Na íntegra: Metropolitano de Cascavel, 4/6

SÃO PAULO – Passando por aqui para tirar a poeira do blog e para compartilhar com vocês a edição do programa “Velocidade Máxima”, do Beto Borghesi, que traz as provas da quarta etapa do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel. As corridas no Autódromo Zilmar Beux aconteceram no dia 12 de junho.

As vitórias foram de Thiago Klein, da Paraguay Racing, na categoria A, e de Caíto Carvalho, da Sensei Sushi Bar-Sorbara Motorsport, na categoria B. A quinta e penúltima etapa do Metropolitano está confirmada para 7 de agosto.

 

(ATUALIZANDO EM 5 DE AGOSTO, ÀS 9h43):

Coincidentemente promovo estando de novo em São Paulo a atualização do post trazendo, enfim, as provas da quarta etapa da categoria Turismo 1600. E olhe que a rapaziada lá em Cascavel já está com os carros nos boxes do autódromo para o início dos treinos da quinta e penúltima etapa.

Da Turismo 1600 pro Marcas & Pilotos

CLIOCASCAVEL – O recorte dado à foto eliminou a marca d’água com a assinatura da fotógrafa. Como crédito é coisa com que não brinco, friso logo que é da lavra da Sandra Zama.

Enfim, esse é o Renault Clio com que o Marco “Tico” Romanini disputou as últimas temporadas do Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel. E também as duas últimas edições da Cascavel de Ouro. E depois da abertura do campeonato de 2016, antes mesmo de ter confirmada sua estreia na nacional Copa Petrobras de Marcas, decidiu encostar o carrinho lá na sede da Stumpf Preparações para algo que o futuro reserve aos dois, piloto e carro.

Passei por lá, pela Stumpf, vi lá o Cliozinho do Tico, amuado em seu cantinho. Deu dó. Esse carro precisa voltar a se divertir, pensei. E, na falta de coisa melhor pra dar a ele, conversei com um e outro e decidi, com os devidos avais dos envolvidos, que esse vai ser meu próximo parceiro de pista. É com o Cliozinho que vou para a pista já neste fim de semana, na minha primeira participação no Metropolitano de Marcas & Pilotos. Quem me acompanha por aqui sabe que encarei algumas maluquices na pista do ano passado para cá, na categoria dos carburados, a Turismo 1600. Liderei minha última corrida até quebrar a homocinética, algo que jamais esperava. Antes disso, cavei um segundo lugar no complemento da primeira etapa – nos dois carros, revezando com o Felipe Carvalho o Gol que ele havia acabado de trazer de Curitiba. Antes, tinha vindo um segundo lugar na Classic Cup em Curitiba, e também um nono lugar na estreia, soma de um abandono numa bateria e de um sétimo lugar na outra.

Sei pouco do assunto, em termos práticos, e o ideal seria continuar aprendendo na Turismo 1600. Por outro lado, tenho outra pretensão maluca, que é a de participar em outubro da Cascavel de Ouro, e fazer algumas corridinhas no Marcas antes disso seguramente vai ser bem útil para já ir pegando a mão da coisa no que diz respeito a conduzir um injetado. Nada de grandes pretensões quanto à estreia de domingo, além de momentos agradáveis com os amigos de sempre e os novos. A classe B, na qual me incluo, deverá ter sete ou oito participantes. Se sobrar um trofeuzinho na base da sorte já será pretexto para uma boa comemoração lá no Bar do Zé na terça-feira da semana que vem.

Na íntegra: Metropolitano de Cascavel, 3/6

PINHAIS – O sábado de trabalho vai ser bastante exigente. Então, sem maiores delongas, seguem aqui as corridas da terceira etapa do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos lá de Cascavel, que aconteceram no último domingo no Autódromo Zilmar Beux. A edição é do Beto Borghesi e da equipe do programa “Velocidade Máxima”.

Na íntegra: Metropolitano de Cascavel, 2/6

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O Gol da Sensei-Sorbara Motorsport, com que disputei a prova da Turismo 1600 formando dupla com o Felipe Carvalho, dono do carro: foi minha despedida provisória das pistas

CASCAVEL – Por motivos, como diria o macaco-de-auditório daquele talk show luso, a série de transmissões das provas do Campeonato Metropolitano de Automobilismo de Cascavel em vídeo-teipe começa da segunda etapa.

Se por um lado não tempos a primeira, por outro abrimos as exibições do ano para quem é de fora de Cascavel em grande estilo: o site da revista Racing traz em primeira mão as corridas das categorias Marcas & Pilotos e Turismo 1600, antes mesmo de sua apresentação em várias emissoras paranaenses dentro do “Velocidade Máxima”, programa que leva a produção do Beto Borghesi.

