Novatos também têm vez

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CASCAVEL – Pilotar um carro de corridas está cada vez mais fácil. Uma das iniciativas do gênero parte do Grupo LRM, sigla que vem a significar “Lacaille Race Management”, porque o Joir de Lacaille é chique demais. Numa parceria com o Leandro Totti, que pilota na Fórmula Truck e gerencia a Fórmula Spyder Race, o LRM (uau!) vai desenvolver – já está desenvolvendo, na verdade – o LMR Training.

A participação no LRM Traning é condicionada a passagens anteriores pelo kart ou por qualquer outra categoria de formação básica, o que é salutar – ninguém em sã consciência solta um protótipo empurrado por um motor de 195 cavalos na mão de um piloto com experiência zero. As sessões de treinos no autódromo de Londrina serão desenvolvidas durante todo o ano, com máximo de dois pilotos por dia. Há um carro para cada um. A taxa de R$ 5.500,00 inclui um jogo de pneus, combustível e voltas à vontade pela pista – além, claro, do treinamento propriamente dito, que é ministrado pelo Totti. A despesa com reparos decorrentes de eventuais acidentes corre à parte, por conta do participante.

O primeiro a aderir ao LRM Training foi Jorge Tamake Júnior, um dos vários japoneses voadores já proclamados no automobilismo brasileiro, figura que conheci nas corridas do Paulista de Marcas & Pilotos e do Mercedes-Benz Grand Challenge. Na última terça-feira foi a vez do Felipe Stanev.

Ficou interessado? Todos os contatos para levar o assunto adiante estão no site do LRM.

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Spyder Race com oito etapas

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CASCAVEL – Bati um papo bacana, agora à noite, com o Peter Wilian Januário, manda-chuva da Spyder Race desde sua criação, em 2003. Ou “diretor, colaborador, office-boy, carregador, de tudo um pouco”, como ele define com o bom-humor de sempre – afinal, leva a organização da categoria no peito desde sempre. Peter, também como sempre, vive uma expectativa danada para o Campeonato Interestadual deste ano, que terá oito etapas em quatro pistas de três estados.

O calendário de corridas da Spyder Race que o Peter me ditou é o seguinte: 16 de março – Interlagos; 27 de abril – Interlagos; 18 de maio – Londrina; 22 de junho – Interlagos; 24 de agosto – Curitiba; 21 de setembro – Campo Grande; 12 de outubro – Londrina; 9 de novembro – Curitiba.

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As categorias P1 e P2 terão o mesmo pacote técnico – motor Volkswagen 2.0 AP e câmbio de cinco marchas com engate em H. O que vai distribuir os pilotos em uma ou outra é a graduação de cada um. Quem já terminou campeonatos da Spyer Race entre os três primeiros vai para a P1; os que terminaram do quarto lugar para trás e os egressos de campeonatos regionais comporão a P2. Simples assim.

A partir da segunda etapa o grid vai incorporar também os carros da Fórmula Spyder Race, organizada em Londrina por Leandro Totti. Esses carros, que vão compor a categoria P3, são cobertos com a versão de carenagem anterior, equipados motor Volkswagen 1.8 AP, câmbio de cinco marchas e diagrama de engate também em H. O campeonato da P3 terá só sete etapas.

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E por que os carros da Fórmula Spyder Race, ou da P3, só vão compor o grid a partir da segunda etapa? Porque a primeira, em Interlagos, vai acontecer no mesmo dia da corrida de abertura da temporada da Fórmula Truck, em Caruaru. Totti, piloto da Truck, estará fora de combate para coordenar toda a operação longe de Londrina. Outras duas datas vão bater as com a Truck – 18 de maio e 12 de outubro, dias em que os caminhões vão comandar a festa em Interlagos e em Guaporé. Essas duas etapas da Spyder Race, no entanto, vão acontecer em Londrina, base do campeonato de Totti, toda a equipe de trabalho estará lá, a operação estará literalmente em casa, não haverá qualquer contratempo.  Assim, a abertura do campeonato, em Interlagos, terá no grid uns 15 carros. Nas demais etapas, já incorporando a P3, essa média vai girar em torno de 27, aposta o Peter.

