Há três anos

Camilo 01

CASCAVEL – O Facebook, na falta de coisa melhor a fazer, passou nos últimos tempos a resgatar momentos de eras passadas pela data. Meu perfil lá não faz isso, suponho que tenha de habilitar algo que ainda não procurei, sou sempre o último a surfar nessas ondas virtuais.

Fato é que essa ferramenta de resgatar postagens de anos passados me fez ver, hoje, uma foto que o Duda Bairros, fotógrafo da Vicar, postou em 5 de agosto de 2012. Foi o Carsten Horst quem fotografou o gaúcho fotografando, de um helicóptero em voo, a etapa de Jacarepaguá da Copa Petrobras de Marcas. Era o segundo ano da categoria, que eu acompanhava bem pouco. Foi minha estreia na Copa Petrobras e no time da Vicar.

Naquele ano as etapas da Copa Petrobras eram transmitidas ao vivo pela Rede TV!. Celso Miranda, narrador de então, estava fora de combate por uma causa nobre: estava em Londres na cola dos Jogos Olímpicos. A Vanda Camacho era a diretora do evento e, imagino que sob indicação do Jorjão Guirado, me telefonou cinco dias antes da etapa consultando minha disponibilidade para substituir o Celso em Jacarepaguá.

Oportunidade das mais interessantes, eu diria que irrecusável, mas pedi à Vanda algumas horas de prazo para dar uma resposta. Nossa agência jornalística, em 2012, era responsável pela assessoria de imprensa da Fórmula Truck e a etapa do Marcas o Rio coincidiria com a prova da Truck em Cascavel. Tirar o time de campo na Truck exatamente na etapa da minha cidade traria algumas implicações complicadas, e o primeiro passo seria convencer o Clóvis Grelak, meu sócio, de que não poderia estar por aqui.

Passei o dia rondando a sala do Clóvis. Naquela terça estendemos o expediente até o início da noite. Convidei-o, por volta das sete, a um café no shopping ao lado – um ritual que cumpríamos esporadicamente. Com o café já desativado, demos a volta no quarteirão à caça de um boteco. Paramos no restaurante Tom’s e, em vez do café combinado, tomamos uma cerveja. Entrei no assunto de uma vez, já prevendo uma reação de repulsa à ideia, e caí do cavalo: Clóvis mandou que eu fosse tratar da vida no Rio que a agência daria conta do recado por aqui sem mim. Como deu, e não seria diferente.

Retornei a ligação da Vanda de imediato. Já tínhamos definida a questão de números e eu iria, enfim, integrar o staff da Vicar, ainda que por uma única corrida. O chefão Carlos Col seria, foi, o comentarista convidado da transmissão. Lembro que na quarta-feira comentei a questão com o Thiago Camilo, que corria na Copa Petrobras – as corridas não dividiam programação com a Stock Car – e estava na disputa pelo título. “Preciso me dar bem no Rio”, ele me falou. Respondi, com ar quase mediúnico, que ele não ia se dar bem na primeira corrida, mas que venceria a segunda.

Chegou o domingo, 5 de agosto. Enquanto a Truck literalmente pegava fogo em Cascavel (os caminhões de Adalberto Jardim e João Maistro tiveram princípios de incêndio na corrida), eu fazia no Rio minha primeira transmissão da Copa Petrobras de Marcas. Denis Navarro, com o Toyota Corolla do time do Eduardo Bassani, ganhou a primeira corrida. Thiago Camilo, que abandonou a primeira, largou em 15º na segunda com o Chevrolet Astra da equipe do Carlos Alves e venceu, com pista molhada. “Que boca você tem, meu!”, ele me disse, depois da corrida. “Lembrei da sua previsão assim que recebi a bandeirada”. Fiz aquela cara de quem finge saber o que estava falando e disse que ele me devia uma pizza a mais pelo palpite certeiro – já havia perdido uma ou duas em apostas de futebol. Ele sorriu, me deu um tapa no ombro e concordou.

Thiago saiu da categoria, eu entrei em definitivo um ano depois. Ele jamais me convidou para pizza alguma. Mas tem crédito na casa e mais três anos de prazo para isso.

Camilo 02

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É, parabéns…

CIDADE MARAVILHOSACASCAVEL – Carente da devida vírgula e irônica pela própria natureza, a inscrição “Parabéns cidade maravilhosa” foi o que mais me chamou atenção nesta foto de divulgação que “O Globo” publicou ontem à noite, em matéria que anuncia o leilão da estrutura que tomou o lugar do finado autódromo de Jacarepaguá, no Rio.

