Muffato, 50 anos

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O protótipo de “Muffatão”, o livro do jornalista Clóvis Grelak que será lançado em novembro ilustrando a vida política, pessoal e empresarial e a trajetória esportiva de Pedro Muffato

CASCAVEL – Cheguei ao autódromo alguns minutos depois do pretendido e a coletiva de imprensa protocolar da Fórmula Truck já estava em andamento. À mesa, além da anfitriã Neusa Navarro, os três pilotos da cidade na categoria, que visita Cascavel para a oitava e antepenúltima etapa da temporada.

David Muffato e o aniversariante Diogo Pachenki, nas extremidades da mesa, além de Neusa, acabaram envolvidos com o assunto principal da manhã: a retirada e Pedro Muffato do automobilismo, dando a bandeirada final a uma carreira que no dia da última corrida do ano completará 50 anos. A prova de depois de amanhã será a última de Pedro no autódromo que ajudou a construir. A circunstância toda é carregada de muita pompa e, sem surpresas, de alguma comoção.

Pedro está em uma manhã de extremo bom-humor. Falou pausado e tranquilo sobre vários dos aspectos que o conduziram à marca cinquentenária no automobilismo. Em dado momento, a interrupção da trajetória nas pistas foi mais ou menos posta em dúvida por alguém. “Nada disso, vou parar. Tenho que obedecer quem manda, que é a Mail”, falou, referindo-se à esposa com o ar de admiração e devoção de sempre. “Faz 40 anos que ela está pedindo para eu parar de correr. Vou parar, senão a gente vai acabar brigando”.

Continuar no automobilismo, em princípio, não parece fazer parte dos planos de Pedro Muffato. “Claro que vou frequentar autódromos, ver os amigos correndo. Sempre é mais fácil estar do lado de fora apontando o defeito dos outros do que estar lá dentro para os outros apontarem o nosso defeito. Inclusive, vou providenciar com a Neusa e com os promotores das outras categorias uma credencial permanente para poder entrar nos autódromos sem pagar”, descontraiu o quase ex-piloto.

Under request, Pedro Muffato descreveu-nos qual foi a corrida inesquecível entre as mais de 400 que disputou em cinco décadas. “Foi na Fórmula 2, uma corrida em Cascavel. Eu tinha acabado de construir um carro aqui em Cascavel. Não larguei em primeiro, larguei mais para trás”, narrou, alertado por David que a posição de grid daquele chassi Muffatão foi a quinta. “Larguei em quinto e dobrei a primeira curva em primeiro. Quando completei a primeira volta não tinha mais ninguém perto de mim, até achei que a largada não tivesse valido. Tirei o pé quando passei pela frente do box, aí os outros começaram a se aproximar e vi que estava valendo, sim. O carro é que era muito bom, não o piloto. O carro era tão bom que andava até sozinho”, continuou. “Foi uma corrida inesquecível pelo lado bom e pelo lado ruim. O lado bom foi liderar a corrida quase inteira. Só que quando faltava uma volta para acabar um cabo da bateria deu curto circuito e o carro apagou na pista. Aí aquele clima de festa virou praticamente um velório no autódromo”.

Vivendo há meses a fase de despedida das pistas e procurando aproveitar os momentos da derradeira temporada, Pedro isentou-se do compromisso de brindar o público da cidade com resultados. “Quem está nesse compromisso são os dois ali dos extremos”, falou, apontando o filho David e Diogo, que atualmente ocupam o quarto e o terceiro lugar na classificação do campeonato.

“Muffatão”, o livro que ilustra parte da vida de Pedro que meu sócio Clóvis Grelak escreveu e que será lançado em novembro, também esteve em pauta. “Talvez se fosse mesmo para contar minha vida assim a gente teria uns dez livros, porque cada assunto tem uma história muito comprida. Nunca fiz nada pensando em contar num livro, o que fiz foi por vontade própria, fiz as coisas que quis e que consegui fazer. Mas o livro está aí, metade da renda vai ser destinada à Uopeccan, que é o hospital do câncer aqui de Cascavel. Não sei se vai agradar. Eu, mesmo, não teria saco para ler”, brincou.

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David Muffato, Neusa Navarro, Pedro Muffato e Diogo Pachenki logo após o bate-papo de agora há pouco com os jornalistas no autódromo de Cascavel.

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Novato no ninho

Porsche 5

CASCAVEL – Em 48 anos de automobilismo, quase 49, Pedro Muffato fez quase tudo que uma pista de corridas pode proporcionar a um piloto. Hoje, acrescentou mais um feito inédito a seu currículo: pilotou um carro do Porsche GT3 Cup em Cascavel.

Não foi exatamente um treino. Foi uma experiência, por assim dizer. “Uma experiência indescritível”, segundo o Pedro, que ficou maravilhado com o Porsche 911 GT3 da geração 997, devidamente personalizado pela organização da categoria com seu nome e seu número 20 para a ocasião.

Antes do treino, Pedro aproveitou para pôr o papo em dia com o velho amigo Nelson Piquet, que também tem feito seus treinos com carros da categoria.

Tem bastante gente me perguntando se o Pedro vai participar das corridas ou se só treinou, mesmo. Honestamente, nem eu sei. Acharia interessantíssimo, como a maioria acha, o Pedro alinhar um carro número 20 no grid de sábado. O único problema é que, se isso acontecer, fico sem comentarista para a transmissão da corrida pelo Terra e pela Band.

Por via das dúvidas, já vou atrás de uma segunda opção de comentarista.

Porsche 2

Jubileu de cristal

PEDRO MUFFATO

CASCAVEL – A data da foto era 16 de abril de 2006. O palco, o Autódromo Internacional Virgílio Távora, em Eusébio, cidade da grande Fortaleza. A ocasião, única e histórica: a vitória de Pedro Muffato na Fórmula Truck.

