Só brasileiros no Team Ginetta

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Giulio Borlenghi, que na última semana foi ao pódio do Brasileiro de Turismo em Santa Cruz do Sul, busca voltar à liderança do campeonato pilotando o protótipo G57 ao lado de Valter Pinheiro

CASCAVEL – Daqui a pouco tomo o caminho de Santa Cruz do Sul para mais uma etapa do Dopamina Endurance, como comentei dia desses. Durante o fim de semana vou tentar reservar algumas atenções, também, para outra corrida de longa duração, essa um tanto mais longe de casa. É a Memorial 500, quarta etapa da FARA USA, no traçado “infield” do Homestead Motor Speedway. Como sempre, um grupo numeroso de pilotos brasileiros estará na pista.

O quesito brasileiros na pista destaca sempre o Team Ginetta USA, que atua sob a batuta do brasileiro Adolpho Rossi. No caso específico da Memorial 500, que terá largada no domingo às 14h de Brasília para 500 quilômetros ou quatro horas de disputas, apenas gente aqui do país estará no comando dos carros da equipe. O revolucionário protótipo Ginetta G57, que dominou o início da temporada, será pilotado pelo paulista Giulio Borlenghi e pelo carioca Valter Pinheiro. Giulio busca recuperar a liderança da categoria principal, depois da pane que o impediu de completar a última corrida. Valter, para quem não lembra, é o que pilotou um Lotus Evora para nos tempos da finada GT Brasil.

Os outros quatro carros do Team Ginetta USA no grid são o G55. Elias Azevedo, líder da classe 2, retoma a dupla com Ramon Alcaraz. Ésio Vichiese e Maurício Salla estarão juntos em outro G55. Os outros dois exemplares terão duas duplas formadas por pilotos que até o ano passado disputaram o Mitsubishi Lancer Cup – José Berenger/Bernardo Parnes e Carlos Quintela/Vital Menezes. Cássio Homem de Mello, vice-líder da classe, não participa desta corrida.

Adolpho tem dezenas de corridas no currículo, seja como piloto ou como chefe de equipe. A Memorial 500, aposto eu, é a que vai acompanhar com mais expectativa em toda a vida. Não pelos eventos de pista, mas pela chegada iminente do Enzo, seu filho com a também piloto Alline Cipriani. Esperam a chegada do menino para segunda-feira. Se for veloz como o pai e a mãe, pode chegar antes.

Por falar no FARA USA, não dá para deixar de lembrar, também, outro trio brasileiro que estará em ação na corrida de domingo. Marcello Sant’Anna, Sérgio Laganá e William Freire serão os pilotos do Lamborghini da Auto+ Racing.

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Sérgio Laganá, William Freire e Marcello Sant’Anna, todos eles pilotos paulistas, formam o trio que compete na FARA USA com o Lamborghini da Auto+ Racing

 

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Um G57 a mais!

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Os norte-americanos Gar Robinbson e Lawrence Loshak vão correr com um dos G57 do Team Ginetta USA, inscrito sob o número 74. Os demais carros da equipe estarão na pista com pilotos brasileiros.

CASCAVEL – O sempre atrativo FARA USA retoma sua temporada neste fim de semana, com a Sunset 500, em Homestead. É a terceira etapa do campeonato, que teve a primeira corrida em novembro e a segunda em fevereiro – as duas aconteceram no Homestead Motor Speedway. O Team Ginetta USA, liderado pelo brasileiro Adolpho Rossi, dominou tanto a Miami 500 quanto a Homestead 500. O time vem com novidades para a corrida de domingo agora, inclusive.

Um dos Ginetta G57, nova sensação da competição, terá dois norte-americanos como pilotos, graças a uma parceria fechada com a Pennzoil. A marca adquiriu os direitos sobre o carro, que segue com preparação a cargo do time de Adolpho. Gar Robinson, campeão da Trans-Am Series em 2015, e Lawrence Loshak, pentacampeão da SCCA, vão revezar comando do carro durante as cerca de quatro horas de corrida. No outro G57 – sim, agora são dois! – estarão os brasileiros Artur Fortunato, vencedor a corrida do mês passado ao lado de Giulio Borlenghi, e Elias Azevedo. Borlenghi estará em Goiânia participando da primeira rodada dupla do Campeonato Brasileiro de Turismo pela equipe Full Time, do Mau Ferreira.