É essa matéria aqui, para quem tiver interesse em ler.

Enquanto isso, mais milhões nossos vão sendo investidos – esse é o termo que podemos usar sem risco de processo por insinuação de práticas como superfaturamento, propina e desvio – na construção do Parque Olímpico para a Rio 2016. Essa estrutura, claro, vai ter os mesmos meios e o mesmo fim.

O baú do Vicaria

CASCAVEL – Olha que coisa legal o Bruno Vicaria foi buscar no baú sem fundo dele: um vídeo que ele próprio fez uns três ou quatro anos atrás, algo por aí, mostrando os bastidores da transmissão de uma corrida do Mercedes-Benz Grand Challenge (hoje não se usa mais o “Grand”) no Rio de Janeiro.

Eu na narração, o André Duek no comentário, o Fábio Viscardi, piloto de corridas e visita ilustre do dia, mandando mensagens mil via celular. Sempre faço questão de rever as corridas que narro, normalmente mais que uma vez, mas conteúdos como esse que o Vicaria ressuscitou são raridade absoluta.

Impressionante, do meu ponto de vista, a quantidade de coisas que esse vídeo mostra e faz lembrar e que já não existem mais.

Highlights

CASCAVEL – Imperdoavelmente, eu jamais assisti ao GP do Brasil de 1988. Vou fazer isso agora, não sem antes compartilhar aqui para os outros presumíveis dois ou três fãs de automobilismo que ainda não viram a corrida.


Os primeiros minutos do vídeo, instante em que dei-lhe uma pausa para trazê-lo ao blog, já foram suficientes para dar saudades do bom e velho circuito antigo do hoje finado Jacarepaguá. Que foi onde minha carreira de narrador de corridas começou.

O ex-autódromo

SÃO PAULO – Material enviado pelo Diego Ximenes, que diz tê-lo copidescado da edição de hoje d’O Globo. Contracapa e página 9, ele indicou.

Vila Autódromo: remoção só em 2014

Condomínio para reassentar famílias começa a ser erguido na próxima semana

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

luiz.magalhaes@oglobo.com.br

O Parque Carioca, condomínio que será construído na Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá, para reassentar as famílias que vivem hoje na favela de Vila Autódromo começa a ser construído na semana que vem. A informação é do Secretário municipal de Habitação, Pierre Alex Domiciano Batista. Segundo ele, os moradores da Vila Autódromo serão removidos para o conjunto que está sendo construído pelo projeto Minha Casa Minha Vida, no primeiro semestre de 2014.

A favela de Vila Autódromo fica ao lado do futuro Parque Olímpico, principal complexo esportivo a ser construído para 2016, que ocupará parte do terreno do antigo autódromo Nelson Piquet, fechado em outubro do ano passado. A Vila Autódromo será removida porque boa parte das casas foi construída em terrenos não edificáveis. Além disso, parte da área está no traçado do futuro BRT Transolímpico, que ligará a Barra à Penha.

ÁREA TERÁ 900 APARTAMENTOS

Um sobrevoo feito ontem na região mostra uma situação curiosa. De um lado da Lagoa de Jacarepaguá, é possível observar que o autódromo já teve praticamente toda a sua infraestrutura demolida. No segundo semestre deste ano, começam as obras das arenas olímpicas. Do outro, a Vila Autódromo ainda está de pé. Em 2011, um cadastro prévio para remoção feito pela Secretaria de Habitação encontrou 537 famílias de baixa renda no local. Na comunidade ainda existem casas de classe média à beira da lagoa cujos moradores serão retirados sem ganhar novas casas.

O Parque Carioca contará com cerca de 900 apartamentos de dois quartos (40 metros quadrados) e três quartos (55 metros quadrados), além de área de lazer e escolas. Para o condomínio, além dos moradores da Vila Autódromo, irão outras famílias beneficiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida. O custo total do projeto chega a R$ 105 milhões, sendo R$ 38 milhões da prefeitura e o restante da Caixa Econômica Federal.

A remoção da Vila Autódromo vem sendo cercada de polêmica. A prefeitura defende que ela é indispensável para o projeto olímpico. Mas ONGs ligadas a movimentos sociais afirmam que a remoção teria interesse apenas econômico, já que terrenos no entorno se valorização ainda mais com as Olimpíadas. Moradores mais antigos lembram que em 1995 as famílias chegaram a receber do governo do estado títulos de posse válidos por 99 anos.