Para ver as corridas, que eu mesmo narrei, basta acessar o site da Racing nesse link aqui. Para ilustrar o post, em vez de uma foto aleatória, escolhi uma das que o Sérgio Sanderson fez do carro com que participei da corrida da Turismo 1600 em dupla com o Felipe Carvalho. Preciso dar um retorninho aos meus patrocinadores, afinal – que foram, a saber, Casa Wireless, Grupo Oda, Inspevel Inspeções Automotivas, Abraplac, ABS Sports, Sensei Sushi Bar e Auto Posto Maçarico. E essa, como já contei aqui, deve ter sido minha última corrida no ano.

Aí você pergunta: ué, o Luc correu e narrou a corrida? E eu resposto que sim, foi isso mesmo.

Pódios em casa

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O bom Gol que o Felipe Carvalho dividiu comigo nesta etapa e que vai pilotar em todo o restante da temporada.

CASCAVEL – Duas semanas antes eu tinha descoberto em Curitiba, bem longe da turma de sempre, o que é estar num pódio de automobilismo, ambiente que acompanho tão de perto nos vários campeonatos em que exerço alguma função, normalmente na narração de corridas. Fui o segundo colocado da minha categoria numa prova extracampeonato da Classic Cup, já esmiucei bem aquele assunto.

Agora foi a vez de buscar esse pódio na pista da minha cidade. Cascavel, cidade hospitaleira, como diz nosso Hino – não tem nada a ver com o assunto de ora, nem sei por que me ocorreu o Hino. Foram dois pódios, na verdade, na estreia do novo VW Gol da Sensei Sushi Bar-Sorbara Motorsport no nosso Campeonato Metropolitano de Turismo 1600.

Abrimos a temporada com o Ford Escort, todos lembram. Houve a primeira bateria em fevereiro, e na estreia do Felipe Carvalho, com quem formei dupla, ele cavou um sexto lugar. A segunda corrida não aconteceu no dia, evento suspenso por conta de um acidente grave, e foi reposta no último sábado. Larguei em sexto, éramos sete no grid, e terminei em segundo. Terceiro seria um resultado mais justo, mas o Cido Morais teve uma quebra de motor a menos de três voltas do final, o segundo lugar caiu no colo. Somado ao sexto do Felipe cinco semanas antes, fomos ao pódio em quarto.

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Felipe e eu acabamos cativos do quarto degrau do pódio nas duas primeiras etapas. No domingo era para termos subido mais. 

No domingo vieram as corridas da segunda etapa. Fiz a tomada de tempos momentos antes da largada e não consegui extrair do carrinho tudo que ele oferecia, e era bastante coisa, apesar de uma irritante falha na carburação. Quarto lugar no grid. José Sorbara e seus blue caps tentaram mais uma mudança nos giclês, uma tentativa cega, já que não haveria mais treinos antes da prova. Felizmente os Sorbara sabiam o que estavam fazendo. O carro acendeu na hora certa, como bem definiu o Marcão Romanini. Felipe largou em quarto e pilotou como um veterano, apesar de ser só sua segunda corrida no automobilismo. Para surpresa de todos nós, e dele próprio, ganhou a corrida. Deixou-me como presente-de-grego a pole position para a prova final.

A pressão era grande. O sarro dos amigos, idem. Ninguém, nem eu, imaginava que aquele primeiro lugar fosse perdurar por mais de duas curvas de corrida. Momentos antes de entrar no carro escutei três comentários bem distintos, vindo de três personagens que fizeram parte do fim de semana de competições – André Bragantini, Sandra Zama e César Cortina acabaram, sem saber, dizendo as coisas que eu precisava ouvir.

Larguei ainda duvidando que fosse permanecer à frente por muito tempo. A meu lado na primeira fila estava o Gol do Juliano Silva, sempre muito rápido. Quando a luz vermelha apagou fiquei patinando feito bobo no concreto da reta do autódromo. Ali já esperei que três ou quatro me passassem na descida para o Bacião. Bem, o carro saiu do lugar, olhei pelo espelho e vi que todo mundo estava atrás. Era a certeza de liderar pelo menos uma curva da corrida.

