Os nomes do novo Brasileiro

BACIAO

Cadê a sequência da pista? A descida para a curva do Bacião, ainda desconhecida de parte dos pilotos inscritos, recebe 35 pilotos para a primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Turismo 1600

CASCAVEL – “A hora dos marquinhas”, foi o que escrevi outro dia. E a hora chegou. O Campeonato Brasileiro de Turismo 1600 abre nesta sexta-feira sua programação de treinos livres para a primeira etapa da temporada. Vai ser aqui mesmo, em Cascavel, com 27 carros e 35 pilotos confirmados para as duas corridas de domingo à tarde. A programação vai ser muito bacana, inclui também as duas corridas da terceira etapa da Sprint Race Brasil e as da Copa Paraná-Sul de Motovelocidade, também em sua terceira etapa.

Dos 27 carros, 13 terão pelo menos um piloto cascavelense – uma definição imprecisa, já que nessa lista incluo por exemplo o Natan Sperafico, que é de Toledo, o Odair dos Santos, gaúcho de nascimento que mora no Paraguai. Mas a distribuição geográfica do grid está interessante: treinos e corridas terão em ação pilotos de sete estados brasileiros e mais o Distrito Federal.  Um deles, que tomo como paulista por morar na Baixada Santista, é o João Lemos Mont, que na verdade é português. A lista completa dos participantes da etapa cascavelense está aí abaixo, no fim do post.

Normalmente, em posts como esse aqui, usamos fotos dos carros na pista, daquelas bonitonas e cheias de trabalho com os efeitos da luz que costumam sair das lentes do Cleocinei Zonta, do Vanderley Soares, do Sérgio Sanderson, do Orlei Silva – que agora guardou a câmera, virou dirigente e está diretamente envolvido na organização da categoria -, do Vandré Dubiela, da Sandra Zama, da Monica Godoy, da Cíntia Azevedo e de tantos outros amigos que costumam fotografar as corridas em Cascavel. Mas, como citei no post anterior, estou de saída para o Rio Grande do Sul e não vou poder acompanhar o início das atividades de pista, daqui a pouquinho. Assim, a saída nada ortodoxa para ilustrar o post é apelar para a imagem lá em cima, produzida durante a última Cascavel de Ouro (confesso que não sei por qual dos fotógrafos citados há pouco) e também para as fotos que os pilotos vieram postando no grupo do campeonato no WhatsApp, maioria deles com os carros já carregados nas carretinhas de transporte, a caminho de Cascavel e do autódromo.

No domingo estarei de volta, para narrar as corridas da primeira etapa na transmissão ao vivo da CATVE e da E-Paraná. Amanhã, já da sala de imprensa em Santa Cruz do Sul, volto a falar um pouquinho do Brasileiro em Cascavel. Que os amigos aqui já instalados tenham um ótimo fim de semana de trabalho. A história que eles estão retomando no automobilismo nacional merece isso.

CAMPEONATO BRASILEIRO DE TURISMO 1600

(Os 35 pilotos participantes da etapa de Cascavel)

0 – Renato Constantino (DF), A, VW Gol/Cesinha Competições

1 – Thiago Klein (PR), A, VW Gol/Paraguay Racing

2 –  Edoli Caús Júnior (PR), A, GM Celta/Caús Motorsport

7 – Guilherme Sirtoli/Leônidas Fagundes (PR/PR), B, Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team

8 – Analino “Choka” Sirtuli (RS), A, Ford Ka/Choka Car Racing

10 – Célio Vinicius (GO), A, Ford Ka/Ferrari Motorsport-Classe A

12 – Vilmar Priviatelli (PR), B, Ford Fiesta/Ferrari Motorsport

13 – Caíto Carvalho/Paulo Bento (PR/PR), B, GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport

14 – Marcelo Beux (PR), B, VW Gol/Speed Car

17 – Daniel Kaefer (PR), A, Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team

