Enfim, a Gold Classic!

GOLD CLASSIC - GAUCHO

As equipes da Classic Cup do Rio Grande do Sul já trataram de colocar a Gold Classic em sua agenda de eventos para 2018. Maioria desses belos carros estarão no nosso grid no dia 17 de novembro.

CASCAVEL – Faltam ainda sete meses para o evento propriamente dito, o que não significa que o trabalho em torno da Cascavel de Ouro tenha de esperar. Pelo contrário, ele já começou e já nos tem consumido muito. A 32ª edição da corrida vai acontecer no dia 18 de novembro, com premiação recorde de R$ 150 mil, transmissão ao vivo na tevê, tudo aquilo que já é sabido pelos pilotos dos carros de Marcas 1.6 em todo o país – aliás, neste ano a categoria passa a ser oficialmente tratada como Turismo Nacional, para efeito de Campeonato Brasileiro.

Bem, a programação da Cascavel de Ouro terá mais atrações. Entre elas, as corridas da sétima e penúltima etapa da Sprint Race Brasil. Essa não nos dá trabalho algum. Pelo contrário, a trupe do Thiago Marques já traz a festa prontinha da sede em Curitiba, nosso único trabalho é alocar os carros nos boxes e os treinos e corridas na tabela de programação, tarefas que já estão devidamente cumpridas. Outra atração é a Gold Classic, um torneio para carros antigos que vai ter duas corridas na véspera da Cascavel de Ouro, dia 17 de novembro. É a ela, à Gold Classic, que o post se destina.

GOLD CLASSIC - MIGUEL BEUX

Miguel Beux, de Cascavel, fará na Gold Classic a estreia em corridas do Avallone-Chevrolet ao qual tem se dedicado nos últimos 12 anos. O carro já protagonizou demonstrações em várias pistas.

Pois bem, a ideia de trazer os clássicos para a pista em Cascavel não é nova. Falo nisso desde a edição de 2015. Expus isso ao Edson Massaro depois da última Cascavel de Ouro e ele, promotor do evento e entusiasta de qualquer coisa relacionada ao automobilismo, topou na hora. Fez mais: me encarregou de fazer o negócio acontecer, motivo pelo qual aproveitei as corridas que fiz no Paulista de Automobilismo entre dezembro e fevereiro para contatar diretamente as equipes de lá a respeito. Trouxe de Interlagos um bom pacote de sugestões a respeito. Num segundo momento as equipes do Rio Grande do Sul também passaram a fazer parte da conversa, e em seguida as de Minas Gerais e as de Londrina, onde neste ano ressuscitaram a boa e velha Speed Fusca, mais boa que velha.

A primeira coisa foi configurar um regulamento técnico que contemplasse todo mundo. Não é intenção de ninguém fazer com que as equipes modifiquem seus carros para disputar um torneio de fim de ano em Cascavel. O Paulo Nazzari, que é comissário da Federação Paranaense de Automobilismo, acabou debruçado sobre os regulamentos técnicos de todos esses campeonatos que citei. Combina daqui, compara dali, e o Paulo formatou um regulamento próprio para a Gold Classic. Serão sete as categorias em disputa: Força Livre, Gran Turismo Super, Gran Turismo Light, Turismo Super, Turismo Light, Gold Speed Fusca e Gold Fusca Cup. As cinco primeiras podem ser tratadas pelas siglas FL, GTS, GTL, TS e TL, que no mundo dos vivos podem não ter muito sentido, mas são bem familiares aos pilotos e às equipes.

GOLD CLASSIC - NENE FINOTTI

Nenê Finotti, de São Paulo, vai disputar a Gold Classic a bordo de seu invejável Porsche 550. Sua equipe, a LF Preparações, terá vários outros modelos no grid. Acho que com pilotos de Cascavel, inclusive.

