Fala, Raul!

CURITIBA – Mais um pouquinho de Raul Seixas em seus 25 anos de morte. Dando uma fuçadinha na internet, pincei algumas entrevistas suas a programas de televisão.

Aqui, início dos anos 80. Pela menção que faz à filha que teve com a esposa brasileira, Vivian, é de 1982 ou 1983 o bate-papo de mais de 20 minutos com um Pedro Bial irreconhecível para quem o vê hoje. 

Muitas palinhas ilustram esse mix de entrevistas a Marília Gabriela. A de “Blue Moon of Kentucky”, na primeira entrevista, é sensacional – a segunda é de 1983.

Essa outra aqui é tida como última entrevista de Raul a um programa de televisão. Ele, já com alguns neurônios visivelmente degenerados, e Marcelo Nova, seu parceiro no último disco – “Panela do Diabo” -, no “Jô Soares Onze e Meia”, do SBT. Tem uma palinha de “Carpinteiro do universo”, a última música da vida de Raul.

Raul e Malé

RAUL SEIXAS

CURITIBA – Hoje faz 25 anos que Raul Seixas morreu. Sobre Raul tenho muito pouco a falar, ou quase nada, já que à época de sua morte eu era um fedelho de 12 anos que praticamente só conhecia, de seu repertório, “Carimbador maluco”. Vim a curtir sua obra bem depois disso, sem ter até hoje compreendido exatamente a que ela se destinava, sei maioria das músicas do cara, gosto de trazê-las à pauta nas invariáveis rodas de viola.

Os 25 anos da morte de Raul me fazem lembrar de outro poeta maluco que já morreu. Um maluco do bem, se é que me entendem. Mário Lemanski, o “Malé”, que era meu vizinho de bancada na redação dos tempos de jornal. Exatos 15 anos atrás, quando falávamos sobre os dez anos sem Raul, Malé e eu fizemos um pacto. O de promovermos em conjunto, cinco anos depois, um grande festival lá em Cascavel, com bandas tocando e celebrando Raul, reunir muita gente, fazer uma festa memorável. Tínhamos bastante tempo para isso até que a morte de Raul completasse 15 anos.

Acabou não acontecendo. Malé, em 2004, já estava às voltas com a doença que o levaria embora no começo do ano seguinte. Lembrei do nosso pacto não cumprido durante seu velório, prometi a mim mesmo e a ele, também, que tentaria fazer algo parecido nos 20 anos sem Raul. Não fiz picas a respeito. Faria hoje, nos 25. Algo mais modesto e menos trabalhoso, um show com músicas de Raul Seixas que eu mesmo trataria de apresentar, já que de uns anos pra cá tomei certo lido com as coisas da música. Mas sabia que não estaria em Cascavel. Era para estar na Argentina com o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, que acabou transferindo as corridas de sua quarta etapa aqui para Curitiba. Como já sabia que estaria fora de combate, sugeri a amigos donos de casas noturnas da cidade que promovessem algo nesse sentido, não estarei lá para saber se a coisa vai rolar.

Talvez eu mesmo providencie uma festa ou algo do gênero em 21 de agosto de 2019, quando a morte de Raul Seixas completar 30 anos.

Em tempo: “Cabeças que não comem são barrigas que não pensam”, escreveu o Malé, em poema que poderia muito bem ter sido música de Raul, talvez sucesso nesse show que reuniu 150 mil pessoas mais de 30 anos atrás na Praia do Gonzaga.