27 – Natan Sperafico (PR), A, Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team

33 – Felipe Carvalho (PR), B, GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport

41 – João Lemos Mont (POR), Máster, VW Gol/Paraguay Racing

42 – Larissa Cruzeiro/Rogério Cruzeiro (GO/GO), B, Ford Ka/Ferrari Motorsport-Classe A

44 – Gabriel Correa/Leandro Zandoná (GO/PR), A, Ford Ka/Ferrari Motorsport-Classe A

46 – Edson do Vale/Giovane Ferreira (GO/GO), A, Ford Ka/Ferrari Motorsport-Classe A

64 – Edson Massaro/Lorenzo Massaro (PR/PR), B, VW Gol/Speed Car

66 – Luís Guilherme Filgueiras (MG), A, VW Gol/AGB Preparações

71 – Alexandre Souza/Wyllian Cezarotto (SP/PR), B, Ford Fiesta/Ferrari Motorsport

74 – Francisco Júnior/Alexandre Seda (RJ/RJ), B, GM Celta/Landerson Competições

77 – Wanderson Freitas/Leandro Freitas (MG/MG), A, VW Gol/W Motorsport-Stumpf

99 – César Bonilha (PR/DF), A, VW Gol/Cesinha Competições

100 – Marcelo di Tripa (GO), A, VW Gol/Lucascar Motorsport

107 – Edson Bueno (PR), B, VW Gol/Stumpf Preparações

333 – Mário Garibaldi Filho (PR), B, VW Gol/Red Foot Racing Team

722 – Diogo Freitas (BA), A, VW Gol/Paraguay Racing

774 – Odair dos Santos (PR), B, VW Gol/Paraguay Racing,

Meus highlights

CASCAVEL – Mês passado fomos a Curitiba para uma etapa do Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, acho que já contei isso. Se não contei, pelo menos chamei atenção para o videotape do evento, que foi mostrado em várias cidades do Paraná e de Santa Catarina no programa “Velocidade Máxima”.

Foi um fim de semana bem bacana, aquele de Curitiba. No que diz respeito propriamente às duas corridas, que aconteceram no dia 9 de abril, o Deivicris de Cristo fez um resuminho bem bacana, também em vídeo, do que foi minha participação, que valeu um trofeuzinho de terceiro lugar na etapa da categoria Marcas B.

A terceira etapa do Metropolitano vai ser em Cascavel, no dia 4 de junho, na mesma programação da quarta etapa da Fórmula Truck. Chegarei à cidade na madrugada do domingo – até sábado estarei em Mogi Guaçu narrando a terceira etapa do Porsche Império GT3 Cup – para largar da última fila e tentar fazer mais uns pontinhos. Estou em quarto no campeonato, afinal. Para mim, nada mau.

Na íntegra: Paranaense de Turismo 1.6 2017, 1/3

CASCAVEL – Depois de apresentar as provas da categoria Marcas & Pilotos, o “Velocidade Máxima”, do Beto Borghesi, teve incluídas em sua pauta as corridas da primeira etapa do Campeonato Paranaense de Turismo 1600, que aconteceram no dia 9 no Autódromo Internacional de Curitiba. O VT apresentado segue reproduzido aqui no blog.

Na íntegra: Paranaense de Marcas 2017, 1/3

LUC CINTIA

Participei da abertura do Paranaense integrando a Paraguay Racing, com o VW Gol número 66. Como a etapa valeu por todos os campeonatos metropolitanos do Paraná, cavei um pódio em terceiro no Marcas B de Cascavel.

CASCAVEL – Bem, não é exatamente na íntegra, por se tratar de um VT editado. Enfim, está no ar a primeira etapa do Campeonato Paranaense de Marcas & Pilotos. As corridas da primeira etapa aconteceram no dia 9 de abril no Autódromo Internacional de Curitiba e foram exibidas no programa “Velocidade Máxima”, do Beto Borghesi, que integra as grades de várias emissoras de televisão do Paraná e de Santa Catarina.

