Sertanejão na veia

PINHAIS – Considero boas todas as músicas que compartilho por aqui. Se não é do gosto de vocês, paciência. Essa aqui é especial por vários motivos.

“Quero ter”, de Cezar & Paulinho. Tem 25 anos, essa boa moda. Que é, pelos meus critérios, a essência rara da real música sertaneja, e aqui descarto a convenção de estilo musical. Falo da poesia da letra,

Essa música tem grande parcela de mérito, ou de culpa, por eu ter desenvolvido meu gosto pela música. O ano era 1991, eu tinha de 13 para 14 anos e já começava a frequentar os botecos de música ao vivo de Cascavel, sempre tendo a tiracolo a autorização que meu pai conseguiu junto ao Juizado de Menores. Eu me achava o máximo quando alguém tentava me tirar do lugar e apresentava o documento do juiz que me autorizava a ficar até a hora que bem entendesse. Tinha fins musicais, em tese, aquela iniciativa em papel timbrado.

De tanto frequentar os bares comecei, desde muito novo, a fazer amizades com o pessoal que trabalhava com música ao vivo. Um dos caras que acolheu com especial carinho aquela minha vontade de poder cantar e tocar foi o Léo Júnior, que eu já tinha visto atuar tantas e tantas vezes na banda Nova Imagem, do Valdomiro. Deu-me seu endereço, esperava sempre nas tardes combinadas a visita minha e do Reginaldo, meu primeiro parceiro musical – hoje é roqueiro -, ensinava macetes da faculdade da vida que abreviou bastante nossa entrada nesse mundo da música.

Certo dia o Léo nos abriu as portas do ensaio semanal do restaurante Dom Giovanni. Restaurante era quase um eufemismo. Era casa noturna, mesmo, mas abria muito cedo e lá serviam bons pratos, também. A música ao vivo ia de terça a sábado. Eram quatro, os integrantes da banda da casa. Léo era o vocalista. Os outros três eram irmãos – o baterista Toninho, bom de garganta e que nunca foi muito com a minha cara, o guitarrista Joãozinho, também egresso da Nova Imagem, e o baixista Agenor, que se arrumava todo pimpão para ir aos ensaios e adotava um figurino despojado, quase relaxado, para os shows noturnos.

Fui ver o ensaio. “Quero ter” era uma das músicas que tirariam naquela tarde – “tirar” é o verbo que os músicos, ou musicistas, usam para definir a captação e execução de alguma música já gravada. Lembro bem que outra era “De repente Califórnia”, do Lulu Santos, bem mais antiga, do início dos anos 80. Fiquei impressionado com o modo detalhista como trabalharam cada arranjo da versão original de “Quero ter” – com o detalhe de que a banda não contava com teclados. João fez milagre na guitarra, e não havia noite em que eu fosse ao Dom Giovanni e que Léo e seus parceiros viam-se livres de apresentar essa música.

Saudades do Léo, um grande sujeito, nunca mais o vi,

Quero ter um rio passando perto pra eu nadar sem roupa / Um pomar completo pra adoçar a boca / Uma sombra boa pra poder dormir

É o que todos queremos, ao fim das contas.

Outra coisa que quero ter é a chance de voltar a participar dos bons e velhos festivais de música, ainda há muitos por aí. Vai ser com “Quero ter”. E, se arrumar um segundeiro bom e parceiro, vou como primeira-voz.

Por ora, vou tratar de trabalhar, que já há pilotos na pista.

Na íntegra: Metropolitano de Marcas de Cascavel, 5/6

CASCAVEL – Outro post em dois tempos. No primeiro, esse aqui, tivemos as categorias A e B. Nesse de agora, sacramentado já no início da madrugada e a poucos instantes de eu cair na estrada rumo a leste, a categoria N do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel na quinta etapa, disputada no fim de semana do Dia dos Pais.

Foi uma “salada interessante”, como defini na narração. Tínhamos na pista, além da penúltima etapa do Metropolitano N, a segunda (e também penúltima) etapa do Campeonato Paranaense de Turismo, com suas categorias de graduação A e B. Foram as três subdivisões que consideramos na transmissão, porque as corridas valeram, ainda, pela temporada do Metropolitano lá de Curitiba.

