso da GT3 Cup, essa atenção começa a 1h06min45s e a 5h06min08s – no caso desta última prova, uma pane qualquer nos sistemas da internet acabou derrubando a transmissão, motivo pelo qual a equipe de produção do campeonato já está providenciando a devida postagem no YouTube – que será incorporada aqui tão logo esteja disponível.

Foi o terceiro evento consecutivo da categoria no autódromo de Interlagos, por efeitos de circunstâncias bastante atípicas. A segunda, em abril, já estava agendada para lá, mesmo. A terceira, no mês passado, foi inicialmente programada para Goiânia, mas as obras de reforma no autódromo do Centro-Oeste forçaram uma readequação. A de ontem, pelo calendário original, aconteceria em Thermas de Río Hondo, aquele fantástico paraíso argentino das corridas de carros e de motos. Só que a operação logística para uma corrida fora do país, tarefa com que o Porsche Cup Brasil já está até habituado, esbarraria nas consequências da paralisação que os profissionais do transporte rodoviário fizeram no fim do mês passado. Esperar as coisas voltarem à normalidade era uma incógnita à época e poderia culminar no cancelamento do evento. Era melhor garantir a etapa, e a opção mais correta para isso seria realocar as corridas em sua data original, novamente em Interlagos.

Agora damos uma pausa no campeonato das corridas curtas para, como diz o Mendonça, “virar a chavinha”. O quinto evento do calendário, no dia 27 de julho, vai abrir a terceira temporada do Endurance Series, com uma corrida de três horas de duração. Em Interlagos, como previa o calendário desde o início.

Na pista, os 70 anos da Porsche

70 ANOS 1

A invejável frota do Porsche Cup Brasil voltou a ocupar Interlagos na tarde de ontem, numa disposição atípica e histórica para celebrar as sete décadas de história da marca. Fotaça do Luca Bassani.

SÃO PAULO – Quando seis anos atrás o Dener Pires fez acontecer uma ideia quase maluca que lhe ocorreu rabiscando guardanapos durante um almoço, decretei: você nunca vai conseguir superar essa. Afinal, ficou fantástico resultado da produção que levou o Porsche GT3 Cup a escrever em plena reta do autódromo português de Estoril a palavra “Porsche” usando 48 carros da marca – quem não lembra pode ver esse resultado aqui. Muitas outras fotos foram produzidas desde então, e na minha insignificante avaliação nenhuma delas tinha conseguido superar aquele imponente “Porsche” acompanhado da bandeira brasileira no retão estorilenho.

Até ontem. Numa ação alusiva aos 70 anos da Porsche, exatos 70 carros da marca foram posicionados no S do Senna aqui de Interlagos reproduzindo a logo alusiva à marca comemorativa. Uma lista que incluiu exemplares do Porsche 911, do Porsche 356, de alguns outros modelos e, cereja do bolo, o 908/02 Spyder que o próprio Dener posicionou estrategicamente ao fim da ação. Foi um daqueles momentos com a cara e a alma do campeonato que “o filho do Dener” criou, fez crescer astronomicamente e que está em sua 14ª temporada.

Há um vídeo bem bacana, também, mostrando todo o trabalho de produção. Ele pode ser visto no site da categoria, na página do Facebook, no canal do YouTube, também no perfil do Instagram. Dá para baixar o vídeo a partir desse link aqui. Seis anos atrás falei ao Dener não conseguiria se superar na questão da imagem para a foto. Esqueci, na ocasião, de com quem estava lidando.

Meu pódio na estreia

CELIO 5

Um brinde ao Betão Fonseca, ao Wagner Agostinho, ao Pedro Pimenta e a toda a rapaziada da CenterBUS-Sambaíba, em foto do Célio Debes Jr. que vai virar quadro na sala do meu novo apartamento.

SÃO PAULO – Não tenho falado em outra coisa nos últimos dias, mas não tem problema. Vai demorar para cansar de abordar a participação que tive no Mercedes-Benz Challenge em Interlagos, no dia 27 de maio. Muito justo, pois, que eu faça o meu relato protocolar aqui no blog. Menos por achar que minhas impressões interessam a alguém, mais para ter um conteúdo que me permita reviver tudo aquilo daqui a algum tempo, quando outras corridas e fins de semana memoráveis tiverem acontecido. Claro que o VT da corrida, devidamente armazenado na internet, pode rememorar alguns momentos da pista. Aliás, vamos a ele, ao VT da transmissão ao vivo que teve narração do Celso Miranda e comentário do Tiago Mendonça, com imagens geradas pela Master/CATVE.

