A alma do negócio

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CASCAVEL – Aí estão, dispostos pelos departamentos de arte de 1978 da esquerda para a direita, Phil Hill, Jim Clark, John Surtees, Denny Hulme, Jack Brabham, Graham Hill, Jochen Rindt, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Niki Lauda, James Hunt e Mario Andretti.

É uma peça publicitária que a Ferodo publicou logo após o título de Andretti em 1978, destacando ter fornecido os componentes dos sistemas de freios dos pilotos que conquistaram os então últimos 18 títulos mundiais na Fórmula 1.

Pincei essa foto do perfil de Twitter Contos da Fórmula 1, de onde também copio o comentário “Morte de Rindt se deu por falha do freio”.

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A vaca do Torrão

CASCAVEL – O Clóvis Grelak, que era conhecido, depois virou amigo, depois virou patrão, depois virou sócio e hoje nem sei em que condição está, costumava me contar, quando oportuno, uma fábula. Costuma ser prolixo em casos como esse, o Clóvis, mas escutei algumas vezes a fábula. A fábula da vaquinha. Não sei se lembro dos detalhes com exatidão, mas tento descrevê-la no parágrafo que segue.

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Um recenseador visitou, certa vez, uma pequena propriedade rural. Pequena, mesmo. Casebre simples, poucos recursos, uma vaca amarrada a uma cerca mambembe, a garagem ocupada apenas por uma rede, na qual repousava tranquilo um matuto. Interpelado, o matuto respondeu que ele e a esposa viviam da renda proporcionada pelo leite da vaquinha. Tempos depois, mesmo recenseador, mesmo matuto, mesma rede, mesma resposta. No terceiro ou quarto censo, algo mudou. A vaquinha não mais pastava em frente ao casebre, que havia recebido demãos de tinta. Na garagem, em vez do matuto, repousava um carrinho modesto. Notando a diferença, o recenseador perguntou todos os porquês que lhe vieram à mente. A resposta do matuto, ao lado da esposa que esperava o filho, foi tão simples quanto a vida que levavam: “A gente sobrevivia do leite da vaquinha. Aí roubaram a vaquinha e tivemos que correr atrás de outra renda. Estamos trabalhando”.

Demorei algum tempo para entender o recado do Clóvis com a fábula, que, convenhamos, é bem xaropinha. Ele queria me convencer a abdicar da rotina da redação do jornal para tentar o incerto, eu que já trabalhava com automobilismo, como ele. Um dia acabaram roubando minha vaquinha, história que já contei aqui, e fui atrás de outra renda.

E você, que teve paciência para chegar até aqui em vez de ler algo realmente útil, há de perguntar: tanta lengalenga pra quê?

Simples, como o matuto da fábula. Estou particularmente feliz porque um grande amigo, em vez de esperar que sua vaquinha fosse roubada, deu ao bovino um legítimo pé-na-bunda. Ou converteu o animal em cortes propícios para churrascadas, sei lá. E, tal qual ocorreu comigo quando minha vaquinha foi roubada, vai perseguir sua renda mexendo com o que gosta.

Dois amigos, na verdade. O Torrão Ciotti e seu pai, o Bial, que alguns conhecem por Marcus. Os dois tornaram-se sócios no Garage 77, que vem a ser um autocenter, se é que o termo existe – meu editor de texto sublinhou a palavra com uma linha vermelha, e vermelho não costuma ser bom sinal. Torrão, que já foi meu empresário, vinha lidando com obrigações cotidianas que não o agradavam amiúde, queria ser dono do próprio nariz – é uma napa respeitável, por sinal –, viu a oportunidade de assumir a gestão do Garage 77, chamou o Bial para sócio e assim, amanhã cedo, vão inaugurar o negócio. Que vai tratar de tudo que tenha a ver com seres de quatro rodas – troca de óleo, alinhamento e balanceamento, manutenção de parte elétrica, pneus, suspensão, injeção eletrônica, freios, lavagem e polimento, desembaçamento de vidros, películas dos mesmos vidros, essas coisas.

“Muitos dos clientes daqui são donos de verdadeiras joias como Dodges RTs, Mavericks e por aí vai”, escreveu-me o Torrão, todo cheio de razão. Humpf.

O Garage 77 fica no número 1.442 da Rua Manifesto – e não poderia haver nome mais propício para uma via que aloje algo ligado ao Torrão –, no Ipiranga. São Paulo, claro. Os Ciottis atendem também pelo telefone 2219-2282. Há ainda o celular 9-8732-8501, que imagino só estar disponível depois da uma da tarde. Mas dá para tentar a partir das oito da manhã, no mínimo terá sido uma sacanagem divertida.

Esse tem tudo para ser o endereço da #LucFest2015, e quem já participou de alguma edição do evento sabe do que se trata. Pensei em promovê-la em alguma dependência do autódromo de Interlagos, mas parece que lidar com as burocracias dos administradores do lugar está um verdadeiro pé no saco, e se há uma coisa que não venho tendo é paciência.

A bagaça já tem até conta no Twitter, e outra no Instagram. Além de perfil no Facebook, todo mundo que clicar em “curtir” terá 0,13% de desconto em qualquer produto ou serviço. E uma logo produzida pelo capitão Bruno Mantovani, o que costuma indicar bons presságios. Daqui a duas semanas passo pelo Garage 77 para conhecer o lugar. Se não tiver uísque, me contento com um chá-de-canela como drink de boas-vindas. Será suficiente para quitar esse jabá tão nobre.

A alma do negócio

CASCAVEL – Peça publicitária que o Ronei Rech resgatou dos anos 70, bem propícia para o fim de semana que ora começa: promoção do então revolucionário Chevette. Imagino que o filmete, de um minuto, tenha feito corações baterem mais forte naquela época em que minha única ocupação era encher fraldas.

Tenho um desse, também. Vermelho, ano 77. Carrinho que vai ser a peça central de majestosa festa amanhã à noite. É a #LucFest2014.

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