As caras da capa

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A capa da “Grid” que me pôs no rumo de trabalhar com corridas de carros. Pena minha revista ter se perdido no tempo.

CASCAVEL – Postaram hoje no Facebook essa capa da “Grid”. Fevereiro ou março de 1989. Essa revista, refiro-me especificamente a essa edição, acabou tendo uma importância gigantesca nos rumos que minha vida tomaria nos anos seguintes.

Comprei-a por volta de julho ou agosto daquele ano. Sempre a via pendurada no mesmo lugar do varal da banca de jornal da Avenida Brasil em frente à Loja Soesma, onde hoje existe o Restaurante Monte Verde, quando por ali passava num ônibus da Viação Pioneira a caminho da redação do jornal. Tinha acabado de completar 12 anos, mas já frequentava a redação do jornal alimentando o sonho de seguir os passos do Leodefane e virar chargista. Eu era bom de traço e tinha acabado de tomar gosto pelas corridas de Fórmula 1, eram dois dos motivos que me faziam querer aquela “Grid” do varal. Enquanto pessoas subiam e desciam no ônibus no ponto ao lado da banquinha eu observava da janela e ficava encantado com as geniais caricaturas de Piquet, Senna, Moreno e Gugelmin produzidas pelo Eugênio Colonese para a capa. Eu tinha que reproduzir aquelas caricaturas. Consegui algumas, após ecaustivas tentativas. Pus na cabeça que teria de conhecer Colonese; nunca o conheci, sequer sei se é brasileiro ou se ainda vive.

O sentimento foi de conquista do mundo quando enfim convenci meu pai a abrir a mão e me prover os cruzados de que precisava para a tão esperada aquisição. Ela veio acompanhada de um livrinho de capa azul impresso em papel-jornal com tipografia bem pobre que trazia todas as estatísticas da F-1, uma arqueologia em tempos pré-internet. Com um pouco de sorte o livrinho azul ainda deve sobreviver entre as minhas tralhas que ficaram lá na casa da mãe. Ora, eu tinha as estatísticas na escrivaninha do quarto, um indicativo óbvio de que teria de me tornar um especialista em corridas.

Bem, jamais me tornei especialista em coisa alguma, o sonho de viver dos meus traços durou bem pouco, a “Grid” deixou de existir poucos anos depois de eu saltar do ônibus três pontos antes da redação do jornal para enfim comprar a edição que trazia as quatro caricaturas na capa. Estava envolvida num saquinho plástico, o que foi crucial para preservá-la até que nos uníssemos e ela tivesse sua boa parcela de responsabilidade no meu destino.

Pena minha “Grid” com caricaturas na capa ter se perdido no tempo, um tempo que revivi agora vendo uma foto na internet.

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