Liderei a volta toda até, na reta dos boxes, o Juliano emparelhar. Foi-se a liderança, pensei. Desci o Bacião pela linha externa da pista, imaginando que ele estivesse ali ao lado. Consegui sair de lá em primeiro. A ideia de puxar a fila numa corrida começou a se formar no meu miolo-mole. Esse negócio de eventualmente ganhar uma corrida começou a parecer palpável. Sobretudo depois da quarta volta, quando saí mal do Bacião – preciso melhorar bastante seu contorno – e o Juliano emparelhou de novo. Minha única chance de continuar à frente dele era conseguir contornar o Mergulho por fora, coisa que jamais pensei em treinar. Sem muita opção ou tempo para pensar, foi o que fiz. Mergulho por fora, S do Saul por dentro, antiga reta oposta e curva Seis por fora, até me reestabelecer à frente na saída da Sete, que traz para o retão.

TROFEU

Minhas três últimas corridas renderam três trofeuzinhos. Nada mau para quem só conhece esse mundo de corridas pelo lado de fora.

Estava me sentindo o Nelson Piquet depois de fazer aquilo. “Não passa mais”, decretei, em voz alta, como se alguém pudesse ouvir. Talvez não passasse, mesmo, jamais vou saber – uma volta depois de termos contornado quatro curvas lado a lado a homocinética do meu carrinho resolveu que era hora da brincadeira terminar. Quebrou na entrada do retão. Juliano, Marcos Cortina, Roney Ribeiro, Flamarion Zacchi e Richard Valandro foram embora, um a menos na frente, todos devem ter pensado, enquanto eu tomava o caminho dos boxes para dali abandonar, pelo menos por esse ano, a participação em corridas.

Já sabia, antes mesmo da etapa começar, que estaria fora da pista pelo restante da temporada. As próximas etapas, todas elas, vão acontecer nas datas em que estarei em outras pistas narrando corridas de campeonatos brasileiros. Faço questão de, ano que vem, participar de mais algumas corridinhas. Esse negócio é divertido e acaba compensando, sob uma série de pontos de vista, as agruras que a vida traz. Nas três últimas vezes em que estive na pista foram três trofeuzinhos. Muito bom, acho, para alguém que só conhece esse mundo das corridas pelo lado de fora.

Boa estreia, também, do Golzinho do Felipe: nas três corridas do fim de semana ele nos levou a um segundo lugar e a uma vitória. E estava na frente de novo quando entregou os pontos. O carrinho, que era do Aloysio Ludwig, veio para cá muitíssimo bem ensinado.

Quanto à minha corrida de domingo, por enquanto a última da minha trajetória, estou curiosíssimo para ver a filmagem produzida pelo Beto Borghesi, que deverá chegar daqui a alguns dias. Enquanto não chega, vou me contentando com o vídeo aí abaixo, captado pela câmera onboard do Juliano, que me deu uma pressão e tanto enquanto estive na pista. A quebra da homocinética, que me tirou da brincadeira, acontece aos 11min30s do vídeo.

É fim de temporada

CASCAVEL – Como assim, fim de temporada? Nem terminou o primeiro trimestre ainda. Tem campeonato que nem começou. Como assim?

Bem, por aqui falo sempre em primeira pessoa. E, para mim, é fim de temporada. Sábado e domingo, 2 e 3 de abril do corrente ano da graça, faço minhas últimas participações de 2016 como piloto amador de corridas. Aqui em Cascavel. No sábado, participo da prova que complementa a primeira etapa do Metropolitano de Turismo 1600, iniciada em 28 de fevereiro e suspensa por conta de um momento ruim. No domingo, em dupla com o Felipe Carvalho, participo da segunda etapa do mesmo campeonato. E é só.

E as outras quatro etapas? Ainda vão rolar mais quatro depois dessa. Pois é. Mas essas vão coincidir com os campeonatos em que trabalho de alguma forma – ou narrando, ou escrevendo. Ah, mas em outubro na Cascavel de Ouro você volta, né? Não, não volto. Quer dizer, volto, mas não para correr. Tal qual no ano passado, só vou estar por aqui no domingo da corrida, até sábado tem narração bem longe de Cascavel.

MINARDI

Meu fim de temporada, portanto, vai ser com as corridas de sábado e domingo, que vão acompanhar as de Marcas & Pilotos. Vai ser guiando um Gol, em vez do Escort que tem me acompanhado nas últimas jornadas – pilotos, os de verdade, costumam usar “guiar” para casos assim. O carrinho vem bem ensinado. Era do Aloysio Ludwig, foi feito sob a batuta dele, dispensa apresentações. Felipe e eu tivemos um treino semana passada com o carrinho. Gostoso de guiar, aparentemente mais fácil, ou menos difícil. E a pintura lembra a da Minardi em seus bons tempos. Vai ser divertido, enfim.