Foram 35 carros no grid do Paranaense, atualmente o maior do Brasil na categoria. Isso sem contar os quase 40 que compuseram o grid da carburada Turismo 1600, que essa nós vamos preparar a edição de televisão na semana que vem. A narração das duas baterias do Paranaense é minha, o que configura um crime contra a ética – afinal de contas, também participei das corridas. A galera do grid compreendeu e concordou.

Metropolitano com 32 carros (?)

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Também vou participar do Metropolitano de Marcas & Pilotos em Cascavel. O carro será o VW Gol número 66 da Paraguay Racing, o mesmo com que fui ao pódio da classe Novatos do Paulista. A foto é do bróder Fernando Conto.

CASCAVEL – Todos os ambientes de convivência de hoje em dia contêm um grupo de WhatsApp. Não seria diferente, claro, com o Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, que terá no próximo dia 19 as provas de sua primeira etapa no Autódromo Zilmar Beux. Chegando em casa agora à noite, vi na troca de mensagens do grupo que a grande curiosidade de todo mundo lá é saber quantos e quem serão os pilotos na pista.

Será um ano de novidades, em que o grid volta acolher os carros da Turismo 1600 e em que a própria Turismo 1600 também passa a ter duas subdivisões, uma para os carros carburados e outra para os injetados. A categoria Marcas segue com as classes A e B. É no Marcas B, aliás, que pela primeira vez vou fazer uma pretensa temporada completa. Acertei hoje os ponteiros com a Paraguay Racing para participar com o mesmo carro com que belisquei um terceiro lugar na categoria Novatos em Interlagos, dois meses e meio atrás, no encerramento do Campeonato Paulista. A agenda de narrações fora de Cascavel deve me tirar de uma etapa ou outra, ainda não confrontei os calendários para saber quando as folgas no trabalho me permitirão correr.

A julgar pela lista de participantes que rascunhei aqui, decreto: vai ser uma dificuldade monstruosa pensar em pódio. Cheguei a um total de 32 carros, e 15 deles são da categoria Marcas B. Outros 10 são do Marcas A, e os seis restantes estão distribuídos entre as duas classes da Turismo 1600 – que deverá ter alguns nomes a mais. Ao mesmo tempo, não se descarte a possibilidade de nomes que estão na minha lista não irem para a pista (Anderson Portes e Guilherme Sperafico, por exemplo, informaram logo após a publicação que não vão participar da primeira etapa). Fazer essas listas é um exercício de adivinhação. O grid que imagino que vá abrir a temporada daqui a menos de duas semanas está listado aí abaixo.

1 – Thiago Klein (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas A

2 – Junior Caus (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

3 – Felipe Carvalho (GM Classic/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

5 – Eduardo Bacarin (VW Gol/Sorbara Competições), Marcas B

7 – Leônidas Fagundes Júnior (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

8 – Leandro Zandoná (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas A

10 – Rodrigo Larralde (VW Gol/Larralde), Turismo 1600

12 – Jair Peasson (GM Celta/Peasson Competições), Marcas B

13 – Caíto Carvalho (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

14 – Marcelo Beux (VW Gol/Speed Car), Marcas B

19 – Junior Niju (VW Gol/FF Racing), Marcas B

17 – Daniel Kaefer (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

18 – Gabriel Formentao (VW Gol/Speed Car), Marcas B

23 – Guilherme Sperafico (Renault Clio/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

27 – Natan Sperafico (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas A

28 – Marcel Sedano (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas A

31 – Higor Hoffmann/Rodrigo Elger (GM Corsa/Ribecar), Marcas A

32 – Clovis Alberto/Cido Ferreira (VW Gol/Cezarotto Motorsport), Marcas B

33 – Paulo Bento (GM Celta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas A