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O outro exemplar do modelo Ginetta G57 terá os brasileiros Artur Fortunato, vencedor da etapa anterior, e Elias Azevedo como pilotos na Sunset 500, terceira etapa do FARA USA.

Tal qual na Homestead 500, a equipe terá também quatro modelos G55 na pista, na classe MP-2a. Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa buscam em dupla a segunda vitória consecutiva. Ramon Alcaraz, que em fevereiro teve Elias Azevedo como parceiro, passa a formar dupla com Júlio Martini, que no último sábado venceu as Três Horas de Tarumã em sua categoria, a P3, pilotando o protótipo Tubarão 8 em dupla com Marcelo Viana. Adolpho Rossi volta à ativa também como piloto para correr ao lado de Esio Vichiese. O quarto carro será pilotado por Jesse Gröse e Alessio Bellucci. A etapa de 40 dias atrás, aliás, só teve brasileiros no pódio da MP-2a. Vitória de Homem de Mello/Barbosa, com segundo lugar de Alcaraz/Maurício Salla e terceiro de Azevedo/Martini.

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Cássio Homem de Mello foi o quarto da classe MP-2a em novembro, em dupla com seu pai Eduardo, e venceu a corrida de fevereiro ao lado de Ricardo Barbosa, seu parceiro na etapa deste domingo.

Haverá, claro, vários outros pilotos brasileiros em ação em Homestead. Cinco deles vão competir com os Lamborghini da Dopamina Racing. Marcello Sant’Anna e William Freire, que em Viamão conquistaram o terceiro lugar geral nas Três Horas de Tarumã, terão também o Sérgio Laganá como parceiro no comando do modelo RE-X. Adalberto Baptista e Marcelo Franco vão revezar o LP600+. Ah, e a corrida de domingo será a terceira de um calendário de oito. Tem muita história para ser contada até o fim do ano a respeito do FARA USA.

 

A festa foi do Team Ginetta

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O revolucionário G57 que Borlenghi e Fortunato levaram à vitória na segunda etapa da temporada do FARA USA – a primeira aconteceu em novembro. A foto, como todas as do post, são do Chris Green.

CASCAVEL – A correria da semana foi monstruosa e mal tive tempo para cumprimentar devidamente os amigos do Team Ginetta USA pelo excepcional desempenho na Homestead 500, no último domingo. Foi um domínio acachapante, como diriam os jornalistas da época em que eu consumia revistas que falavam de Fórmula 1, ainda na pré-adolescência.

Contando com uma série de pilotos brasileiros, a equipe chegou à segunda vitória consecutiva na classificação geral do Florida Racing Championship, campeonato da FARA USA que tem suas etapas nas pistas de Homestead, Sebring e Daytona. Giulio Borlenghi, que havia conduzido o novo protótipo da marca inglesa à vitória na Miami 500 formando dupla com Mike Simpson em novembro, repetiu o resultado, desta vez ao lado de seu compatriota Artur Fortunato. A dupla, obviamente, também foi a vencedora de sua categoria a FP-1. Sem querer desmerecer o talento do Giulio e do Artur, parece mesmo ser um carro fantástico, o novo G57. Vê-lo em ação nas pistas da nova série brasileira de Endurance seria algo fantástico, não dá para negar.

Bem, saiamos dos devaneios e voltemos à corrida de domingo no Homestead Motor Speedway. Onde não teve para mais ninguém no pódio da classe MP-2a, que acabou formado pelas três duplas inscritas com os modelos G55 do Team Ginetta USA. Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa foram os vencedores da prova, três voltas à frente de Ramon Alcaraz e Maurício Salla, que ficaram em segundo. A terceira posição coube a Elias Azevedo e Júlio Martini. Na classificação geral, os G55 da equipe preencheram da sexta à oitava posição.

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Elias Azevedo, Júlio Martini, Maurício Salla, Ramon Alcaraz, Cássio Homem de Mello e Ricardo Barbosa: pódio 100% brasileiro e 100% do Team Ginetta na classe MP-2a da Homestead 500.

