Turismo regional com pneus slick

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Carros em exposição na festa de premiação aos campeões gaúchos de 2016, na última sexta-feira. Em primeiro plano, o Ford Ka de Luiz Carlos Ribeiro, já calçado com os pneus slick 14×7 da argentina NA Carrera.

SÃO PAULO – Turismo Super 1.6. É esse o nome da nova categoria que a Federação Gaúcha de Automobilismo lançou na última sexta-feira, durante a festa de premiação aos campeões estaduais de 2016. Ainda ontem comentei aqui minha impressão de que a categoria Marcas 1.6 no Rio Grande do Sul estava com os dias contados. Acabou sendo uma meia-verdade: sai de cena o Marcas para entrar a Turismo Super 1.6, que importa um formato consagrado na Argentina com a Turismo Nacional, a categoria das fotos a seguir, que tem como slogan “tu auto también corre”.

Não se trata de uma apresentação em PowerPoint para eventual prospecção de patrocínio. Já homologada, a categoria terá seu primeiro campeonato em 2017. O calendário de etapas, inclusive, está definido, e antecipo aqui: Velopark no dia 4 de junho, Santa Cruz do Sul no dia 2 de julho, Tarumã em 30 de julho, Rivera em 3 de setembro, Guaporé em 8 de outubro e de novo Tarumã em 6 de novembro. Cada etapa terá duas corridas de 35 minutos, cada.

Os gaúchos não tomaram emprestado apenas o conceito da série argentina para a categoria que substitui o bom e velho Marcas & Pilotos. Os pneus dos carros também serão do país vizinho. Serão pneus slick aro 14, que de cara baixam os tempos de volta em coisa de quatro segundos e meio. Testes já feitos comprovam que são pneus capazes de manter performance por 120 voltas. Diante disso, cada jogo de pneus será lacrado para utilização em duas etapas do campeonato. O resultado de uma básica regra de três levou os promotores à conclusão esperada por quem assina o cheque da corrida: acaba saindo mais barato correr com os slick do que com os radiais utilizados em todas as séries similares.

A ideia, explícita no regulamento que será publicado terça-feira no site da Federação Gaúcha, é renovar a frota. Modelos como GM Corsa, Fiat Uno e Renault Clio, já fora das linhas de fabricação, e também as versões anteriores dos Ford Fiesta e Ka, do Fiat Palio, do VW Gol, do GM Celta e do Peugeot 206, vão ganhar a companhia de suas últimas versões e ainda de modelos como o HB20 da Hyundai, o Etios da Toyota, o C3 da Citröen e o novo Uno. “Seu carro também corre”, não esqueçamos disso. Modelos com motores 1.6 de 16 válvulas, que nas condições técnicas de competição vão desenvolver qualquer coisa em torno de 180 cavalos de potência.

Bati um papo sobre a nova categoria com o Jhonny Bonilla, que está diretamente envolvido com o novo campeonato. Que é Gaúcho, mas deverá, como fruto de um trabalho de corpo-a-corpo que já está sendo feito com pilotos e equipes do Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste, reunir participantes de vários outros estados – a meta, mesmo, é convertê-lo dentro de pouco tempo em Sul-Brasileiro ou coisa do gênero. Além de intermediar diretamente o fornecimento de pneus, é um colaborador institucional do campeonato. Ele me disse que procedimento igual foi adotado no Uruguai, país onde nasceu – mora no Brasil desde 1978 –, e que o resultado foi praticamente imediato. O Jhonny também é o gestor do novo autódromo uruguaio de Rivera, cidade localizada na fronteira com o Brasil. O Uruguai tem ainda os autódromos de Mercedes e de El Pinar, na capital Montevidéu.

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A Turismo Super 1.6 terá seus carros calçados com pneus slick. Como foi o Brasileiro de Marcas & Pilotos promovido em 2007 por Toninho de Souza. Como foi a Copa Shell de Marcas & Pilotos em fase notável de sua existência.

“O automobilismo uruguaio estava em um ostracismo. Os caras fizeram um esforço enorme e criaram a Superturismo. Só carros novos. Foram às revendas e conseguiram comprar os carros mais baratos colocando propagandas das marcas. Acabou que, em um ano, já são 40 carros Superturismo, todos com motor Cosworth e caixa sequencial. Para este ano já tiveram que criar a Classe 2, para abrir espaço para mais carros. O grid está lotado e o público voltou em massa”, descreveu o Jhonny, passando por conceitos que permeiam as conversas em rodas de autódromo no Brasil, acerca do apoio das marcas que é pequeno pelas bandas de cá e que funciona tão bem pelos lados da Argentina. Do Uruguai também, pelo visto.

Temos que tirar o chapéu para a gauchada. Os caras mantêm vivo o Endurance brasileiro, correm em mais pistas que algumas séries de nível internacional e, agora, saem com essa. O segredo deles não é segredo para ninguém: definem uma causa, se abraçam e vão em frente para viabilizar. A fórmula é tão simples quanto eficaz.

O vídeo aí abaixo foi apresentado aos desportistas presentes à ocasião da última sexta-feira, durante o lançamento da Turismo Super 1.6. Contém cenas da Turismo Nacional argentina. Vale ver.

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3 pensamentos sobre “Turismo regional com pneus slick

  1. Sertamente cuando se fica numa meseta de espectaculos e bom hollar a os lados e ver o que funciona fora e toca para frente bien pelos gauchos pensantes van ter seguro retorno dos espectaculos.

  2. Não dá para comparar Argentina com Brasil, aqui nem mesa redonda de automobilismo nós temos na tv. No país do futebol o resto é resto.

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