Uma das dificuldades que encontro quando vou correr em São Paulo está sanada para a Gold Classic, que é o pouco tempo de pista. A programação prevê cinco sessões de treinos livres de meia hora, mais uma tomada de tempos classificatória e as duas corridas, cada uma com 30 minutos e mais uma volta. O chefe de uma equipe já me disse que os treinos livres são excessivos. Respondi-lhe que melhor sobrar, como aqui, que faltar, como em Interlagos. Os pilotos não precisam participar de todos os treinos, mas acho melhor que tenham todas essas sessões disponíveis para trabalharem quanto e como acharem melhor.

A Cascavel de Ouro vai fechar um fim de semana prolongado – 15 de novembro, feriado nacional alusivo à Proclamação da República, vai ser dia reservado a treinos extraoficiais com cronometragem na pista de Cascavel. Em princípio, só para a Cascavel de Ouro. Havendo demanda das equipes da Gold Classic, já com a prévia concordância do Massaro, teremos no feriado duas horas de pista liberada para os antigos e furiosos. Não sei se já disse, mas a programação oficial da Gold Classic será toda desenvolvida nos dias 16 e 17. Três treinos livres na sexta, ficando o sábado reservado a mais dois treinos livres, à tomada de tempos e às duas corridas. Fica o domingo para as equipes de fora, que serão a grande maioria, destinarem à viagem de volta. Mais um problema resolvido.

GOLD CLASSIC - WESSLER COMPETICOES

Parte do “arsenal” da Wessler Competições. A equipe do Stanley Wessler vai integrar o grid da Gold Classic. O meu carro está ali no meio, o Fuscão vermelho com que consegui minha primeira vitória.

Outro empecilho que me foi manifestado nesse contato prévio com as equipes estava atrelado ao valor da taxa de inscrição, previamente anunciado em R$ 1.000 por carro – pode haver inscrições individuais ou em dupla, a inteiro critério dos participantes. Piloto sempre vai achar que a inscrição é cara, eu também acho quando vou correr. Busquei um meio para isso, também. Assim, quem efetuar sua inscrição até dia 31 de julho paga R$ 650. A partir de 1º de agosto voltamos aos R$ 1.000 previstos no regulamento desportivo.

Uma coisa que ainda não podemos bater no peito para confirmar é a transmissão das corridas da Gold Classic na TV e na internet. O que dá para afirmar é que temos tratado do assunto. Palpite meu, teremos essas corridas mostradas para o mundo inteiro. Os pilotos que não vierem vão poder acompanhar de casa o nosso torneio e se arrepender de terem deixado a participação para 2019.

Meu palpite para o grid de 17 de novembro? Hum… 50 carros.

GOLD CLASSIC - BETO LACOMBE

Beto Lacombe, do Rio Grande do Sul, fez questão de ser o primeiro a se inscrever na Gold Classic. Vem com o Gol BX da Lacombe Motorsport, puxado por um motorzão de 216 hp, na classe Força Livre.

Por fim, sobre o regulamento técnico: ele já existe. Os que tiverem interesse em consultá-lo podem solicitar o envio com mensagem para o meu e-mail, lucmonteiro10@gmail.com. Os que têm meu número de WhatsApp podem solicitar o regulamento por lá, também, e já o receberão no ato.

Abaixo, repico as fotos de alguns dos carros que deveremos ver em ação no feriadão de novembro no circuito mais veloz do automobilismo brasileiro. Vai ser uma festa para saudosista ou antigomobilista nenhum colocar defeito. E um grande aperitivo para a maior Cascavel de Ouro de todos os tempos.

 

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Classic Cup em Curitiba, terceiro dia

CWB Escort

O Escortinho me acompanhou no fim de semana que pode ter representado minha última e única chance da vida de participar de uma corrida no autódromo de Curitiba

CASCAVEL – Parece-me que quando uma série de posts se propõe a contar dia a dia de determinado fato ela tem de ser publicada todo dia. Bem que tentei. Só agora, uma semana depois da corrida, é que consigo parar para compartilhar com vocês um pouco do que foi minha participação no evento extracampeonato da Classic Cup em Curitiba. Se não por outros motivos, alguns de ordem técnica, um pitoresco: o vídeo da câmera onboard da corrida veio de ponta-cabeça e eu não sabia, ainda não sei, invertê-lo. O da tomada de tempos está assim também, ainda vou substituí-lo.