Houve mais um carro da Ginetta no grid, o simpático G40 que Ésio Vichiese revezou com o norte-americano Ethan Law. Ésio era o líder da classe MP-4a quando abandonou a corrida por conta de um acidente.

A Sunset 500, terceira etapa do FARA USA, voltará reunir os dezenas de pilotos e equipes da liga norte-americana no dia 2 de abril, novamente no circuito misto de Homestead. A sequência do calendário determina a Memorial 500, dia 28 de maio também em Homestead, a Sebring 500, dia 9 de julho, a Summer Challenge 500, dia 27 de agosto em Homestead, a Race of Champions, dia 8 de outubro em Daytona, e a Miami 500, dia 10 de dezembro.

 

Invasão brasileira

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A Miami 500, em novembro último, abriu a temporada do FARA USA, que tem levado à Flórida um número cada vez maior de pilotos brasileiros. A foto, conforme mostra o lacre no cantinho, é do Chris Green.

SÃO PAULO – É um termo que a mídia do esporte gosta bastante de usar, esse do título. Bastante usado quando há uma leva de competidores brasileiros em alguma disputa de âmbito internacional, e cai como uma luva para o que acontece neste fim de semana nos arredores de Miami. Falo do Homestead Motor Speedway, onde amanhã mais de uma centena de pilotos vão participar da primeira corrida de 2017 do FARA USA.

Vai ser, na verdade, a segunda etapa da temporada, que começou em novembro do ano passado com a Miami 500, que teve piloto brasileiro no topo do pódio: Giulio Borlenghi formou dupla com o inglês Mike Simpson, acho que é primo do Bart, e conduziu à vitória geral o novíssimo modelo G57 do Team Ginetta USA. O próprio Borlenghi encabeça a lista de brasileiros inscritos no evento do fim de semana. A bordo do mesmo G57 que tem despertado suspiros entre os pilotos de provas longas, ele formará dupla com o paulista Artur Fortunato, fera da Fórmula 3.

Adolpho Rossi, que é quem orquestra as ações do Team Ginetta USA no belíssimo campeonato da Flórida, terá seis carros na pista no fim de semana. Cinco deles com competidores brasileiros. Além do Giulio e do Arturzinho, haverá duplas com a bandeira verde-amarela em três dos quatro modelos G55 do grid. Falo de Elias Azevedo/Júlio Martini, Ramon Alcaraz/Maurício Salla (não confundam com o bonachão Maurizio Sala) e Ricardo Barbosa/Cássio Homem de Mello – o Edu, pai do Cássio que formou dupla com ele na peleia de novembro, desta vez fica nos boxes dando palpites. Outro carro inscrito pela equipe é o G40, que terá o brasileiro Ésio Vichiese correndo em dupla com o norte-americano Ethan Law.

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Marcello Sant’Anna, formando trio com Sérgio Laganá e William Freire, vai competir em Homestead com um Lamborghini igualzinho – inclusive no layout – a esse da equipe que venceu em novembro as 12 Horas de Tarumã. Na foto de Tarumã aparecem Henrique Assunção, Fernando Fortes, Andersom Toso, Pedro Queirolo, Fernando Poeta e o Marcello.

Sobre a participação do Team Ginetta eu já havia falado dias atrás aqui mesmo no blog. Mas haverá mais, bem mais brasileiros competindo em Homestead. Três deles vão pilotar o Lamborghini LP600 da Dopamina Mindful Drink. Marcello Sant’Anna, que guiou um carro igualzinho nas 12 Horas de Tarumã do ano passado – ele integrou as equipes de dois carros, inclusive o protótipo vencedor na classificação geral –, terá como parceiros Sérgio Laganá e William Freire, que venceram uma série de corridas na extinta GT Brasil.

Outra dupla da antiga GT brasileira tem Guilherme Figueirôa e Júlio Campos. No FARA USA, eles integram um trio com o Marcel Visconde – Júlio compete regularmente na Stock Car, enquanto Guilherme e Marcel estão entre os pilotos mais experientes do Porsche GT3 Cup Brasil. Estão em Homestead com a Scuderia 111 para disputar a etapa de amanhã pela Scuderia 111, também a bordo de um Lamborghini LP 600.

