Dadai: “Desafio é planejar e executar”

CASCAVEL – Faltam menos de 40 dias para a Confederação Brasileira de Automobilismo ter novo titular na cadeira da presidência. Formando em Engenharia de Produção, empresário dos ramos de entretenimento e sistemas de acesso e pagamentos e pai de kartista, Waldner Bernardo, presidente da Federação de Automobilismo de Pernambuco, sucederá seu conterrâneo Cleyton Pinteiro, que está no cargo desde 2009 e finaliza seu segundo mandato. “Dadai”, apelido pelo qual Bernardo é conhecido, obteve 10 dos 17 votos válidos na eleição de 20 de janeiro, em que teve como adversário o empresário e ex-piloto paranaense Milton Sperafico. Num rápido bate-papo com o blogueiro, Dadai esquivou-se de avaliar o saldo da gestão de Pinteiro, sinalizou com o surgimento breve de novas competições no automobilismo brasileiro e indicou, diante da entrevista, que seu compromisso é o de dar respostas a partir da gestão da CBA pelos próximos quatro anos:”Falar e apontar erro é fácil, difícil é fazer e executar”.

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Eleito por 10 votos a 7 à presidência da CBA, Waldner Bernardo assumirá o cargo em março preferindo não comentar a gestão de Cleyton Pinteiro: “Prefiro falar dos próximos quatro anos”

BLuc – A disputa pela presidência da CBA configurou a campanha mais acirrada da história da entidade. Que balanço o senhor faz desse processo?

Dadai – Muito positivo. Pela primeira vez se pode discutir com a comunidade do automobilismo vários assuntos de interesse comum, além de que pela primeira vez uma associação de pilotos teve direito a voto.

 

BLuc – Houve relatos sobre federações votando no senhor em troca do perdão de dívidas junto à CBA. Em que circunstâncias legais ocorreram negociações nesse sentido?

Dadai – Não só desconheço, como o próprio estatuto da entidade não permite esse “perdão”.

 

BLuc – Quais serão suas providências mais urgentes quando assumir a presidência?

Dadai – A nomeação de nossas comissões já mostrará que teremos pessoas extremamente competentes. Não temos uma e nem duas providencias, temos várias, e todas serão tratadas com a mesma importância.

 

BLuc – Como o senhor avalia os oito anos da gestão de Cleyton Pinteiro na CBA?

Dadai – Prefiro falar dos próximos quatro anos…

 

BLuc – Até por ser candidato de situação, o senhor não assumiu grandes compromissos relativos a mudanças. Quais as maiores deficiências do automobilismo brasileiro que o senhor aponta?

Dadai – Responderemos com trabalho. Falar e apontar erro é fácil, difícil é fazer e executar. Esse é o nosso desafio, planejar e executar .

 

BLuc – Considerando kart, arrancadas, rali, velocidade na terra e velocidade no asfalto, quais as modalidades que necessitam de um trabalho mais intenso?

Dadai – Todas têm demandas diferentes e seus respectivos presidentes de comissão terão que identificar e apontar as soluções.

 

BLuc – A velocidade no asfalto é a que tem maior projeção de mídia. Não é de hoje que todas as categorias de nível nacional têm suas etapas mostradas na televisão. Alguns campeonatos regionais também já vêm providenciando o televisionamento de suas corridas. Não seria também uma boa providência para corridas de outras modalidades?

Dadai – Sem dúvida. Porém a transmissão em TV é uma questão comercial. Extremamente necessária, porém comercial. Cabe aos promotores viabilizar estas questões. Temos recebido projetos sobre este assunto e vamos analisá-los. A CBA, como promotora do kart, viabilizou na última edição da Copa Brasil transmissão de algumas finais, graças a parcerias de iniciativa privada.

 

BLuc – Em termos reais, como está o relacionamento da CBA com os promotores de campeonatos de automobilismo regionais e nacionais? Existem situações críticas à espera de solução?

Dadai – Só posso dizer isso após assumir e efetivamente começar a ter esta relação com estes promotores.

 

BLuc – O senhor tem algo em mente em termos de empreender uma gestão diferente de todas as anteriores? Há algo que tenha sempre faltado ao automobilismo brasileiro e que possa ser viabilizado agora?

Dadai – Como falei na primeira questão, nossas comissões trarão gratas supressas, isso será o retrato de como pretendemos gerir.

 

BLuc – Como sua diretoria vai trabalhar no que diz respeito aos problemas dos autódromos? Há situações bem distintas, como taxas consideradas exorbitantes em Interlagos, possibilidade de desativação em Pinhais, a recente interdição de Guaporé pelos bombeiros e, em linhas gerais, uma deficiência de infraestrutura em grande parte dos autódromos brasileiros.

