Bom de boleia

Imagem

PINHAIS – A foto está horrível por ser um print da imagem da televisão reproduzida na internet. De modo ou outro, fica muito claro que alguma coisa está errada.

Quer saber como terminou o perrengue na encharcada rodovia? É só clicar aqui.

Fosse sócio da Neusa Navarro, já teria proposto a contratação do cidadão para correr na Fórmula Truck.

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Livres para voar

SÃO PAULO – Antes de receber a opinião dos dezenas de pilotos de motovelocidade que conheço, já deixo a minha: o que temos aqui é banditismo.

A matéria desse vídeo aqui foi mostrada pelo MGTV, da Globo mineira.

É mais um caso, o mostrado na reportagem, daqueles em que faço questão de diferenciar motociclistas de motoqueiros. Os que a matéria mostrou são motoqueiros. É mais um caso, sobretudo, que comprova ser o Brasil um país onde tudo que é errado é certo. Somos o país da impunidade. A única função real da lei é servir como material para advogados encontrarem brechas.

Deve ser prazeroso, isso no meu caso é mera suposição, pilotar uma moto dessas a 150, 200, 300 km/h. Vejo bastante isso nas corridas do Moto 1000 GP, organizadas pelo Gilson Scudeler, e do Superbike Series, pelo Bruno Corano, eventos que frequento com certa assiduidade. Eventos que proporcionam ambiente e condições aos pilotos para extravasarem. É isso que piloto de moto faz, afinal. Mais que dar show e mostrar que é bom e que o esporte é bom o bastante para fazer quem está fora da pista roer as unhas, pilotos usam suas máquinas e sua habilidade para extravasar em treinos e corridas. Todo mundo precisa extravasar, afinal. E quando algo sai errado num treino ou numa corrida, lá está toda uma equipe de profissionais e um aparato de segurança para minimizar consequências. Que em alguns poucos casos acabam sendo trágicas. Velocidade implica risco, desde sempre.

Nas vias públicas é diferente. E não se trata, aqui, de preocupação com as fuças dos motoqueiros. Se querem arriscar suas vidas em nome do prazer, o problema deveria ser inteiramente deles, aliás, sem que blogueiros do interior do Paraná se metessem com isso. Não é o caso. Arriscando suas vidas, arriscam também a de todo mundo que usa as mesmas vias públicas convertidas por eles em pistas de corrida.

Antes que apareça o tosco argumento “corrida é só para ricos”, não são as corridas e clínicas de pilotagem em autódromos as únicas opções para o exercício sadio da paixão pelo mundo sobre duas rodas. Enquanto motoqueiros fazem baderna nas ruas e nas rodovias, motociclistas organizam-se pelo Brasil inteiro em eventos bem organizados, encontros que atraem apaixonados de todos os cantos do país – alguém já disse que são quatro, os cantos -, sempre recheados de bons atrativos, bem organizados e pautados no que permitem as regras de boa conduta, que nada têm a ver com a escrotidão proposta pela deputada estadual carioca Myrian Rios. Cascavel, onde vivo, foi referência por alguns anos com o “On The Road”, organizado por um grupo liderado pelo Augusto Bittencourt. Quem é do ramo diz que jamais houve nada igual. Quanto à baderna nas vias públicas, somo não se fiscaliza e não se pune, vai continuar tudo como está. Em Minas, onde não há pistas de corridas, e no país todo.

Você merece!

CASCAVEL – Não basta reclamar da conduta dos motociclistas, é necessário criar meios para que o uso das motos, mais ágeis e mais frágeis, seja convertido em bons exemplos.

O Celso Miranda, jornalista dos bons, deve ter pensado algo nesse sentido quando criou o “Você merece!”, um projeto voltado a identificar e premiar, no trânsito cotidiano, usuários de motocicletas que deem bons exemplo na condução e na manutenção de seus veículos. E um deles, no fim do ano, vai levar para casa uma moto zerinho, zerinho. É um motivo e tanto para os motoqueiros tornarem-se motociclistas e viabilizarem o fim da marginalização que cerca sua figura.