O grid da Turismo N para a segunda etapa tem, em princípio, nove carros confirmados. Todos eles, casualmente, modelo Gol. Além do #66 que o Felipe vai revezar comigo tem o #5 do Marcos Cortina, o #12 do Renato Hein (será que o Cido Morais completa a dupla?), o #35 do César Cortina e do Richard Valandro, o #36 do André Soffa, o #39 do Roney Ribeiro, o #80 do Juliano Silva, o #88 do Cleber e do Juninho Fonseca. O Rodrigo Larralde já avisou que seu carro número #10, também um Gol, não fica pronto até o fim de semana. Não sabemos se o Zé Newton Ficagna vai trazer o Escort #17 dele. Ainda temos a confirmar também a presença do Gol #55 da equipe do Max Nunes, que ano passado foi usado pelo Clóvis Ramos. Luizão Cezarotto acabou de finalizar um Escort, igual ao que usei na primeira etapa, que está à disposição de interessados em uma vaga experimental e aluguel.

Na terceira etapa, em maio, vão se juntar ao grid o Apollo da Sete Motorsport, que já tem piloto definido, e pelo menos mais dois Gol, um do Marcelo Guinot e outro do Eduardo Zambiazi e do Júnior Francez. Nossa categoria dos carburadinhos está evoluindo, não dá para negar.

GRID

Domingo sem bravatas

MARCOS MOCELIN

Marcos Mocelin e sua irmã Camila ao lado do carro número 16 da equipe Ribecar, que acabaria destruído no assustador acidente de ontem.

CASCAVEL – Era para ser um domingo de festa. Era um dos dias mais aguardados dos últimos meses pelos 43 que nos inscrevemos para a primeira etapa do Campeonato Metropolitano de Automobilismo de Cascavel, 29 na categoria Marcas & Pilotos e outros 14 na Turismo 1600. Era para darmos, como sempre damos, importância exagerada a cada curva, a cada erro, a cada ultrapassagem, a um trofeuzinho de quinto ou quarto lugar. Era para contarmos bravatas e celebrarmos, à nossa moda, mais um animado domingo de corridas.

Nada disso aconteceu. Saímos do autódromo todos preocupados, apreensivos, cabisbaixos e repensando uma série de valores. Um acidente como nunca havia visto nas nossas categorias regionais fez o evento parar para não mais ser retomado. Dois colegas de pista envolvidos e levados à UTI hospitalar. Para maioria dos pilotos, dois amigos; no meu caso, um grande amigo de longa data e um garoto que não conhecia, embora o tenha visto e já tenha narrado ao vivo uma corrida da qual participou.

Aconteceu na primeira bateria de Marcas. A da Turismo 1600 já tinha transcorrido, meu carro esteve na pista com meu parceiro Felipe Carvalho, eu tentava disfarçar alguma tranquilidade para encarar a pista na corrida que viria no meio da tarde. Fui para a nova arquibancada do S do Saul acompanhar a disputa. Fui sozinho, de macacão, mesmo. Lá encontrei algumas turmas de amigos – o que mais encontramos em autódromos são amigos, isso é uma coisa legal. Víamos e gravávamos vídeos amadores do que acontecia na pista. Quatro ou cinco voltas depois, surge uma bandeira amarela no posto de sinalização, justificando a correria de alguns dos amigos de ouvido mais aguçado instantes antes.

O acidente aconteceu na curva que dá acesso à reta dos boxes. Marcos Mocelin, que vi algumas vezes no box da equipe Ribecar, tentava ultrapassar César Chimin, com quem passei alguns dias na Flórida na semana anterior. A manobra não aconteceu. O único vídeo disponível até então, produzido pela equipe do Beto Borghesi para a edição da corrida, mostra os dois carros saindo desgovernados para a área de escape e arrebentando violentamente nas barreiras à beira da pista.

A correria até o local foi intensa. Muita gente invadiu a pista, alguns movidos pelo ímpeto de auxiliar no socorro a Marcos e César, outros pelo mero inconveniente de estarem próximos de um episódio trágico. Fui com alguns dos amigos até a mureta que separa os boxes da pista, e dali acompanhamos a atuação de socorristas, comissários e curiosos. Em dado momento, alguém que atuava no atendimento ao Marcos proclamou “código 3!”. Um rapaz que estava ao meu lado, conhecedor dos códigos das situações de emergências, levou a mão ao rosto e compartilhou seus conhecimentos conosco. Concluiu que a situação era mesmo grave, porque se o código fosse 4 significaria a morte do piloto.

A partir daí não se passaram mais que dez minutos até que comunicassem a ocorrência do código 4. Era comunicação interna entre um grupo de trabalho, mas eclodiu em questão de poucos segundos por todo o autódromo. Um vazio indigesto nos dominou. Muitos entregaram-se às lágrimas, ao desespero. Ficamos desnorteados, essa é a verdade. Eu observava tudo aquilo andando sem saber para onde, talvez para o box da minha equipe. Foi quando o panorama mudou.

