Motoescavadeiras e retroniveladoras

CASCAVEL – A caminho da agência depois do almoço, liguei o rádio. Sempre ouço rádio quando estou sozinho no carro. O repertório de agora há pouco foi um pouco do diferente do habitual – em vez das modas de sempre, o discurso da presidenta Dilma, que veio a Cascavel dar um bizu (manjam “bizu”?) no Show Rural, transmitido ao vivo pela Capital FM.

Chamou atenção, nos oito ou dez minutos de discurso que ouvi, a promessa feita pela presidenta aos prefeitos e produtores que, penso, acotovelavam-se no local onde ela falava. Pelo que contam, e com o perdão de um trocadilho que pode ser bem pertinente, saía gente pelo ladrão.

“Noventa por cento dos municípios do Brasil… Oitenta e nove vírgula alguma coisa, noventa por cento”, começou a presidenta, “são municípios com menos de 50 mil habitantes”, ilustrando o compromisso que viria. Interrompida algumas vezes por aplausos bem ensaiados, ela anunciou que o governo vai entregar a cada um desses municípios uma máquina retroescavadeira e uma motoniveladora. Até brincou com a confusão que fez, “eu já ia dizendo motoescavadeira e retroniveladora”, para reafirmar que a prefeitura de cada um dos oitenta e nove vírgula alguma coisa dos municípios brasileiros iria receber essas máquinas, e que num segundo momento, “mais perto da metade do segundo semestre”, cada uma dessas prefeituras receberia também um caminhão-caçamba.

A anunciada distribuição de maquinário pesado, explicou a presidenta, faz parte de uma ação do governo federal para fomentar boa conservação e ampliação das estradas vicinais, tão importantes que são para escoamento da produção agrícola, e claro que não haveria de faltar a comparação dessas vias às “veias menores do corpo, que são importantes para irrigar as maiores”, e por aí vai.

Belo compromisso, o que dona Dilma assumiu hoje aqui às nossas barbas. Parece-me meio fabuloso, mas um belo compromisso. E dele só fiz questão de falar para ter esse post como lembrança, lá pelo fim do ano. Havendo tempo e paciência para isso, será interessante tentar levantar se alguma prefeitura terá recebido algum dos implementos e veículos prometidos.

Também chamou atenção, nos minutos de discurso que ouvi, o péssimo português da presidente. Sotaque caipira passa, esse eu também tenho e narro corridas na televisão. Falar errado, no manual lúquico de sobrevivência, é coisa que se aceita de um grupo reduzido, do qual não faz parte um chefe de Estado.

Na foto postada pelo Eduardo Pimentel, aparecem em destaque o governador Beto Richa, o prefeito Edgar Bueno, a presidenta Dilma e o produtor rural Dilvo Groli, presidente da Coopavel, cooperativa que assina a realização do Show Rural

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Um desabafo, a pedido

PINHAIS(Antes da publicação, parênteses. O texto abaixo, em que pese ter meu pleno aval, não é meu. É de colega da imprensa lá de Cascavel, que dispõe inclusive de seus próprios meios para publicá-lo e fazê-lo chegar a quem de interesse. Mas que não o faz, pelo temor de represálias. Pessoas que decidem o futuro de pessoas no canetaço têm rabo preso com todo o tipo de gente, deve ser esse o temor de quem não pode assinar o que escreveu. Talvez tema pelo emprego, ou pela segurança dos entes, nunca se sabe do que um cacique petista pode ser capaz.

Fosse meu o texto abaixo, teria poucas mudanças. Eu faço, sim, campanha pela reeleição de Edgar Bueno. Não só por ser seu eleitor há vários ciclos. Pediria voto e faria campanha para qualquer um que se opusesse à corja petista. A petezada seguramente há de acusar que o desabafo aí abaixo cai no senso-comum, que o mensalão não passa de invenção da Globo e da Veja, o mesmo blablablá de sempre. A petezada que vá encher o saco noutra freguesia. É a petezada que endeusa dirceus, valérios e genoínos, não merece tanto crédito, afinal.

E, antes de liberá-los à leitura do texto proibido nos meios orbitados por quem o escreveu, reitero o que manifestei dias atrás nas redes sociais. Mesmo em se tratando do PT, uma instituição que abomino por excelência, a participação no processo eleitoral de Cascavel me foi de uma decepção enorme. É visível o despreparo do cidadão escalado para a corrida sucessória. Não imagino que tivesse, o PT, algo melhor a propor. Só precisam, afinal, de um nome para dizer amém ao desmando que querem levar a Cascavel.

