Sertanejão na veia

CAXIAS DO SUL – “Prato do dia”, sucesso de Tião Carreiro & Pardinho que inúmeros outros artistas regravaram. Aqui, em vídeo amador, com Daniel e o pai Zé Camilo.

“Nós estamos de portas abertas pra servir a moda que pede o freguês” foi profecia pura para os dias de hoje.

Sertanejão na veia

CASCAVEL – Hoje vai uma dose dupla de peças que talvez nem se enquadrassem na série. Apesar de gravadas por nomes que fazem sucesso no estilo sertanejo, são duas músicas que mantiveram grupos pop nas paradas de sucesso na década de 80 – época em que ainda se dizia “paradas de sucesso”.

“Ando falando sozinho”, disponível em sua versão original nesse clipe do Polegar, foi regravada recentemente por Jadson & Jadson. Ficou assim.

Caso parecido envolve “Com todos, menos comigo”. Das várias duplas sertanejas que a regravaram eu gosto da versão de Dalvan & Donizetti, até porque aprecio de maneira especial a interpretação do Dalvan, aquele que fazia dupla com o Duduca – faz de novo, com um Duduca novo, enquanto Donizetti é aquele que fez sucesso quando moleque cantando “Galopera”. Essa música, também nos anos 80, estourou com o Dominó, que surgiu pouco antes do Polegar e tinha um estilão, sei lá, meio estranho.

Ei-la, com Dalvan & Donizetti. Aliás, por onde anda o Dalvan, hein? Ainda vive em Jundiaí?

Sertanejão na veia

AMIGOS

CASCAVEL – Um dos grandes baratos que a Globo fez acontecer para o público da música sertaneja, isso lá pelos idos dos anos 90, foi o especial “Amigos”, que depois virou programa regular da emissora, tendo no palco as três duplas de maior projeção da época.

Além das apresentações das duplas propriamente ditas, era interessante acompanhar formações improvisadas como, sei lá, Zezé di Camargo & Chitãozinho, Leandro & Xororó ou Luciano & Leonardo. Quando a iniciativa fez dez anos, saiu esse especial do vídeo que traz, nos minutos finais, umas presepadas reveladas pelos próprios cantores.

Eu mentiria se dissesse que já assisti a um show “Amigos”. Mas já escutei um. Foi em 1996 ou 1997, no Estádio do Café, em Londrina. Um sábado. Eu estava lá para acompanhar uma etapa do Paranaense de Automobilismo, e o autódromo fica ao lado do local do show. Providenciamos uns comes e uns garrafões de vinho, eu e mais uma meia dúzia de amigos, e lá fomos para a área de escape da curva mais próxima – justamente a Curva do Estádio. Não dá para negar que alguns de nós tinham a intenção insana de pular o muro do estádio para ir lá ver o show, intenção prontamente abortada diante da presença de um segurança a cada dois metros na área ao redor. Bebemos vinho e ouvimos “Amigos” do começo ao fim, até Sandy & Júnior, ainda crianças, participaram do show.

Naquela noite optamos por dormir no autódromo, mesmo, dentro dos carros ou em colchões nos boxes. Ninguém de nós terminou o show em condições propícias para dirigir até o hotel.

Yellow Camaro

CASCAVEL – E não é que o “Camaro Amarelo”, que ontem foi epicentro de um desabafo quase hilário no Facebook, veio parar na minha timeline hoje de novo?

Vocês preferem com Munhoz & Mariano ou com Bon Jovi? Tirem a prova nessa, hã, edição especial do “Sertanejão na veia”.

Não sei quem fez, embora haja ali a indicação de um canal com mais vídeos do gênero. Mas foi trabalho de mestre.

Sertanejão na veia

CASCAVEL – Edição especial da série, hoje. Não por ser com Chrystian & Ralf, que são os caras da música sertaneja, em todo o sentido máximo do termo. Mas porque essa, especificamente, fui eu quem filmou, num show de tempo atrás no Cowboy Saloon, onde o Vanderlei Costa arrumou uma mesinha de diretoria pra nossa galera.

Sempre que alguém me pergunta quem são os grandes da música sertaneja, antes de citar Matogrosso & Mathias e outros papas do gênero, friso que Chrystian & Ralf não entram na lista por serem hors concours. Um videozinho simples como esse mostra por quê.

Sertanejão na veia

CASCAVEL – Já falei de Liu & Léu aqui no blog, pouco mais de um ano atrás, foi quando publiquei um vídeo deles cantando ao vivo num programa de televisão – coisa rara, acho, apesar de ser um vídeo um tanto recente.