Algumas dezenas de torcedores que acompanhavam tudo do alambrado externo do autódromo deram início a um aplauso que, penso, acabou tendo participação de todos nós. Um socorrista havia bradado o reestabelecimento dos sinais vitais de Marcos Mocelin. Apesar dos longos minutos sem atividade cardíaca e respiratória, o piloto voltou à vida. Jamais alguém vai confirmar ou negar, mas ouvi que os próprios socorristas já haviam desistido de tentar trazê-lo de volta e que um deles, talvez por desencargo de consciência, empreendeu uma última tentativa de massagem cardíaca. Foi a diferença entre a vida e a morte.

CESAR CHIMIN

César Chimin foi meu anfitrião em Orlando e esteve comigo dez dias atrás em Homestead, na etapa do FARA USA. É o amigo que me telefona dos Estados Unidos em fim de semana de corrida para passar dicas de pilotagem do Escort, modelo com que colecionou vitórias e títulos pelas bandas de cá na década passada.

Os acidentados, cada um numa UTI móvel, foram levados à UTI do hospital Dr. Lima. César, que também desmaiou por conta da violenta batida, sofreu um pequeno edema cerebral, consequência da desaceleração brusca, teve uma costela fraturada e uma perfuração de pouca dimensão no pulmão. Deveria sair ainda hoje da terapia intensiva para o quarto, mas os últimos exames apontaram a evolução de um pequeno edema pulmonar e a determinação é de que permaneça sob observação pelo menos até o fim da semana. Nada que preocupe em demasia, é o que assegura a equipe médica. O caso de Marcos é bem mais grave. Gravíssimo. Teve edemas bem mais sérios, inchaço do cérebro, traumas torácicos e hemorragias. Não recobrou a consciência em momento algum. Um amigo que acompanha o caso no hospital contou que Camila, irmã de Marcos, esteve com ele na UTI e contou que notou movimentos de suas pálpebras enquanto falava com ele. Os médicos que o atendem determinaram 72 horas de prazo, estimativa para que as condições clínicas permitam os procedimentos cirúrgicos.

Há quem diga que o Marcos tenha sido acometido por um mal súbito durante a corrida. É uma tese que faz pleno sentido, sobretudo por não haver qualquer indício de que tenha tentado frear ou fazer a curva. Só quem viu as imagens onboard do carro do César foi o comissariado de prova; não sei se Marcos tinha câmera instalada em seu carro.

Reunimo-nos, os pilotos participantes da etapa, com a direção de prova tão logo as ambulâncias com Marcos e César deixaram o autódromo. A decisão tomada pela maioria, e seguida por todos, foi de que se suspendessem todas as atividades do evento automobilístico. A corrida em que houve o acidente foi cancelada. Para efeito de campeonato, e só para esse efeito, ela não existiu. As segundas baterias da Turismo 1600 (realizada instantes antes) e de Marcas & Pilotos serão repostas, provavelmente na véspera da próxima etapa. É o que menos importa agora.

MARCOS FELIPE MOCELIN

Marcos Mocelin no briefing de sábado à tarde. Dos 43 que estavam ali, é o único com quem jamais conversei: coincidência tão incômoda quanto irrelevante.

Gente ligada às corridas em todos os cantos do Brasil me pergunta a cada pequena porção de minutos sobre a situação dos pilotos. Estou perto dos fatos, afinal, em comparação aos amigos que emanam suas boas energias de todos os lugares pela recuperação dos dois pilotos. Como temos feito nós, ligados diretamente ao automobilismo de Cascavel.

Éramos, repito, 43 os pilotos de automobilismo inscritos na etapa de ontem. 24 carros nas classes A e B da categoria Marcas & Pilotos, cinco deles com duplas de pilotos, outros 10 na Turismo 1600, com quatro duplas e seis inscrições individuais. Fiz questão de examinar as listas, nome por nome. Marcos é o único com quem jamais troquei uma palavra. Fico procurando algum significado para esse tipo de constatação; é coisa que me assusta um pouco, devo admitir, embora sem saber por quê.

Espero ter, ainda, a oportunidade de trocar algumas palavras com o Marcos. Ou de me juntar à sua turma na mesa de truco improvisada sobre uma pilha de pneus de corrida a dois boxes do meu. Agora, sobretudo, a chance de ter conversado com os 43 pilotos da primeira etapa de 2016, a que não acabou, torna-se um evento estatístico dos mais importantes.