O correto seria mencionar as corridas, no plural, mas vocês lembram que só consegui participar da segunda – na primeira o carro quebrou quando estava indo para o grid. Foi o primeiro momento de um dia bem intenso para mim: sem conseguir largar, alinharia da última fila no grid da prova final. Ainda no sábado, um segundo momento: a mensagem que recebi do César Chimin, que ainda estava hospitalizado, dizendo para eu ficar de cabeça fria e focar a segunda prova. E que esperaria minha visita com o troféu na segunda-feira. São fatos relevantes na minha modesta odisseia.

Enfim, no domingo, chegou a hora da corrida, depois de um treininho de 10 minutos. Esse treino teve um lance divertido: a cronometragem registrou as voltas do treino usando configuração de corrida. Como fui quem deu mais voltas, apareci em primeiro no resultado geral. Gravei um print daquilo no celular e mostrava aos outros no autódromo fazendo ares de pouco caso. Houve um ou outro que ficou sem entender como um Escort da Turismo N estava em primeiro na geral da Classic Cup. Uma versão que não publiquei, claro; em vez disso, alertei o Juliano, da Cronoelo, para que substituísse o arquivo pela versão correta que ele tinha.

Mas veio a corrida, era o que eu dizia, e ela alternou coisas que deram certo e coisas que deram errado. A primeira deu certo. O carro chegou ao grid com as homocinéticas inteiras, apesar de eu ter percebido o pedal do freio bem mais baixo que nos treinos. Ficaria sem freios? Se ficasse, pararia e pronto. Na volta de apresentação, outra preocupação, essa sem grande importância por eu estar na última fila: a largada lançada, uma completa novidade para mim. Quando entrei na reta e pensei que já daria para acelerar estava todo mundo de pé no tucho.

CWB Classic Cup

O pelotão da Classic Cup em Curitiba: olha ali o Escort no meio dos dois Voyage, do Flavio e do Milton, os dois com quem eu esperava ter alguma troca-de-tinta na corrida. Ficou para a próxima.

Meu foco, claro, eram os carros da minha categoria, a Turismo N, que tinha seis participantes. Eram oito, contando os dois Speed Fusca, mas os pilotos dos dois fusquinhas tinham pódio em separado. Com uma combinação de fatores favorável poderia alcançar a maioria deles para tentar um lugar no pódio – o César estava esperando o troféu, afinal. Ainda na primeira volta, passei o Bianco e um dos Voyage da minha categoria. Começou a dar certo. Mas na curva do Pinheirinho, preocupado em ver onde estava o pelotão à frente, errei e saí da pista. Isso custou mais distância em relação aos demais.

A cada vez que entrava na reta oposta do autódromo, procurava lá na frente os Voyaginhos do Milton Vieira e do Flavio Gomes. Era com quem, em circunstâncias normais, eu esperava disputar o segundo lugar na corrida. O primeiro, salvo imprevistos, seria do Rafa Gimenez, que largou ao meu lado da última fila – fora desclassificado no sábado por não ver a ordem de cumprir um drive-thru – e, mantendo o ritmo fortíssimo de todos os treinos, sumiu lá para a frente em poucas voltas. Era sair do S de baixa e olhar lá na frente. Milton e Flavio, sempre próximos, ainda estavam na oposta. Nos boxes, Marcelo Gomes, o Torrão, me indicava por placas que eu estava a coisa de nove segundos deles. Seria difícil descontar essa diferença sem um safety car, ou sem que eles errassem. Nossos tempos de volta eram parecidos demais.