Foi um fim de semana de 16 cerimônias de pódio, o que dá uma ideia da salada de categorias.

Não importa. Acho que todo mundo consegue acompanhar. A produção é do Beto Borghesi e a etapa final – falo do Metropolitano de Cascavel – está confirmada para 6 de setembro.

A Cauda da Onça

CURVELO

Um complexo com quatro milhões de metros quadrados vai acolher, a partir de 2016, o novo endereço do automobilismo brasileiro. Falo do Circuito dos Cristais, em Curvelo, cidade mineira distante 160 km da capital Belo Horizonte. Uma grande tacada da iniciativa privada, neste caso da TecRacing, empresa capitaneada por Alfredo Santos e Marco Túlio Santos. O empreendimento levado adiante com recursos próprios e, claro, também com o captado junto aos investidores e compradores das cotas do Clube Casa de Pista. Na parte que mais interessa ao público das corridas em geral, o autódromo deverá ser inaugurado em março de 2016.

O autódromo está sendo construído sob moldes já consagrados no primeiro mundo – o Ascari, na Espanha, e o Monticello, nos EUA, são dois exemplos bem concorridos. A cota adquirida por um associado lhe dá direito a uma série de vantagens, nelas incluídos o acesso à pista em um número determinado de vezes por ano, já que a previsão é de realização de sessenta edições anuais de Track Day, e 500 metros quadrados de área no condomínio que vai integrar o complexo. As fases seguintes do empreendimento compreenderão estrutura hoteleira, galpões, pistas off-road e de mountain bike, além da proximidade com loteamento comercial.

O asfaltamento da pista vai de vento em popa. A aplicação do asfalto segue o sentido anti-horário do traçado de 4.415 metros e já alcançou a curva 4 – a foto mostra uma faixa mais escura já na décima das dezessete curvas, que representa a imprimação, uma fase pré-asfáltica do trabalho, por assim dizer. Nem todas as curvas ganharam nomes, mas sei que já há por lá a Ferradura, o Anzol, a Cauda da Onça… Nunca me imaginei narrando uma disputa por posição em que um piloto tenta chegar antes de seu oponente à Cauda da Onça. Farei isso em Curvelo durante a próxima temporada – basta-me continuar trabalhando como narrador de corridas.

O plano inicial prevê a inauguração daqui a sete meses com dez boxes. Pouco, pelos padrões que conhecemos. Ainda assim, há contatos para que Stock Car e Fórmula Truck tenham etapas em Curvelo já no próximo ano, o que implicaria a necessidade de construírem mais boxes – será o menor dos problemas. O trabalho no Circuito dos Cristais segue dentro dos prazos pré-estabelecidos, o que é uma conquista e tanto, tudo dentro dos padrões da FIA, a Federação Internacional de Automobilismo. Há o compromisso, para a fase imediatamente seguinte, de adequação de tudo conforme reza a FIM, que gere o motociclismo internacional.

É um alento ver o empenho com que os curvelanos trabalham, seja no canteiro de obras ou nos rincões distantes dali onde exista algum interesse no resultado final. Inevitável o clichê de que a realidade do Circuito dos Cristais vai na contramão da onda infeliz de sucateamento e desativação de tantos autódromos brasileiros. Há esperança, contudo. Goiânia deu grande passo ao reestruturar seu autódromo. Cascavel tentou coisa parecida, o resultado foi suficiente para voltar ao cenário. Interlagos deve renascer logo, também. Há mais casos, e acho que é nisso que Curvelo arrebatou minha simpatia: encarou a contramão da tendência de ora.

O grid da Cascavel de Ouro

CASCAVEL – A foto foi escolhida aleatoriamente. Gosto de ilustrar meus posts com uma foto, pelo menos, e peguei uma do Opalão com que o Saul Caús ganhou em 1985 a Cascavel de Ouro. Já se vão 30 anos, e é da Cascavel de Ouro que trata o post.

