É, voltei

CASCAVEL – É um caminho sem volta, às vezes. De uma brincadeira que fiz segunda-feira à noite num grupo do WhatsApp acabei caindo na lista de inscritos na sexta e última etapa do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos. Volto a correr depois de mais de nove anos. Meu reencontro com a pista, com o lado de dentro dela, vai ser domingo agora, no autódromo cá de Cascavel.

Todo mundo que trabalha de alguma forma com esse negócio de corrida de carros tem lá um certo fascínio por conhecer a coisa pelo lado de trás do balcão. Ou quase todo mundo. Poderia listar colegas que têm ojeriza pura à ideia de dar algumas voltas numa pista. Estou na metade do caminho entre esses dois mundos. Já corri algumas vezes, num passado já um tanto distante, não levei a coisa adiante, talvez não tivesse como levar. Estar na pista nunca fez falta. Estou sempre em autódromos, vendo e narrando e escrevendo sobre outras pessoas correndo, perceber que há gente que faz isso com tanta propriedade me coloca no meu devido lugar. Se você me perguntar por que cargas d’água vou para a pista no domingo, honestamente, não saberei responder.

LUC MARCAS N

Mas vou. Ou vamos, eu e minha napa, como mencionei lá no Instagram. Vou já na tarde de amanhã, sexta-feira, dia de treino liberado. Mais três treinos de cinquenta minutos no sábado, e a tomada de tempos. Pelo que a rapaziada do Marcas N levantou, serão 16 os carros na pista. Qualquer coisa além do 16º lugar, no meu caso, terá sido uma grande vitória. Não tenho o menor talento para a coisa, repito. Mas quem se dispõe a levar um carro de corridas à pista, por mais modestos que sejam os contextos, precisa ter um objetivo em mente, então trato de definir um: não tomar volta dos líderes.

Meta difícil, apesar de ter a meu favor o regulamento desportivo que determina, em cada corrida, uma neutralização com safety car depois de 15 minutos – são 30 minutos e mais duas voltas em cada uma das duas baterias da etapa. A melhor volta que já fiz nessa pista com um carro de Marcas N, ainda na configuração antiga do autódromo, foi em 1min26s3, tentando domar um Passat emprestado pelo Dinho Tasca (por onde anda o Dinho, hein?). E foi uma só. Os caras de ponta do Marcas N, hoje, estão fazendo voltas na casa de 1min20s.

Terminar a corrida sem tomar volta dos líderes. Estipulei isso agora, escrevendo esse post. Não há pretensões minhas quanto a resultados, pontos no campeonato, essas coisas. Tento deixar o estado de espírito apto a curtir as coisas boas que ir para uma pista de corridas traz. Traço minha meta pessoal pensando nas voltas rápidas de Gelson, André, Cleves e Lorenzo, Cesar, Marquinhos, Luciano, essa rapaziada um tanto mais veloz do grid, e nas de tantos outros que terão a inglória missão de dividir a pista comigo na etapa do fim de semana, alguns deles nem tão próximos assim, mas todos fazendo questão de me proporcionar uma boa acolhida no grid.

Claro que tem uma galera colaborando de alguma forma para eu ser um dos 16 de domingo, e faço uso do meu modesto espaço aqui na nuvem para registrar, digamos assim, meu agradecimento a toda essa gente. Listo-os por ordem alfabética, para fugir de melindres e afins: o Aloysio Ludwig Neto, piloto e parceiro das antigas, o Caio Carvalho, do Sensei Sushi Bar, o Guilherme Sírtoli, da AuStore, o Joacir Alves, da Inspevel Inspeção Veicular, o Odair dos Santos, da Casa Wireless, o Thiago Marques, da Sprint Race Brasil, o Thiago Oliveira, que conheci como piloto de competições e até hoje não sei o que faz da vida, o Vanderlei Costa e o Zé Vitor Costa, do Bar do Zé, mais uma porção de gente que tem me mandado umas mensagens bacanas, que o Danilo Dirani definiria como “boa vibe”.

O carro será o simpático Escortinho aí da foto, que me foi cedido por um fim de semana pelo Thiago Klein – que está em vias de se tornar campeão da categoria A, a principal do nosso Metropolitano. “Cuide bem dele e passe um paninho depois de cada treino”, foi a pesada cláusula contratual proposta pelo Thiago. Meus advogados concordaram. Ia usar o número 33, mesmo, que já está aplicado no carro. Mas o regulamento me proíbe. O número já foi usado na temporada corrente pelo Caíto Carvalho. Como tenho de mudar, já encomendei ao Teko, da Adesitex Comunicação Visual, adesivos novos com meu bom e velho 66.

LUC MARCAS PISTA

O VT das duas baterias da etapa será exibido dias depois de sua realização no “Velocidade Máxima”, programa que o Beto Borghesi mantém em algumas emissoras paranaenses. Vai para a internet, também. Sou eu quem narra as corridas do Metropolitano e imaginei que entraria para o Guiness Book como primeiro sujeito a narrar uma corrida da qual participou como piloto. Doce ilusão. O próprio Beto já fez isso e não foram poucas vezes.

Enfim, me dou por satisfeito se não tomar volta dos líderes. Mas, se tomar, fico satisfeito do mesmo jeito.

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