Quando comecei a correr, quase três anos atrás, usei comigo mesmo a desculpa de que seria um meio de entender melhor o ambiente em que trabalho. Não passava de balela, àquela época. Hoje tem ajudado, sim, e bastante. Vocês não têm ideia do quanto foi possível, em dois dias de atividades de pista, mergulhar a fundo na categoria de que fui narrador por quase cinco temporadas nas transmissões de TV, primeiro pela Rede TV! e, na fase atual, pelo BandSports. A ideia inicial do pessoal da CenterBUS-Sambaíba que me integrou à equipe para esta etapa passou por várias adaptações até o momento da saída à pista para o primeiro treino livre, já na véspera da largada. No fim, consegui me entender bem com o carrinho. Na tomada de tempos, nono lugar entre os 16 inscritos. Nada mau para quem fazia a corrida de estreia em campeonatos brasileiros. Fui o melhor colocado no grid dos seis da equipe, considerando a classe C250 Cup – havia outros três carros alaranjados na CLA 45 AMG Cup, a série principal.

Me entender bem com o carro foi importante, até por ter sido um fim de semana atípico. Os efeitos da paralisação nacional dos profissionais do transporte rodoviário, que refletiu na vida de todo mundo, ecoou no autódromo também, levando a programação da etapa a uma série de readequações. Essa adaptação teve a assinatura substancial do Pedro Pimenta, que nunca havia pisado no box da CenterBUS-Sambaíba, mas que desta vez estava lá, escalado para ser o meu guia. “Coach”, como se convencionou dizer no automobilismo. Vá lá que a paciência de Jó com que ele me mostrou o caminho das pedras durou bem pouco na corrida, já que eu não parava de chama-lo no rádio. “Para de falar e guia, deixa que eu falo!”, esbravejou. Ordens são ordens. Combinamos a estratégia, combinamos a tentativa do pulo do gato, combinamos como seria uma eventual readequação da corrida que havíamos traçado. O Pimenta sabia do meu potencial e das minhas limitações, tinha a exata noção de até onde eu poderia ir com o carro, sabia o que deveria ser feito e dito.

SOUZA 1

Sorte até no número. Meu 66 velho de guerra estava na lista dos números reservados pela equipe. Não podia ser outro para a estréia em Campeonatos Brasileiros. A foto é do Sandro de Souza.

Na corrida, minha preocupação inicial – um erro, vejo hoje – era a de não perder posição para o pessoal que vinha atrás. Teria largado melhor se me preocupasse com quem estava à frente. Mantive a posição, perdendo um pouquinho de contato  com os oito primeiros, o que foi bastante produtivo no início da segunda volta. Um salseiro no S do Senna deixou vários carros atravessados, alguns deles fora de combate. Tinha alguns metros de distância para esse pessoal da frente, foi o suficiente para me permitir desviar da confusão e seguir com minha corridinha. Algumas voltas mais tarde, um momento que não vou esquecer: uma disputa bem acalorada com ninguém menos que o Ângelo Giombelli, o grande Ângelo. Tê-lo como companheiro de equipe nessa ocasião já era algo digno de nota para o meu parco currículo. Trocar posição com ele algumas vezes, os dois sabendo que ficar à frente do outro poderia valer o pódio, foi sensacional. Lembrei do Otávio Mesquita, dez anos atrás, quando disputou posição com Emerson Fittipaldi numa corrida da GT3 e depois da corrida chorou emocionado. Não chorei e nem carreguei na emoção, mas na corrida mesmo fiz minha nota mental: pôr no currículo que tive um pega bem bacana com o Giombelli. Pus.

Cheguei a figurar em segundo lugar, mas isso era por causa da estratégia de parar no último momento em que fosse possível. Vai que entra o safety car e todo mundo já parou… Seria o pulo do gato. Não entrou safety car nenhum, e quando voltei à pista era o quarto colocado. Poderia ter mantido a posição se tivesse compreendido a contento a penúltima mensagem do Pimenta no rádio. Estava três segundos e meio à frente do Flávio Andrade, faltavam seis minutos para a corrida terminar e depois do Flávio não havia ninguém próximo a ponto de ameaçar o nosso pódio, era só trazer o carro para a bandeira quadriculada. Bem, foi essa a mensagem que suponho ter sido passada pelo Pimenta. Com os ouvidos já tão cansados quanto o corpo, só entendi o lance dos seis minutos e o “ninguém perto”, além de algo envolvendo três segundos e meio – não me atrevi a pedir para repetir. Vi o carro amarelo do Flávio pelo espelho e decidi tirar o pé e deixa-lo passar. Pensei que fosse um dos três carros que a equipe dele mantém na CLA 45 AMG Cup. Difícil afirmar que teria me mantido à frente dele, que vinha numa prova de recuperação bem interessante depois daquele quiproquó na segunda volta. Poderia ter resistido e segurado o quarto lugar. Ele poderia ter descontado essa diferença e passado do mesmo jeito. Nunca vou saber. E o Pimenta não sabia disso até agora, vai me matar quando ler.