Na terceira volta, descendo para o S de alta, vi encostar o Uninho vermelho e branco da dupla de Santa Catarina. Era quarto na categoria. Precisaria ganhar posição de Rafa, Milton ou Flavio para estar no pódio. O embalo era esse até a sétima volta, quando a quarta marcha do Escort voltou a ser teimosa. Puxei a alavanca com um pouco mais de força e a bolinha da alavanca saiu na minha mão. Pus a marcha com dois dedos enquanto segurava a tal bolinha e desci a reta tentando encaixá-la no lugar. Não consegui, joguei em qualquer lugar dentro do carro. Foi uma irresponsabilidade: vai que ela fosse parar embaixo de algum pedal, por exemplo. No fim, acomodou-se sob tal cavidade do assoalho.

CWB volta

Depois da bandeirada, o carrinho ficou ali, à beira da pista. Voltei aos boxes a pé, com um monte de coisas passando pela cabeça, para o meu primeiro pódio no automobilismo. Foi legal.

Duas voltas depois os líderes da corrida na classificação geral me alcançaram para pôr volta. Impressiona o quanto andam aqueles Passatões. Foi a volta em que de novo errei e saí da pista no Pinheirinho. Na 11ª volta, um momento de alento: o Corcel II do Nenê Finotti me ultrapassou. Ele havia ficado parado na largada, e ao ser ultrapassado notei, claro, que estava de volta à batalha. Tenho pouco contato com o Nenê, mas são sujeitos cujo trabalho eu admiro bastante, o Nenê e o seu Luís, pai dele. Duas curvas depois, vi o carro do Milton parado à beira da pista. Teve problemas com alguma bomba do carro. Entrei na reta dando a linha de fora para o Adriano Lubisco me colocar uma volta com seu Passatão número 8. Torrão me dava placa indicando “P4”, sem saber do perrengue do Milton. Com os dedos, como se ele conseguisse ver, fiz sinal que era terceiro.

Era só levar o carro até o fim para estar no pódio. Motivo pelo qual não me perdoei pela rodada ao fim da reta na 12ª volta. Parei no S de alta, de frente para a pista. O Chevette do Fernando Mello vinha pela reta a uns 300 metros, decidi voltar antes de ele passar; aquelas zebras do S de baixa são altas demais, mesmo saindo devagar o escapamento do Escortinho saiu danificado. O ronco mudou e a preocupação aumentou.

Mais duas voltas e foi o câmbio do Escort que me trouxe temores: ao tentar engatar a quarta, veio só a alavanca – que estava só na haste desde a perda da bolinha –, e não a marcha. O carro ficou travado na terceira. Até tentei algumas mudanças de marcha, sem o menor sucesso. Vou parar, pensei. Foi quando saí do Pinheirinho e vi o Rafa parado, poucos metros à frente do Uno. Se completasse a volta em vez de parar nos boxes, ganharia a posição dele e seria segundo colocado. Foi o que decidi fazer. Ao completar a volta e ser segundo colocado, vi placa indicando que só faltava mais uma volta. Chegamos até ali, o Escortinho e eu, ele haveria de aguentar mais uma volta. “Vai que o Flavio também se ferra”, pensei, cheio de maldade.

CWB bandeirada

Bandeirada da corrida em Curitiba: 27 socos no volante e a mão doendo bastante por quadro dias, mas valeu a pena. Um dia, numa dessas, ainda volto a correr nessa pista.

O Flavio não se ferrou e ganhou. Terminei em segundo. Lembrei do César na reta de chegada e comecei a dar murros no volante, foi o que me deu vontade fazer naquele momento para comemorar o bom resultado de uma corrida em que, na verdade, não consegui disputar posição com muita gente. Como o próprio Flavio disse em seu blog, levar o carro até o fim é um mérito e tanto. Não deixa de ter razão.

Recebi a bandeirada, encostei o carro à beira da pista e voltei a pé para os boxes. Foi meu primeiro pódio no automobilismo. Foi a única e última chance que tive de correr na pista de Curitiba, caso seja mesmo demolida para virar condomínio – ainda duvido que isso vá ocorrer. Foi um fim de semana em que as coisas que deram certo e as que deram errado somaram um saldo dos mais agradáveis.