36 – André Marafon (Ford Fiesta/Cezarotto Motorsport), Marcas B

39 – Roney Ribeiro/Felipe Braz (VW Gol/Stumpf Preparações), Marcas B

41 – Flamarion Zacchi (VW Gol/Zacchi Racing), Turismo 1600

43 – Anderson Portes (Ford Ka/Sérgio Ferrari Racing Team), Marcas B

46 – Edson Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

50 – Gustavo Myasava (GM Celta/Caús Motorsport), Marcas A

64 – Lorenzo Massaro (VW Gol/Speed Car), Marcas B

66 – Luc Monteiro (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

71 – Wyllian Cezarotto (Ford Ka/Cezarotto Motorsport), Marcas B

74 – Odair Dos Santos (VW Gol/Paraguay Racing), Marcas B

77 –Duda Weirich (VW Gol/Weirich Racing), Turismo 1600

88 – Cleber Fonseca/Jefferson Fonseca Jr. (VW Gol/Fonseca Racing), Turismo 1600

99 – Vilmar Priviatelli (Ford Fiesta/Sensei-Sorbara Motorsport), Marcas B

212 – Gelson Veronese (VW Apollo/Sorbara Competições), Turismo 1600

213 –Nuno Pagliato (Ford Fiesta/Ferrari Motorsport), Marcas B

555 – Rafael Paiva (Ford Ka/Ferrari Motorsport), Marcas B

911 – Ronaldo Cezar da Silva (VW Gol/Ronaldo Racing), Turismo 1600

?? – José Newton Ficagna (Ford Escort/FKS Competições), Turismo 1600

Copo meio cheio

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Alexandre Papazissis, eu, Fernando Fortes e Marcelo Costa. Ao fim das contas, acabamos formando um time bem bacana com o Bujão, o Leandro e o Leonardo. A foto, como todas as do post, é do Rodrigo Ruiz.

SÃO PAULO – Todo mundo conhece a teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Um copo contém água até a metade. Um pessimista que o avalia diz que ele está meio vazio; um otimista, que está meio cheio. Equivale-se à cascatinha dos dois vendedores de calçados que foram mandados a um país pobre da África pela fabricante. Um deles pegou o avião de volta no primeiro dia, alegou que lá ninguém usa calçados e não venderia para ninguém; o outro ficou e avisou a empresa para dar um gás na produção, observando que lá ninguém usava calçados, era uma clientela em potencial.

Atenhamos à história do copo d’água, menos xenofóbica que a outra. Saí de Interlagos ontem à noite, na verdade já no início da madrugada de hoje, sem saber se o copo estava meio cheio ou meio vazio. Poderia avaliar o fim de semana sob os dois pontos de vista, com sobras. Dormi com essa dúvida. Quando acordei, dei de cara com o macacão de corrida pendurado no cabide ao lado da cama do hotel e tive certeza de que o copo da nossa presença nas 8 Horas de Interlagos estava meio cheio.

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Essa, acho, é da tomada de tempos da sexta-feira. O sol na cara ao fim da tarde é um problema nas subidas do Laranjinha e do Café. E também usa os espelhos retrovisores para judiar na tomada do S do Senna.

Se estivesse meio vazio, diria que meus companheiros de equipe me ferraram na sexta-feira quando me apontaram para ser o piloto do carro na tomada de tempos classificatória, da mesma forma como me ferraram quando fui o escolhido para levar o GM Celta da Tuta Racing-Leandro Motorsport à pista no treino de aquecimento e, mais ainda, para largar na corrida de ontem, as 8 Horas de Interlagos. Caramba, um deles não poderia ter assumido esse trabalho?