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Guilherme Figueirôa, Júlio Campos e Marcel Visconde voltam ao Homestead Motor Speedway, onde competem com o Lamborghini LP 600 da Scuderia 111

Já que falei de Porsche, um dos carros da marca na Homestead 500 vai ter piloto brasileiro, também. É o Beto Monteiro, que reveza com o Carlos Crespo, dos EUA, uma 911 Supercup da equipe Curva 1 Racing. O Beto vive fazendo testes para equipes do automobilismo norte-americano e soma uma série de participações no FARA USA. Pernambucano, é o piloto brasileiro de atuação mais eclética nas pistas na atualidade – lembro que tempos atrás escrevi um material sobre ele ter competido com uma dúzia de tipos diferentes de carros em uma única temporada.

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Beto Monteiro levou o número 88 que o acompanha há vários anos para a Flórida e o estampou na lateral do Porsche 911 Supercup que pilota em dupla com Carlos Crespo

Mas não, não acabou. A lista de brasileiros no evento do fim de semana em Homestead tem mais gente. O Cláudio Ramenzoni abriu mão de disputar as 8 Horas de Interlagos para formar com o Witold Ramasauskas Phellip – sim, é brasileiro, para quem não o conhece – a dupla do BMW E36 da TLM Motorsports. Ainda não vi fotos do carro, mas imagino que tenham aplicado a logo da Poraquê Solar ao layout.

Acho muito provável que haja bem mais compatriotas nossos na lista de inscritos da prova, à qual não tive acesso por pura falta de tempo. É dia de corrida por aqui também e estou quase perdendo o horário do café da manhã do hotel antes de ir para Interlagos. A programação da Homestead 500 prevê para hoje um treino livre, a tomada de tempos classificatória e o início da série de corridas de meia hora que marca a preparação dos pilotos para o evento principal de amanhã.

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Witold Ramasauskas Phellip e Cláudio Ramenzoni, dupla aqui de São Paulo que participa das provas do fim de semana em Homestead com um BMW. E que tal o estilão do Cláudio?…

Team Ginetta, a bola da vez

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Acompanhei o Team Ginetta durante a Homestead 500 do ano passado, quando a equipe comemorou pódios em várias categorias. O parrudo G57, galo de briga da vez, ainda não havia sido incorporado ao time.

CASCAVEL – Cá no Brasil, em se tratando de provas de automobilismo de longa duração, estamos de olho nas 8 Horas de Interlagos. A primeira edição vai ser daqui a dez dias, um desafio novo e de boa envergadura para o Interlagos Motor Clube e para os rapazes e moças da organização. Enquanto isso, uma série de outros brasileiros segue de olho em outra corrida longa, também marcada para 18 de fevereiro. É a Homestead 500, segunda etapa da temporada do FARA USA.

Um campeonato bem interessante, o FARA USA. Tive a oportunidade de testemunhar na Homestead 500 do ano passado o motivo de vários pilotos daqui se meterem em voos de várias horas para disputar corridas na Flórida. Fui para lá a convite do Team Ginetta, que tem brasileiros à frente – Adolpho Rossi e Alline Cipriani, que aguardam para fim de maio a chegada do Enzo, um provável piloto da equipe para daqui a 16 ou 18 anos.

E é ele, o Team Ginetta, a bola da vez do campeonato. Contando agora com o cobiçado modelo G57, a equipe abriu a temporada vencendo a Miami 500, também em Homestead, no mês de novembro. A vitória na estreia do carro foi consumada pelo britânico Mike Simpson e pelo brasileiro Giulio Borlenghi. Na corrida de daqui a dez dias, dois brasileiros estarão a bordo do G57: Borlenghi formará dupla com Artur Fortunato, fera da nova geração que conheci fazendo bonito nas corridas de Fórmula 3 no Brasil.

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O pomposo e veloz G57 do Team Ginetta é a bola da vez do FARA USA. O carro estreou com vitória na classificação geral da Miami 500, quase três meses atrás, com os pilotos Giulio Borlenghi e Mike Simpson.

