Classic Cup em Curitiba, primeiro dia

LUC MONTEIROCURITIBA – Prometi postar logo após o jantar, e não terminei de jantar ao amanhecer. O que ocorre é que a conexão de internet do hotel é bem capenga e o upload dos vídeos no YouTube demorou horas. Logo, deixei para agora cedo.

Comecei a sexta-feira, confesso, com um temor latente: de o carro, o simpático Escortinho número 66, não ir para a pista. Temores técnicos. Não por ser um carro antigo, mas por ser também um carro velho, e todo mundo que orbita o mundo da Classic Cup compreende sem a menor dificuldade a diferença entre os dois conceitos.

Tinha tudo para dar errado, como diria Faustão, o da televisão. Mas deu certo. Amauri, que conheci pela manhã já nos boxes do autódromo e é quem responde por todos os lidos técnicos do carrinho nesta etapa extracampeonato da paulista Classic Cup, é um ninja. Na segunda vez em que nos falamos, já me apontou uns quatro ou cinco problemas do carro. Para me desanimar, pensei. Não, pelo contrário: dos quatro ou cinco, já tinha resolvido três ou quatro. E nem eram dez da manha, ainda.

Uma rápida consulta à lista de participantes revelava que éramos pelo menos 30 os participantes da corrida, que acompanha as etapas de abertura da Sprint Race e do Campeonato Metropolitano de Automobilismo de Curitiba, que inclui as categorias Marcas & Pilotos, Turismo 1600 e Turismo 5000. Vim para cá condicionado a não me deixar perturbar com a presumível condição de último colocado geral. Valeria a curtição, e pronto. Mas curti bem mais do que imaginava.

Pela manhã, o mago Pedro Pimenta estava de saída para a pista para passar umas noções ao Vinicius Margiota, piloto da Sprint Race a quem presta coaching. Pimenta me viu perambulando pelo pit lane e mandou que eu ocupasse o banco de trás do carro. Demos três voltas pela pista. Pedro ao volante, Vinicius a seu lado, eu atrás, copidescando todas as dicas do Pimenta. Interessante ao extremo, esse trabalho de coaching que o Pimenta e tantos outros prestam no automobilismo. Para quem está aprendendo, não há recomendação melhor. Quando vem de alguém com o gabarito de um Pedro Pimenta, então, é garimpo puro.

Não agradeci devidamente ao Vinicius pela condescendência com que permitiu que eu me enfiasse como chupim naquela breve e eficiente aula – farei isso hoje, sem falta. Fato é que as dicas do PP abreviaram bastante os perrengues que eu seguramente passaria no primeiro treino. Talvez eu devesse ter prestado atenção maior a seus macetes quanto ao contorno do Pinheirinho, única curva do traçado que exige a segunda marcha. Fiz o treino atrás de pilotos e à frente de pilotos, e no instante em que fiz sarro comigo mesmo, dentro do carro, sobre o traçado do piloto que ia à frente na tomada do Pinheirinho o errado era eu. Como sempre.

Soube isso instantes mais tarde, analisando com o Tarso Marques Lima e o Marcelo Gomes as imagens da providencial câmera onboard que o Tarso sacou do bolso da bermuda instantes antes de eu entrar na pista do Autódromo Internacional de Curitiba estando pela primeira vez ao volante de um carro de corridas. Não tenho o menor constrangimento em compartilhar essas imagens com vocês a seguir, até por saber que só quem tem paciência para assistir a um vídeo de câmera onboard é o próprio piloto.

Minha participação no primeiro treino, como revela o vídeo, terminou minutos antes da bandeira quadriculada, quando fiquei sem acelerador. Já fora de combate, não quis parar o carro na grama. Por excesso de preciosismo, imaginei que algo sob o carro poderia estar quente o suficiente para provocar um incêndio. Estacionei antes do fim da reta dos boxes, sobre algo como uma valeta, onde sabia que só os pneus estavam em contato com a grama. Espero jamais precisar de novo, mas se acontecer é naquela valeta natural que vou parar o carro. Desci disposto a examinar o cabo do acelerador. Quando nele mexi, metade do carburador saiu na minha mão. Teria consertado ali mesmo, se tivesse chave de fenda e parafusos no bolso do macacão. Sequer tenho bolso no macacão e voltei aos boxes a reboque.

Bem, o Tarso e o Torrão foram incisivos – ríspidos, para usar um termo mais correto – na abordagem de meu traçado errado no Pinheirinho. Torrão, para quem não sabe, é o apelido do Marcelo, e se há algo que não combina com o sujeito é o nome, Marcelo. Bial e Di deveriam tê-lo registrado como Torrão, mesmo. Mas com a devida reprimenda voltei à pista no segundo treino determinado a corrigir o traçado no Pinheirinho. Até que estive mais próximo do ideal, mas ainda longe do ideal, se é que me entendem. Curitiba tem a pista de onde mais narrei corridas em minha ainda curta carreira na televisão, e depois de ter transmitido provas de tantos campeonatos sou obrigado a confessar que jamais havia entendido a lógica do traçado que os pilotos adotam no Pinheirinho. Isso não mudou tanto no treino de ontem.

Eu estava tentando, de qualquer modo. E buscando um ponto de frenagem ao fim da reta dos boxes um tanto além do que havia experimentado no primeiro treino. Ao final, por três ou quatro voltas consecutivas, não consegui engatar a segunda marcha para sair do bendito Pinheirinho. Na última dessas voltas fui para a grama e parei o carro; na tentativa de sair, notei que a primeira também não entrava. Fui para os boxes.

O problema era bem simples, uma haste de qualquer coisa que havia se soltado. Amauri resolveu o problema em poucos segundos, ao mesmo tempo em que o treino terminou. Não poderia voltar à pista. Esperto, o Muriel Stumpf, coordenador técnico da Paraguay Racing, que no box ao lado atendida o Odair dos Santos e o Thiago Klein, me sugeriu que desse uma volta em torno dos boxes para checar o funcionamento do câmbio. A segunda estava entrando de novo, o que é um alívio. O segundo treino, este em um vídeo só, está aí abaixo, captado pela onboard do Tarso.

A programação de hoje me leva bem cedo para o autódromo. Há mais um treino livre a partir das 8h35 – o que é ótimo, já que eu esperava ir direto para a tomada de tempos. Na primeira sessão, com 28 carros na pista, fiz o 14º melhor tempo e fiquei em segundo na minha categoria, a Turismo N, a 2s682 do carro da dupla Nodari/Pacheco, que ficou em primeiro. Na segunda, fui 18º na geral, com 29 carros na pista, e terceiro na categoria. Tomei 1s135 do Rafa Gimenez, primeiro da categoria, e 0s897 do Nenê Finotti, que treinou com o carro que o guru Flavio Gomes vai pilotar nas corridas de hoje e de amanhã. A chance de pole e de até pensar em vitória, falo de mim e da classe Turismo N, não é de se jogar fora.

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