Aquele foi o ponto alto da trajetória do Pedro na Truck. Trajetória que se aproxima dos 15 anos. A marca será comemorada simbolicamente na terceira etapa da atual temporada, domingo agora em Londrina.

Faltam três meses para a estreia do Pedro na Truck completar 15 anos. Mas foi em Londrina. Fica como referencial da vez.

Muffato no Senado

PINHAIS – Homenagem a um amigo de 73 anos por sua juventude. Foi assim que o senador rondoniense Acir Gurgacz definiu a menção que fez, quase um mês atrás, ao piloto Pedro Muffato, durante pronunciamento no Senado.

Gurgacz tinha em mãos um exemplar da revista “Racing” que trazia a matéria “O Pedro que não para”.

A Stock na 102,7

CASCAVEL – Mais dois pontos a que dou notável relevância foram incorporados hoje ao meu ainda parco currículo de narrações esportivas.

Um deles, ter narrado uma corrida da Stock Car pela primeira vez. Foi para a Capital FM, conforme já havia antecipado dias atras aqui no blog. Em que pese a interferência que nosso sinal sofreu de alguma parafernália qualquer que alguma equipe de trabalho acionou hoje – nos testes técnicos de ontem estava tudo ok -, foi uma transmissão bacana, ao vivo, que levou a corrida disputada no aguaceiro de Cascavel ao Paraná e ao mundo,já que muita gente nos ouviu pela internet.

O outro ponto inédito, que foi para minha caderneta de capa dourada, foi ter narrado uma corrida pela primeira vez com o Pedro Muffato como comentarista. As observações, a postura tranquila e os apontamentos indicados pelo Pedro dão um subsídio muito farto para a narração – e olhe que, apesar do pouco tempo de estrada, já tive um time de comentaristas considerável, citado nesse post aqui do ano passado.

O Pedro Rodrigo repicou na Highspeed Brazil a transmissão da Capital FM e, agora à tarde, me mandou o áudio da transmissão, de onde ele já havia suprimido a meia hora do pré-corrida e as voltas que abriram a etapa com o safety car na pista.

Estou resolvendo como compartilhar esse áudio com quem queira ouvi-lo, logo estará postado aqui mesmo. A vitória na corrida, todos já sabem, foi do Marcos Gomes.

Boa, Pedrão!

E no dia em que a primeira de suas centenas de corridas completou 45 anos, lá estava o Pedro Muffato, no pódio, comemorando.

Foi dele o terceiro lugar na última etapa da Fórmula Truck, agora há pouco em Brasília. Largou em 13º, rodou no óleo que outro piloto despejou na pista quando o motor de seu caminhão estourou, perdeu posições, recuperou-se e lá estava, em terceiro.

Terminou a corrida acelerando forte, resistindo ao cansaço físico que, aos 71 anos, poderia lhe aplicar efeitos ainda mais devastadores. Economizou saúde ao longo da vida, é o que costuma dizer, e por isso sente-se bem enquanto acelera.

Pedro termina o campeonato em 12º, melhor posição entre os cinco pilotos que disputam a Truck com caminhões Scania. E promete ainda mais para o campeonato do ano que vem, já até confirmou participação.

Vai longe, esse garoto. Agora, com a licença do Pedro, que é palmeirense, eu vou lá pro Pantanero Bar, é de lá que vou ver o Timão ser campeão brasileiro pela quinta vez.

Muffato, 45 anos: piloto setentão

É possível que Pedro Muffato, no auge de sua carreira, não tenha imaginado que estaria competindo em plena forma aos 71 anos. Em fevereiro de 1984, por exemplo, conquistou o terceiro lugar no GP Interamericano, em Daytona, pilotando um Oldsmobile. Meses depois, comentando a prova para a “Placar”, disse que ele e Mario Andretti, ambos quarentões, “eram os bebês naquela guerra”. Pedro mostrou-se impressionado ao constatar que havia pilotos beirando os 60 anos demonstrando o que viu como “garra indescritível”.

O acidente na F-3 parecia ter representado o fim da carreira de Pedro Muffato como piloto. Até que no ano 2000, atendendo a convite do promotor Aurélio Félix, participou de uma das etapas do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck, em Londrina. Era o reinício de uma das trajetórias mais notáveis do automobilismo nacional. Desde então, tem empreendido um trabalho consistente na categoria. Em 2006, valendo-se da competitividade do caminhão eletrônico da Scania, alcançou conquistas inéditas na categoria – a primeira pole e a primeira vitória, na segunda etapa, em Fortaleza.

Na temporada de 2007, Muffato disputou cinco corridas – em outras, em caráter excepcional, seu caminhão foi pilotado por David Muffato, seu filho, campeão da Stock Car quatro anos antes. David foi o único piloto da história a conciliar as duas competições. Na última das corridas que disputou naquele ano, Pedro largou em 22º e terminou em quinto, mesmo debilitado fisicamente por uma forte virose – desceu do pódio sentindo-se mal e foi levado para o ambulatório do autódromo. Depois disso, uma seqüência de procedimentos clínicos decretou seu afastamento temporário das pistas.

De volta à ativa na Fórmula Truck desde o início de 2008, Pedro Muffato segue sua trajetória nas pistas e já enumera os planos para a temporada de 2012. A disposição plena para seguir competindo traduz sua paixão pelo esporte. Paixão demonstrada, anos atrás, num pingue-pongue com um repórter. “Por que o senhor perde tempo com o automobilismo?”, perguntou o jornalista. “Pelo contrário, eu ganho tempo com o automobilismo”, respondeu. Este é Pedro Muffato.

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