Giulio e Artur não serão, logicamente, os únicos pilotos do Team Ginetta na Homestead 500. A equipe terá outros quatro carros na pista, todos do modelo G55. Três deles serão conduzidos por duplas brasileiras: Elias Azevedo/Júlio Martini, Ramon Alcaraz/Maurício Salla e Cássio Homem de Mello/Ricardo Barbosa. Dois norte-americanos vão revezar a pilotagem do quarto exemplar. O Adolpho não descarta a inscrição de um quinto G55. A simpática G40 com que me enamorei no ano passado também estará no grid, tendo como pilotos o brasileiro Ésio Vichiese e o norte-americano Ethan Law.

Isso sem contar vários outros amigos do Brasil que vão estar por lá pilotando carros de outras marcas. Sei que essa lista terá os nomes do Marcello Sant’Anna, do Cláudio Ramenzoni e do Witold Phellip. E serão muitos mais.

De pai para filho

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Edu caiu de cabeça no mundo das corridas há umas quatro décadas. Acabou arrastando o filho Cássio para o mesmo caminho. Hoje e amanhã os dois correm em dupla em Homestead 

SÃO PAULO – Eduardo Homem de Mello é, assumidamente, um dos maiores contadores de vantagens que conheço. Sujeito sem papas na língua para quaisquer situações. “Ranzinza para alguns, polêmico para muitos, insuportável para a maioria, mas acima de tudo um ser humano fantástico!”, segundo a autodefinição que ilustra uma de suas redes sociais. Proclama aos quatro ventos (por que dizem “quatro ventos”?) ser tetracampeão mundial de um campeonato paulista, justificando que ninguém mais no mundo conquistou tais títulos. Faz sentido. Para ele, pelo menos.

Conheci o Edu a partir do trabalho que exerceu por cerca de 15 anos como comentarista nas transmissões da Fórmula Truck. Nunca dividimos a cabine de transmissão da Truck, quando eu cheguei para narrar algumas corridas ele já havia saído, mas já fizemos essa dobradinha de microfones em alguns outros campeonatos. Não tive competência suficiente, nesses anos todos, para me indispor com o Edu ranzinza, polêmico e insuportável. Nem ele e nem eu fazemos questão.

Edu é um daqueles sujeitos que dizem e fazem o que lhes dá na telha. Como piloto de corridas, sempre mandou aplicar a seus capacetes a pintura listrada de François Cevert – no começo do ano, aliás, ele me presenteou com uma das peças de seu acervo particular, é o capacete que protege minha cabeça oca quando participo de uma corridinha aqui, outra ali. Neste fim de semana o Edu realiza um sonho que, sem eufemismos, me causa uma invejinha: vai correr ao lado do filho, Cássio, que foi campeão da DTM Pick-up, além de vice-campeão e recordista de vitórias da Stock Júnior. Lembro de ter narrado participações dele na Stock Car Light na década passada, também. Andava meio afastado das corridas.

Eles vão revezar a pilotagem de um Ginetta G55 durante a programação da Miami 500, no Homestead Motor Speedway, prova válida pela liga Fara USA. Integram o Team Ginetta USA, equipe liderada pelo brasileiro Adolpho Rossi. Correr em dupla com o filho vai tornar o Edu ainda mais insuportável. Paciência, é por uma boa causa.

Há uma porção grande de pilotos do Brasil participando do evento, sei que a lista passa pelos nomes de outros amigos, como Vinicius Margiota, Beto Monteiro e Elias Azevedo, pelo menos. Que todos eles se divirtam bastante. Na próxima eu volto lá para participar da festa com eles.

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O G55 do Team Ginetta USA que Eduardo e Cássio Homem de Mello vão pilotar em Homestead na etapa deste fim de semana do Fara USA

Pódios brazucas em Homestead

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O belíssimo protótipo Corvette DP de Eric Curran e William Hubbel, dupla que liderou de ponta a ponta a segunda etapa da temporada do FARA USA no Homestead-Miami Speedway.