Vejo colegas e amigos paulistanos comemorando a iminente volta do PT ao poder. É um partido que tem o poder, o PT, mas que não consegue ter autoridade. Que tornou-se mestre em dar o peixe, sem maiores preocupações com o ensino da pesca. É mais cômodo, é meio garantido. Em São Paulo, a quase certa eleição de Haddad chega a ser compreensível. Não havia desde o primeiro turno, convenhamos, nada melhor. Em Cascavel há, e penso que poderíamos ter um debate dos mais saudáveis, um confronto de propostas sadio, com Edgar Bueno e Jorge Lange no segundo turno.

Puseram o PT no segundo turno, consideram pô-lo no terceiro andar do Paço, todos sonhando com agradáveis passeios no metrô e no teleférico anunciado pelo candidato petista. Mas, se há um candidato petista, e um grupo por trás com interesses que o próprio candidato por certo desconhece, que possa sonhar com o cargo. A Constituição confere-lhe tal direito. Afastado que estou da cidade por conta da agenda profissional, não vou votar em Edgar Bueno, o que é uma pena. Teria orgulho em participar diretamente da histórica surra que a corja de Lula e seus comparsas vai levar domingo. Fecho parênteses.)

DESABAFO DE UM CIDADÃO CASCAVELENSE

Há coisas que realmente não entendo… Estamos presenciando um feito inédito no país, algo que pessoalmente, não acreditava que pudesse acontecer: o julgamento do mensalão, da quadrilha que descaradamente, roubou os brasileiros e de forma pretensiosamente cínica, negou tudo de pé junto. O Supremo Tribunal Federal de repente começou a lavar a alma de todos nós mandando a seguinte mensagem: é possível sim, colocar o dedo na ferida de quem tem muita grana, poder e influência neste país. E punir, com rigor e moralidade. O PT está envolvido até o pescoço, seus dirigentes não aceitam a decisão do STF (expressão máxima do sistema judiciário brasileiro) e suas cúpulas reúnem-se para contestar (onde, em qual instância, no inferno?) suas decisões. O povo se pergunta como foi possível toda essa roubalheira e enriquecimento sem que o ex-presidente Lula e sua então ministra de gabinete Dilma Rousseff, soubessem de tudo – justo ele, que controlava todas as ações do partido! Não faz sentido. É mais uma forma de roubo – de nossa inteligência, de nossa dignidade. A fala mansa e a teatralidade em torno da desesperança enganaram a todos nós, quando optamos pelo PT para nos governar. Achamos que a “mudança” seria boa, estávamos cansados do mesmo modelo de governo e ansiávamos pelo novo. O novo custou caro e ainda custa. Não era novo, cara-pálida! Era o velho lobo em pele de cordeiro, que iria repetir os atos que sempre repudiamos, mas em escala maior: o mensalão orquestrado pelo PT é um dos maiores casos de corrupção e traição contra o povo brasileiro que se tem notícia.

Agora o outro lado. Aqui em Cascavel as pessoas pelo visto estão avessas ao cenário nacional, já que estão endeusando um candidato do PT, alardeando que será o novo salvador da Pátria, ou melhor, da cidade. Como se prefeito fizesse algo sozinho. Rá! Por trás desse candidato, há pessoas e mais pessoas (todas do partido que está sendo engolido pela justiça, num dos julgamentos mais exemplares que este país já conheceu) e que querem que o PT vença em Cascavel, pois é preciso dominar as prefeituras de cidades como a nossa. Não fiz nem faço campanha pra ninguém nas eleições municipais, mas permanecer em silêncio enquanto assisto a uma campanha golpista como a que vejo o PT fazer na minha cidade, é demais pra qualquer cidadão. Gostaria de lembrar a quem tenha esquecido ou que esteja politicamente iludido pelo discurso petista, que o STF, junto com a população brasileira, condenou José Genoíno e José Dirceu, do PT. E é esse mesmo PT, com as mesmas pessoas, correntes e articulações que aplaudiram os dois depois da condenação, quando foram apresentados como heróis aos correligionários do Diretório Nacional de São Paulo! Como heróis! É este PT que inverte o valor das coisas e das pessoas que querem implantar aqui em Cascavel.

Se você acha que é possível governar sem prestar contas, sem seguir as diretrizes e alianças ditadas pelo partido, desculpe, mas precisa estudar, ler, se informar melhor antes de votar. Estamos caminhando em sentido anti-horário, nos dirigindo contra a ordem das coisas! Estão esmiuçando o PT, condenando, mostrando o que fizeram de errado, punindo e nós, cascavelenses, fazemos o quê? Mostramos que merecemos mensalões e golpes de corrupção, pois estamos votando e fazendo campanha para seus seguidores! Não dá pra entender!