O troféu foi parar nas mãos do César, enfim. Quando estivemos juntos em Homestead no mês passado combinamos, ele eu, que em breve faríamos uma corrida do FARA USA com um dos carros do Team Ginetta, e que a condição mútua era ganharmos troféu. Não foi na equipe do Adolpho Rossi, nem foi na Flórida, mas de modo ou outro trouxemos um trofeuzinho de uma corrida fora de Cascavel. Está na sala da casa dele, inclusive.

E o vídeo da corrida, pela câmera do meu carro, segue abaixo.

(ATUALIZANDO EM 30 DE MARÇO, ÀS 10h26)

O Cleomar Souza observou aí abaixo na área de comentários, coberto de razão, que faltaram no post uma foto do pódio e outra do troféu. Em que pese estarem todas na galeria que publiquei dias atrás, encerro com a que a Cíntia Azevedo me mandou via Facebook horas depois da corrida. Gostei muito dessa, deve virar quadro lá em casa.

CWB41

O fim de semana em fotos

CASCAVEL – Sim, eu sei, ainda estou devendo o relato da única corrida que consegui disputar na Classic Cup em Curitiba no último fim de semana. Eram duas, mas na primeira o carro quebrou na volta de formação do grid.

Enquanto não trato de arrumar o vídeo que tem a gravação onboard (foi gravado de ponta-cabeça e tenho de submetê-lo a um programa que para variar não domino), compartilho com vocês algumas das fotografias de três dias que não vou esquecer tão cedo. Nem tarde.

Classic Cup em Curitiba, segundo dia

DIA 2 1

CURITIBA – Não ia encher o saco de ninguém com vídeo de treinos hoje, os das câmeras onboard que provavelmente só eu tenha paciência de ver por ter sido eu na pista. Afinal de contas era o sábado da primeira prova na etapa extracampeonato que a Classic Cup promove no Autódromo Internacional de Curitiba e só interessaria, mesmo, ver a corrida. Mas não teve corrida. Quer dizer: teve, mas não para mim.

O dia começou, claro, com um treino livre. O primeiro treino oficial, para ser mais exato. Foi onde consegui o que foi minha volta mais rápida até aqui, 1min49s466. Faltou pouco para atingir a meta que tracei para esse treino, que era entrar na casa de 1min48s. Melhorei 1s2 em relação ao primeiro dia, apesar de duas rodadas na curva de entrada do miolo do circuito e de duas saídas de pista ao fim da reta dos boxes. Meu problema, por assim dizer, é que os adversários da minha categoria, a Turismo N, foram lá e baixaram sem tempos de volta bem mais. O vídeo a seguir mostra bem como foi a manhã.

A tomada de tempos aconteceria com o sol a pino, pista bem mais quente. O Escortinho calça pneus radiais, asfalto escaldante não é exatamente o melhor cenário para essa combinação. Manter algo em torno de 1min49s4 sob tais condições seria bom negócio. Sem referenciais imediatos, imaginei, durante as voltas que dei, que a meta estivesse cumprida, talvez superada. Doce ilusão. Quando desci do carro, alguém me perguntou se tinha virado bem. O Tarso Marques Lima estava me esperando no parque fechado e antecipou a resposta: não, não virou bem; virou mal. 1min50s785. Caramba, não era para ter piorado tanto. Mas piorei. E acrescentei à minha ficha mais três rodadas, bem bobas, na entrada do miolo. Tem a onboard do treino classificatório, também.