Mas o copo estava meio cheio. Alexandre Papazissis, Fernando Fortes e Marcelo Costa, todos eles bem mais experientes que eu nesse negócio de guiar carros de corridas, confiaram no meu taco para o treino classificatório. O Fernando disse que era por mérito, já que cada um de nós tinha feito um treino livre e o melhor tempo de volta era o meu – algo casual, uma circunstância de escolha dos pneus que deixou o carro melhor quando entrei na pista por volta do meio-dia de sexta do que para eles, que treinaram depois. Confiaram no meu taco para fazer a última verificação de tudo no treino de 20 minutos que antecedeu a largada, quando uma das tarefas era assentar devidamente as pastilhas de freio que acabavam de ser instaladas no carro. Igualmente, confiaram no meu taco para o primeiro turno da corrida, em que um ritmo mais lento que o dos caras lá da frente poderia potencializar a perda de terreno.

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O grid das 8 Horas de Interlagos não reuniu tantos carros quanto reuniria. Lamento por quem vinha e desistiu de vir. A festa estava ótima e a corrida foi divertidíssima.

Se o copo estivesse meio vazio, diria que somos uns ferrados, eu e meus companheiros de equipe. Caramba, tivemos que mexer nos freios do carro duas ou três vezes durante a corrida. E ainda teve aquele alternador que pifou já de noite, a três horas do fim, que nos custou meia dúzia de voltas nos boxes. E de novo dificuldades com os freios nos últimos turnos, o do Fernando e o do Marcelo, e mais o motor que abriu o bico a 25 minutos do término. Ah, não, é muita desgraça para um box só.

Como o copo estava meio cheio, e também para não ser injusto, a primeira parada para a ziquezira com as pastilhas nos custou pouco, só 75 segundos além dos quatro minutos do tempo mínimo de parada nos boxes. Rapaziada da equipe trabalhou rápido e bem. Quando sentei no carro pela segunda vez, decidiram usar o tempo da parada obrigatória de 15 minutos – todas as equipes tinham de cumprir um pit stop de 15 minutos na corrida, a qualquer tempo – para um reparo mais minucioso que se fazia necessário, até agora não sei direito o que era, já estava dentro do carro e não sei o que tanto mexiam. Mas funcionou. O carro que ganhou a corrida, não sei se por imprevisto ou por opção prévia dos Arias, teve até os discos de freio trocados. O motor quebrou? Fato, isso deixou todo mundo com cara de bunda no box. Isso porque, mesmo com todos os nossos percalços, ainda estávamos correndo atrás de pelo menos um lugar no pódio. Pelo transcurso da corrida, antes dos problemas começaram a visitar o nosso box e os dos nossos adversários, estávamos caminhando para um ótimo terceiro lugar, com pretensão sólida de brigar pelo segundo. As provas longas, que para mim ainda são meio que novidade, têm disso. E carro de corrida quebra, é uma máxima que temos de aceitar, todos nós que orbitamos, em qualquer nível, esse mundinho dos autódromos. O copo estava meio cheio, e o problema que nos tirou da corrida aconteceu no último turno, quando todo mundo já havia se divertido na pista, cada um no seu quadrado. Já imaginou se o carro quebra na minha mão nos primeiros minutos de corrida e fica todo mundo chupando o dedo? Não, nada disso. Aceleramos por mais de sete horas e meia. Foi muito bom.

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Estávamos a caminho de um pódio certo com o Celtinha preparado pelos gaúchos. Mas corridas, sobretudo as de longa duração, acabam nos pregando algumas peças. Paciência, vamos para a próxima.

Com o copo meio vazio, eu mesmo me sujeitaria a uma sessão de chibatadas pelo ritmo pífio no meu turno à noite. Nunca havia entrado numa pista à noite, só consegui assumir um ritmo razoável quando já estava na hora de fazer mais um pit stop e passar o carro ao Alexandre. A visibilidade estava horrível, já deixo para a próxima edição minha sugestão de que o regulamento libere o uso de faróis auxiliares – só podíamos usar os que são originais dos modelos de fabricação em série.