CONTO 2

É regra: toda vez que a Rita vai comigo à corrida, termino no pódio. Funcionou até no Mercedes-Benz Challenge. Mais um motivo pra ter essa doçura sempre por perto. Foto do Fernando Conto.

Fato é que deu pódio. Sem saber, uma vez que só fui constatar isso já em casa, consultando as minhas anotações, fui o 50º piloto a figurar no pódio do Mercedes-Benz Challenge em oito temporadas da categoria. Números redondos são legais, dão a impressão de potencializar um resultado que por si só, considerando que o piloto era eu e todas as demais circunstâncias envolvidas, foi bom demais. Acabei a corrida como melhor colocado entre os pilotos da CenterBUS-Sambaíba na C250 Cup – a equipe ganhou na geral com o Betão Fonseca e o Adriano Rabelo, que correram em dupla. E poucas vezes veio tanto a calhar minha mania de trazer para as corridas a bandeira de Cascavel. Ela foi comigo para o pódio, conforme mostram as fotos ou as imagens da matéria que a Patrícia Cabral fez comigo para a CATVE. Meu agradecimento a ela e também à Taísa Kisiel e ao Luciano Neves, da TV Tarobá, que me deram uma baita colher de chá no “Tarobá Esporte”.

GUERIN 1

Além do ótimo carro, o pódio foi resultado do trabalho em dupla. O Pimenta são não pressionou os pedais. Importante compreender o funcionamento do coaching. A foto é do capilar Glauco Guerin.

Teve também o ponto negativo do fim de semana – sempre tem um ponto negativo. Que, no caso dessa corrida, foi o toque com o Cello Nunes, da categoria principal. Um cara que conheci lá mesmo, no Challenge, enquanto mostrou uma evolução absurda como piloto em 2017, correndo de C250. Cello disputava posição com o Renato Braga, os dois me alcançaram para pôr volta de vantagem (categorias diferentes, carros diferentes, a diferença de uma volta no fim da corrida é ocorrência normal). Ele esperava uma reação minha, eu contava com outra dele, nenhuma das duas aconteceu e faltou espaço para nós dois na Junção. O Cello rodou por causa do toque e acabou perdendo o pódio que vinha conquistando com muita competência. Fiquei extremamente chateado. Mesmo sem ter a cancha que ele já vem construindo nas corridas, sei bem, aprendi ainda mais nessa corrida, o quanto vale um pódio, levar o champanhe para a equipe. E, conforme ele mesmo afirmou, a rapaziada da equipe dele merecia muito aquele champanhe. Vou torcer de forma especial para que o próximo resultado do Cello compense a decepção que ele teve. Deve ter ficado puto comigo.

ZOIAO 4

Foto feita pelo Vanderley Soares na volta de apresentação. Fui o nono colocado no grid de 16 carros, primeiro entre os que compuseram o esquadrão alaranjado da CenterBUS-Sambaíba na etapa.

A participação no Mercedes-Benz Challenge acabou sendo minha última corrida como integrante da lista de pilotos da WeCredit Racing. São mais de 15 em várias categorias pelo Brasil e pelo mundo, e por sete meses tive a honra de integrar essa lista. Uma parceria que começou com pódio, o décimo lugar geral nas 500 Milhas de Londrina do ano passado, e terminou com pódio, esse bendito quinto lugar em Interlagos. Toda gratidão e simpatia ao Renato Costa, ao Marcelo Gomes e à equipe do Grupo Financial, dono da marca, que me acompanharam em tantos momentos bacanas. Quando a história da WeCredit Racing for contada em livro, vai constar de alguma página que fui o primeiro piloto a conquistar uma vitória para eles no automobilismo, na segunda etapa do Fusca Cup, também aqui em Interlagos. Vinda longa ao time, pois.

Sem muito mais a dizer e bastante coisa para guardar na gaveta das boas memórias, deixo aqui, mais uma vez, o meu agradecimento ao Betão Fonseca e ao Wagner Agostinho, que viabilizaram aquele fim de semana tão improvável quanto aprazível, ao Evandro, ao Carlinhos e a todos os meninos da equipe, que me acolheram com a maior cortesia do mundo, e ao bom Deus que me tem proporcionado tanta coisa bacana. Tomo a saída estratégica pela esquerda deixando uma galeria de fotos dos amigos Celinho Debes, Fernando Conto, Sandro de Souza e Vanderley Soares.