Fiquei em 22º no grid geral, quarto na categoria Turismo N. Aí viria o vídeo válido do dia, o da corrida, que cheguei a imaginar sob vários aspectos. Quando abriram a saída de box, o Marcelo Gomes, que divide com o Tarso a duvidosa condição de meu chefe de equipe, disse-me que eu passasse apenas uma vez pelo pit lane, procedimento que dá direito a mais uma volta de instalação, e fosse direto para o grid. Eu largaria pelo lado esquerdo, o de fora, e havia planejado me atirar para a fila de dentro, mas não saberia como tomar a primeira curva, de baixíssima velocidade. Assim, passei duas vezes por dentro dos boxes. Seriam três voltas de instalação e grid. Ao fim da reta, nessas três voltas, permaneci na linha da direita, simulando na tomada do S de baixa o que talvez precisasse fazer se conseguisse estar ali depois da largada.

Tudo em vão, na prática. Quando me preparava para tomar meu lugar no grid, uma quebra de homocinética na saída do Pinheirinho me deixou na dependência de reboque para conseguir chegar aos boxes. Lá chegando, Amauri e Tarso olharam rapidamente a situação que eu descrevera e decretaram: esquece, fim de papo.

Fiquei fora da primeira prova. Não larguei. Foi uma frustração que não sei se vocês conseguem imaginar. Na corrida, o Rafa Gimenez, favoritaço da Turismo N, acabou sofrendo uma punição por queima de largada, disse não ter visto a placa com a ordem de drive-thru e, sem cumpri-lo, foi excluído da prova. A vitória na classe acabou ficando com o Milton Borges Vieira, que largou em 21º no grid geral. Flavio Gomes e Márcio Pacheco foram segundo e terceiro. Eu teria total condição de estar nessa briga. Daria pódio, com certeza, mas os deuses do reino das homocinéticas acharam melhor não.

Ficou para amanhã. Amauri providenciou com carinho os reparos que o carrinho necessitava para o complemento da jornada. Teremos largada às 13h25, com livetiming no site da Cronoelo. Vou largar lá do fim da fila. Vai ser divertido, ao que tudo indica. E vem pódio, pelo menos. Quanto às fotos deste post, a primeira é da lavra do spríntico Rodrigo Guimarães; a segunda, logo aqui abaixo, da Cíntia Azevedo.
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Classic Cup em Curitiba, primeiro dia

LUC MONTEIROCURITIBA – Prometi postar logo após o jantar, e não terminei de jantar ao amanhecer. O que ocorre é que a conexão de internet do hotel é bem capenga e o upload dos vídeos no YouTube demorou horas. Logo, deixei para agora cedo.

Comecei a sexta-feira, confesso, com um temor latente: de o carro, o simpático Escortinho número 66, não ir para a pista. Temores técnicos. Não por ser um carro antigo, mas por ser também um carro velho, e todo mundo que orbita o mundo da Classic Cup compreende sem a menor dificuldade a diferença entre os dois conceitos.

Tinha tudo para dar errado, como diria Faustão, o da televisão. Mas deu certo. Amauri, que conheci pela manhã já nos boxes do autódromo e é quem responde por todos os lidos técnicos do carrinho nesta etapa extracampeonato da paulista Classic Cup, é um ninja. Na segunda vez em que nos falamos, já me apontou uns quatro ou cinco problemas do carro. Para me desanimar, pensei. Não, pelo contrário: dos quatro ou cinco, já tinha resolvido três ou quatro. E nem eram dez da manha, ainda.

Uma rápida consulta à lista de participantes revelava que éramos pelo menos 30 os participantes da corrida, que acompanha as etapas de abertura da Sprint Race e do Campeonato Metropolitano de Automobilismo de Curitiba, que inclui as categorias Marcas & Pilotos, Turismo 1600 e Turismo 5000. Vim para cá condicionado a não me deixar perturbar com a presumível condição de último colocado geral. Valeria a curtição, e pronto. Mas curti bem mais do que imaginava.