MIAMI – Foi um fim de semana bem divertido, esse do FARA USA no Homestead-Miami Speedway. Da categoria, falei um pouquinho no último post. Ontem foi o dia da corrida principal, quatro horas de duração, uma porção de brasileiros correndo e três aparições verde-amarelas no pódio.

Como toda boa corrida de longa duração, as etapas do FARA USA têm subdivisão em várias categorias, delimitadas pela configuração técnica de cada carro inscrito. A vitória geral foi do Corvette Daytona Prototype dos norte-americanos (ou estadunidenses, como prefere o bróder Rodrigo Mattar) William Hubbell e Eric Curran, formação imbatível em quase todo o fim de semana.

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Alline Cipriani, única mulher no grid da Homestead 500 Road Racing, mostrou ser campeã de popularidade entre os torcedores do campeonato. Aliás, o número de pessoas que circulavam entre os carros durante o pré-grid era coisa para a casa de milhar. Ou de milhares. A Ginetta G55 número 15. liderou a prova na classe MP-1B com Ramon Alcaraz, mas parou com problemas mecânicos.

Mas falemos das aparições brasileiras no pódio, que é o que deve interessar aos que vieram a esse post. O Rapha Matos subiu duas vezes (e numa delas levou junto a Julinha, filha de poucos meses de vida), por ter participado com dois carros diferentes – pilotou um no começo da corrida, outro no fim. Assim, o mineiro comemorou a vitória na classe MP-3A ao lado do nativo Jared Wilson, com quem revezou o Mazda Speed da Miami Exotic Autosport, e foi segundo na classe MP1-B, pilotando uma Ginetta G55 no trio com Adolpho Rossi e meu conterrâneo paranaense Paulo Totaro. Outro trio de brasileiros, formado por Júlio Campos, Guilherme Figueirôa e Marcel Visconde, ficou em terceiro na MP-1A com a Lamborghini GT3 da BRT Motorsport. Como tinham voo de volta ao Brasil ainda ontem e saíram do autódromo poucos instantes depois da bandeira quadriculada, os três foram representados no pódio pelo Ricardo Landi, que vai pagar o hambúrguer de amanhã à noite no aeroporto de Fort Lauderdale.

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O Lamborghini GT3 com que o mineiro Guilherme Figueirôa, o paulista Marcel Visconde e o paranaense Júlio Campos conquistaram o terceiro lugar na MP-1A. Esse é um dos carros da extinta GT Brasil que estão aqui nos Estados Unidos. Vi alguns outros na sede de uma oficina que tive a oportunidade de visitar durante o fim de semana.

A Homestead 500 Road Racing, esse foi o nome da corrida, marcou a estreia de Totaro na categoria. Coube a ele largar com a Ginetta número 45. Figurou por bom tempo em quarto na categoria, até que, perto da primeira hora de corrida, estacionou no box do Team Ginetta USA com o pneu dianteiro direito completamente destruído. Naquele momento a equipe considerou ser fim de chance para o trio, por ter ficado a três voltas do Porsche GT3 Cup de Alejandro Chahwan/Facu Chahwan, que liderou de cabo a rabo. Totaro voltou à pista, deu lugar a Rossi depois de mais um turno e, quando Matos assumiu o carro, a equipe estava em terceiro lugar na categoria – a essa altura, Ramon Alcaraz, que chegou a liderar a subdivisão por longo tempo, já havia parado definitivamente com problemas na outra G55, a de número 15. (sim, tinha o ponto depois do número), em que estava inscrito em dupla com a Alline Cipriani. Eram candidatos claros à vitória.

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Paulo Totaro estreou no FARA USA com pódio, com o segundo lugar na categoria MP-1B. À direita, Rapha Matos, que fez um fim de corrida digno de aplauso – Adolpho Rossi, que integrou o trio, não foi ao pódio, não sei por quê. A simpática modelo é uma das seis que a equipe Hubbell escalou para acompanhar a cerimônia de premiação no pódio.