Essa anotação, preparada no meio da tarde de 24 de agosto quase que para consumo interno, terá atualizações frequentes. Vou compartilhando aqui, conforme os anúncios forem feitos à imprensa, as duplas e os trios inscritos na 29ª edição da corrida. É ferramenta que vai me permitir, por exemplo, indicar os nomes já definidos antes mesmo de anunciá-los via assessoria de imprensa.

Na data do post original são/eram 17 os carros listados. Chegaremos a quantos até 23 de outubro, dia do início dos treinos para a prova?

OURO CAUS 6 - SAUL CAUS

0 – Wanderson Freitas/Leandro Freitas/Fabiano Cardoso (GM Celta/Fast Racing)

1 – Higor Hoffmann/Rodrigo Elger/Marcelo Monte (GM Corsa/Maringá Racing)

2 – Edoli Caús Júnior/Marlon Bastos (GM Celta/Caús Motorsport)

3 – Thiago Klein/Marcelo di Tripa (VW Gol/Paraguay Racing)

5 – Odair dos Santos/Leandro Reis (Ford Fiesta/Paraguay Racing)

7 – Leônidas Fagundes/Vinicius Fagundes/Guilherme Sírtoli (Fiat Palio/Sérgio Ferrari Racing Team)

8 – Leandro Zandoná/Daniel Kaefer (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport)

10 – Renato Braga/Celio Vinicius (GM Celta/Fast Racing)

13 – Caíto Carvalho/André Bragantini/Galid Osman (GM Celta/Sorbara Motorsport)

14 – Marcelo Beux/João Paulo Gelain (VW Gol/Speed Car)

19 – Emílio Weiss/Alex Fabiano (VW Gol/Stumpf Preparações)

21 – Guilherme Sperafico/Rodrigo Sperafico (Renault Clio/Sérgio Ferrari Racing Team)

22 – Wanderley Faust/Aloysio Ludwig Neto (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team)

23 – Paulo Salustiano/Dani Navarro (GM Corsa/Quality Sports-Fórmula Truck)

27 – Natan Sperafico/Ricardo Sperafico (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team)

28 – Marcel Sedano/Leandro Totti (VW Gol/Stumpf Preparações)

30 – Rogério Castro/André Marques (Ford Ka/Quality Sports-Fórmula Truck)

32 – Ricardo Lima/Edgard Amaral/Beto Vanzin (Ford Fiesta/Cezarotto Motorsport-Fast Racing)

33 – Gustavo Magnabosco/Eduardo Berlanda/Fausto de Luca (VW Gol/FF Racing)

43 – Anderson Portes/Rafael Paiva/Juliano Bastos (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team)

46 – Edson Massaro/César Chimin (VW Gol/Speed Car)

48 – Sandro Moura/Júnior Maggi/Mauro Smozinski (VW Gol/Stumpf Preparações)

55 – Fernande Valandro/Guto Baldo (VW Gol/Stumpf Preparações)

64 – Lorenzo Massaro/Cleves Formentão (VW Gol/Speed Car)

66 – Luís Filgueiras/Thiago Oliveira (VW Gol/AGB Preparações)

69 – Gelmar Chmiel Júnior/Gilliard Chmiel (VW Gol/Stumpf Preparações)

77 – Cleyton Cezarotto/Marcelo Campagnolo (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport)

81 – Paulo Bento/Carlos SG Souza (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport)

87 – Michel Giusti/Jorge Martelli/Marcelo Cancelli (VW Gol/MP Competições)

88 – Marco Romanini/Beto Monteiro (Renault Clio/Stumpf Preparações)

89 – Ingmar Biberg/Eduardo “Edo” Diesel/Thiago Camilo (Renault Clio/Sorbara Motorsport)

107 – Diogo Pachenki/Edson Bueno (Ford Ka/Cezarotto Motorsport)

117 – Cesar Bonilha/Wellington Cirino (VW Gol/Cesinha Competições)

177 – Lúcio Seidel/Davi dal Pizzol (GM Classic/Seidel Preparações)

207 – Marcos Ramos/Marcelo Karam/Tillo Trombini (Peugeot 207/LeLac-Cordova Motorsports)