Só mais um lembrete, pra eu dormir tranquilo no dia de hoje; coloquem na cabeça uma única coisa: NÃO existe um NOVO caminho, mas SIM, um novo modo de caminhar. E pra isso, é preciso deixar o comodismo de lado e ajudar quem está construindo esse caminho.

Estamos sem pista

CASCAVEL – Aí estão as imagens captadas pelo João Carlos Ribeiro do incidente durante o pouso de um turbo-hélice da Azul no aeroporto de Cascavel, na última sexta-feira. O vento forte tirou o ATR da pista logo após a aterrissagem. Deve ter havido pânico a bordo, tudo aquilo. Ninguém se machucou, é o que importa.

Claro que, às vésperas de eleições municipais, esse incidente foi alçado à condição de peça política pelos opositores do prefeito atual. Talvez seja exagero atrelar essa interpretação à decisão anunciada em nota oficial pela Trip e pela Azul, as duas companhias aéreas que operam por estar bandas, de suspender todos os pousos e decolagens no aeroporto de Cascavel por tempo de indeterminado. Mas o fato é esse, a partir de amanhã estaremos sem aeroporto.

Pela parte que me toca, vou tratar agora de transferir para Foz do Iguaçu os voos que já tinha marcado para Cascavel. Honestamente, não consigo atrelar um vento lateral num aeroporto com quase 35 anos de idade a culpas e méritos desse ou daquele grupo político.

A tecnologia disponível em fins da década de 70, imagino, já permitia saber que a ação do vento não era exatamente apropriada à direção projetada para a pista do aeroporto.

Nós merecemos…

SANTA CRUZ DO SUL – Aí o Fernando Chiarelli, candidato a prefeito de Ribeirão Preto pelo PT do B, aproveitou o espaço que o “Jornal EPTV” abre diariamente à campanha política e, hã, marcou história.

O vídeo da entrevista virou hit na internet, o Kibeloco está com a audiência na estratosfera. Vale cada segundo.

Os jingles de 89

CASCAVEL – Difícil para qualquer um que já tenha rompido a barreira dos 30 deixar de lembrar, em época de campanha política, da movimentada corrida presidencial de 1989. Os debates, as acusações, os jogos de cena, os jingles.

Ah, os jingles de 89. Invariavelmente, em meio às rodas de viola de que participo quando há tempo pra isso, acabo encaixando alguns deles em pout-pourris improvisados e de gosto duvidoso.

Eu, do alto dos meus 12 anos e já sabendo que seria antipetista até a morte, via no jingle da campanha do Lula um dos mais bem sacados da época. E a petezada reuniu um timaço para apresentá-lo:

O candidato do meu pai, o que levou o voto do meu pai, no caso, era o Afif Domingos. Chegou a estar em terceiro entre os zilhões de candidatos, segundo apontou o Ibope, e fiquei triste no dia em que vi o Alexandre Garcia dizer, durante a campanha, que a onda da campanha do Afif tinha morrido na praia. E o slogan dele, “Juntos chegaremos lá”, é utilizado hoje por um vereadorável cascavelense.

A musiquinha – na época eu chamava de musiquinha – do Collor era bacaninha, também. O Tim Rescala fez uma paródia dela, inclusive, pra um programa especial do Chico Anysio em que vários dos personagens dele eram candidatos a governar Chico City, acho que era isso. Em vez de “Collor, Collor, Có-ol-lor”, cantava “Justo, Justo, Juuuuuus-to”.

Também rolou paródia no horário eleitoral com o Sílvio Santos. Seus marqueteiros adaptaram a própria marchinha que abria seu “Domingo no Parque”. Sílvio entrou na disputa no meio do caminho, e dela foi tirado antes do caminho terminar.

E quem não lembra da marchinha do Ulysses Guimarães? Bote fé no velhinho que o velhinho é demais. Demais. O velhinho não chegaria vivo ao fim do mandato, praguejavam alguns. De fato não chegou, e a queda daquele helicóptero rendeu até uma piadinha de mau gosto, bastante disseminada, envolvendo botecos e ovos cozidos.

Quem também atacou de marchinha foi o Affonso Camargo, que não deve ter feito mais nada útil em sua trajetória política além de implantar o vale-transporte. Se for candidato a síndico em seu prédio, hoje, vai alegar isso. O filmete tinha o Tião Macalé.

O povo que compunha jingles políticos em fins dos anos 80 acertava na veia. O do velho caudilho Brizola caiu no gosto da criançada, que, como eu, não entendia picas de política.

Tempos atrás, o UOL colocou na rede esse vídeo aqui que trazia trechos de todos esses jingles. Foi o único lugar onde encontrei o do Aureliano Chaves, outro de que eu gostava bastante. Está a partir dos seis minutos da edição. Logo em seguida vem o do Mário Covas, só vi agora. Não tinha lembrado do Mário Covas.