A bela e as feras

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Alline se amarrou às corridas de longa duração nos últimos anos, várias delas a bordo da simpática Ginettinha G40. Agora, preparação é para “pegada mais agressiva” da TransAm e do World Challenge. 

CASCAVEL – Enquanto maioria dos barbados brasileiros mantêm seus macacões no armário à espera do início da temporada do automobilismo, uma das poucas belas do país em ação nas pistas já está com macacão e capacete a postos para acelerar. Alline Cipriani disputa no fim de semana a etapa de Sebring, primeira da temporada da TransAm, na categoria Pro.

É a estreia do Team Ginetta na TransAm, num ano em que a equipe também vai disputar o Pirelli World Challenge e os campeonatos das ligas NASA e FARA USA. Alline, que disputa a etapa com um modelo G55 da Gineta G55, inscrito com o número 60, também tem participação definida nas etapas de Road Atlanta, de Homestead, de Daytona e da Virgina. A Ginetta da classe TA3 compõe o grid ao lado de modelos de Ferrari, Porsche, Aston Martin, BMW, Ford, Lamborghini e Maserati, por exemplo.

Vai ser a primeira corrida para valer de Alline Cipriani desde a chegada do Enzo, nove meses atrás. “Dizem que a gente muda depois de ser mãe, então vou tentar não pensar muito nele durante a corrida”, ela brinca, sabendo as dificuldades que terá. Primeiro, pelo princípio da corrida. Alline tem mais intimidade com as provas de longa duração – as corridas da TransAm são de 75 minutos. “Tive oportunidade de fazer algumas provas longas, mas preferi não fazer, porque tenho que praticar uma pegada mais agressiva. Em vez disso, participei de duas corridinhas de sprint, o que foi muito bom. Eu mesmo me surpreendi, fiz o meu melhor tempo com a Ginetta, vi que ainda estou em forma. Passei o tempo todo brigado com a equipe da Porsche, que também está na TransAm, consegui pegar ritmo”, ela conta. Além da lógica de corridas que para ela configura mudança, há a questão técnica. “A Ginetta é um carro que tem uma velocidade impressionante de contorno de curva e que freia muito bem, mas não está no mesmo nível de algumas outras marcas em potência de motor. A ideia é, com o BOP, a gente ver como o carro vai se comportar em relação aos outros muscle cars, que são bem mais potentes. É nisso que estou me apegando: freada, contorno e saída de curva, pode ser nossa vantagem diante dos outros”, ela pondera. BOP é balance of performance, termo que denota o trabalho de equalização entre os carros de diferentes marcas. Apesar de procurar não criar grandes expectativas quanto a resultados, ela não esconde o que, no fundo, tem como meta para o fim de semana em Sebring: “Um top-5 não seria mau, né…”

Alline faz parte de uma lista bem restrita. Além dela, as brasileiras que pilotam são Débora Rodrigues, Bia Figueiredo e Larissa Cruzeiro. Será que esqueci alguém? Se sim, reavivem minha memória, por favor. Cristina Rosito e Helena Hoyama fazem participações aqui e ali, Vanessa Vorcaro já arriscou algumas largadas de tanto conviver com o ambiente de corridas. Zizi Paioli parou quando a Dudinha nasceu (acho que ainda volta), da Kaká Magno eu não ouço falar já faz algum tempo, Suzane Carvalho trocou os carros pelas motos há algum tempo, Fernanda Parra tirou o time das pistas há anos, Danielle Navarro Félix fez algumas corridinhas e ficou nisso. Faz falta algo como o que fez Maria Helena Fittipaldi há quase 20 anos, formando um grid nacional só de garotas. Quem sabe alguém se arrisque a repetir a dose? Aí a Alline vai estar intimada a vir correr aqui, também.

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O carro de Alline Cipriani para a etapa de Sebring, que abre o calendário da TransAm: meta despretensiosa em termos de resultados e foco no proveito máximo da equalização entre as marcas.

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