Pela manhã, o mago Pedro Pimenta estava de saída para a pista para passar umas noções ao Vinicius Margiota, piloto da Sprint Race a quem presta coaching. Pimenta me viu perambulando pelo pit lane e mandou que eu ocupasse o banco de trás do carro. Demos três voltas pela pista. Pedro ao volante, Vinicius a seu lado, eu atrás, copidescando todas as dicas do Pimenta. Interessante ao extremo, esse trabalho de coaching que o Pimenta e tantos outros prestam no automobilismo. Para quem está aprendendo, não há recomendação melhor. Quando vem de alguém com o gabarito de um Pedro Pimenta, então, é garimpo puro.

Não agradeci devidamente ao Vinicius pela condescendência com que permitiu que eu me enfiasse como chupim naquela breve e eficiente aula – farei isso hoje, sem falta. Fato é que as dicas do PP abreviaram bastante os perrengues que eu seguramente passaria no primeiro treino. Talvez eu devesse ter prestado atenção maior a seus macetes quanto ao contorno do Pinheirinho, única curva do traçado que exige a segunda marcha. Fiz o treino atrás de pilotos e à frente de pilotos, e no instante em que fiz sarro comigo mesmo, dentro do carro, sobre o traçado do piloto que ia à frente na tomada do Pinheirinho o errado era eu. Como sempre.

Soube isso instantes mais tarde, analisando com o Tarso Marques Lima e o Marcelo Gomes as imagens da providencial câmera onboard que o Tarso sacou do bolso da bermuda instantes antes de eu entrar na pista do Autódromo Internacional de Curitiba estando pela primeira vez ao volante de um carro de corridas. Não tenho o menor constrangimento em compartilhar essas imagens com vocês a seguir, até por saber que só quem tem paciência para assistir a um vídeo de câmera onboard é o próprio piloto.

Minha participação no primeiro treino, como revela o vídeo, terminou minutos antes da bandeira quadriculada, quando fiquei sem acelerador. Já fora de combate, não quis parar o carro na grama. Por excesso de preciosismo, imaginei que algo sob o carro poderia estar quente o suficiente para provocar um incêndio. Estacionei antes do fim da reta dos boxes, sobre algo como uma valeta, onde sabia que só os pneus estavam em contato com a grama. Espero jamais precisar de novo, mas se acontecer é naquela valeta natural que vou parar o carro. Desci disposto a examinar o cabo do acelerador. Quando nele mexi, metade do carburador saiu na minha mão. Teria consertado ali mesmo, se tivesse chave de fenda e parafusos no bolso do macacão. Sequer tenho bolso no macacão e voltei aos boxes a reboque.

Bem, o Tarso e o Torrão foram incisivos – ríspidos, para usar um termo mais correto – na abordagem de meu traçado errado no Pinheirinho. Torrão, para quem não sabe, é o apelido do Marcelo, e se há algo que não combina com o sujeito é o nome, Marcelo. Bial e Di deveriam tê-lo registrado como Torrão, mesmo. Mas com a devida reprimenda voltei à pista no segundo treino determinado a corrigir o traçado no Pinheirinho. Até que estive mais próximo do ideal, mas ainda longe do ideal, se é que me entendem. Curitiba tem a pista de onde mais narrei corridas em minha ainda curta carreira na televisão, e depois de ter transmitido provas de tantos campeonatos sou obrigado a confessar que jamais havia entendido a lógica do traçado que os pilotos adotam no Pinheirinho. Isso não mudou tanto no treino de ontem.

Eu estava tentando, de qualquer modo. E buscando um ponto de frenagem ao fim da reta dos boxes um tanto além do que havia experimentado no primeiro treino. Ao final, por três ou quatro voltas consecutivas, não consegui engatar a segunda marcha para sair do bendito Pinheirinho. Na última dessas voltas fui para a grama e parei o carro; na tentativa de sair, notei que a primeira também não entrava. Fui para os boxes.

O problema era bem simples, uma haste de qualquer coisa que havia se soltado. Amauri resolveu o problema em poucos segundos, ao mesmo tempo em que o treino terminou. Não poderia voltar à pista. Esperto, o Muriel Stumpf, coordenador técnico da Paraguay Racing, que no box ao lado atendida o Odair dos Santos e o Thiago Klein, me sugeriu que desse uma volta em torno dos boxes para checar o funcionamento do câmbio. A segunda estava entrando de novo, o que é um alívio. O segundo treino, este em um vídeo só, está aí abaixo, captado pela onboard do Tarso.

