Luc Parade

CASCAVEL – Já me meti a fazer muita coisa na vida. Bem ou mal, muitas delas foram adiante de algum modo. Já ataquei como poeta, jornalista, caricaturista, kartista, cantor de dupla sertaneja, mestre de cerimônias, narrador, piloto. Tudo isso já aconteceu por algum tempo nos meus menos de 40 anos de vida, algumas coisas com maior aptidão, outras com menos, outras com quase nenhuma.

Teve coisa em que me meti e que sequer saiu do papel. Ou da sala de ensaios. Nenhum de vocês sabia, até hoje, que fui vocalista de banda de rock. Aos que vão perguntar qual era a banda, já antecipo que sequer lembro o nome de todos os músicos e que a banda não chegou a ser batizada. A escolha do nome era um drama que acompanhava os pouco mais de dez ensaios que fizemos.

Brasília, 2008. Foi onde e quando recebi, às portas do hotel onde estava hospedado durante a segunda etapa do Telefónica Speedy GT3 Brasil – que no ano seguinte se tornaria o Itaipava GT Brasil -, um telefonema do Christian, que já conhecia por ser o guitarrista da banda que acompanhava a dupla Lincon & Luan. E era, é, filho da dona do bar de Cascavel que eu frequentava a época, o 90 Graus. Christian tocava sertanejo para ganhar uns cobres, mas seu grande barato era o rock. Reuniu uns amigos, resolveram que iriam formar uma banda, mas precisavam de vocalista. Ele contou que tinha um baixinho que ia sempre ao 90 Graus e que “cantava pra caralho” (foram as palavras que o baterista me narrou dias depois). Liga pro cara, decretaram. O Christian ligou. Atendi em Brasília.

Não costumo me assustar diante de novidades assim e aceitei a missão. Quando cheguei de viagem, já havia um repertório de umas dez ou doze músicas pronto. Eu teria de aprender todas elas, em inglês. “Everything about you”, a peça de hoje na série que tento retomar aqui no blog, era uma delas.

Bem, a banda não decolou. Maioria de nós sugerimos o nome 90 Graus, mas alguém foi atrás de pesquisar e já existia essa banda, embora eu dela nunca tenha ouvido falar. E minha atuação como vocalista durou até determinado ensaio, lá mesmo no 90 Graus, que era acompanhado por uma cantora. Culpa do Axl Rose. Dias antes, enquanto tocava “Sweet child o’mine” no som do boteco, sinalizei ao Christian que a colocasse no repertório. Foi feito. Bela pretensão, a minha, de alcançar a extensão vocal do Axl. Na primeira tentativa, naquele ensaio, vi que não daria pé para mim e, como que para descontrair, joguei o microfone no colo da tal cantora. Que sabia a letra de cor e foi até o fim, surpreendendo os caras da banda. Perdi o posto ali.

Foi pena a banda não passar dos ensaios. Aqueles caras são muito bons.

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