Mas o copo estava meio cheio, e saí contente já do meu primeiro turno na corrida. Largamos lá de trás do grid – não esqueçamos que quem fez a tomada de tempos fui eu… –, quando parei no box depois de 23 voltas já estávamos em quinto ou sexto. Nas minhas contas era sexto, o Marcelo Gomes jura de pés juntos que era quinto, ele acompanhava a corrida lá do fim da reta dos boxes e garante ter contado mais de uma vez. Fiz algumas ultrapassagens, uma delas um tanto ousada (estou começando a me acostumar aos carros dessa categoria), tive um ritmo muito constante da largada até a parada, recebi cumprimentos e tapinhas nas costas quando parei no box.

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Trabalho rápido já na calada da noite. Ainda não tínhamos desistido de lutar por um lugar no pódio. Ficou para a edição de 2018 das 8 Horas de Interlagos. Ou para alguma outra corrida que faremos juntos.

Tenho dado sorte com as equipes que cruzam o meu caminho nessa doideira de participar de corridas de carros. No caso de Interlagos, estávamos em ótimas mãos. O Leonardo “Tuta” Kubaski e o Leandro Silva são dois preparadores bastante reconhecidos pelos pilotos lá do Rio Grande do Sul. Leandro e Leonardo, que se recusaram a cantar umas modas nos intervalos entre os treinos. E mais o Alexandre Rheinlander, o não menos conhecido “Bujão”, que nos deu um suporte de primeiríssima linha, e o Júlio Taboas, que não só ficou conosco no rádio do começo ao fim da corrida como nos emprestou todo o conhecimento que tem desse negócio de corrida de carros, que não é pouco. Apesar das nossas caras de bunda ontem à noite, saímos todos contentes e satisfeitos, com nossos copos meio cheios. E já combinamos, os rapazes da equipe e mais o Fernando, o Marcelo, o Alexandre e eu, que vamos enchê-los em breve.

Sobre o grid abaixo do esperado já dei meu pitaco ontem. O transcorrer da prova e seu resultado estão nesse link no Speed On Line. E eu vou tratar de fazer as malas que daqui a pouco tomo o caminho de volta para casa. Tem gente importante me esperando lá.

 

(ATUALIZANDO EM 27 DE MARÇO, ÀS 22h05)

Só no último fim de semana, durante a primeira etapa do Dopamina Endurance em Viamão, é que peguei com o bujônico Alexandre Rheinlander as imagens da câmera onboard da corrida do mês passado. Coloco aqui só a primeira parte da corrida, que foi a que fiz, desde a largada. Também conduzi o carro no quinto turno, e acho até sorte não haver imagens daquilo. Nunca tinha guiado numa pista à noite e fiz um monte de bobagem.

Turismo regional com pneus slick

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Carros em exposição na festa de premiação aos campeões gaúchos de 2016, na última sexta-feira. Em primeiro plano, o Ford Ka de Luiz Carlos Ribeiro, já calçado com os pneus slick 14×7 da argentina NA Carrera.

SÃO PAULO – Turismo Super 1.6. É esse o nome da nova categoria que a Federação Gaúcha de Automobilismo lançou na última sexta-feira, durante a festa de premiação aos campeões estaduais de 2016. Ainda ontem comentei aqui minha impressão de que a categoria Marcas 1.6 no Rio Grande do Sul estava com os dias contados. Acabou sendo uma meia-verdade: sai de cena o Marcas para entrar a Turismo Super 1.6, que importa um formato consagrado na Argentina com a Turismo Nacional, a categoria das fotos a seguir, que tem como slogan “tu auto también corre”.

Não se trata de uma apresentação em PowerPoint para eventual prospecção de patrocínio. Já homologada, a categoria terá seu primeiro campeonato em 2017. O calendário de etapas, inclusive, está definido, e antecipo aqui: Velopark no dia 4 de junho, Santa Cruz do Sul no dia 2 de julho, Tarumã em 30 de julho, Rivera em 3 de setembro, Guaporé em 8 de outubro e de novo Tarumã em 6 de novembro. Cada etapa terá duas corridas de 35 minutos, cada.