Dadai – Um de nossos desafios é convencer o poder público que automobilismo não é só esporte, mais sim negócio, turismo, geração de empregos. Quando nossos governantes entenderem que provas nacionais e até estaduais geram receitas em suas respectivas cidades e tratarem o esporte como negócio, poderemos sim discutir esses “problemas” de nossos autódromos.

 

BLuc – O Brasil quase ficou sem piloto na Fórmula 1 e isso despertou a discussão sobre a escassez de categorias de base no automobilismo nacional. É o discurso corrente, de que há duas décadas havia os estágios do kart, da F-Ford, da F-Chevrolet e da F-3 e hoje o piloto sai do kart e, a menos que migre para categorias de turismo, salta direto para a F-3. O que fazer quanto a isso?

Dadai – O problema já está no acesso ao kart, nosso esporte é caro e isso dificulta o acesso. Justamente aí é que entra o projeto das escolas, que tem que ser difundido e implementado em todo país. Este trabalho não vai aparecer a curto prazo, ele leva tempo, já estamos trabalhando há algum tempo na implementação de uma Fórmula 4 no Brasil, nos moldes da FIA, de forma concreta e sustentável.

 

BLuc – Uma das queixas mais contumazes dos pilotos diz respeito às taxas de inscrição nas provas e de emissão de carteiras, consideradas altas. É um patamar que pode ser revisto?

Dadai – Luc, vamos separar uma coisa da outra. Quem cobra a taxa de inscrição não é a CBA, e sim os promotores ou organizadores dos eventos. Hoje os custos para se fazer uma prova são vários, os patrocínios estão cada vez mais difíceis. Precisam ser custeados aluguel de autódromo, equipe médica, cronometragem, sinalização, resgate, direção de prova, e por aí vai… Todas estas pessoas envolvidas recebem por seus trabalhos, não tem como ser diferente.

Já com relação às filiações, 50% do valor pago pelos pilotos ficam com as FAUS, e os outros 50% ficam com a CBA, que hoje disponibiliza seguro para todos os seus pilotos. Dou um exemplo prático: para 2017 a carteira PGC-B foi anunciada pela CBA ao valor de R$ 510,00. Como de praxe, as FAUS cobram o mesmo valor da CBA, então esta filiação vai para no mínimo R$ 1.020,00. Mesmo que você considere o valor total e divida isso por 10 etapas, o que daria um valor de R$ 102,00 por etapa, e um piloto fosse a uma seguradora e tentasse fazer um seguro para cada etapa que ele for correr no ano, eu não tenho dúvidas de que ele pagaria muito mais. Ou seja, o benéfico deste valor existe! (Nota do blog: a tabela completa de valores para emissão da Cédula Desportiva Nacional, que chamamos de “carteira de piloto”, está na página 109 do Código Desportivo do Automobilismo, disponível nesse link aqui)

 

BLuc – Até que ponto, no seu entender, a crise financeira dos últimos anos atingiu de fato o automobilismo brasileiro?

Dadai – Não só o automobilismo como todos os segmentos! 100% que atingiu.

 

BLuc – Voltando à disputa pela presidência da CBA… Foi voz corrente durante esse processo que os pilotos de competição deveriam ter participação maior na escolha de dirigentes. O senhor concorda? Considera a possibilidade de promover mudanças estatutárias que permitam, por exemplo, o voto direto aos pilotos? Não seria um mecanismo justo também para definição do presidente de uma federação estadual? A CBA teve mais ou menos 10 mil filiados. A ABPA tem 200, dos quais acho que 36 se preocuparam em votar… Você mesmo é piloto, que eu sei. Você se filiou à ABPA? Alguma vez você já quis saber da eleição de seu clube ou federação onde você fez a sua filiação? Sabes quantas associações no mundo têm pilotos participando? Nenhuma, só aqui no Brasil. Também desconheço qualquer outra confederação que tenha promovido esta abertura. Quanto às mudanças estatutárias, o presidente não tem esse poder, só quem pode mudar é a Assembleia Geral, com o voto das FAUS e da ABPA. Quanto às federações estaduais é a mesma coisa, os clubes que são votantes é que podem propor isso a suas federações.

 

BLuc – Há perspectivas concretas para o surgimento breve de novas competições no Brasil?

Dadai – Sim, acredito que em 2017 teremos pelo menos mais uma categoria nova em nosso automobilismo.

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Dadai nega que tenha havido perdão de dívidas de clubes em troca de votos na eleição para a presidência da CBA: “Desconheço, e o estatuto não permite”

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