Pódios em casa

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O bom Gol que o Felipe Carvalho dividiu comigo nesta etapa e que vai pilotar em todo o restante da temporada.

CASCAVEL – Duas semanas antes eu tinha descoberto em Curitiba, bem longe da turma de sempre, o que é estar num pódio de automobilismo, ambiente que acompanho tão de perto nos vários campeonatos em que exerço alguma função, normalmente na narração de corridas. Fui o segundo colocado da minha categoria numa prova extracampeonato da Classic Cup, já esmiucei bem aquele assunto.

Agora foi a vez de buscar esse pódio na pista da minha cidade. Cascavel, cidade hospitaleira, como diz nosso Hino – não tem nada a ver com o assunto de ora, nem sei por que me ocorreu o Hino. Foram dois pódios, na verdade, na estreia do novo VW Gol da Sensei Sushi Bar-Sorbara Motorsport no nosso Campeonato Metropolitano de Turismo 1600.

Abrimos a temporada com o Ford Escort, todos lembram. Houve a primeira bateria em fevereiro, e na estreia do Felipe Carvalho, com quem formei dupla, ele cavou um sexto lugar. A segunda corrida não aconteceu no dia, evento suspenso por conta de um acidente grave, e foi reposta no último sábado. Larguei em sexto, éramos sete no grid, e terminei em segundo. Terceiro seria um resultado mais justo, mas o Cido Morais teve uma quebra de motor a menos de três voltas do final, o segundo lugar caiu no colo. Somado ao sexto do Felipe cinco semanas antes, fomos ao pódio em quarto.

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Felipe e eu acabamos cativos do quarto degrau do pódio nas duas primeiras etapas. No domingo era para termos subido mais. 

No domingo vieram as corridas da segunda etapa. Fiz a tomada de tempos momentos antes da largada e não consegui extrair do carrinho tudo que ele oferecia, e era bastante coisa, apesar de uma irritante falha na carburação. Quarto lugar no grid. José Sorbara e seus blue caps tentaram mais uma mudança nos giclês, uma tentativa cega, já que não haveria mais treinos antes da prova. Felizmente os Sorbara sabiam o que estavam fazendo. O carro acendeu na hora certa, como bem definiu o Marcão Romanini. Felipe largou em quarto e pilotou como um veterano, apesar de ser só sua segunda corrida no automobilismo. Para surpresa de todos nós, e dele próprio, ganhou a corrida. Deixou-me como presente-de-grego a pole position para a prova final.

A pressão era grande. O sarro dos amigos, idem. Ninguém, nem eu, imaginava que aquele primeiro lugar fosse perdurar por mais de duas curvas de corrida. Momentos antes de entrar no carro escutei três comentários bem distintos, vindo de três personagens que fizeram parte do fim de semana de competições – André Bragantini, Sandra Zama e César Cortina acabaram, sem saber, dizendo as coisas que eu precisava ouvir.

Larguei ainda duvidando que fosse permanecer à frente por muito tempo. A meu lado na primeira fila estava o Gol do Juliano Silva, sempre muito rápido. Quando a luz vermelha apagou fiquei patinando feito bobo no concreto da reta do autódromo. Ali já esperei que três ou quatro me passassem na descida para o Bacião. Bem, o carro saiu do lugar, olhei pelo espelho e vi que todo mundo estava atrás. Era a certeza de liderar pelo menos uma curva da corrida.

Liderei a volta toda até, na reta dos boxes, o Juliano emparelhar. Foi-se a liderança, pensei. Desci o Bacião pela linha externa da pista, imaginando que ele estivesse ali ao lado. Consegui sair de lá em primeiro. A ideia de puxar a fila numa corrida começou a se formar no meu miolo-mole. Esse negócio de eventualmente ganhar uma corrida começou a parecer palpável. Sobretudo depois da quarta volta, quando saí mal do Bacião – preciso melhorar bastante seu contorno – e o Juliano emparelhou de novo. Minha única chance de continuar à frente dele era conseguir contornar o Mergulho por fora, coisa que jamais pensei em treinar. Sem muita opção ou tempo para pensar, foi o que fiz. Mergulho por fora, S do Saul por dentro, antiga reta oposta e curva Seis por fora, até me reestabelecer à frente na saída da Sete, que traz para o retão.

TROFEU

Minhas três últimas corridas renderam três trofeuzinhos. Nada mau para quem só conhece esse mundo de corridas pelo lado de fora.

Estava me sentindo o Nelson Piquet depois de fazer aquilo. “Não passa mais”, decretei, em voz alta, como se alguém pudesse ouvir. Talvez não passasse, mesmo, jamais vou saber – uma volta depois de termos contornado quatro curvas lado a lado a homocinética do meu carrinho resolveu que era hora da brincadeira terminar. Quebrou na entrada do retão. Juliano, Marcos Cortina, Roney Ribeiro, Flamarion Zacchi e Richard Valandro foram embora, um a menos na frente, todos devem ter pensado, enquanto eu tomava o caminho dos boxes para dali abandonar, pelo menos por esse ano, a participação em corridas.

Já sabia, antes mesmo da etapa começar, que estaria fora da pista pelo restante da temporada. As próximas etapas, todas elas, vão acontecer nas datas em que estarei em outras pistas narrando corridas de campeonatos brasileiros. Faço questão de, ano que vem, participar de mais algumas corridinhas. Esse negócio é divertido e acaba compensando, sob uma série de pontos de vista, as agruras que a vida traz. Nas três últimas vezes em que estive na pista foram três trofeuzinhos. Muito bom, acho, para alguém que só conhece esse mundo das corridas pelo lado de fora.

Boa estreia, também, do Golzinho do Felipe: nas três corridas do fim de semana ele nos levou a um segundo lugar e a uma vitória. E estava na frente de novo quando entregou os pontos. O carrinho, que era do Aloysio Ludwig, veio para cá muitíssimo bem ensinado.

Quanto à minha corrida de domingo, por enquanto a última da minha trajetória, estou curiosíssimo para ver a filmagem produzida pelo Beto Borghesi, que deverá chegar daqui a alguns dias. Enquanto não chega, vou me contentando com o vídeo aí abaixo, captado pela câmera onboard do Juliano, que me deu uma pressão e tanto enquanto estive na pista. A quebra da homocinética, que me tirou da brincadeira, acontece aos 11min30s do vídeo.

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4 pensamentos sobre “Pódios em casa

  1. Pena que tenha havido a quebra.Você estava resistindo bem ao ataque, pelo para mim que nem sequer sei dirigir. Parabéns pela aventura. Uma curiosidade, se você puder e quiser responder, lógico: quanto custa financeiramente esta brincadeira? Abraços, Cleomar.

  2. Pingback: Na íntegra: Metropolitano de Cascavel, 2/6 – BLuc

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