357 – Eduardo Zambiazi/Júnior Francez (VW Gol/Ribecar)

370 – Luiz Fernando Pielak/David Muffato (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport)

446 – Gabriel Correa/Edson do Valle (Ford Ka/Classe A Racing-Ferrari Motorsport)

Cascavel de Ouro: as estrelas da festa (8)

OURO CAUS 1 - PALIO

CASCAVEL – São dois, por enquanto, os carros inscritos pela Caús Motorsport na 29ª Cascavel de Ouro. Os pilotos da equipe vão atuar em família, literalmente, na busca pelo Renault Clio zero quilômetro reservado como prêmio aos vencedores da corrida de 25 de outubro.

Um dos carros, o Palio da foto aí acima, terá Leônidas Fagundes Júnior – que iniciou a carreira em 1975 como piloto de motovelocidade, só soube disso hoje – revezando a pilotagem com o filho Vinícius Fagundes e o futuro genro Guilherme Sírtoli. Outro, o Celta aí abaixo, será pilotado pelos primos Júnior Caús e Marlon Bastos.

Pode até pintar mais algum carro da Caús Motorsport no grid. Não custa lembrar que em 2015 completam-se 30 anos da primeira vitória da equipe na prova. Foi com Saul Caús, seu fundador, pilotando um Opala na edição de 1985. A “Causada” toda está disposta, e bem disposta, a celebrar a data redonda no degrau mais alto do pódio.

OURO CAUS 4 - CELTA CAUS

Na íntegra: Metropolitano de Marcas de Cascavel, 5/6

CASCAVEL – Os protagonistas já curtiram durante o fim de semana. De qualquer forma, eis o vídeo da quinta e penúltima etapa do Metropolitano de Marcas & Pilotos, disputada em Cascavel nos dias 8 e 9 e editada pelo Beto Borghesi para exibição em seu programa “Velocidade Máxima”.

Foi etapa em que o grid absorveu, também, os carros do Paranaense de Marcas & Pilotos, na segunda de suas três etapas. As provas das categorias A e B, que integram essa edição aqui, tiveram grid com 35 carros. A categoria N, que dividiu espaço com o Paranaense de Turismo, sairá nos próximos dias.

As transmissões na televisão passaram à condição de rotina no Metropolitano de Cascavel nesta temporada de 2015, a 15ª da competição. Isso ocorreu na segunda etapa, que foi transmitida ao vivo pela CATVE, afiliada local da TV Cultura.

A parceria do Automóvel Clube de Cascavel com o Borghesi, viabilizada por patrocinadores, começou na terceira etapa, que também teve um programa para as categorias A e B e outro, logo em sequência, para a categoria N, dos carros carburados. A quarta etapa teve uma edição bem completa da A e da B, com baterias intercaladas por um resumo da prova da N.

Os campeões das três categorias serão definidos na etapa de 6 de setembro no Autódromo Zilmar Beux. As corridas vão acontecer em véspera de feriado, o que leva todo mundo no meio a imaginar a festa de encerramento sem hora para terminar que os campeões vão proporcionar à rapa.

Tela veloz

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CASCAVEL – Rubens Barrichello, de Renault Fluence, e Rodrigo Baptista, de Toyota Corolla, foram dois dos principais nomes da Copa Petrobras de Marcas na quinta etapa, em Goiânia. O primeiro, piloto mais experiente do grid, conquistou na primeira corrida da etapa seu primeiro pódio na categoria. O segundo, caçula do grid e que acabou de conseguir carteira de habilitação para dirigir nas ruas, entrou para o time dos vitoriosos do campeonato – foi o 25º a ocupar o degrau mais alto do pódio em cinco temporadas de história.

Tudo isso, mais o recorde de Thiago Camilo que Guilherme Salas igualou com seu Chevrolet Cruze e uma série de outros itens, compõe o enredo da etapa que a Band vai exibir neste domingo, dia 23, a partir das 12h30. Eu narro, Tiago Mendonça comenta e Bruno Monteiro reporta, com geração de imagens da minha conterrânea Master/CATVE.