A Spyder Race, já disse isso lá no primeiro parágrafo, foi criada em 2003. Teve sete temporadas compondo o Campeonato Paulista de Automobilismo, fase que durou até 2009. Em 2010, ganhou status oficial de Campeonato Brasileiro – e nesse caso o termo “oficial” está bem empregado, não tem função de encher linguiça como na maioria das vezes em que é utilizado para assuntos do nosso automobilismo. Não custa citar quem foram os campeões brasileiros – Fúlvio Marote, Fábio perez e Fernando Fortes, na categoria principal, Marcelo Campagnolo, Válter Pinheiro e Jansen Bueno, na Light. Em 2013, já como Campeonato Interestadual, os campeões foram Sérgio Pistili, com o carro aí abaixo na categoria P1, Carlos Souza, na P2, e Ricardo Kastropil, na P3.

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Votos de sucesso, sempre, ao Peter e à rapaziada que de fato faz a Spyder Race acontecer. É uma categoria que tem um formato interessantíssimo. Perguntem a quem acelera seus carros para ver. Em suma, os pilotos adoram o vento na cara com tamanhas velocidade e estabilidade. Um dia ainda participo de uma corrida com deles – mas é melhor falar pouco, já assumi essa dívida com o pessoal do Paulista de Marcas e também da Sprint Race e, honestamente, não sei se tenho colhões para honrá-la.

E a Spyder Race, como fica?

SÃO PAULO – Quando comecei a desenhar a GT Party, sabia que teria de viabilizar alguns carros de corrida para expô-los em frente ao Ministterio Club no dia da festa – será sexta-feira que vem. O primeiro com quem falei, durante um café da manhã em Curitiba, na etapa do mês passado do Porsche GT3 Cup, foi o Henrique Assunção, que corre de Porsche e também na Spyder Race. De pronto, ele disponibilizou seu protótipo Spyder número 75, era só combinar como tirá-lo do autódromo e devolvê-lo lá.

Mas o carro não estará no local da festa. Nem a categoria estará na cidade do evento. A Spyder Race, por ora, acabou. A categoria, que compôs os cinco primeiros eventos do Brasileiro de Gran Turismo em 2012, já não esteve em Campo Grande, no último fim de semana, embora seu site ainda indique o evento de 17 e 18 de novembro na capital de Mato Grosso do Sul como próxima etapa. O reloginho do counter com a contagem regressiva para o próximo evento está zerado.

Agora há pouco, o Raijan Mascarello, que disputa o Brasileiro de GT na categoria GT Premium e também é vice-líder da Spyder Race, jogou a toalha. Em uma postagem de seu perfil no Facebook, afirmou que “não teremos mais corridas em 2013” e lamentou o fato do campeonato acabar “sem completarmos as provas necessárias para válidar (o campeonato) junto à CBA”.

Alguém aventou comigo há dias, honestamente não lembro quem foi, a possibilidade da Spyder Race completar seu campeonato com rodada dupla no fim de semana anterior ao Natal, dias 22 e 23 de dezembro, com rodada dupla integrando a programação da etapa final do Paulista de Automobilismo em Interlagos. As indefinições quanto ao presente e ao futuro da categoria concomitam (putz!) com o processo de adoção de novas carenagens, que confeririam visual mais atrativo aos protótipos, e com a negociação de um novo pacote para fornecimento de motores visando à próxima temporada. Ninguém confirma se haverá próxima temporada. Ninguém sabe se a atual chega ao fim. Justamente no ano em que a categoria ensaiou até uma entrada na televisão, casualmente narrada por mim, como mostra o vídeo a seguir.

Convertida em Campeonato Brasileiro em 2010, primeira temporada completa da atual gestão da CBA – foi o ano em que o Porsche GT3 Brasil, já consolidado como evento, também ganhou o selo oficial de competição nacional -, a Spyder tem liderança do paulista Fernando Fortes, que está um ponto à frente de Mascarello, o placar é de 117 a 116. Há também a classe Light, que tem o paranaense Jansen Bueno, filho de Diumar Bueno, como primeiro colocado, 20 pontos à frente de Jefferson Leandrini.

A Top Series acabou antes de completar sua primeira temporada, a CBA chamou para si a missão de fechar o campeonato e, como paliativo (o termo está na moda), incluiu duas corridas já agendadas por promotores estaduais, uma no Rio Grande do Sul, que já aconteceu – até agora não sei onde foi, nem quando, nem quem ganhou -, outra na semana que vem, a anual e já consolidada 500 Milhas de Londrina. O Brasileiro de Rali, como informou o Américo Teixeira Júnior em seu Diário Motorsport, também acabou antes de terminar, se é que me entendem.

A coisa não está fácil.