O projeto do Celso, que teve seu lançamento durante a Semana Nacional do Trânsito, está esmiuçadinho nesse press-release aqui, que a Fernanda Gonçalves produziu na semana passada.

Palmas para o Celso e para os parceiros dele na campanha. Vejo nela, na campanha, algo daquela lógica da estrela do mar: se um só motoqueiro criar vergonha na cara e virar motociclista a partir dessa iniciativa, ela já terá valido a pena.

Ser humano, esse ser

CASCAVEL – Costumo tentar, em vão, compreender a dificuldade que as pessoas têm no lido com as regras simples de convivência. Como preencher devidamente uma vaga em estacionamentos, por exemplo, parece ser mistério ainda não desvendado.

Observem que o 206, compacto como é, ocupa três vagas. As pessoas que cagam para o código humano de conduta são as que mais alto bradam contra políticos corruptos e pragas afins.

A resposta vem de cima

CASCAVEL – Não é todo dia que se tem boas notícias da Cettrans. Quando há, é de bom tom que se as propague.

O caso é que, instantes atrás, postei no blog essa questão aqui, sobre eventuais avanços de sinal vermelho quando há necessidade de facilitar a passagem de viaturas. Indiquei o link no Twitter e pedi se alguém que me lê tem a resposta.

E a resposta veio, também via Twitter, da própria Cettrans, indicando que “em nosso sistema as imagens são analisadas e não há lavratura de infração”. Esmola demais, claro que o santo desconfia. Fiz contato com a companhia e não é que o perfil @Cettrans_Cvel é mesmo de lá? Foi criado há pouco menos de dois meses. Descobri agora e já estou seguindo.

No contato, o rapaz que me atendeu – não tomei nota de seu nome, imperdoável descuido – explicou que a filmagem dos radares é iniciada a cada vez que abre-se o ciclo vermelho dos semáforos. Quando o dispositivo capta uma infração, a imagem é enviada a uma central onde passa por uma análise específica para apurar se houve infração pura e simples ou, justamente o caso que questionei, auxílio a uma viatura de emergência.

Há muita coisa, muita mesmo, para as quais esperamos providências da Cettrans quanto ao trânsito de Cascavel. Vá lá que a companhia não tenha meios para dar fim à acefalia de maior parte dos usuários, mas é bom saber que há mais um canal, esse do Twitter, para que os pontos críticos sejam alertados. Soma-se ao e-mail da ouvidoria, o faleconosco@cettrans.com.br.

Foi um esclarecimento saudável. Pelo menos, se isso for necessário um dia, já sei que posso facilitar a passagem das viaturas sem medo de tomar uma multa nos cornos.

Dúvida cruel

CASCAVEL – Foi a segunda vez, hoje, que presenciei uma mesma situação de trânsito em Cascavel desde que o Município instalou os radares que apontam excesso de velocidade ou avanço de sinal vermelho.

O motorista está parado em seu devido lugar, com o farol vermelho às fuças, quando surge, em alta velocidade e com sirene a plenos pulmões (é só uma expressão), uma viatura do Samu, ou Siate, ou do Corpo de Bombeiros, ou equivalente – a de hoje era do Samu. O motorista, como manda o princípio da vergonha na cara, faz o que lhe é possível para dar passagem ao motorista da viatura, de cuja pressa pode estar dependendo uma vida. Essa cessão de passagem, invariavelmente, contempla um avanço de sinal vermelho, ainda que leve e pretensamente sem comprometer o fluxo da via transversal.

Como fica? Esse avanço de sinal, identificado pelo pardal, acarretará a multa e os pontos na carteira de habilitação? (Coincidentemente, enquanto escrevo este parágrafo, passa uma viatura dessas a mil por hora aqui por frente do escritório, sirene acionada; que seja uma ação bem sucedida dos socorristas envolvidos)

É uma das milhares de dúvidas que pretendo dirimir ainda em 2012. Até lá, que me desculpem os bravos socorristas, não avanço um farol vermelho nem fodendo.