Apesar de tudo, o prefeito Eduardo Paes acredita que o desfecho será tranquilo: — Temos tempo. Quando as obras estiverem mais adiantadas, montaremos um show room no terreno, mostrando detalhes do projeto. O novo condomínio terá uma estrutura melhor do que o local onde (as pessoas) vivem – disse Paes.

 

***

Aqui, depois da matéria, volto eu. Dá dó ver o ex-autódromo assim, é impossível negar. E fica claro que, se interessar aos especuladores do mercado imobiliário, até o bondinho e o Cristo vão para o depósito.

Moeda de barganha


CASCAVEL – Pessoal que resiste na defesa do autódromo de Jacarepaguá carregou nas tintas, não sem perder tanto contato com a razão, nesse vídeo que começa a circular pela internet.

Queria compartilhar sem juízo de valor, mas não dá. São sonhadores, batalhadores, apaixonados, os que tentam manter Jacarepaguá, falo do autódromo, que respira por aparelhos. É de uma inocência sem tamanho imaginar que essa paixão toda possa se sobrepor aos interesses de quem vai encher os bolsos com toda a jogada político-imobiliária envolvendo o autódromo.

Não somos o país do futebol, nem do automobilismo, nem da Olimpíada, nem de nada. Saudade do tempo em que éramos o país do jeitinho. Hoje somos o país da corrupção, condição acentuada na última década.

Não deixa de ser bem-feito a quem escolhe a escória máxima como representação de um povo. Mas que é foda ver um autódromo tão bacana ser posto como moeda de barganha pela turma da mão no jarro, isso é.

As pizzas do Camilo

RIO – Era terça ou quarta-feira, não lembro e não importa, quando falei pro Thiago Camilo que ele venceria a segunda corrida da etapa de hoje da Copa Petrobras de Marcas, aqui no Rio. “Pô, só a segunda?”, ele reclamou. Falei que a primeira era por conta dele, a segunda estava garantida. Valia uma pizza, embora eu não seja exatamente um apreciador de pizzas, prefiro nhoque, sushi e costela assada, não necessariamente nessa ordem, mas não acho convencional apostar uma pratada de nhoque com alguém.

Thiago perdeu a terceira pizza a fio, as outras duas vieram em placares do futebol, ele é péssimo para escolher times e o Corinthians é uma potência insuperável. Largando lá de 15º, posição em que ficou no resultado da primeira corrida, sem tê-la concluído, venceu. Mesmo tendo de lidar com o prejuízo de uma rodada no asfalto molhado de Jacarepaguá, onde a chuva chegou quando a placa indicando cinco minutos para a volta de apresentação já tinha sido levantada. Foi a primeira vez que narrei uma etapa da Copa Petrobras para a Rede TV!, mesma casa onde transmito as corridas do Mercedes-Benz Grand Challenge e do Brasileiro de GT. Gostei da brincadeira, tenho de admitir. E ampliou seu recorde de vitórias na categoria, o Thiago. Agora tem oito em 23 corridas disputadas – a categoria foi relançada em 2011, depois de uns bons 15 anos fora do calendário. Na primeira corrida no Rio, a vitória tinha sido do Denis Navarro, a primeira dele na categoria.

Falamos, é claro, da possível despedida do autódromo para provas nacionais, embora ainda haja um calendário regional de Turismo e de arrancadas a ser seguido, e o Moto 1000 GP também tem uma etapa agendada para lá. Há muito tempo eventos são anunciados como despedida do autódromo, e já começo a duvidar que o de hoje tenha sido, mesmo, o de despedida. Francisco Marques, o intrépido locutor Chicão, improvisou um pronunciamento ao fim do evento, pelo sistema de som do autódromo, que emocionou muita gente. Coisa de quem conhece do riscado. E a Vicar, promotora do campeonato, até encomendou um painel homenageando o autódromo. Tomara que voltem a usar o tal painel, esse da foto aí embaixo.

Curti bastante o fim de semana e a missão de última hora em Jacarepaguá, mesmo longe da festa da Fórmula Truck lá no bairro onde eu moro, que tem alguém que eu adoro, ela é minha paixão.

Teria um pouco mais a comentar com vocês, mas chegou a hora do embarque. Comento com quem sentar ao meu lado. Dormi bem à noite, vou trocar o habitual cochilo do voo por um papo com um desconhecido qualquer.