Sertanejão na veia


PORTO ALEGRE – Tem havido muitos shows interessantes em Cascavel de uns tempos para cá, parece que a cidade resolveu engrenar em sua caminhada à condição de bom lugar para se viver. Tenho perdido todos, consequência da agenda corrida das corridas (trocadilho besta), agenda da qual não reclamo – pelo contrário, agradeço todos os dias.

Amanhã, por exemplo, perco dois shows, daqueles que dói na alma estar longe. Everton & Alex, parceiros dos bons, vão se apresentar no Cowboy Saloon com sua banda, a Rochel, da qual minha ilustríssima patroa faz parte. Até aí, sem grandes dramas; vivo indo aos shows do Everton do Alex, que dias atrás baixaram lá em casa e levaram no porta-malas o Valdy, que eu não via há uns bons 18 anos, e fazer umas modas com ele foi uma das grandes coisas do ano.

Mas, na carona de Everton & Alex, perco também o show de Gilberto & Gilmar, dupla da lista das pioneiras. Deles, tenho um cassete, ou K7, de quando regravaram o “Trem das sete” do Raul Seixas, foi no mesmo volume que lançaram “Capa de revista“. “Só mais uma vez”, a moda do vídeo aí em cima, está entre os principais sucessos deles. “Assino com X” é outro, que nunca pode faltar nas rodas de música sertaneja das quais sempre participo. Aí tem também “Música da saudade“, “Palavras de amor“, a lista de imperdíveis é quilométrica.

Nunca vi um show de Gilberto & Gilmar e sei que amanhã à noite, cá de Porto Alegre, vou estar puto nas calças (aprendi essa expressão anteontem, achei divertida) por não estar lá no Cowboy.

Vou pedir pra Juli filmar pra eu ver quando chegar em casa.

Sertanejão na veia

A dupla acabou, o que é uma pena, mas cada um sabe de si. E acabou a dupla sertaneja, não a amizade entre Flávio e Thiago, ou Flávio Aquino & Gabriel, e é isso que vale. O que se leva da vida, afinal, é o convívio que se tem, ouvi isso dia desses e achei deveras verossímil.

A dupla acabou, mas a história ficou. Flávio Aquino toca a carreira solo, Thiago Diel assumiu o sobrenome verdadeiro e hoje se apresenta com nova formação de dupla, Franco & Diel. Um dos últimos momentos de Flávio Aquino & Gabriel foi “Criminosa incrível”. Uma obra-prima, como dizem.


Orgulho danado de ter essa molecada na lista de amigos, algo que tem se tornado um negócio meio escasso.

Nada de que reclamar

Demorou, mas enfim consegui encaixar um fim de semana de proveito duplo em uma das ene vindas a São Paulo. Mais que duplo, até.

Depois de três dias de locução do Porsche Cup em Interlagos, onde atuei em corridas boas como não se vê a todo domingo, consegui aproveitar que a programação no autódromo terminou bem cedo, acompanhei uma turma de amigos a uma ótima churrascaria – almoçar às três e meia da tarde é interessante – e, sem mais nenhum compromisso para atender, demos uma esticada a São Bernardo do Campo, a terra do cara.

Foi lá, numa festa promovida por uma emissora de rádio para algo alusivo a motoboys, não entendi direito, que voltamos, Juli e eu, a acompanhar um show de Lincon & Luan. Eu devia essa visita há tempo, para eles e para mim mesmo. Ótima dupla do novo estilo sertanejo. Que saiu lá de Cascavel, do palco o mesmo bar onde hoje tocam Luc & Juli – neste caso vale frisar a marca –, e tem feito um sucesso e tanto para as bandas de cá.

Fomos ao ABC paulista com time completo. Eu com a Juli, Danilo Gaidarji com a Regiane, Pedro Rodrigo com a Natália. Edy, a esposa do Luan, estava na área também. Rever os amigos é bom, mesmo quando estão trabalhando. No caso de Lincon & Luan, não tenho o mínimo dó de ver amigos trabalhando em pleno domingo. Primeiro, porque também trabalho aos domingos, em todos eles. Segundo, porque foi atrás do trabalho deles, também, que fomos para lá. Música de ótima qualidade.

Havia tempo que não os via em ação. Danilo e Pedro, que em princípio não foram tão receptivos quanto suas patroas ao convite, flagraram-se dançando ao lado do palco, de onde acompanhamos a apresentação toda com visão privilegiada. Depois do show, um animado bate-papo, uma rodada de vinho no apê do Luan e a vinda para nossa hospedaria, de onde saímos na madrugada, Juli e eu, de volta para Cascavel.

Agora, antes de dormir, a última ação da madrugada. Tratei de me certificar do óbvio – o Corinthians havia abotoado o Vitória e o fraco Fluminense tropeçou em casa no cintilante confronto com o São Paulo. Tudo normal.

Foi um domingo legal.

Velocidade, chope e boa música. Ótimo!

Pode até parecer propaganda. E é, mesmo. Serve só para quem gosta de animação e boa música. Dez entre dez, penso.

A promoção é do Padaria. Que é um daqueles sujeitos que não definiram ainda o que fazer da vida – enquanto isso, vai se experimentando como colunista de jornal, apresentador de televisão, competidor de artes marciais, promotor de eventos. Reza a lenda que ataca como cozinheiro, também.

O palco da muvuca vai ser o Pantanero Bar, que Juli e eu já elegemos como extensão da nossa casa. Padaria e Mateus Ferreira, o mandachuva da casa, batizaram de 1ª ChopPada. Em que pese o trocadilho infame, tem tudo para ser festa das boas. Cidadão paga a entrada e bebe tanto chope quando conseguir. Há quem vá beber mais que a cota, cada um com seus problemas.

Para mim, festa imperdível. Além de gostar de um bom chope – e o do Pantanero é bom –, não é segredo que aprecio uma boa música sertaneja. Vai ter a tal “violada universitária”, com os músicos de um grupo da FAG, e além disso três das melhores duplas da cidade vão revezar o palco da casa. Sobre duas delas – Flávio Aquino & Gabriel, da foto aí de cima, e Everton & Alex, os da foto abaixo – já falei aqui no BLuc, aqui e aqui. Markus & Alexandre também se apresentam.

Serão cinco horas de som e chope. Antes disso, uma passada pelo autódromo de Cascavel. Depois de uns dois anos, vou narrar uma corrida do Metropolitano de Marcas & Pilotos daqui. Assim que terminar a corrida da Stock Car na televisão, vou pra lá.

Meu domingo vai ser bem movimentado, nota-se.