Mundo sobre rodas

Era dia de chuva, não lembro se segunda ou terça-feira, eu já estava atrasado para o almoço com a galera aqui de casa, mas não podia evitar a parada não prevista quando vi essa joinha parada num posto de gasolina – que também vende etanol, óleo diesel, lubrificantes, chicletes, pão-de-queijo, pilhas e refrigerantes.

E lá fui eu, uma mão segurando o celular e acionando a tecla virtual que tira fotos, a outra protegendo o aparelho da chuva, menos fraca do que eu havia suposto. Mas valeu a pena. Não lembro de ter visto outro Simca Chambord na vida já não tão curta, embora já tenha feito test-drive no banco traseiro de um Simca Esplanada. No caso, só deitei no banco do carro, que apelidei de sofá à primeira vista numa brincadeira que não deixou a dona muito contente. Era, a Esplanada, da Lorena Manarin, parceira antiga do jornal, já deve ter vendido o carro há muito tempo.

Voltando ao Chambord, li agora na Wikipédia que foi o primeiro carro de luxo fabricado no Brasil, e também era o carro do patrulheiro Carlos, aquele do “Vigilante Rodoviário”. Recorro a esses sites porque, como já disse e repeti, não tenho qualquer intimidade com esse negócio de carros antigos, apenas acho-os bonitos pra cacete.

Lá no posto, debaixo de chuva, perguntei ao frentista, um conhecido de outros carnavais, se sabia de quem era o carro. Sabia, claro, e me falou, e conheço o dono. Não conheço, mas sei quem é, ele não me conhece, e casualmente encontrei-o ontem no estacionamento do Airton Macanhão, onde dividimos a lista de mensalistas.

É um carrinho ano 63, conforme delata a própria placa. Seu dono, empresário aqui da cidade e desde o ano passado um quase vizinho de porta, tem na garagem outros exemplares bastante interessantes, de outras marcas e épocas. Eu, tendo hipoteticamente à disposição a mesma frota, deixaria todos os outros carros em casa e iria de Simca Chambord para qualquer canto.

Talvez até seguiria a sugestão que me foi dada pelo risonho proprietário do carro quando, digamos, pedi licença para publicar as fotos já armazenadas.

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O legal de estar na Fórmula 1 como integrante do estafe do Porsche GT3 Cup é apreciar bem de perto os dezenas de exemplares da marca que ficam expostos aqui do lado de fora, em frente ao lounge.

O mais belo de todos acabou de ser estacionado aqui. Uma réplica feita em 1981 do modelo 356, o de 1963. A série “Super 90” delatava os 90 hp de potência do carrinho. Esse aqui, me contou o proprietário, tem um motor “um pouquinho mais esperto”, de 1.900cc.

Pode haver coisa mais linda que um exemplar desses?

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Quando o assunto são carros, Cascavel tem se mostrado um bom reduto para preciosidades.

Dia desses topei ali no centro da cidade com esse Camaro Type LT. Não faço a mínima ideia de quem seja o feliz proprietário, mas não imagino que vá me condenar por ter registrado alguns instantâneos de seu belíssimo carro, motivo pelo qual não vou me dar o trabalho de esconder a placa. Entre outros motivos, para mostrar que é placa preta.

Recorri ao bom blog Garagem do Bellote, onde vi que o Type LT teve 48.963 exemplares produzidos a partir de 1973, cada um custando perto de 3,4 mil dólares, opcionais não incluídos. Sou totalmente alheio a esse mercado, mas não me passa pela cabeça que uma joia rara como essa possa valer menos que 10 ou 15 mil dólares. Corro o risco óbvio de estar chutando baixo. Fosse meu, não teria preço, como não deve ter para seu proprietário, cujo nome deve ter as iniciais H.I.S.

Se não alertei antes, digo agora: não esperem aqui muita erudição sobre o assunto. Não entendo absolutamente nada sobre carros antigos. Só os acho bonitos.

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Vá lá que não seja pelo motivo mais nobre possível, mas fato é que o carrinho novo está na garagem, enfim. Novo, claro, é eufemismo. Digamos que tenha sido o mais aguardado.

Ainda faltavam algumas coisinhas, os menos desatentos já terão percebido que não há um único espelho retrovisor instalado. Não sei guardar segredo, então já revelo que também não há, ainda, cintos de segurança. Vou providenciar tudo isso até o fim da semana. Seria amanhã ou depois, prazo que sairá comprometido pelo feriado.

O tubarãozinho veio para a família há quase quatro anos. Tem lá sua história, quisera ter aqui para publicar, também, as fotos feitas pelo antigo proprietário, Paulo, que veio de uma cidadezinha do Rio Grande do Sul para Cascavel trazendo sua mudança no Chevettinho. Duvidei quando ele contou e, de pronto, as fotos saltaram da gaveta de seu pequeno comércio lá no bairro Faculdade. Até fogão veio aí dentro.

A compra do tubarãozinho foi algo estranho. Primeiro pela pronta concordância da Juli. As esposas, em horas assim, sempre olham de um plano diferente, consideram ressalvas, ponderam. Pentelham, às vezes. Naquela visita à bicicletaria do Paulo, a reação dela foi “olha, esse está bem bom, não dá para perder”. Não estava barato, mas já havíamos olhado cada caco que dava dó.

Pintura externa, regulagens, pequenos acessórios e outros pequenos cuidados depois, tudo isso distribuído sem maiores atropelos num espaço de quase quatro anos, e está aí o tubarãozinho. Veio umas duas semanas antes do previsto, prematuridade que atribuímos aos amigos do alheio – a esse exato momento, duas e pouco da manhã, devo estar completando uma exata semana do sumiço do caçula da família motor.

Mas que estou indo pro serviço e pro boteco de carro novo, isso estou.

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Uma providência que tem sido cada vez mais comum entre donos de automóveis é a de envelopá-los. Não, caro amigo do ABC paulista, não se trata de despachar o carro por correio para Nenhures, mas de substituir uma pretensa pintura pela aplicação de adesivos especiais.

Começou pelos donos de supercarros importados cujos preços de tabela passam dos seis dígitos, centavos excluídos. E virou moda, a ponto de contemplar carros cujos preços de mercado equiparam-se ao orçamento do serviço. Não é exagero.

Dia desses, cá ao lado do escritório, topei com um carrinho quase cinquentenário. Um Karmann-Ghia, devidamente convertido ao preto fosco da onda.

Imagino que o Flavio Gomes deva ter mandado envelopar uns três dos 15 exemplares do Karmann-Ghia que mantém em sua garagem. E estou pensando em envelopar meu Chevette tubarão, também.

Por falar nisso, tenho de ligar pro Cláudio Deitos lá na Speed Car. Por motivos de força maior, estou precisando daquele carrinho.