Hoje tem mais Liu & Léu por aqui. A gravação de “Saco de estopa”, que eu conheço como “Saco de ouro”. Há regravações dessa música com Chitão & Xororó, Cezar & Paulinho e um quintilhão de outras duplas. É uma das mais bonitas da música realmente sertaneja.

Liu morreu no ano passado, quando a dupla chegou a 55 anos de carreira.

Sertanejão na veia

NENHURES – Primeiro leiam, sem fazer muitas perguntas. Continuo depois das linhas copidescadas que seguem:

A receita é simples: um ritmo vira moda. Exemplo: baladas rápidas, com solos de violão, arrocha, vanera falando de balada e filas que andam e… Puf!, todo mundo copia. A rádio e os donos de boate abandonam a diversidade da música e começam a fazer do “sertanejo” um modismo que eles mesmos intitulam universitário.

A mídia influencia todos a ouvirem as mesmas coisas e as tribos se intitulam todas como sertanejas. Sem cheiro de terra nem debaixo da unha. Aí se reúnem para beber vodka e whisky do Paraguai com Red Bull, uma merda que se tiver um por cento mais de corante vira veneno.

E tome arrocha!

E vamos falar de futilidades, e vamos bater nossos carros, e vamo pegá as mina porque elas pira quando a gente fala que elas não valem mais nada.

E tome arrocha. Facim entender o nosso tempo. Só queria que a classe musical não se vendesse por um litro, ou por um cachê miserável. Se é pra tocar o que os outros mandam, então recebam bem por isso.

E não pensem que seu contratante é seu amigo, cantores. Ele só elogia vocês porque está de bolso cheio. Se a lambada voltar, você pula. Se o forró se fortalecer, você está fora. Se o funk falar menos palavrões – e isso já está rolando –, você vai ter de descer até o chão.

Realismo, sertanejo é a cara do Brasil. E tem muito poeta compondo lendas e guardando no fundo do baú.

Por quê?

Porque nossos jovens rebeldes sem causa, hoje, preferem a net, o chiclete e os clichês da mídia manipuladora a abastecer o cérebro e o coração om a magia, a surpresa, a genialidade e a criatividade dos artistas brasileiros.

Bem, mas como eu também vivo disso, ‘bora tirá uns arrocha pa dá de cumê pros meus canarinhos do reino. Que, mesmo com o passar do tempo, não mudam o gosto pelas melodias lindas que fazem rir, emocionam, fazendo a gente sentir a

vibe da verdade.

Se você me vir cantando modismo, é porque eu preciso, não porque gosto.

Bom-humor e bom senso. É isso.

O desabafo aí acima é do parceiro Flávio Aquino, compositor dos bons e intérprete de primeira. Qualquer um com um mínimo de afinidade com alguma causa musical do mundo real terá captado ao menos uma das várias mensagens do Flavinho nessas linhas – algumas delas sutilmente incluídas em “Menina correria“.

O dono da “Mala pronta” atuou em dupla por muitos anos nos palcos e nos bares da vida. Agora segue carreira-solo lá pras bandas do Paraná. Uma das últimas modas da lavra do Flávio é “A gente vai se ver”, que segue aí:

Boa moda, não?

Sertanejão na veia

NENHURES – Sei lá o que foi que aconteceu naquela data, mas faz dez anos que alguma coisa levou Fernando Fakri, o Sorocaba, a escrever a música que lançou Thaeme & Thiago ao mercado de música sertaneja.

Ouvi dia desses, numa roda qualquer, que a música começou a ser escrita 12 horas antes do show em que seria apresentada. Não é de se duvidar – talvez isso explique por que Thaeme apresentou a música com Fernando, parceiro do Sorocaba.

Qualquer hora pergunto a um deles. Por enquanto, ficamos ao som de “6 de janeiro de 2003”, Fernando Bonifácio e Thaeme Mariôto cantam.

Sertanejão na veia

CASCAVEL – Legal o trocadilho embutido na letra do “Sou solteiro”, letra do Alex que ele e o irmão gravaram, ou estão gravando. O Nei Tessari, que não é do ramo, não terá entendido.

Uma versão pra começo de conversa já foi gravada aqui mesmo, pelas bandas de Cascavel, provando que Everton & Alex também aderiram à onda do arrocha.

Everton & Alex são os caras que vão fazer o show principal da GT Party. Faltam só três dias, inclusive.