A programação de hoje me leva bem cedo para o autódromo. Há mais um treino livre a partir das 8h35 – o que é ótimo, já que eu esperava ir direto para a tomada de tempos. Na primeira sessão, com 28 carros na pista, fiz o 14º melhor tempo e fiquei em segundo na minha categoria, a Turismo N, a 2s682 do carro da dupla Nodari/Pacheco, que ficou em primeiro. Na segunda, fui 18º na geral, com 29 carros na pista, e terceiro na categoria. Tomei 1s135 do Rafa Gimenez, primeiro da categoria, e 0s897 do Nenê Finotti, que treinou com o carro que o guru Flavio Gomes vai pilotar nas corridas de hoje e de amanhã. A chance de pole e de até pensar em vitória, falo de mim e da classe Turismo N, não é de se jogar fora.

Ao #Bipe e ao César

CESAR 1PINHAIS – Era fim de tarde e eu juntava minhas ferramentas para deixar o autódromo de Santa Cruz do Sul, depois de narrar a primeira etapa da Fórmula Truck no último domingo, quando recebi do Luiz Silvério uma notícia que temia receber a qualquer momento: Marcos Mocelin morreu.

Marcos, 24 anos, foi um dos pilotos envolvidos no seriíssimo acidente que interrompeu de vez a primeira etapa do Metropolitano de Marcas & Pilotos de Cascavel, no dia 28 de fevereiro. Resistiu inerte, em estado de coma, por duas semanas. César Chimin, o outro protagonista do acidente, permanece internado, recupera-se das múltiplas fraturas, deixou a UTI há dias, vive uma nova batalha.

Já comentei aqui em outra ocasião que “Bipe”, como Marcos era conhecido, era o único dos 43 pilotos inscritos naquela etapa com quem jamais conversei. Seria de uma hipocrisia monstruosa citá-lo hoje como grande amigo, coisa que nunca fomos. Perdeu a vida fazendo o que mais gostava, num acidente estúpido bem ali, a poucos metros de onde eu esperava a minha vez de entrar na pista e correr. Foi a terceira vítima fatal de um acidente no autódromo de Cascavel – Ade Pian e Jéfferson Fonseca foram os outros.

Entrei na pista hoje, aqui em Curitiba, no início da preparação para uma corrida extracampeonato da simpática Classic Cup paulista. Foi um dia legal, falarei dele quando voltar do jantar. E fiz questão de prestar uma homenagem – bem simples, é verdade – ao amigo que não cheguei a ter.

CESAR 2

Um passo além do Passat

CASLINI

CASCAVEL – Ninguém que eu consultei soube responder, mas arrisco dizer que o Marcelo Caslini seja o primeiro piloto da Classic Cup, a mais simpática categoria regional do automobilismo desse país, a disputar uma categoria de nível nacional. Se não for, logo alguém vai me alertar.

Marcelo, que vive em Santo André da restauração de carros antigos, estreia domingo agora, em Goiânia, no Mercedes-Benz Challenge. Vai pilotar o carro da Della Via Racing Team na categoria C250 Cup. É de se supor que a adaptação seja trabalhosa: habituado a competir com um Passat ano 74 com motor carburado 1.6 que chega, se bem mexidinho, aos 170 cavalos de potência, ele vai encarar um Mercedes-Benz C250 com motor turbo de 220 cavalos e câmbio de sete marchas.

Não conheço o Marcelo, apesar do tímido contato que temos via redes sociais. Vi-o algumas vezes em Interlagos. Identifico-o sempre de longe, nos boxes ou na pista, facilidade conferida pelo macacão e pelo carro, ambos verdes e alaranjados em tons fosforescentes. Será legal se ele levar essas cores para o MBC, também.