Bem, o trabalho em equipe permitiu a Matos chegar à fase final da corrida na mesma volta de Paulo Lima, também brasileiro, vice-líder da categoria com outro Porsche GT3 Cup e parceiro do ianque Adam Yunis. Nos dez minutos finais, valendo-se da facilidade que os carros Ginetta oferecem para economia de equipamento e combustível, o mineiro veio se aproximando de Lima à razão de dois segundos e meio por volta. Falei ao chefe de equipe Alan Chanoski que seriam necessárias mais seis voltas – cinco para o Rapha chegar e uma, a última, para passar. Passou na penúltima, só para me contrariar. Foi festa no box da equipe, que deverá ter ainda mais pilotos, vários deles brasileiros, na próxima etapa, dia 3 de abril, também em Homestead.

FARA USA - MARCAO ALLINE RAMON

Ao estilo selfie, a foto de Marco Toledo Piza, um dos mecânicos da equipe, com os pilotos Alline Cipriani e Ramon Alcaraz, parceiros na pilotagem do Ginetta G55 número 15. do Team Ginetta USA.

Tem sido um ano de várias novidades, esse meu 2016. Vir aos EUA foi uma delas, já mencionei isso. Integrar um fim de semana de um campeonato que é pequeno para os padrões daqui, onde existem espetáculos do quilate da Nascar, da Grand-Am ou da Indy, foi experiência interessante, sobretudo porque fazer comparação com os moldes brasileiros é inevitável para qualquer um que trabalhe com corridas. Há muito dos formatos dos americanos que pode e deve ser incorporado ao nosso automobilismo, até com alguma facilidade.

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Fiz questão de caminhar por baixo da pista e assistir da arquibancada ao fim da reta à última das quatro corridas sprint que antecederam a Homestead 500 Road Racing. A estrutura dos caras é de fazer inveja a qualquer extraterrestre que resolva aterrissar na Flórida.

Uma das grandes sacadas que vi aqui, também já citada, é a realização das minicorridas, sempre depois da tomada de tempos classificatória, em substituição ao que seriam mais treinos livres. Quem quer ir à pista só para treinar, vai só para treinar e pronto. E há os que se inscrevem no evento apenas para disputar essas minicorridas. A prova principal do evento do fim de semana teve na pista 36 carros, se não me engano – a largada e os instantes que a antecederam estão no vídeo aí abaixo. As provas tipo sprint, com duração de 25 minutos, contaram com 52 carros. É uma opção que se tem, também.

Há muito, repito, o que o automobilismo brasileiro importar do automobilismo daqui. Talvez seja questão de querer. Sobretudo quando o assunto em questão é um campeonato de corridas de longa duração, coisa que, com respeitosa exceção ao trabalho dos gaúchos, não existe por lá. E quando existir eu também entro na pista.

Por ora, se me dão licença, vou tentar conhecer mais um pouquinho do mundo daqui. Amanhã embarco para casa, afinal, e não sei quando volto para cá. Mas não vai demorar.

(ATUALIZANDO EM 25 DE FEVEREIRO, ÀS 13h54)

Imperdoável da minha parte, até porque eu tinha conversado com os pilotos durante o jantar da sexta-feira no Olive Garden e sabia da participação deles. Fato é que havia mais uma equipe com pilotos brasileiros na Homestead 500 Road Racing. Marcio Sarot e Pablo Falquete, ambos de Curitiba, mais Rodrigo Alenaz, argentino de Buenos Aires, formaram o trio do Audi TT número 99 da Maranello Racing.

Não foi um fim de semana dos mais tranquilos ou favoráveis para Rodrigo, Pablo e Marcio, que enfrentaram problemas com o motor do simpático carrinho nos treinos e, também, na corrida. Apesar dos contratempos e das voltas que perderam na prova por conta disso, alcançaram o pódio da categoria MP-3A, a mesma que Matos e Wilson venceram. Aliás, um detalhe que chamou atenção na rapaziada da Maranello Racing foi o empenho: mesmo com tudo que deu errado, não desistiram em momento algum. Trabalharam, na pista e no box, para manter o carro na corrida até a última volta. Determinação é isso aí.

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O Audi TT de Sarot, Falquete e Alenaz: apesar dos inúmeros problemas que enfrentou com o carro ao longo do fim de semana, o trio conquistou o terceiro lugar na categoria