Os gaúchos não tomaram emprestado apenas o conceito da série argentina para a categoria que substitui o bom e velho Marcas & Pilotos. Os pneus dos carros também serão do país vizinho. Serão pneus slick aro 14, que de cara baixam os tempos de volta em coisa de quatro segundos e meio. Testes já feitos comprovam que são pneus capazes de manter performance por 120 voltas. Diante disso, cada jogo de pneus será lacrado para utilização em duas etapas do campeonato. O resultado de uma básica regra de três levou os promotores à conclusão esperada por quem assina o cheque da corrida: acaba saindo mais barato correr com os slick do que com os radiais utilizados em todas as séries similares.

A ideia, explícita no regulamento que será publicado terça-feira no site da Federação Gaúcha, é renovar a frota. Modelos como GM Corsa, Fiat Uno e Renault Clio, já fora das linhas de fabricação, e também as versões anteriores dos Ford Fiesta e Ka, do Fiat Palio, do VW Gol, do GM Celta e do Peugeot 206, vão ganhar a companhia de suas últimas versões e ainda de modelos como o HB20 da Hyundai, o Etios da Toyota, o C3 da Citröen e o novo Uno. “Seu carro também corre”, não esqueçamos disso. Modelos com motores 1.6 de 16 válvulas, que nas condições técnicas de competição vão desenvolver qualquer coisa em torno de 180 cavalos de potência.

Bati um papo sobre a nova categoria com o Jhonny Bonilla, que está diretamente envolvido com o novo campeonato. Que é Gaúcho, mas deverá, como fruto de um trabalho de corpo-a-corpo que já está sendo feito com pilotos e equipes do Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste, reunir participantes de vários outros estados – a meta, mesmo, é convertê-lo dentro de pouco tempo em Sul-Brasileiro ou coisa do gênero. Além de intermediar diretamente o fornecimento de pneus, é um colaborador institucional do campeonato. Ele me disse que procedimento igual foi adotado no Uruguai, país onde nasceu – mora no Brasil desde 1978 –, e que o resultado foi praticamente imediato. O Jhonny também é o gestor do novo autódromo uruguaio de Rivera, cidade localizada na fronteira com o Brasil. O Uruguai tem ainda os autódromos de Mercedes e de El Pinar, na capital Montevidéu.

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A Turismo Super 1.6 terá seus carros calçados com pneus slick. Como foi o Brasileiro de Marcas & Pilotos promovido em 2007 por Toninho de Souza. Como foi a Copa Shell de Marcas & Pilotos em fase notável de sua existência.

“O automobilismo uruguaio estava em um ostracismo. Os caras fizeram um esforço enorme e criaram a Superturismo. Só carros novos. Foram às revendas e conseguiram comprar os carros mais baratos colocando propagandas das marcas. Acabou que, em um ano, já são 40 carros Superturismo, todos com motor Cosworth e caixa sequencial. Para este ano já tiveram que criar a Classe 2, para abrir espaço para mais carros. O grid está lotado e o público voltou em massa”, descreveu o Jhonny, passando por conceitos que permeiam as conversas em rodas de autódromo no Brasil, acerca do apoio das marcas que é pequeno pelas bandas de cá e que funciona tão bem pelos lados da Argentina. Do Uruguai também, pelo visto.

Temos que tirar o chapéu para a gauchada. Os caras mantêm vivo o Endurance brasileiro, correm em mais pistas que algumas séries de nível internacional e, agora, saem com essa. O segredo deles não é segredo para ninguém: definem uma causa, se abraçam e vão em frente para viabilizar. A fórmula é tão simples quanto eficaz.

O vídeo aí abaixo foi apresentado aos desportistas presentes à ocasião da última sexta-feira, durante o lançamento da Turismo Super 1.6. Contém cenas da Turismo Nacional argentina. Vale ver.